The 4400 – Welcome to Promise City (Capítulo 8 traduzido)

Publicado: 6 de fevereiro de 2010 em The 4400

Aí vai o capítulo dessa semana. Só não esqueçam dos comentários, pois são eles que levarão a tradução  adiante xD

OITO

 

Marco apareceu no necrotério. Literalmente.

            Num instante, o vagaroso gênio não estava à vista. No instante seguinte, ele apareceu repentinamente entre Tom e Diana, enquanto esperavam por ele nas instalações médicas privadas da NTAC.

O cabelo liso e castanho precisava ser penteado. Olhos castanhos de ar inteligente espreitaram por detrás dos óculos pretos de aro de tartaruga. Ele vestia uma jaqueta de tweed por sobre uma camiseta.

— Desculpem o atraso.

            — Marco! — exclamou Diana, surpresa por sua aparição abrupta. Ela pressionou o peito para acalmar o coração acelerado. — Você sabe que não deve fazer isto. Especialmente no trabalho.

            O retraído e querido analista havia ganho a habilidade de se teletransportar, após ter sobrevivido ao cinquenta/cinquenta. Quase todo mundo na NTAC sabia o que ele podia fazer, mas demonstrações públicas de habilidades adquiridas através da promicina estavam firmemente desaconselhadas. Diana sacudiu a cabeça em desaprovação. Marco sabia muito bem que não deveria agir daquela maneira. E se algum figurão de Washington estivesse fazendo uma visita à agência?

            — Eu sei — admitiu ele. — Mas é tão conveniente! E eu não queria deixar vocês esperando. Ele deu uma olhada ao redor do necrotério estéril, todo em aço inoxidável. — Então, o que eu perdi?

            — Apenas a esquisitice usual — disse Diana.

            No total, eles haviam encontrado quatro cópias idênticas do corpo de Danny na casa funerária. Todos os quatro espécimes estavam deitados em mesas de autópsia no centro do necrotério. Lençóis brancos limpos cobriam parcialmente os cadáveres. Se havia alguma maneira de diferenciar os cadáveres, Diana não conseguia saber. Ela apenas podia imaginar o quão perturbador aquilo deveria ser para Tom. Imagine que existissem quatro cópias idênticas de Maia…

            — E então? — ele perguntou, rispidamente. — Qual deles é o verdadeiro Danny?

            — Nenhum deles — respondeu Abigail Hunnicutt. A loira de vinte e poucos anos havia se juntado à equipe da Sala de Teorias de Marco pouco antes do cinquenta/cinquenta. Formada pelo MIT, ela estava em pé ao lado de um dos corpos, sua mão sem luva espalmada no peito dele. A epidemia havia transformado Abby em uma sequenciadora humana de DNA, que conseguia “ler” códigos genéticos sem a ajuda de equipamentos artificiais. Ela guardou as mãos no bolso do jaleco azul enquanto relatava suas descobertas. — Estes espécimes são cópias quase idênticas de Danny Farrell. Em torno de 99% idênticas ao original.

            — Clones? — especulou Marco.

            Abby sacudiu a cabeça. — É mais como se o DNA de Danny tivesse sido sobreposto ao de alguém. — Ela se esforçou para colocar em palavras o que estava sentindo. — Ainda há um “eco” do DNA original nas células. Minha opinião é a de que alguém está tentando transformar outras pessoas em gêmeos perfeitos de Danny…

            — Antes ou depois de mortos? — Diana questionou.

            — Boa pergunta. — Abby encolheu seus ombros. — Não dá para dizer pelo DNA.

            Um exame preliminar tinha sugerido que todos os quatro corpos haviam morrido de overdose de promicina, não como o verdadeiro Danny, que havia sofrido um massivo acúmulo de promicina em seu organismo, antes de seu irmão cometer eutanásia contra ele. Talvez autópsias completas pudessem trazer mais informações, mas Diana tinha suas dúvidas. Eles estavam alguns passos à frente da ciência forense convencional ali.

