The 4400 – Welcome to Promise City (Capítulo 19 traduzido)

Publicado: 25 de abril de 2010 em The 4400

Hey… Muitos estavam ansiosos para ver o que aconteceria ao Tom e a Diana, e agora vocês podem matar essa curiosidade. =)

O capítulo está um pouco atrasado porque não tive tempo para revisá-lo e postá-lo ontem, mas o que importa é que ele está aí hoje.

E lembrem-se: só faltam mais três capítulos para o livro terminar, portanto, comentem!

DEZENOVE

 

O CENTRO DE PLASMA ficava numa parte ruim da cidade. Kyle olhava em volta nervosamente enquanto Cassie o guiava com rancor por um beco sujo atrás do prédio abandonado. Nuvens escuras obscureciam a luz fraca do sol. Uma garoa fria descia pelo seu pescoço. Poças gordurosas derramavam-se pelo chão.

            — Só para constar, estou fazendo isso sob protesto — lembrou-o Cassie. Um casaco de pele e lã a protegia do frio, ou ao menos parecia proteger. Seu guarda-roupa todo era tão ficcional quanto o resto dela. Kyle ás vezes imaginava qual parte do seu inconsciente escolhia suas roupas e acessórios toda vez que ela aparecia para ele; eles sempre pareciam encaixar-se com a situação.

            No momento, porém, ele tinha questões mais importantes em mente.

            — O meu pai está aqui? E a Diana?

            — Sim, mas teremos que ter cuidado. — Ela subiu um pequeno lance de degraus até uma área de descarregamento de mercadorias no fundo do prédio. Manteve a voz baixa, mesmo que ninguém pudesse escutá-la. — Há quatro pessoas perigosas lá dentro, e não ficarão felizes em vê-lo.

            Kyle juntou-se a ela na porta dos fundos. Ele desejou ter pensado em trazer algum tipo de arma, embora não fizesse ideia de onde teria conseguido uma. Jordan objetava armas na Terra Prometida; ele preferia que os positivos confiassem em suas habilidades ao invés disso. Agora isso não adianta nada.

— O cadeado está quebrado — anunciou Cassie. — Obra do seu pai, pode apostar. Mas você não pode simplesmente entrar. Tem que esperar pelo momento certo, quando as pessoas lá dentro estiverem distraídas e olhando para o outro lado.

Kyle sentiu um calafrio ali na área de descarregamento. Abraçou a si mesmo para manter-se aquecido.

— E como vou sabe quando é isso?

— É por isso que estou aqui, bobinho. — Cassie abaixou a voz para um sussurro conspiratório. — Agora escute com atenção. O que você precisa fazer é o seguinte…

 

— Temos a promicina! — declarou Grayson triunfantemente. Ele mexia um bastão de metal por baixo dos braços de Carl, como um segurança de aeroporto verificando um passageiro suspeito com um detector de metais. Um fino cabo eletrônico conectava o bastão com um monitor portátil. Grayson olhava para a tela iluminada do monitor. — O Carl está definitivamente exalando promicina de seus poros. Estou detectando aproximadamente três mil e sessenta partículas por milhão.

            Abby bateu palmas.

            — Conseguimos! Finalmente!

            — Sabia que ia dar certo! — Carl sentava em cima da poltrona de vinil, suas pernas suspensas do lado. Um roupão de banho de algodão estava aberto, expondo seu peito nu. O soro e os eletrodos haviam sido retirados de seu corpo. Ele esfregava o braço onde Rosita injetara promicina mais cedo. Sua inquietante semelhança com Danny continuava perturbando Tom. Danny parecia ter se levantado dos mortos, assim como Jordan Collier.

            Isso é um pesadelo, pensou Tom. E só está piorando.

            Carl olhou para ele, que ainda estava amarrado numa poltrona ao lado de Diana. Ele franziu o cenho impaciente.

            — Como pode ele não estar reagindo ainda?

