The 4400 – Welcome to Promise City (Capítulo 15 traduzido)

Publicado: 27 de março de 2010 em The 4400

Pessoal, estamos quase no fim do primeiro livro. Para que a tradução do segundo também seja feita, só peço a vocês que toda vez que passarem deixem comentário, ok? Esse é o capítulo 15, traduzido por mim mesmo, Vinícius (muita gente confunde e acha que meu nome é Breno… hehe). Espero que gostem. Comentem!

QUINZE

 

O Centro de Coleta de Plasma Pacífico já vira dias melhores.

As janelas da entrada tinham sido cobertas. Uma placa de “Desativado” fora colocada do lado de dentro da entrada principal. As paredes haviam sido pintadas com grafite. “JORDAN COLLIER É DEUS”, lia-se em letras laranja brilhantes. “PROMICINA = MORTE!”, alguém respondera. Pontas de cigarro e vidro quebrado espalhavam-se pelo chão diante da entrada do estabelecimento falecido. Um bêbado dormia em um canto. Se o Comitê de Alcance Global realmente era dono do local, ainda não haviam feito muita coisa com ele.

— Vizinhança legal — disse Tom sarcasticamente. Eles dirigiram direto para lá, de Bellingham. Diana telefonara para NTAC no caminho para informá-los da investigação; sem conseguir falar com Meghan ou Marco, ela deixara uma mensagem com Abby, então.

— Se você gostar de casas velhas — demarcou Diana, olhando em volta.

O centro de Plasma Skid Row era localizado numa esquina de uma parte da cidade economicamente decadente que não fora beneficiada com a ambição dos 4400 por uma renovação. Do outro lado da rua estava o que sobrara de uma loja de bebidas destruída durante o tumulto há dois meses. Virando a esquina, estava uma estação de recrutamento científico; aparentemente, L. Ron Rubbard¹ não fora capaz de competir contra Jordan Collier na Terra Prometida. Uma livraria para adultos, um pouco acima na rua, parecia ser o único estabelecimento em funcionamento. Um céu cinza ameaçava chover a qualquer momento.

Bem vindos à Terra Prometida, pensou Diana.

Suas vozes acordaram o bêbado, que os olhou com olhos confusos e sanguinários. Veias estouradas desfiguravam seu nariz inchado. Uma barba cinza emaranhada mantinhas seu rosto triste aquecido. Seu casaco de lã esfarrapado devia ser uma doação. Um fedor nauseante emanava de sua presença. Ele furtivamente colocou uma garrafa de Thunderbird atrás de suas costas antes de estender uma mão ameaçadora.

¹L. Ron Rubbard foi um escritor americano de ficção científica.

            — Têm um trocadinho?

            Diana percebeu que não machucaria dá-lo algum trocado. Talvez ele tivesse visto alguma coisa enquanto estava bêbado.

            — Deus lhe abençoe. — Ele cambaleou. Sua boca exalava álcool, mas ele parecia um pouco sóbrio. — A cidade precisa de mais pessoas como você.

            — Você fica sempre por aqui? — perguntou Tom.

            — Costumava vim umas duas vezes por semana — confessou o homem. — Antes de todo mundo ficar doente. — Ele olhou para os agentes esperançosamente. — Sabem quando esse lugar vai reabrir? É uma droga de injustiça que não posso mais vender meu próprio sangue. Nunca tomei uma dessas doses fedorentas…

            — O que te faz pensar que vai reabrir? — perguntou Diana. — Viu alguma atividade ultimamente?

            O bêbado balançou a cabeça.

            — Descarregaram um monte de caixas e equipamentos outra noite. Por volta de meia noite, quando eu estava tentando dormir.

            E também quando ninguém estava olhando, pensou Diana. Ela mostrou uma foto de Bernard Grayson, tirada de sua carteira de motorista.

            — Viu esse homem por aqui?

            O bêbado piscou para a foto.

— É. Acho que sim, parece um pouco familiar. — Ele devolveu a foto para Diana. — É o novo chefão?

— Talvez. — Tom deu mais alguns trocados ao homem. — Vá comprar alguma coisa para comer.

Os olhos do homem brilharam ao verem o dinheiro inesperado.