            — Mas por que alguém iria querer fazer algo assim? — perguntou Tom. Apesar de estar se mantendo firme, sua frustração óbvia pontuava seu tom de voz. Ele cerrou os punhos. — Por que eles não podiam simplesmente deixar meu sobrinho em paz?

            Marco coçou o queixo. — Você disse que achou promicina na agência funerária? Meu palpite é que alguém está tentando reproduzir o processo que transformou Danny na ‘Typhoid Mary’ da promicina, criando uma arma biológica viva e capaz de disseminar o efeito cinquenta/cinquenta aonde for. — Seus olhos se arregalaram por detrás dos óculos. — Talvez até um exército de hospedeiros…

            Um silêncio caiu sobre o necrotério enquanto imaginavam as terríveis implicações do que Marco estava dizendo. Um Danny quase havia destruído Seattle. Uma legião de clones de Danny poderia causar mortes e devastação inimagináveis.

            — Alguém, quem? — perguntou Diana, quebrando o silêncio. — Jordan Collier?

            — Vamos descobrir — disse Tom.

 

* * * * *

 

            O edifício comercial que agora funcionava como o novo Quartel General de Collier era o antigo prédio da Haspelcorp, uma ironia que certamente divertia Collier. Uma enorme tela de tecido retratando o novo messias, de muitos andares de altura, adornava a fachada externa da estrutura. Reproduções menores estavam penduradas dentro do saguão palaciano.

            Conversa sobre um culto da personalidade, pensou Tom. Os pôsteres onipresentes relembraram-no de maneira desconfortável da China Maotseísta e outros regimes autoritários. Imagine quando as estátuas de cinquenta pés começarem a ser erguidas?

            — Posso te ajudar? — acudiu um segurança quando os agentes adentraram o saguão. O sentinela idoso, que aparentava ter seus sessenta anos, não se impunha muito fisicamente, mas nem precisaria; sendo um positivo, ele sem dúvida tinha outras maneiras de repelir visitantes indesejados. Estava sentado em uma grande escrivaninha de tampo de mármore. Um distintivo o identificava como Hoyt.

            Mais guardas estavam posicionados ao lado dos elevadores, escadas e saídas de emergência. Collier obviamente não estava se descuidando de sua segurança. Tom não poderia culpá-lo. Não obstante todos os esforços filantrópicos do Movimento, muitas pessoas ainda culpavam Collier pelo cinquenta/cinquenta e as mortes de seus entes queridos. Ele já havia até sobrevivido a várias tentativas de assassinato.

            Diana mostrou seu distintivo.

            — NTAC. Estamos aqui para ver Jordan Collier.

            O guarda não parecia impressionado. Tom e Diana eram visitantes frequentes. Ele fixou o olhar na morena esguia que acompanhava os dois agentes. Seus olhos escuros brilharam de modo travesso. Uma jaqueta Burberry Prorsum feita sob medida comprovava um generoso gasto com roupas. Perfume caro emanava da delicada jovem, que parecia ter seus trinta e poucos anos. Um símbolo de dólar estava tatuado em seu pulso.

            — E ela? — perguntou o segurança.

            April Skouris era a irmã caçula de Diana e ovelha negra da família. Ex-tatuadora e ex-golpista, April tinha sido uma das primeiras pessoas rebeldes o suficiente para tomar uma dose de promicina quando Jordan Collier a disponibilizou para as massas. Sua recém-descoberta habilidade de fazer as pessoas dizerem a verdade havia eventualmente a colocado em um agradável emprego, em que atendia tanto à NTAC quanto ao FBI. Tom francamente havia achado-a meio irritante, mas se ela poderia ajudá-los a arrancar algumas respostas de Collier acerca dos restos mortais de Danny, ele estava disposto a designá-la para aquela visita.

            — Eu também sou da NTAC — ela vangloriou-se, orgulhosamente mostrando sua própria identificação. Depois de ter sido criada à sombra da irmã mais velha e mais talentosa, ela parecia ávida por demonstrar que as duas estavam finalmente em pé de igualdade. — April Skouris, agente especial.

