Assim com no Halloween (http://brenooficial.wordpress.com/2011/10/31/happy-halloween/), escrevi mais um conto, correspondendo ao mês em que estamos.
Espero que gostem. Leiam e comentem!
Capa por: @52Metroshinodao
O ESPELHO – CONTO DE NATAL
Por Vinícius Fernandes
Todo fim de ano, um sentimento de nostalgia invadia meu ser. Nunca soube o porquê, talvez fosse o clima de “final”. Eu sempre soubera que tudo seria do mesmo jeito quando o ano novo chegasse, mas mesmo assim, toda vez que o mês de novembro desdobrava-se até sua metade, uma mescla de nostalgia e tristeza tomava conta de mim.
Desde muito cedo aprendi que Coelhinho da Páscoa, Fada do Dente e todos esses seres fantásticos não existiam. Dentre eles, estava o Papai Noel. E é claro que agora, com dezesseis anos, isso tampouco importava. No entanto, minha mãe era uma pessoa completamente “natalina” e talvez por esse motivo escolhera uma casa com lareira e chaminé para morarmos. Ela costumava montar uma árvore que tomava quase toda a sala, enfeitava a porta de entrada, as janelas e cada cômodo de nossa residência. Todos os anos, ela também pedia para meu tio, seu irmão, vestir-se como o bom velhinho e entregar presentes para as crianças de nossa família.
Já eu, como muitos garotos da minha idade, preferia um tipo “natal obscuro”. Adorava ver filmes ou ler histórias trágicas sobre a época, sobre Papais Noel malignos e assassinos.
Na manhã do dia 24 de dezembro, acordei cedo e desci as escadas. No meu caminho até a cozinha, passei pela sala e percebi que minha mãe havia mexido mais um pouco na decoração. Havia um espelho que eu nunca tinha visto antes perto da poltrona ao lado da lareira. Suas bordas estavam todas enfeitadas com botas de pano vermelhas e algumas bolas coloridas penduradas.
— Gostou? — A voz da minha mãe penetrou meus ouvidos e eu me virei para encontrá-la entre o umbral da porta que separava a sala da cozinha.
— Na verdade, achei um pouco antiquado — respondi. — Onde você comprou?
— Comprei hoje cedo naquela lojinha nova no fim da rua.
A loja abrira há menos de uma semana. Eu tinha passado algumas vezes em frente a ela e, pelo que percebera, vendia diversas coisas: enfeites, livros e coisas tão antigas quanto se podia imaginar.
— Isso é a sua cara, mãe.
Sorri para ela e olhei para o espelho novamente. Quando o fiz, senti um arrepio percorrer meu corpo em menos de um segundo. Definitivamente, não gostara daquele objeto.
Depois de tomar café da manhã, decidi visitar aquela loja só para poder passar o tempo, já que não tinha muito que fazer naquele dia. Em poucos minutos, alcancei a entrada do local. Era simples, com apenas uma porta de madeira e uma vitrine ao lado, exibindo alguns livros e jogos de tabuleiro em caixas empoeiradas. Empurrei a porta e um sininho sobre ela anunciou minha entrada. Ouvi alguém se mexendo por entre as prateleiras e os móveis velhos espalhados pelo lugar e logo em seguida um homem com uns cinquenta anos vestindo uma camisa xadrez vermelha e calças jeans apareceu.
— Olá — disse ele. — Posso ajudar em alguma coisa?
— Estou só dando uma olhada — respondi, examinando o recinto. — Você tem uma bela coleção de… muitas coisas aqui.
Sorri sem achar graça.
— Tenho, sim — disse ele, sorrindo de volta. — Essas coisas estão na minha família há muitos anos. O avô de meu tataravô começou com tudo. Ele abriu uma lojinha, e o legado vem sido passado de geração a geração, assim como muitas das coisas que não foram vendidas. Algumas delas têm grande valor histórico, e nem mesmo eu sei de onde vêm.
