The 4400 – Welcome to Promise City (Capítulo 18 traduzido)

Publicado: 18 de abril de 2010 em The 4400

Capítulo 18, traduzido por Helena Padim.

Comentem, pessoal! Lembrem-se que a tradução do próximo livro dependerá dos comentários até o final desse primeiro, que termina em um mês.

DEZOITO

 

            O experimento estava em curso.

            Carl estava amarrado a um sofá em frente a Tom e Diana, seminu, só com um short preto de boxeador. Uma tatuagem de Jordan Collier enfeitava seu bíceps direito. O corpo de Danny – o verdadeiro, aparentemente – estava estirado em uma maca, ao seu lado. Abby se encontrava de pé entre o rapaz morto e o vivo, encarando os agentes prisioneiros. Um vestido de caxemira cinza confirmava que ela tinha muito mais senso de moda do que os nerds comuns da Sala de Teorias. Ela flexionou os próprios dedos.

            Eletrodos estavam presos às têmporas e ao peito de Carl. Um acesso intravenoso fora inserido em seu braço. Uma bateria de sofisticados equipamentos médicos monitorava seus sinais vitais. Grayson se ocupava dos aparelhos, registrando cuidadosamente as leituras. Rosita equipava o carrinho de reanimação, caso houvesse alguma emergência.

            Ainda presos às suas poltronas, Tom e Diana só podiam assistir Abby e seus comparsas completarem suas preparações.

            — Esta é a sua última chance. — Abby disse para Carl. — Ninguém vai culpá-lo se quiser voltar atrás.

            — De jeito nenhum — respondeu passionalmente o rapaz. — Esperei a minha vida inteira por este momento. É a minha grande chance de fazer a diferença.

            Tom imaginou que homens-bomba deveriam se sentir exatamente assim. Ele estava horrorizado com a vontade que Carl estava de jogar fora sua própria vida, tudo por uma chance de obter a mesma habilidade horrível que arruinara a vida de Danny. Ele não enxergava que Danny havia morrendo atormentado, com milhares de mortes em sua consciência?

            — Seu comprometimento com a causa é inspiração para todos nós — disse Grayson, com um tom suave e profissional, que ele certamente havia usado para consolar incontáveis clientes enlutados. Ele injetou vários centímetros cúbicos de uma substância amarelo-escura no acesso intravenoso de Carl. — Este novo composto deve facilitar a transformação e superar o fator de resistência natural de seu corpo. Eu também incluí um anestésico, para aliviar a dor.

            Tom se perguntava quantos compostos anteriores Grayson havia tentado, no passado. Eles conheciam ao menos quatro fatalidades.

            — Não estou com medo da dor — insistiu Carl, não convencido inteiramente. Apesar de sua coragem, ele parecia meio pálido. Seus dedos tamborilavam nervosamente na poltrona abaixo dele. — Vamos logo com isto.

            — Tudo bem — respondeu Abby. Um trinado em sua voz sugeria que ela não estava nem um pouco confiante como fingia estar. Ela respirou fundo e pousou as mãos nos corpos dos dois lados dela, formando um circuito entre o vivo e o morto. Seus dedos estavam estendidos sobre o peito de ambos os homens. Ela fechou os olhos.

            — Abby, espere! — Diana gritou. — Isto é loucura. Você vai matar o rapaz!

            — Cale a boca! — gritou Rosita. Ela ergueu uma seringa do carrinho de reanimação. — Não me faça apagar você.

            Tom não queria saber o que havia dentro da seringa.

            Ignorando o apelo desesperado de Diana, Abby manteve os olhos fechados com força. Um ar de intensa concentração se estampou em seu rosto. Suas unhas se cravaram no peito dos rapazes. Tom sentiu um embrulho no estômago ao ver o corpo de seu sobrinho ser profanado daquela maneira. Deixe-o em paz, sua traíra maluca!

            A forma sem vida de Danny permaneceu inerte. Carl não teve a mesma sorte. Convulsões sacudiam seu corpo. Ele se agitava violentamente dentro das amarras. Suas costas se arqueavam como se ele estivesse sendo eletrocutado. Seus olhos rolaram para trás, até que só a parte branca estivesse visível. Veias inchadas pulsavam sob sua pele. Um lamento de agonia irrompeu de sua garganta. Tufos de cabelos avermelhados caíram de sua cabeça. Ele espumava pela boca.