— É o meu dia de sorte! Vocês são boas pessoas, vocês dois. — Enfiando as notas no seu bolso, ele saiu apressado em busca de alimento, ou assim esperava Diana. As chances, no entanto, era que ele fosse comprar mais Thunderbird ao invés de um Big Mac.

Ele deixou a garrafa vazia para trás.

Os agentes esperaram que o mendigo útil estivesse longe o suficiente para não ouvi-los antes de começaram a investigar. Diana guardou a foto de Grayson.

— Bem, o que você acha?

— Parece bem provável para mim. — Ele considerou a fachada lacrada. — Pela entrada da frente ou dos fundos?

Diana tentou espiar através das tábuas, mas tudo o que viu foi escuridão. Parecia não haver luzes do lado de dentro, muito menos alguém se movendo.

— Pelos fundos. Mais discreto.

Um beco estreito estendia-se atrás do prédio. Um espaço para carregamento e descarregamento de mercadorias se estendia diante da parede. Um líquido gorduroso enchia os barris. Ratos corriam por trás de uma grande caçamba de metal. Ataduras descartadas, usadas pela antiga clientela do centro de plasma, estavam jogadas no chão pavimentado. O beco fedia a urina e lixo apodrecido.

Era muito diferente da decoração agradável da funerária de Grayson.

Subindo no espaço para carregamento e descarregamento de mercadorias, Tom tentou a porta, que não cedeu. Diana considerou bater antes, mas decidiu não fazê-lo. Se Bernard Grayson estava se escondendo lá dentro, eles queriam pegá-lo de surpresa.

Tom se posicionou para entrar à força.

— Espere — disse Diana. — Tomou alguma U-Pill hoje?

Ele balançou a cabeça.

— Acha que eu deveria?

— Pode não ser uma má ideia. — Ela era imune à promicina, por ter servido de cobaia para Kevin Burkhoff há alguns anos, mas Tom não era. — Se Grayson e companhia conseguiram duplicar a habilidade de Danny, e conseguirem gerar uma versão que se espalha pelo ar, podemos estar entrando numa zona quente.

Ele não discutiu.

— Acho que se prevenir não machucaria. — Ele tirou um pacote de emergência das pílulas de seu bolso e as engoliu. — Certo, vamos descobrir o que está acontecendo aqui.

Diana esperou enquanto seu parceiro mais forte se preparava. Grunhindo, Tom jogou-se de ombros contra a porta, que se recusou a ceder.

— É mais sólida do que parece — comentou ele, recuando. Levantou sua Glock, então. — Acho que precisamos de um pouco de poder fogo.

— Se você diz. — Ela cobriu as orelhas.

A arma deles era capaz de atirar balas convencionais ou dardos tranquilizantes. Não houve dúvida sobre que tipo de munição ele estava usando quando disparou a arma. Um tiro ecoou pelo beco, e dez milímetros de chumbo explodiram a fechadura.

Diana imaginou se alguém daria queixa do tiro. Nesse bairro, provavelmente não.

— Tome cuidado — ele disse enquanto chutava a porta. Nenhum dos dois queria outra surpresa como a que tiveram na casa funerária. Diana ainda tinha um calo na cabeça onde aquele técnico do necrotério havia batido. Com as armas em punho, eles cautelosamente adentraram pela parte de trás do prédio.

— NTAC! — ela anunciou. As iniciais estavam estampadas nas costas de suas pesadas jaquetas azuis. — Qualquer um que estiver aqui, por favor, identifique-se!

Ninguém respondeu. As sombras engoliam o interior.

Seus dedos encontraram um interruptor ao lado direito da porta. Luzes brilhantes se acenderam acima de suas cabeças, revelando o que parecia ser um depósito. Caixotes de madeira e caixas de papelão esperavam para serem descarregadas. Bolsas de utensílios médicos estavam estocadas em prateleiras. Um rodo e uma vassoura estavam encostados a um canto. Uma porta lisa de aço guardava o que parecia ser um refrigerador. Provavelmente onde costumavam guardar a plasma coletada, supôs Diana. Imagino o que eles mantêm refrigerando agora.

O corpo de Danny?

Teremos que checar isso, pensou ela, depois que soubermos que está seguro aqui.