            — Aham. — Hoyt letargicamente digitou o nome dela em seu computador. Um franzir acentuou as pesadas rugas ao redor de sua boca. — Desculpe. Você está na lista negra. Acesso negado.

            — O quê? — A indignação modificou instantaneamente seu tom de voz. — Quem disse?

            — Eu não sei — ele confessou, automaticamente. Ele não poderia mentir, se quisesse. — É o que diz o computador. Você foi marcada como uma ameaça à segurança.

            — Droga! Isso é completamente injusto! — Ela olhou para Tom e Diana, procurando por apoio. — Vocês vão deixar ele ir adiante com isso?

            — Acho que sim — ele admitiu. A NTAC operava em Seattle sob a tolerância de Collier. Eles não estavam em posição de dar ordens. — Acho que você vai ter que esperar no carro.

            — Tá falando sério? — ela levantou a voz e bateu com o pé no chão. — Diana — ela queixou-se, parecendo mais uma irmãzinha birrenta do que uma agente federal. — Faça alguma coisa!

            A explosão de raiva atraiu a atenção do guarda do elevador, que atravessou o saguão para verificar. Era um homem alto, de rosto comprido e cabelos castanhos claros espetados. Afora suas habilidades desconhecidas, o guarda estava armado com uma pistola e uma arma de choque. Galloway, dizia o seu crachá. Sua mão repousava ameaçadoramente na culatra de sua arma. — Algum problema?

            — Não — insistiu Diana. — Apenas um mal entendido. — Ela falou suavemente com a irmã. — Desculpe, April, mas Collier nos barrou aqui. E precisamos realmente falar com ele hoje. — Pegando o braço da moça, ela a conduziu gentilmente até a porta. — Porque você não volta para o quartel general? Talvez possamos conversar mais tarde.

            — Legal — disse April, petulante. Ela sacudiu seu braço para se soltar e se dirigiu para a porta. — Vejamos se eu vou me oferecer para ajudar vocês de novo. Obrigada por nada, mana.

            Ela saiu do prédio batendo os pés. Em parte, Tom estava aliviado por vê-la ir embora. Apesar de sua habilidade bastante útil, ela era um verdadeiro barril de pólvora. Ademais, havia algo distintamente perturbador em circular por aí com alguém que poderia fazer você dizer a verdade, querendo ou não. Ele ainda sentia um arrepio quando se lembrava da vez em que April tinha nada mais, nada menos do que o forçado, por pura brincadeira, a revelar uma fantasia sexual que ele tinha com Diana, na frente da própria!

            Não era de se admirar que as pessoas não quisessem nada com os 4400 e seus sucessores.

            Depois que April saiu, os guardas recuaram um pouco. Hoyt ligou lá para cima, depois recolocou o fone na base. — Tudo bem. Vocês podem subir agora. Jordan está esperando.

            Para leve irritação de Tom, Galloway os acompanhou quando pegaram o elevador para a cobertura. Ele gostaria de poder conversar reservadamente com Diana enquanto subiam, mas aparentemente isto não ia acontecer. Bem, o elevador deve estar monitorado, mesmo.

            Eles encontraram Collier no antigo gabinete de Dennis Ryland. Uma grande escrivaninha de executivo dominava o escritório do canto. Capas de revistas estampadas com o rosto de Collier estavam penduradas nas paredes, junto com a capa de seu manifesto, que fora eleito campeão de vendas pelo New York Times. Janelas gigantescas ofereciam uma vista estonteante da Elliot Bay e do Island Harbor, mais adiante. Acompanhado de um séquito de assistentes e guarda-costas, Jordan estava ocupado examinando holografias tridimensionais de Seattle. Estruturas translúcidas e cintilantes subiam e desciam pela superfície de alta tecnologia de uma mesa de conferências, sem dúvida desenvolvida por algum mago da tecnologia anônimo, cujo poder mental tenha sido estimulado pela promicina. Ele espiou por cima dos modelos de última geração, enquanto Galloway escoltava os agentes escritório adentro.

            — Ah, Tom, Diana — disse, cordialmente. Ele se encontrava num tablado em que ficava um pouco mais alto do que os dois agentes. — É bom vê-los novamente.