            Seus sinais vitais subiram de modo alarmante. Tom não era médico, mas havia passado tempo suficiente no hospital durante o coma de Kyle, para saber que a pressão sanguínea, a pulsação, a atividade cerebral e outras funções metabólicas de Carl estavam chegando ao topo. Alarmes sonoros se ativaram nos caros aparelhos de monitoração. Gráficos irregulares subiam vertiginosamente. Tom achava que Carl estivesse a poucos momentos de um ataque cardíaco.

            — Droga — praguejou Grayson. Ele injetou mais composto experimental no acesso intravenoso. — Estamos perdendo ele… Igualzinho aos outros!

            Rosita preparou o desfibrilador.

            — Não! — exclamou Abby. Sua testa lisa se enrugou, em concentração. Todo o seu corpo parecia vibrar. O suor escorria por seu rosto.  — Está funcionando! Posso sentir!

            Algo estava definitivamente acontecendo com Carl. Sua carne borbulhava e se derretia, fluindo para uma nova configuração em sua estrutura retorcida. Suas feições ficaram borradas. Cabelos loiros, tom de areia – da cor dos de Danny – brotaram por todo o couro cabeludo, substituindo os tufos que haviam caído ao chão. Sua tatuagem desaparecera debaixo de uma pele rosada e fresca. Um novo rosto se modelou em seu crânio.

            O rosto de Danny.

            Oh, Deus, pensou Tom. Se ele não soubesse, juraria que era seu sobrinho morto sofrendo diante de seus olhos. Danny/Carl gritava em agonia. Tom desviou o olhar, repugnado. Ele sentia como se fosse vomitar.

            — Não é ele, Tom. — Diana gritou para ele. — Não é Danny.

            Eu sei, pensou Tom, mas ainda assim…

            Era como se Danny estivesse morrendo novamente.

            Os lamentos desoladores foram diminuindo gradualmente. Tom se forçou a permanecer observando as convulsões de Carl desaparecerem. Seus sinais vitais se estabilizaram. Arfando, ele se afundou nas almofadas de vinil da poltrona. Seu peito se elevava conforme seus pulmões se enchiam de ar. A carne trêmula estava ensopada de suor. Seus olhos voltaram á posição normal. Eles estavam castanhos agora, a mesma cor dos de Danny. Um arrepio desceu a espinha de Tom quando os olhos de seu sobrinho se viraram para ele.

            — Funcionou? — ele perguntou, fracamente. Até sua voz era a de Danny. — Nós conseguimos?

            Abby retirou suas mãos de Carl e Danny. Ela parecia exausta, mas exuberante.

            — Absolutamente!

            Grayson desfez as amarras de Carl. Ele pegou um espelho de mão em uma bandeja de instrumentos cirúrgicos.

            — Veja por si mesmo.

            — Caramba! — Carl encarou seu novo rosto, surpreso. Seus dedos exploraram os contornos desconhecidos. Ele olhou para Abby. — E eu não vou morrer?

            — Parece que não — ela soltou um suspiro de alívio, claramente feliz por não ter sangue nas mãos mais uma vez. — Parabéns. Você é a primeira pessoa que sobreviveu a um transplante total de DNA.

            Grayson parecia que ia abrir uma garrafa de champanhe. Ele apertou a mão de Carl com entusiasmo, enquanto Rosita observava com ar de felicidade.

            — Agora só temos que injetar promicina nele e ver se desenvolve a habilidade de Danny.

            — Ele irá — disse Abby, confiante. — Ele é uma cópia perfeita agora — seu rosto brilhava de orgulho diante de sua façanha. — E isto é só o começo. Agora que aperfeiçoamos o procedimento, podemos criar centenas de clones de Danny para espalhar o dom da promicina. Imagine só — empolgou-se ela — um verdadeiro exército de hospedeiros despachados para o mundo todo, criando novas epidemias em todos os lugares aonde forem. Será como repetir o Grande Passo Adiante, só que em escala global.

            Parece mais outro cinquenta/cinquenta, pensou Tom, matando metade da população mundial. Ele não podia imaginar tragédia maior. E tudo porque esses demônios não deixam Danny descansar em paz.

            — Não tão rápido — disse Diana. — Não se esqueçam. As autoridades sabem sobre o poder de disseminação, agora. Eles podem combater quaisquer outras epidemias, como fizeram em Seattle.