Com as armas em prontidão, eles se separaram e observaram o local. Logo depois dos cômodos do fundo, eles adentraram uma área equipada com poltronas de vinil e suportes para soro. Vários escritórios pequenos se espalhavam lugar amplo.

— Limpo! — gritou Tom da área da recepção mais a frente. Diana espiou com a cabeça alguns escritórios e um armário de funcionários. Uma grande janela de vidro separava a área das doações do laboratório anexado. Cartazes desbotados apontavam os benefícios salvadores da doação de plasma. Um papel num quadro de avisos mostrava uma rifa de um peru do Dia de Ação de Graças que provavelmente nunca acontecera. Aparentemente, cada gota de plasma doada era uma chance a mais para ganhar o peru.

— Limpo! — devolveu Diana de um escritório vazio. Parecia que tinham o lugar só para eles.

Bernard Grayson não estava em um lugar que pudesse ser visto.

Os agentes se encontraram no centro da área de doação. Eles guardaram as armas. Tom caminhou pela sala e espiou o laboratório adiante através da janela.

— Você é a cientista — disse ele a Diana. — Isso te diz alguma coisa?

— Bem, não vejo nenhuma máquina de plasmaférese¹ aqui — observou ela. — O que quer dizer que o Comitê de Alcance Global não está removendo plasma de bêbados. — Um carrinho equipado com desfibriladores indicava procedimentos médicos mais sérios. Ela olhou mais de perto o equipamento do outro lado da janela de vidro. — Aparelhos de tomografia. Centrífugas. Um sequenciador de DNA. De vista, tenho que dizer que isso se parece suspeitosamente com a instalação que encontramos na Grayson & Filho.

Tom acenou com a cabeça.

            — Foi o que pensei, também.

            — O que quer dizer que estamos no caminho certo — disse ela. A temperatura estava agradavelmente quente comparando com o lado de fora, o que significava que alguém havia ativado o ar condicionado depois que o centro fora fechado. Ela abriu o zíper da jaqueta. — Só não encontramos nosso cara ainda.

            — É — ele olhou novamente para o depósito. — Acho melhor a gente dar uma olhada naquele refrigerador.

            Diana percebia que ele não estava ansioso para encontrar mais clones do corpo de Danny.

            — Quer que eu cuide disso? — ela voluntariou-se.

 

 

¹Plasmaférese é a remoção e a recolocação de plasma de sangue (N. do T.)

 

 

 

            — Obrigado, mas não é necessário — ele incentivou-se para o que quer que fossem descobrir logo. — Só vamos terminar isso, juntos.

            — Não se preocupem — interrompeu uma terceira voz. — Vocês não vão a lugar algum.

            A princípio, a voz parecia vir de lugar nenhum. Então, o ar tremeluziu em volta deles e os agentes se viram cercados por um trio armado de recém-chegados. Bernard Grayson estava acompanhado de dois estranhos: um jovem de cabelos ruivos vestindo uma blusa da Universidade de Washington e uma mulher Filipina rechonchuda de meia-idade usando um uniforme branco de enfermeira. Os dois homens apontavam semiautomáticas para os agentes. A mulher mais velha se apoiava pesadamente numa bengala. Ela respirava com dificuldade. O suor brilhava nas suas feições de querubim. Diana achou-a vagamente familiar.

            Umas 4400 original de fábrica ou uma nova “extra-crocante”?

            Diana procurou instintivamente pela sua arma, só para ouvir Grayson apontar-lhe seu revólver.

            — Não pense nisso — advertiu ele. Um avental azul de laboratório havia substituído seu macabro terno de agente funerário. Ele acenou com a cabeça para o jovem de cabelos claros. — Carl, tire as armas deles.

            Relutantemente, os agentes foram livrados de suas armas. O universitário colocou-as em uma poltrona vazia perto do fundo da sala.

            — Olá novamente, agente Skouris, agente Baldwin. — disse Grayson. — Estávamos a sua espera.

 

            O TSSS, abreviação de Transporte Supersônico Silencioso era um protótipo experimental roubado da divisão Boeing Phantom Work² por um engenheiro descontente que havia se juntado ao Movimento de Collier depois do 50/50. A lustrosa aeronave particular era grande o suficiente para carregar mais ou menos doze passageiros, e rápida o suficiente para levá-los até a Costa Leste em questões de horas. Os motores supermodernos abafavam os “booms” supersônicos que pareciam os de um Concorde³, permitindo-os voar sobre o país sem balançarem. O avião roubado havia

 

²“The Phantom Works division” visa construir produtos e tecnologias militares avançadas.