            Tom estava desapontado por não ter a presença de Kyle. Pensando bem, talvez fosse até melhor. Aquela não era uma visita social.

            — Obrigada por nos receber — disse Diana. — Espero que não estejamos incomodando.

            — De maneira nenhuma — insistiu Collier. Um gesto largo chamou a atenção deles para a maquete virtual da cidade à sua frente. — Venham ver o que estamos fazendo aqui — ele os chamou. — É um plano abrangente para reconstruir Seattle. Estruturas destruídas durante os protestos serão substituídas por usinas nucleares de fusão a frio, centros de tratamentos de dependentes químicos, jardins e fazendas verticais, e outros projetos civis revolucionários que se tornaram possíveis graças às singulares habilidades da população promicino-positiva. — Ele sorriu, orgulhoso. — Estamos até modernizando o metrô.

            — Parece ambicioso — concordou Tom. Por mais que odiasse admitir, Collier e seu Movimento tinham estado no front dos esforços de recuperação nos últimos meses. Ele olhou mais de perto para a visão de Jordan da cidade. — Isto é um novo Tribunal de Justiça na Praça Pioneer?

            — Bem observado. — Collier concordou com a cabeça. — Tecnologia de ponta.

            — Mas justiça de quem? — desafiou Diana. — Do Estado ou sua?

            Desde que dominara Seattle, Collier havia estabelecido seu próprio sistema judicial, no qual os positivos que fossem considerados culpados de abusar de suas habilidades eram despojados de seus poderes pelo próprio Jordan. O tom amargo de Diana deixou claro que ela desaprovava o fato de Collier comandar seu próprio tribunal de faz-de-conta particular.

            — Com o passar do tempo não haverá diferença – declarou confidencialmente Collier. — Entretanto, por enquanto, os 4400 dificilmente poderão esperar tratamento justo nos tribunais tradicionais, o que significa que devemos policiar a nós mesmos. Posso assegurar a vocês que esta é uma responsabilidade que eu levo muito a sério. — A habilidade de apagar os dons de outros positivos era o talento único e exclusivo de Collier. – Eu gostaria que cada indivíduo com habilidades pudesse ser confiável para usá-las com responsabilidade, e a favor dos melhores interesses do Movimento, mas, infelizmente, nem sempre é o caso. Alguns novos convertidos provam não serem merecedores de seus preciosos dons.

            — Como minha irmã? — perguntou Diana.

            Collier respirou fundo enquanto se preparava psicologicamente para o inevitável assunto de April. — Ah, sim. Eu ouvi dizer que havia uma certa perturbação lá embaixo. Peço desculpas se isso foi embaraçoso para vocês, mas temo que, sem querer ofender, a lealdade e as companhias de sua irmã são suspeitas. Ela está de fato banida das dependências. — Seu tom beirava a ameaça. — Na verdade, você deveria avisá-la de que eu a livraria pessoalmente de sua habilidade se ela se aproximasse de mim, ou se de alguma forma usasse seu dom para prejudicar o Movimento.

            — Por que isso? — inquiriu Tom. — O que você tem a esconder?

            Collier foi incisivo em sua atitude. — Certamente você, que é agente federal, aprecia a importância da discrição e confidencialidade. Boca fechada não entra mosca, e tudo o mais. Estes são tempos perigosos, e eu não vou permitir que April Skouris — ou qualquer outro — ponha nossa segurança em risco.

            Tom se perguntou, em primeiro lugar, como Jordan tinha conseguido descobrir sobre a habilidade de April. Isto deveria ser informação confidencial, também. Haveria algum vazamento na NTAC ou na Segurança Nacional?

            Algo para se pesquisar, ele pensou.

            — E então – disse Collier, mudando de assunto. — O que os traz aqui hoje? Negócios oficiais da NTAC, eu suponho.

            — Isso mesmo. — Tom relatou a Jordan as linhas gerais de sua investigação, mencionando o corpo desaparecido de Danny, e o aparente envolvimento da Grayson e Filhos, mas omitindo o fato de Dennis Ryland ter acusado Collier de planejar transformar a promicina em arma. — Você sabe alguma coisa sobre isto?