            — Eles podem tentar – replicou Abby, despreocupadamente. — E talvez, se eles estiverem mesmo empenhados, possam proteger alguns centros populacionais importantes por certo tempo. Mas e quanto ao Terceiro Mundo e coisas do tipo? Uma vez que a epidemia começar a se expandir pelo mundo, duvido que algum governo tenha os recursos para impedir que se espalhe e fique fora de controle. Ninguém tem tal estoque de U-pills. O Movimento já percebeu isto.

            Diana não tinha resposta imediata. É porque, observou Tom, ambos sabemos que ela está certa.

 

            — Se quiser deixar uma mensagem, digite um.

            Kyle xingou, frustrado. Ele martelou o teclado de seu telefone celular.

            — Pai, sou eu de novo. Kyle. Me liga assim que puder, OK? Estou ficando doido aqui.

            O sinal sonoro da caixa postal tocou, em resposta.

            — Droga! — zangado, Kyle arremessou o telefone para o outro lado da sala. O aparelho bateu nas almofadas do sofá, no lado oposto do escritório. Ele caminhava pela sala agitado, puxando os cabelos, frustrado. Já haviam se passado horas desde que contara a seu pai sobre o Comitê de Alcance Global e aquele centro de plasma fechado, e não tivera mais nenhuma notícia desde então. Ele tentou o telefone da casa de seu pai, o do trabalho, o celular, até o e-mail, mas não conseguia se comunicar com ele. Diana também não estava retornando suas chamadas urgentes. Droga, ele até tentara falar com a nova namorada de seu pai, Meghan Doyle, sem conseguir nada. Por que ninguém me retorna? Estarão me cortando da jogada?

            — É melhor pensar que ninguém viu ainda os seus recados — Cassie o repreendeu. Ela estava sentada à mesa dele, folheando uma cópia das profecias da Luz Branca. — Talvez você se complique quando tiver que explicar aos seus colegas aqui o porquê de insistir em ligar para a diretora da NTAC.

            Kyle não estava a fim de aturar as lições de moral dela.

            — Este é o melhor conselho que você tem para me dar no momento? Neste caso, talvez devesse me deixar em paz.

            Uma batida na porta os interrompeu. A porta se abriu um pouco e Susan Meldar, secretária de Kyle, colocou a cabeça pela fresta.

            — Kyle? — olhos preocupados o fitaram. — Tudo bem por aqui?

            Para seu constrangimento, Kyle notou que sua explosão há alguns momentos tinha sido escutada mesmo com a porta fechada.

            — Nós estamos bem… Quero dizer, eu estou bem — ele se corrigiu. — Desculpe pelo barulho — um encolher dos ombros disfarçou o incidente. — Muito estresse, sabe?

            — Posso te ajudar em alguma coisa? – ofereceu Susan. Ela ainda parecia um pouco preocupada com Kyle. — Talvez uma xícara de chá de ervas?

            Ele sacudiu a cabeça.

            — Não, obrigado – ele respondeu, exibindo um sorriso forçado. — Sério, estou bem. Tenho apenas um assunto de família para resolver, é isto — ele tentou rir daquilo. — Você sabe como parentes podem ser doidos.

            — Acho que sim – ela disse, antes de retornar para a antessala. A porta se fechou por trás dela. Passos abafados se dirigiram para a mesa dela.

            Kyle respirou aliviado. Ótimo, ele pensou, sarcástico. Agora estou começando a perder o controle diante dos funcionários. Que xamã eu sou…

            — Essa foi tranquila — provocou Cassie. Parecia que ela agora estava sempre com ele, nunca lhe dando chance de pensar por si mesmo. –— Você tem que se controlar, Kyle. As pessoas te respeitam aqui. Você tem que ser um exemplo.

            — Obrigado pela dica — ele respondeu, irritado. Atravessando a sala, ele pegou o telefone dentre as almofadas. Automaticamente checou as mensagens de novo, mesmo que apenas alguns minutos tivessem se passado desde a última vez em que ele as havia verificado.

            Nada.

            Ele reprimiu um ímpeto de arremessar o telefone novamente. É isso, ele pensou. Eu não posso ficar aqui parado nem mais um minuto. Preciso saber o que está acontecendo.

            A cópia do livro das profecias o desiludiu. Mesmo com toda sua sabedoria, não continha a informação de que ele precisava naquele exato momento. Não ajudava em nada.

            Bem como Cassie.

            Só restava uma opção a recorrer.