³O Concorde foi um dos dois aviões supersônicos de passageiros que operaram na história da aviação comercial.

levantado voo de um campo de pouso secreto em algum lugar da Península Olímpica. Meghan e os outros haviam saído de Seattle com os olhos vendados, para preservar a segurança das operações aéreas ilícitas de Collier.

            Sentada em um canto do TSSS, Meghan tinha uma pequena suspeita de como Richard e seus colegas assassinos haviam ido à Roma e voltado sem serem detectados. Não que Collier fosse admitir, é claro.

            Ela imaginava que outros recursos ultra-secretos Collier tinha à sua disposição. Afinal, ele agora tinha muitas das melhores mentes na Boeing, Microsoft, Amazon e na Ubient Software para colher informações. Isso sem mencionar genuínos p-positivos como Dalton Gibbs. De várias maneiras, ele tinha o futuro ao seu lado.

            E esse era um pensamento muito assustador.

            Sentada ao lado de Marco, ela pesquisava sobre a Penitenciária Estadual do Leste em seu laptop. Óculos de leitura vermelhos se empoleiravam em seu nariz. Ainda bem que havia infinitas informações a respeito da penitenciária histórica na internet, incluindo alguns vídeos de passeios pelas ruínas. Uma olhadela no computador de Marco revelou que ele estava baixando inúmeras imagens do interior da prisão para o seu celular, para melhor se transportar pelas dependências se fosse necessário.

            Boa ideia, pensou ela. Pena que não posso dar a ele um bônus por essa missão.

            Do outro lado do corredor, os dois Garritys aproveitavam o voo para dormirem. Eles roncavam em harmonia.

            Tess Doerner sentava-se longe dos agentes da NTAC, mantendo-se isolada. Parecia estar imersa num exemplar de Um Estranho no Ninho. Meghan ainda não se sentia confortável incluindo a ex-paciente mental na missão, não importava o quão única sua habilidade podia ser. Até onde sabia, a única lealdade da garota era para Kevin Burkhoff. Meghan se preocupava com os motivos.

            Se ela quisesse assumir a missão, como eu a impediria?

            Marco levantou o olhar de seu laptop. Seus olhos encontraram os dela.

            — É estranho não ter o Tom e a Diana conosco — disse ele. — Esse é mais o tipo de ação deles do que o meu.

            — Nem me fale. — Ela já deixara uma mensagem na secretária eletrônica da casa de Tom, avisando-o para ele não esperá-la para o jantar a noite, mas ela desejava ter podido falar diretamente com ele antes de embarcar nessa missão. Apesar do preconceito de Collier contra agentes sem habilidades, ela sentira-se tentada a incluir Tom e Diana mesmo assim. Os dois tinham mais experiência com Richard Tyler do que ela.

            Mas, não, ela decidiu-se de uma vez, Seattle precisava urgentemente de Tom e Diana para envolvê-los nessa missão de resgate duvidosa. Acabar com o caso do clone de Danny Farrell era tão importante quanto liberar Richard Tyler.

            Talvez até mais.

           

— Certo, eles não vão a lugar algum.

            Carl terminou de amarrar Tom e Diana em poltronas adjacentes. Cintas longas de couro prendiam seus braços e pernas. Tom forçou-se para soltar-se, mas as cintas não cederam. Ele e Diana estavam à mercê de seus capturadores.

            Grayson abaixou sua arma. Ele estava a alguns passos de distância, observando cautelosamente os procedimentos. A mulher mais velha sentava-se em um banquinho ali perto, tricotando um suéter.

            — Desculpem não podermos deixá-los mais confortáveis — disse o agente funerário, acidamente. A vida de foragido claramente não havia lhe feito bem. A barba marcava suas bochechas magras e mandíbula. Orelhas arroxeadas se penduravam sob seus olhos sanguinários. Sua voz fervia de ressentimento. — Mas era o melhor que podíamos fazer em pouco tempo.