            Collier sacudiu a cabeça. — Eu gostaria de poder ajudar vocês. Seu sobrinho é reverenciado como um mártir do Movimento por meu povo. É chocante que alguém possa profanar sua memória dessa maneira. Eu não consigo imaginar quem poderia ter algo a ver com isto.

            — Então você nega qualquer ligação com Grayson? — perguntou Diana.

            Collier encolheu os ombros. — O nome me soa vagamente familiar, mas o Movimento tem crescido a passos largos desde O Grande Passo Adiante. Receio que um conhecimento enciclopédico de cada um que apoia a nossa causa não esteja entre meus dons. — Ele soriu, irônico. — Uma pena.

            Tom o pressionou mais. — Então você não tem interesse em tentar duplicar a versão aérea de promicina que Danny emitia? — Ele deixou que um tom de sarcasmo pontuasse sua voz. — Mesmo que isto pudesse acelerar a realização do seu glorioso novo mundo?

            Collier parecia sereno diante da acusação. — Eu não posso negar que quero que todo mundo tome promicina. Mas eu nunca forcei ninguém a tomar a injeção… Como você sabe por experiência própria, Tom.

            É bem verdade, pensou ele. Jordan certamente teve mais de uma oportunidade de injetar promicina em Tom contra sua vontade, mas ele sempre se absteve de fazê-lo, apesar da profecia declarar que era de vital importância que Tom tomasse a dose em algum momento. Mas era o comedimento de Collier face aos seus padrões éticos, ou apenas em deferência à importância de Kyle para o Movimento? Tom estava mais inclinado a acreditar na segunda opção.

            — O cinquenta/cinquenta não foi exatamente voluntário — apontou Diana. — Nenhuma daquelas pessoas havia decidido tomar promicina.

            — Mas não foi um feito meu. — Ele lavou suas mãos de qualquer responsabilidade acerca do desastre. — Aquilo foi simplesmente uma monumental fatalidade. Um ato divino, se preferirem.

            Tom duvidava de que o Céu tivesse algo a ver com a morte de nove mil inocentes e o despedaçamento das vidas de inúmeros outros. — Eu não acho que Deus tenha roubado o corpo de Danny.

            — De fato — disse Collier. — E eu espero que você encontre o responsável. Eu te prometo sinceramente olhar o assunto com atenção.

            Tom não achou aquilo terrivelmente tranquilizante.

            Collier deu uma olhada em seu relógio de pulso. — Isto é tudo? — ele perguntou, impaciente. — Eu me arrisco a ser rude, mas tenho uma agenda muito cheia hoje. — Ele apertou um botão na prancheta e a cidade holográfica evaporou. – Transformar o mundo é um trabalho sem descanso.

            — Aposto que sim — disse Diana, secamente.

            Jordan fez cara feia. — Mande lembranças a sua filha. — Ele se moveu para acompanhá-los até a porta.

            — Não tão depressa – disse Tom. Ele encarou Collier. — Você e eu ainda temos algo a discutir. A sós.

            Ele esfregou seu dedo atrás da orelha.

            Collier entendeu o recado. — Muito bem. — Ele se virou para seu pessoal. — Eu e o agente Baldwin precisamos da sala.

            Os guardas hesitaram, claramente relutando em deixar seu líder sozinho com Tom. — Senhor?

            — Está tudo bem — assegurou Collier. — Eu não tenho nada a temer quanto ao agente Baldwin. — Ele olhou para Tom, cautelosamente. — Tenho, Tom?

            — Eu salvei a sua vida algum tempo atrás, não salvei?

            Com ajuda de Isabelle Tyler, Tom resgatara Collier dos Marcados durante o cinquenta/cinquenta. Se não fosse por Tom, o próprio Jordan seria um dos Marcados agora. E sabotando o Movimento ao qual dedicou sua vida.

            — Você salvou. — Collier conduziu sua equipe para o corredor. — Tirem cinco minutos, todos vocês.