            Jordan, ele pensou.  Talvez Jordan saiba de algo.

            Ele havia prometido a seu pai que não falaria sobre isso com Jordan, mas isto fora antes de ele e Diana desaparecerem da face da Terra. Eu não tenho que contar a história toda para Jordan, ele raciocinou, mas talvez eu consiga arrancar dele alguma informação sem dar bandeira. Vale a pena tentar.

            Qualquer coisa era melhor do que sofrer com o suspense por mais um minuto.

            Decidido, ele saiu do escritório e caminhou rapidamente pela antessala. Para sua surpresa, Cassie não tentou impedi-lo. Talvez ela soubesse que não adiantava tentar convencê-lo. O saguão acarpetado estava fervilhando de atividade, com todos os seus colegas positivos ocupados em preparar a reconstrução de Seattle e, por conseguinte, do mundo todo. O tumulto de numerosos telefonemas e conversas indicava a vitalidade do Movimento. Um retrato emoldurado de Jordan estava pendurado em uma parede. Música ambiente, executada pelo Coro de Meninos da Terra Prometida, tocava baixinho, ao fundo. Os cantores sobrenaturais e talentosos alcançavam notas que mesmo Castrati1 hesitariam em tentar emitir.

            Kyle sentiu-se estranhamente constrangido. Quantas pessoas já haviam presenciado ele se descontrolar antes? Estava ficando paranoico, ou podia mesmo sentir dezenas de olhos o observando, enquanto passava pelos vários cubículos adjacentes ao seu escritório? Susan Meldar olhou para ele cautelosamente por detrás de seu computador. Suas mãos não se encontravam nem perto do teclado. Ela pesquisava na internet apenas apontando os dedos para a tela. Um grupo de funcionários, que conversava socialmente em volta do bebedouro, se calou estranhamente quando ele passou. Ele tropeçou no carpete, fazendo ruído. Até onde sabia, alguém estava lendo seus pensamentos naquele exato momento.

            Concentrou todos os seus esforços em agir como se não estivesse pensando em nada.

            Jordan ficava no escritório do canto, no final do corredor. Como sempre, dois guarda-costas estavam posicionados do lado de fora. Galloway podia induzir dores de cabeça enlouquecedoras e convulsões só de olhar para alguém. Quinn podia sentir pólvora e outros explosivos a centenas de metros. Nenhum dos dois se moveu quando Kyle se aproximou.

            Kyle falou descontraído.

            — Preciso falar com Jordan.

            — Ele pediu para não ser incomodado – respondeu Galloway, sem muita convicção. Kyle havia conhecido aquele homem em Evanston, um ano atrás. Ele estava com Collier desde o início.

1 Castrati – cantor masculino cuja extensão vocal corresponde completamente à das vozes femininas. Tal faculdade numa voz masculina só é verificável na sequência de uma cirurgia de corte dos canais provenientes dos testículos, ou então por um problema endocrinológico que impeça a maturidade sexual. Consequentemente, a chamada “mudança de voz” não ocorre.

 

            — Até por mim? — sorrindo de orelha a orelha, ele se impôs de leve. — Qual é, amigos, eu sou o Sr. Profecia, lembram-se? Jordan sempre tem um tempinho para mim.

            Os guardas olharam um para o outro, e então saíram do caminho. Eles estavam acostumados a ver Kyle ir e vir livremente.

            — Está bem — Quinn cedeu. — Mas seja breve.

            Kyle encontrou Jordan em sua mesa, conversando através de um fone de ouvido. A chuva salpicava as janelas panorâmicas atrás dele. Uma televisão de tela plana, pendurada na parede, lançava um brilho fosforescente. A TV estava com o som cortado. Jordan usava um controle remoto para navegar por vários canais de notícias enquanto falava ao microfone.

            — Bom, bom. É bom saber que nosso amigo está se recuperando. Mas lembre-se, nós precisamos conservar nosso trunfo, agora que ele está de volta. De maneira nenhuma os nossos aliados estarão autorizados a tomar posse do indivíduo em questão…

            Jordan notou a entrada de Kyle. Uma centelha de perturbação relampejou em sua face barbada.

            — Desculpe — ele disse para a pessoa com quem estava falando. Ele olhou para seu visitante. — Agora não é uma boa hora, Kyle.