Ele sorriu mais uma vez, e depois continuou:
— Um garoto como você deve gostar de jogos, não?
Eu balancei a cabeça, afirmando.
— Hoje em dia, vocês jovens só gostam de jogos de computar, Xbox e todas essas coisas — continuou ele. — Mas eu tenho alguns aqui que são muito valiosos. Jogos de tabuleiro de séculos atrás. São ótimos.
Ele começou a andar e sinalizou para que eu o seguisse. Assim o fiz e, ao caminhar mais para o fundo na loja, vi estatuetas e caixas fechadas em algumas prateleiras. Quando chegávamos perto de um balcão bem afastado da entrada, uma série de espelhos como o que minha mãe comprara formava uma espécie de corredor. Tivemos que passar entre eles, e eu percebi que alguns estavam cobertos com panos amarelados.
— E esses espelhos? — perguntei.
— São de muitos séculos atrás. Vieram da Turquia, sabe? A terra de São Nicolau, mais conhecido hoje como Papai Noel, Pai Natal, Santa Claus, o bom velhinho…
— Sei. Já li sobre isso algumas vezes. Mas por que alguns dos espelhos estão cobertos?
— Ah… — O dono da loja pareceu não querer falar muito no assunto, mas respondeu por educação. Um tom misterioso e assustador tomou conta de sua voz, ficando um pouco mais baixa agora: — Eu não gosto muito de espelhos, ainda mais esses.
— O que têm eles? — perguntei.
— Nunca ouviu histórias do “bom” velhinho como vilão? Paradoxo engraçado esse…
— Sim. Eu já ouvi várias histórias assim. O que têm esses espelhos?
— Uma lenda vem sendo passada de geração a geração na minha família. Dizem que são amaldiçoados.
Ele parou de falar e ficou olhando-me nos olhos. Esperei ansiosamente que ele continuasse, mas o homem pareceu ter se lembrado de algo de repente e disse:
— Mas essa não é uma história para se contar hoje. Está na hora de fechar a loja.
Tentei protestar, mas o homem me empurrou gentilmente pelos ombros na direção da saída.
— Abrirei novamente depois da virada do ano. Volte depois.
Ouvi o sininho tocando quando ele abriu a porta e em seguida me vi na calçada, ao lado da vitrine. Olhei pela pequena janelinha na porta de madeira e vi o proprietário trancando-a por dentro. Ele sorriu para mim e se perdeu na escuridão de seu comércio.
Parte da minha família se reuniu em casa aquela noite para a ceia de Natal. O único que estava faltando era o meu tio que sempre se vestia de Papai Noel, pois esse ano ele ganhara uma viagem para fora do país e estava aproveitando-a nesse exato momento.
Depois de terminada a ceia, todos os parente foram embora e só ficamos minha mãe, meu pai e eu em casa. Os dois foram dormir, mas eu decidi ficar mais um pouco na sala, jogando Xbox. Por volta de uma e meia da manhã, o sono começou a tomar conta de mim. Desliguei o jogo e olhei para o espelho quando levantei da poltrona em que estivera sentado. Novamente um arrepio pelo corpo. Só que dessa vez ele veio junto com… vozes? Fiquei olhando para o meu reflexo na superfície vítrea e vi parte da sala atrás de mim. De dentro do espelho pareciam sair vozes, como se várias pessoas estivessem sussurrando, tão longe, mas ao mesmo tempo tão perto.
E então, tão repentinamente quanto começara, as vozes pararam, e o silêncio reinou. Balancei a cabeça e ri de mim mesmo. Era coisa da minha mente, eu ficara assim por causa do que o homem da loja me contara e, além disso, estava morrendo de sono. Por fim, subi as escadas e deitei em minha cama. Tentei esvaziar a mente e em poucos minutos estava dormindo.