            Grayson clamara mais cedo que ele e seus cúmplices os esperavam. Tom imaginava quem os entregara. Teria Kyle aberto o bico para Jordan no fim das contas? Tom torcia para que seu filho não fosse o culpado por sua situação lúgubre. Quem mais poderia ser? Agonizou ele. Só ficamos sabendo desse lugar há algumas horas!

            Diana devia estar ponderando sobre a mesma questão.

            — Se importa de nos dizer como sabia que nós estávamos vindo?

            — Isso cabe a mim — explicou uma nova voz.

            Abigail Hunnicutt veio dos fundos, parecendo tão confortável no centro de plasma remodelado quanto ficava na Sala da Teoria. A analista loira acenou pára Grayson e para os outros. — Desculpem-me pelo atraso. Somos poucos lá na NTAC. Todos pareciam estar vadiando essa tarde…

            Tom ficou boquiaberto. Trocou um olhar confuso com Diana.

            — Abby?

            — Olá, Tom, Diana — ela os cumprimentou. Um casaco de chuva molhado derramava água no chão. Ela não parecia nem um pouco consternada ao ver seus colegas amarrados como se fossem pacientes indisciplinados em uma clínica psiquiátrica. — Acho que já imaginam o que eu estou fazendo aqui.

            — Um pouco — admitiu Tom. A surpresa deu lugar à raiva quando ele descobriu que ela os havia traído. Seu rosto ficou vermelho. — Não estou acostumado a ser traído pelos meus próprios amigos!

            Diana lançou um olhar áspero a ela.

            — Como pôde?

            — O que posso dizer? — Ela deu de ombros. — O Grande Passo Adiante mudou tudo, incluindo a mim. Está óbvio, agora, que o Movimento é o futuro. — Não havia nenhuma pontada de culpa em sua voz. — Não vou me desculpar por querer ficar no lado certo da história.

            Diana não a deixou escapar.

            — Não importa quantas pessoas pereçam para construir o bravo novo mundo de Collier?

            — Pessoas morrem todos os dias sem razão que importe — disse Grayson. — Confiem em mim, ninguém sabe disso mais do que um agente funerário. Passei metade da minha vida adulta preparando seus restos sem valor, sem contribuir de verdade com o mundo, até que o Grande Passo Adiante abriu meus olhos e expandiu minhas percepções. — Ele olhou para o alto e juntou as mãos diante do peito. — Nunca me esquecerei daquele dia. Meu cérebro se iluminou com novas ideias e entendimento. Encontrei o meu propósito de existência.

            Abby acenou com a cabeça.

            — Bernie está sendo muito modesto. A promicina melhorou seu QI para um grau fenomenal, dando a ele um conhecimento inato sobre biologia e química. Ele sabe mais sobre DNA e modificações genéticas do que qualquer ganhador do prêmio Nobel. Ele tem sido divino para o nosso projeto.

            — Não foi um acidente — declarou Grayson. — Tudo estava destinado a acontecer. — Ele olhou para Tom. — Quando o corpo do seu sobrinho veio para mim, logo depois que mudei, percebi que não era uma mera coincidência. Eu soube na hora que estava destinado a espalhar o presente de Danny para o mundo todo. — Ele gesticulou para Carl, que estava observando os prisioneiros de perto. — Com a ajuda de voluntários corajosos como Carl aqui.

            O jovem acenou ao elogio de Grayson. Sua arma estava guardada nas calças. — É um privilégio e uma honra. Só espero que seja eu quem unirá o resto da humanidade.

            — Será você — prometeu Abby. Sua voz soava convicta. — Nós iremos conseguir desta vez. Posso sentir.

            Tom percebeu que não havia razão nessas pessoas. Eles eram todos crentes genuínos, como aquele fanático no necrotério. Até mesmo Abby parecia ter aceitado o plano de Collier de coração. Tudo o que podia esperar deles agora era respostas.

            — Mas eu vi o corpo de Danny em seu funeral — disse Tom. — Ajudei a colocá-lo no carro da funerária.

            Grayson indicou a mulher mais velha no canto. — Agradeça a Rosita ali. Talvez se lembre dela no serviço do Danny. Ela projetou uma ilusão do corpo de seu sobrinho na cerimônia, assim como escondeu nossas presenças de vocês há pouco.

            Rosita levantou os olhos de seu tricô. Sorriu orgulhosa.