            Ele olhou de relance para a tela da TV. Kyle viu que o noticiário legendado estava mostrando um blecaute geral na Filadélfia. Ele fez um sinal de “tempo esgotado” para Jordan.

            — Algo que eu devia saber?

            — De modo algum — respondeu Jordan. — Estou somente negociando a soltura de um prisioneiro político na Costa Leste. Mas eu realmente não tenho tempo para conversar agora.

            Kyle não se importou.

            — Só uma perguntinha — ele disse, se desculpando. — O que você sabe sobre uma coisa chamada Comitê de Alcance Global?

            — É só isso? — o nome não pareceu alarmar Jordan. — É uma iniciativa de pouco vulto. Para promover o apoio de promicino-positivos no exterior — ele olhou de modo confuso para Kyle. — Por que o interesse?

            — Nada demais — ele mentiu. — Só vi o nome em um relatório. Estava me perguntando o que era.

            Jordan suspirou, impaciente.

            — Tenho certeza de que alguém do décimo andar pode te dar maiores detalhes, mas, honestamente, você não deveria perder seu tempo e energia com tais minúcias. Nós temos bastantes e talentosos relações-públicas disseminando nossa mensagem para as massas. Ao invés disso, você tem que se concentrar na grande causa. Esta é a sua função — seu olhar se voltou novamente para a tela de TV. — Agora eu realmente preciso voltar a esta ligação.

            Kyle ainda não estava satisfeito.

            — Só mais uma coisa. Por acaso você ouviu alguma coisa sobre meu pai hoje? Ou sobre Diana Skouris?

            — Acredite ou não, Kyle — ele disse, com um quê de irritação em sua voz — eu não fico o dia inteiro obcecado com o que o seu pai e a parceira dele estão fazendo. Se você está tendo problemas com Tom por algum motivo, sugiro que resolva isso com ele, não comigo.

            Kyle sentiu que estava sendo convidado a se retirar.

            — Você está me mandando embora, Jordan?

            — De maneira nenhuma. — Jordan suspirou novamente, mais desgastadamente, desta vez. — Mas, infelizmente, meus dons não incluem parar o tempo em seu curso — ele adotou um tom mais conciliador. — Talvez nós possamos discutir isso mais tarde?

            — Sim, claro — disse Kyle, mal-humorado. Ele percebeu que não ia conseguir mais nada de Jordan. Virou-se e encaminhou-se para a porta. — Mais tarde.

            Jordan deixou-o ir.

            — Por favor, feche a porta ao sair.

            Espumando, Kyle caminhou de volta para seu escritório. Ele bateu a porta com força, sem se importar se alguém ouviria. Seu pai estava desaparecido, talvez em apuros, e ele parecia ser a única pessoa que se importava com isso.

            Cassie estava esperando no sofá.

            — Acalme-se, Kyle. Deixe para lá.

            — É fácil para você dizer isso — disparou Kyle. — Você não tem pai. Nunca teve.

            — Ai — disse ela, parecendo magoada. — Isto foi indelicado.

            Ele imediatamente se arrependeu das suas palavras.

            — Desculpe. Eu não deveria descontar em você. Isso tudo está acabando comigo — a culpa se juntou à sua ansiedade. — Eu dei aquele endereço ao meu pai, Cassie. E se foi um grande erro, como você falou? E se ele estiver em perigo por minha causa?

            Ela se levantou e pegou o braço dele.

            — Não seja tão duro consigo mesmo. Você fez tudo o que podia.

            — Não, ainda não fiz — uma decisão súbita tomou conta dele. Desvencilhando-se do abraço de Cassie, ele apanhou seu sobretudo em um cabideiro ao lado da porta. Vestiu-o com pressa, e vasculhou sua mesa até encontrar o endereço do centro de plasma. — Eu mesmo vou até lá.

            Cassie reagiu alarmada.

            — Não é uma boa ideia.

            — Ah, não? — ele a desafiou. — E por quê?

            Ela se colocou entre ele e a porta.

            — Não é seguro.

            Aquilo não era suficiente.

            — Como assim?

            — Você não precisa saber dos detalhes — ela respondeu, teimosa. — Apenas acredite em mim, você não deve ir até lá. É muito perigoso.