Sonhei que também dormia e acordava assustado, então levantava da minha cama e ia até a sala, onde encontrava um homem sentado na poltrona. Aproximei-me dele, mas quando cheguei perto, acordei de verdade.
Olhei para o relógio no meu celular e vi que eram três da manhã. Graças a Deus tudo não passara de um sonho. Descansei a cabeça no travesseiro novamente e fechei os olhos para descansar quando ouvi um barulho vindo do andar de baixo. Algo grande sendo arrastado. Algo grande e pesado.
O espelho.
Levantei-me da cama e fui até as escadas cautelosamente. Desci os degraus vagarosamente, tentando não fazer nenhum barulho e parei no último. Dali era possível ter uma vista panorâmica da sala. Avistei a lareira, apagada. Olhei para a poltrona e em seguida para o espelho e abafei um grito de espanto. Antes ele estava virado para a escada, mas agora estava ao contrário. Estava virado para a janela agora, como se estivesse encarando a rua. Lentamente, eu caminhei pela sala, ouvindo apenas meus pais dormindo tranquilamente no andar de cima e alguns cães latindo ao longe na rua. Cheguei até o espelho e, com medo do que poderia encontrar atrás dele, segurei-o e comecei a colocá-lo na posição original novamente. Para o meu alívio, não havia nada do outro lado. Deixei-o como estava antes ter ido dormir e o encarei. Vi o meu reflexo ali, mas logo em seguida percebi que não estava sozinho. Havia alguém atrás de mim!
Virei-me de supetão e dei de cara com um velho que poderia se passar pelo Papai Noel, exceto pelas suas roupas, que eram um grosso casaco de lá e uma calça do mesmo material marrom. Tentei correr pelo lado do homem, na direção do telefone para chamar a polícia, mas o velho segurou meu braço com uma força sobrenatural e em seguida colocou a mão na minha boca, impedindo-me de gritar. Ele me fez olhar para o espelho e ver a cena. Um velho grande de roupas marrons com uma similaridade incrível com o bom velhinho. Ele sorriu, e dentes amarelados apareceram em sua boca. Eu tentei morder sua mão, mas ele apertou minha boca ainda mais forte, impossibilitando-me. Ele soltou meu braço e usou-o para apertar meu pescoço, tentando me sufocar. Senti o ar sumindo de meu pulmão, meus olhos arderem e minha garganta ficar seca. E vi toda a cena pelo espelho. As lágrimas descendo dos meus olhos, molhando meu rosto, e a expressão maligna no rosto do velho de dentes amarelos. Achei que fosse morrer, e quando já não tinha mais ar no pulmão, senti meu corpo amolecer e então pensei que a escuridão da morte viria a seguir, mas não. Algo esquisito aconteceu. Eu desfaleci nas mãos do velho, mas estava consciente de tudo que estava acontecendo e vi tudo pelo espelho. Ele me levou até a poltrona e me colocou sentado lá, depois virou o espelho para mim e eu me vi sentado lá, como um cadáver, os olhos abertos, o corpo mole jogado no assento. Era como se eu estivesse dentro de um armário observando o lado de fora através de uma fresta e fosse impossível me mexer ou gritar. Tentei pedir por ajuda, mas não conseguia emitir som algum sequer. Eu era um prisioneiro em meu próprio corpo.
O velho olhou-me e logo em seguida caminhou na direção do espelho. Eu tentei acompanhá-lo com os olhos, mas percebi que também não conseguia movê-los. O homem, então, caminhou na direção do espelho e simplesmente o atravessou como se houvesse uma porta aberta ali.
Eu apenas fiquei sentado na poltrona, meu corpo imóvel sem respirar, mas que de algum modo me mantinha dentro dele, consciente de tudo que acontecia ao meu redor. As horas foram se passando e logo a claridade do dia entrou pela janela, iluminando-me. Ouvi passos descendo a escada e em seguida a voz da minha mãe:
— Querido, o que você está fazendo aí? Dormiu na sala?