            Diana lançou um olhar interrogativo para Tom. Ele não havia falado com ela sobre isto antes. — Tom?

            — Me dê só alguns minutos, Diana.

            Parecendo um tanto desconfortável, ela também saiu do escritório. Jordan esperou até que a porta se fechasse atrás dela e então sentou-se na cadeira de executivo atrás da velha mesa de Dennis Ryland. Seus dedos estavam unidos diante dele, enquanto assumia uma postura contemplativa. — Bem, o que você tem em mente, Tom?

            O cauteloso agente preocupou-se por um momento com câmeras ou microfones escondidos, e então concluiu que Collier também não gostaria que aquela conversa fosse gravada. — Você sabe do que se trata. O assassinato daquele cardeal em Roma. — Sua pressão sanguínea subiu ao lembrar-se de quando lera na Internet sobre a terrível morte de Calábria. — Droga, Jordan. Você deveria curar aquele homem, não matá-lo!

            Não era fácil, mas era possível libertar os Marcados dos invasores que haviam tomado conta de suas mentes. Tom era a prova viva disto. Uma dose letal de polônio radioativo, injetada diretamente em sua medula, havia destruído os nanodispositivos que infestavam seu cérebro. Depois Shawn usara sua habilidade para garantir que Tom sobreviveria ao processo. A experiência quase o matara, mas, quando acabou, ele era ele mesmo novamente. A cura havia funcionado.

            Exatamente como acontecera com Collier.

            — Em primeiro lugar — começou Jordan — você está embarcando na hipótese de que eu tive algo a ver com o recente e infortunado acidente de Emanuel Calábria. — Ele levantou uma das mãos para evitar a indignada contestação de Tom. — Pode muito bem ser que o Cardeal Calábria estivesse na moto errada no momento errado.

            Tom bateu na mesa com o punho. Um peso de papel de cristal, em forma de uma bola de luz vicejante, estremeceu. — Deixe de enrolação, Jordan. Nós dois sabemos que você mandou matar o homem.

            — Não sabemos nada sobre isto — insistiu Collier, calmamente. Ele parecia ter planejado aquela conversa por vários dias. — Eu te desafio a encontrar qualquer ligação entre o meu Movimento e os eventos em Roma. Verifique minha agenda. Eu não saio de Seattle desde a epidemia.

            — Dane-se o seu álibi — disse Tom. — Testemunhas oculares viram Richard Tyler na cena do crime. É óbvio que você o pegou para fazer seu trabalho sujo.

            — É mesmo? — Collier se recostou em sua cadeira. — Richard e eu raramente nos encontramos pessoalmente. Ele é independente, Tom. Você sabe disto. — Ele ajeitou o peso de papel na mesa. — O que posso fazer se ele resolveu nos livrar desse padre intrometido?

            A ligeira referência literária não divertiu Tom. — E quanto ao homem inocente cujo corpo foi confiscado pelos Marcados? Ele não merecia a chance de ter sua vida de volta? Como eu e você tivemos?

            — Em um mundo ideal, claro. — Uma expressão sombria tomou conta do rosto de Collier. — Mas considere a realidade prática, aqui. A “cura” de que você fala é difícil, dolorosa e leva tempo. Requer quantidades ilegais de material altamente radioativo e a participação ativa de Shawn Farrell. Dado o fato de quão poderosos são os Marcados, e o quão zelosos são em se protegerem, capturar um Marcado para “tratamento” nem sempre é possível. Imagine tentar trazer um cardeal ou um presidente sequestrado para Seattle, para ser curado. Richard deve simplesmente ter concluído que é mais fácil eliminá-los… Ou ao menos eu concluí. É trágico, mas a ameaça imposta pelos Marcados é grande demais para se correr riscos desnecessários. Hipoteticamente falando. — Ele olhou para Tom diretamente nos olhos. — Conhecendo Richard, tenho certeza de que ele preferirá curar os Marcados — quando for possível.

            Tom se recusava a deixar Collier colocar toda a culpa em Tyler.