            — Então você deveria me ajudar um pouco mais! — o tom amargo em sua voz o surpreendeu, e ele levou um segundo para se acalmar. Não queria discutir, especialmente quando precisava mesmo dela ao seu lado. Ele a segurou gentilmente pelos ombros e olhou-a nos olhos. — Por favor, Cassie — ele implorou, com voz rouca. — Você não entende? Estou sozinho aqui. Até que eu descubra o que está acontecendo, não posso confiar em ninguém na NTAC ou no Movimento. Você é tudo o que me resta. Estou contando contigo, por favor! — seus olhos procuraram desesperadamente o rosto dela. — Você me ama ou não?

            — Isso não é justo, Kyle — ela protestou. — Não diz respeito a nós, e sim ao que é melhor para você, e para o futuro — ela aninhou o rosto dele entre suas mãos. — Você é muito importante para o Movimento. Não posso deixar que se coloque em perigo por causa de seu pai.

            — Ótimo. Porque eu irei de qualquer maneira — ele a afastou do caminho e se encaminhou para a porta. — O que significa que você pode ficar aqui, de cara feia, ou pode me ajudar a me manter vivo.

            Ela olhou furiosa para as costas dele.

            — Você não se atreveria!

            — Experimenta só.

            Tremendo de frustração, seus punhos cerrados ao lado do corpo, ela observou, impotente, enquanto ele segurava a maçaneta da porta. Abriu a porta e a deixou para trás.

            — Tá legal — ela disse, petulante. — Você venceu! — ela correu atrás dele. — Mas você me deve uma!

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comentários
  1. Arielton disse:

    Uauu! Foi bastante tenso esse ep.
    Provavelmente o que vai acontecer é o Carl/Danny ter o mesmo poder, e sem chance o Tom vai tomar promicina, e cair na real que o Movimento é o movimento certo pra fazer. (:

  2. isa disse:

    aii que vontade de ler o próximo!! haha
    quando sai? é um por semana?
    ;*

  3. Yan disse:

    Mt loko esse capítulo!
    num vejo a hora do próximo =\

  4. Stan Fernandes disse:

    aguardando o próximo capítulo.

    tá muito bom!! =D

  5. KILLER disse:

    Cara, tá muito bakana a história.
    no final da 4ª temporada, eu fiquei em dúvida se o jordan Collier não havia sido marcado realmente e estaria fingindo, adaptando seu plano de domínio do mundo…
    Será que ele não é um marcado que quer destruir os outros para governar o mundo sozinho?
    Agora um ponto importante: o livro seguinterealmente dá um final pra história?
    Abraço a todos.

    • brenooficial disse:

      [SPOILER]

      Na minha opinião, o segundo livro poderia ter terminado no final do penúltimo capítulo. O último fica meio em aberto, mas mesmo assim, foi bom. =)

  6. isa disse:

    aiai que ansiosa!

  7. Guilherme disse:

    Cara muito bom!

    mal posso esperar pelo proximo capitulo!

  8. Aline disse:

    ui, q q isso.

    finalmente kyle acordando pra vida e pensando sem ajuda da cassie.

    nao confio nela mesmo…

    aguardando. até.

  9. filipe disse:

    bao bao bao baooooo demaissss!
    acho que vc eh um dos 4400 heimmmmmmmm
    hahaha
    valeu viniciussssss

  10. kristiang disse:

    agora falando sobre o episodio, pô, ainda vamos ter uma parte 2 deste ep? Assim o Tom só vai virar p-positivo no outro livro, rsrsrs

    • brenooficial disse:

      Amanhã voc saberão como termina ess episódio.. Hehe…
      E vão se preparando que o próximo livro é cheio de ação e reviravoltas.. Haha.. =)

  11. Arielton disse:

    Até o fim deste livro o Shawn aparece?

  12. isa disse:

    cadeee cadeeee??
    o 19 não saia hoje??

  13. Arielton disse:

    OMG, cadê o 19? Acho que o Shawn aparece só quando o TOM toma a Promicina…e ele sei lá, vai passar por algo muito “difícil” e precisará do “dom” do Shawn (:
    GO GO 19 (:

  14. Vanessa disse:

    Esta cada vez melhor…
    Que ansiedade em ler os próximos episódios…

  15. Jun disse:

    Abby faz clonagem! Agora é só clonar várias Tess e obrigar todos a tomarem promicina. Ou a obedecerem o Collier.

    Kyle ainda vai se dar mal por causa da Cassie… =/

    Obrigado pela tradução!

  16. Vinicius Guardia disse:

    viciante demais! parabens!

  17. Drika disse:

    4400 é tenso mesmo! Amei

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