Ouvi ela se aproximando de mim por trás da poltrona.
— Vamos, está na hor…
Ela entrou no meu campo de visão e estacou onde estava. Seus olhos arregalaram-se ao me verem. Eu tentei gritar, dizer que eu ainda estava ali, só não conseguia me mover, mas ela desesperou-se e berrou, chamando pelo meu pai.
O que aconteceu em seguida foi aterrorizante. Meu pai desceu as escadas correndo, segurou-me e me chacoalhou diversas vezes, gritando meu nome. Eu acho que chorei, mas não saíram lágrimas dos meus olhos. Tentei gritar, me mexer, dizer para eles que eu estava ali, mas foi inútil. Lembro-me que em seguida, chegaram pessoas parecidas com paramédicos e me pegaram, me colocaram em uma maca e jogaram um pano sobre mim, obscurecendo minha visão. No entanto, quando a levantaram e me levaram para o lado de fora, pude ver entre os pequenos buraquinhos entre a costura do pano a multidão de gente em volta da minha casa e, entre essas pessoas, o dono da loja com um olhar de terror em sua face. Em seguida, lembro de ter sido colocado em um carro e de ouvir minha mãe soluçando quando as portas foram fechadas e o veículo foi posto em movimento. Eu parecia um paciente em coma dos filmes que adorava assistir, só que dessa vez eu estava… morto. Lembro-me também de ser colocado na mesa de um necrotério, de um médico mexendo no meu corpo, me examinando e depois anotando na prancheta e falando ao mesmo tempo:
— Causa da morte: estrangulamento.
Depois me lembro de ser colocado em um caixão e ficar em uma salinha vendo pessoas da minha família entrando e saindo, parando ao meu lado, olhando para mim com olhares pesarosos, lágrimas pelos rostos, e ouvindo minha mãe chorando em algum lugar próximo. Depois de algumas horas, alguém fechou a tampa do caixão e eu fiquei e total e completa escuridão. Senti que estava sendo levado para algum lugar, provavelmente o cemitério. O caixão foi colocado para baixo e ouvi um padre rezando com os meus familiares do lado de fora de minha cova. Então percebi que eu estava sendo abaixado e que aquela fora a última vez que meus parentes me viam e que eu os veria. O meu corpo morrera, mas minha alma estava viva dentro dele de algum modo bizarro. Ouvi o barulho da terra sendo jogada em cima do meu caixão, e momentos depois todos os sons do lado de fora foram abafados, eu não conseguia mais ouvir nada nem ninguém. Fora enterrado e minha única companhia era a escuridão.

Meeeeew, que fhoda, adooorei, quero mais u.u
Muito muito muito bom mesmo ‘-’, mas poderia ter continuação :/
Wow….adorei Vinny…ansiosa pelo próximo!
OMG! Amei!
Como eu já havia dito você tem futuro. Faz logo um livro de contos e ganhe seus milhões. XD
P.S.:Desculpa a demora para responder, estava um pouco ocupada.
Obrigados comentários, gente! =D
Keyla, nunca tinha pensado em fazer um livro de contos, mas agora que você diz, achei uma boa ideia. Só preciso reunir mais alguns. Valeu pela dica, mas quanto aos milhões já não tenho tanta certeza… Rsrs
\o/
Então, é como o livro “Formaturas Infernais”, são contos que, como diz o livro, acontecem na formatura. =)
e 4400??? deixa a gente na mao nao… xD
tem razão o Caio ai de cima! o conto é otimo mais não nos deixe sem o 4400!
só temos vc cara, e como vc ja disse esta quase no fim, termina a tradução pra gente!
voce é nossa unica ligação com aquele universo da Promicina!
Calma, gente… Rsrs… não vou deixar vcs na mão. Logo mais coloco os últimos capítulos do livros.
É que o blog não é só do “the 4400″… Mas não se preocupem que colocarei o resto em breve. xD
Valeu Vinição!!! xD