            — Mas e os corpos duplicados? — perguntou Diana. — Como conseguiram isso?

            Abby levantou a mão.

— Essa seria eu de novo. Receio que não tenha contado tudo a vocês sobre a verdadeira extensão da minha habilidade. Eu posso fazer mais do que apenas ler DNA, posso manipulá-lo. — Ela flexionou os dedos. — Com a ajuda de Bernie, tenho conseguido transformar voluntários em perfeitas cópias genéticas de Danny.

— Eu vi seu trabalho — disse Diana friamente. — No nosso necrotério.

Abby hesitou.

— Admito que nenhuma de nossas cobaias sobreviveu ao teste até agora — disse defensivamente. Diana obviamente atingira um ponto fraco. — Mas estou cada vez mais perto. — Ela virou-se para encorajar Carl. — Estamos quase lá. Sei disso!

— Acredito em você — disse o jovem. — Tenho fé no futuro. — Ele olhou carrancudo para Tom e Diana. — O que vamos fazer com esses federais no fim das contas? — Ele levantou a arma na altura dos agentes indefesos. — Diria para acabarmos com eles agora antes que causem mais problemas.

Seu tom sanguinário lembrou a Tom o assistente homicida do agente funerário. O que havia na mensagem de Collier que inspirava essa devoção cega em jovens como Carl e Kyle? Um desejo de deixarem suas marcas no mundo, sem importar as consequências? Carl parecia disposto a matar em nome de Collier.

— Não é uma boa ideia — objetou Abby. — De acordo com a profecia, que acredito trazer códigos do futuro, Baldwin tem um destino importante a cumprir. Eliminá-lo poria em risco tudo pelo que trabalhamos.

— Certo — concedeu Carl. — Não tinha pensado nisso. — Ele virou sua arma na direção de Diana. — E ela, então?

Abby também vetou essa execução.

— Skouris é especial de natureza. Ela tem uma imunidade única a promicina que merece um estudo mais de perto.

— Eu concordo — disse Grayson. Ele olhou Diana com uma curiosidade científica. — Uma análise cuidadosa de seu sangue poderia render informações valiosas sobre os efeitos da promicina no sistema nervoso humano.

Claramente em menor número, Carl abaixou sua arma. Desapontamento surgiu em seu rosto.

— Então o que faremos com eles?

— Matar dois coelhos com uma pedrada só — disse Abby presunçosamente. Ela tinha tudo planejado. — A profecia diz que Baldwin está destinado a se tornar um de nós, certo? E se pudermos te transformar em outro Danny Farrell, vamos precisar de uma cobaia para assegurar que você pode infectar as pessoas com promicina…

Tom percebeu que ela queria testar a habilidade Carl nele.

— Não vai dar certo — ele os avisou. — Tomei U-Pills logo antes de entrar.

Abby deu de ombros.

— Bem, então apenas temos que esperar o efeito passar.

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comentários
  1. filipe disse:

    poo viniciuss
    foi mal velho
    desde o começo chamo vc de breno! rs
    desculpa mesmo..
    mais recapitulando entao
    parabens denovo viniciaos!! ta show

    • Jonas disse:

      Lol Vinicius? oO

      Nem sabia disso sempre chamava de Breno também rsrsrsrs

      Breno é um nome de um outro livro não é?

      • brenooficial disse:

        Hehhe.. É isso mesmo.. Breno é o nome de um outro livro, que eu escrevi… Alguns trechos dele estão disponíveis aqui no blog. Se quiser ver, dá uma olhada pelo blog que vc acha =D

  2. assis disse:

    meus parabens pela iniciativa.

  3. Pâmela Thaís disse:

    A história ta cada vez melhor (e a tradução também)
    A Abby me surpreendeu

  4. kristiang disse:

    ja suspeitava da Abby desde o capitulo anterior, como ela ficou sabendo que Tom e Diana estavam a caminho, ou não sabia? O Kyle ao que parece ainda não contou nada ao Jordan. Interessante, será agora que o Tom ira se tornar um p-positivo? E qual seria a habilidade dele? Ele mudaria sua visão com relação ao movimento – o que acredito que não?