— Você vai ao menos tentar salvar essas pessoas?

            — Eu preciso te lembrar — disse Jordan, irritado, — quem me deu os nomes dos Marcados, em primeiro lugar? — Sua paciência para com aquele debate estava claramente chegando ao fim. Tom imaginava se sua consciência o estava incomodando. — Você me pediu para tomar conta disso porque não conseguiria acesso a estas pessoas. E é exatamente o que estou fazendo… Do meu jeito.

            — Não está suficientemente bom — argumentou Tom.

            — Eu acho que isto não é mais da sua conta. — Ele se levantou e indicou a porta. — Tenha um bom dia, Tom. 

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comentários
  1. filipe disse:

    aewww
    valeuu brenooo!
    mandoo mto bemm! continue assim
    eh nozesss

  2. guilherme disse:

    Muito bom

    Jordan mandando em tdo!

    continue a tradução tá otima!

  3. giulia disse:

    Ai q d+

    cad o Kyle?

    COmo sempre ótima traduçao!

  4. Wesley Carvalho disse:

    Olá Breno! Cara fiquei sabendo destes livros e fucei na net até que cheguei ao seu blog. FENOMENAL essa sua idéia de traduzí-los, vou começar a ler avidamente para sentir o gostinho dessa grande e excelente série que foi terrivelmente cancelada para milhares de fãs.
    Valeu amgo pela iniciativa e muitíssimo OBRIGADO por nos agraciar com isto.
    PARABÉNS!!

  5. giulia disse:

    Oba esse find tem capitulo (episódio) inédito!

    to adorando acompanhala como uma série!

  6. Guilherme disse:

    Hum o relacionamento Tom e Collier nunca será amigável!

    mas tpo gosto do lado do collier!

    só por q sou fã de ficcção, se for pensar pelo lado humano o Tom é o mais correto!

  7. DOUG disse:

    to achando otimo a tradução, poarabens a quem ta fzndo. ta mto bom msm
    finalmente vou poder saber o fim da historia.

  8. Jonas disse:

    to pensando seriamente em tomar promicina… rsrsrs

    acho que Collier tem alguma coisa na jogada.. será ele mesmo o Messias?

    continue com a tradução!

  9. giulia disse:

    Hum marco usando seus poderes!

    e adorei o poder da abigail pena q ela tve pouco tempo na série!

  10. kristiang disse:

    wow, Tom e Collier batendo de frente novamente… acho que mesmo o Tom sendo p-positivo não pensaria de forma diferente, parece ser daqueles personagens que não são corruptiveis – tão em falta na ficcção quanto na vida real…

  11. Allan Fedato disse:

    Parabens mais uma vez

    Continue a traducao

  12. jonathan disse:

    bom muito bomXD

  13. SAM disse:

    hi, your translation is awesome, do you know where can I get the book in english, I~m here in BraZIL, ONCE AGAIN COOL TRANSLATION.

  14. Jun disse:

    Haaa, adoro a April! Bem curtinha a participação dela nesse capítulo, mas só dela ter aparecido já fiquei feliz =D

    Ficou ótima a tradução!

  15. Edyr Oliveira disse:

    Não lembrava da habilidade do Jordan. Ele a usou alguma vez no seriado? Também, não vou com a cara dele. Fico a impressão, sempre, que ele está planejando algo nada bom…

  16. Edyr Oliveira disse:

    Não suporto esse Jordan Collier! =@

  17. Vinicius Guardia disse:

    Muito Bom parabens!

  18. Drika disse:

    Adoro JC!! Mas Tom é muito legal tbém!

  19. Déborah disse:

    Adoro ler os capítulos, mas gostaria de pedir se fosse possível mudar a cor da letra, pois uso o´culos e fica difícil a leitura. Obrigada..

  20. Maria aparecida pastro disse:

    Olá, fiquei muito contente em ter encontrado estas traduções. Obrigada pela colaboração.

  21. patricia disse:

    muito boa essa série uhuuuuuu obrigado breno ótimo

  22. Ricardo Kuerten disse:

    Cara, show de bola! Parabens

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