    • brenooficial disse:

      Ela sabia onde eles iam. Se não me engano, os dois contaram para ela que estavam saindo.
      Quanto ao Tom.. hehe… Acho melhor eu não comentar muita coisa. Nos próximos capítulos vocês verão o que vai acontecer. Muitas surpresas ainda vem por aí, neste e no próximo livro.
      =D

  5. Vania disse:

    Nossa estou anciosa pelos proximos capitulos, esta cada vez mais interessante……
    Tom e Diane vão conseguir sair dessa, sera que agora ele se tornara um ppositivo? ou Kyle ira salva-los??
    Espero que pessoal consiga salvar Tyler,

    Estou com saudade Shawn……

  6. Vania disse:

    Hummm, acho que Marco ira de decepcionar com Abby qdo descobrir o que ela anda fazendo……

  7. Guilherme disse:

    Nossa muito surpreendente!

    quem diria abby traidora não gostei!

    A missão de resgate acho que vai ser emocionante!

  8. Arielton disse:

    Caracaaaaaaaaaaaaaaa. Muito bom!
    Abby, a traidora? Nunca imaginaria isso…
    Será que agora Baldwin, toma a promicina? Ele queira ou não, isso vai acontecer. ‘-‘

  9. Aline disse:

    aí cara, num confio mais em ninguém!!!

    Abby no Movimento e Kyle pelo que parece tá descobrindo uns podres do Collier.

    Tom, até onde me lembro, é a última pessoa dakela lista a tomar promicina.
    Não acho que todos já tenham feito isso, portanto algo TEM QUE acontecer e NÃO PODE ser dessa vez.

    Bom, isso é o q meu coração deseja rsrsrsrsrs

    • kristiang disse:

      quem disse que a lista está em ordem numérica? quro dizer, que pelo nome do Tom estar por último é o último que vai tomar a promicina? N#ao entendi dessa forma. É apenas uma lista de todos os nomes que tem de tomar a promicina para o futuro ser alterado, não necessariamente na ordem apresentada…

  10. Jonas disse:

    Muito bom esse Capítulo!

    A história está ficando cade vez mais intrigante 😀

    P.S: Época de prova fica difícil ler , por isso talvez fique um pouco sem voltar a ler.

    Continuem a tradução!

  11. DINALDO disse:

    GENTE ,CADÊ OS CAPÍTULOS ANTERIORES?

    • brenooficial disse:

      Clica, lá em cima, no nome do blog… Aí vai aparecer vários posts.. e vc vai rolando a tela .. os capítulos estão um acima do outro…

  12. kILLER disse:

    CARA, MUITO BOM, PARABÉNS PELA DEDICAÇÃO.
    SÓ ENCONTREI ESTE SITE HOJE E ESTOU ACHANDO SEIU TRABALHO NOTA 10.
    PARABÉNS, PARCEIRO.

  13. Arielton disse:

    OMG, é hoje *–*

  14. Jun disse:

    Ah, agora o arco do Tom e Diana está esquentando! Espero que o Tom não tome a promicina… Não sei o porque, mas eu gosto dele assim, phoda mesmo sem habilidades especiais!

    Como alguém aí em cima comentou… também sinto falta do Shawn…

    Obrigado pela tradução!

  15. Edyr Jr. disse:

    Abigail Hunnicutt… Ótima escolha para ser a traidora do NTAC. Espero que o Richard seja resgatado logo! Ele tem umas contas para acertar com o Jordan hahaha E a April? Sumiu, né? Se ela tomar promicine, a habilidade volta?

  16. Vinicius Guardia disse:

    muito daora!

  17. ione prado disse:

    Vinicius, estou adorando. Parabéns pelo trabalho e pela generosidade.

  18. nilza disse:

    Muito show!! Eu não leio, devoro cada palavra ansiosamente…
    essa história faz que não sobre uma unha sequer em minhas mãos e pés…
    muito louca essa tradução!
    Valeu Breno Vinicius! bjs… rs…

  19. luiza bastos disse:

    parabéns, ótima tradução

  20. Audra Liz disse:

    A cada capítulo uma surpresa emocionante!

  21. Ilona Radics disse:

    Estou acompanhando os capítulos bem ansiosa 🙂

  22. Gisa disse:

    Show Vinícius!! Eu também achava que era Breno 🙂
    Espero que tenha o segundo livro também, abraços!!

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