            — O efeito raramente é instantâneo — observou Abby. — Eu não desenvolvi minha habilidade até dias depois de ter sido infectada. Além do que, ainda é possível que ele tenha bastante ubiquinona¹ no sistema.

            Tom torceu para que esse fosse o caso. Já estou infectado, indagou-se ele, ou as U-Pills estão me protegendo? De acordo com Kyle, ele estava condenado a se tornar um positivo. Era hoje o dia em que a profecia finalmente se realizaria?

 

¹A Ubiquinona (também chamada de Coenzima Q10, Coenzima Q e abreviada como CoQ10, CoQ, Q10 ou Q) é uma benzoquinona presente em praticamente todas as células do organismo que participa dos processos de produção de ATP.

 

 

            — É fácil descobrir — comentou Grayson. Ele abaixou o bastão sensorial. — Um simples exame de sangue nos mostrará seus níveis de ubiquinona e nos dirá se ele virou positivo ou não. — Ele acenou para Rosita. — Faria a honra?

            — Claro, Bernard — a filipina arrastou um carrinho de metal até a poltrona de Tom. Ela tirou uma seringa metálica de uma gaveta embaixo do carrinho, junto com gaze e outros suprimentos, e os pousou numa bandeja esterilizada. Levantou a manga de Tom e amarrou um torniquete em seu braço. Dedos rechonchudos apalparam a veia na dobra de seu braço até que ela se sobressaltou. Ela limpou com antisséptico. — Têm boas veias.

            — Obrigado — disse Tom friamente. Ele se esticou mais uma vez contra as amarras que o prendiam, mas não teve sorte. — Espero que saiba o que está fazendo.

            — Não se preocupe — assegurou-o Abby, — Rosita era flebotomista² aqui, antes de fechar. Foi assim que descobrimos esse lugar. — Ela se aproximou para observar o procedimento. — Você está em boas mãos.

            Duvido, pensou Tom. Antes que pudesse dizer alguma coisa, no entanto, ele se sobressaltou ao ver Kyle esgueirar-se na sala pelos fundos, do mesmo modo que ele e Diana fizeram. Confusão e esperança rodearam seu cérebro. O que ele está fazendo aqui?

            Colocando um dedo em frente aos lábios, Kyle moveu-se pelo andar de doação na direção de uma das poltronas vazias. Tom entendeu que seu filho queria as armas que Carl cuidadosamente havia depositado ali antes. Infelizmente, as armas estavam do outro lado do local. Kyle conseguiria alcançá-las sem ser visto por Abby e pelos outros?

            O rosto de Tom congelou enquanto ele se esforçava para não entregar a chegada de seu filho. Por sorte, sua surpresa momentânea seria entendida como ansiedade por causa do exame de sangue à frente. Ele resistiu à tentação de olhar para Diana, que também avistara Kyle. No momento, todos olhavam para Tom, assim ficavam de costas para Kyle. Tenho que manter isso assim, percebeu ele. O tempo suficiente para que Kyle alcance aquelas armas.

²É um profissional que tem como função fazer uma incisão praticada na veia, com objetivos diversos.

 

 

            A seringa de Rosita estava bem em frente aos seus olhos.

            — Só vai sentir um beliscão.

A agulha penetrou sua pele. Como prometido, só foi uma pontada, mas Tom gritou histericamente assim mesmo.

            — Ai! O que está fazendo comigo? — Seu rosto se contorceu numa dor falsa. — Você ainda se diz flebotomista?

            — Não seja infantil. — Rosita o censurou, parecendo um pouco ofendida. O tubo Vacutainer³ se encheu de sangue. — Foi a picadinha perfeita.

            — Mas que banana! — zombou Carl.

            Grayson se aproximou para colher a amostra de sangue.

            — Isso é monstruoso! — Diana juntou-se à algazarra. Sem dúvida ela percebera o que ele pretendia. — Vocês parecem nazistas, fazendo experiências médicas obscenas em cobaias humanas. Deviam ser presos pelo resto da vida!

            — Meu Jesus, Diana! — exclamou Abby. — É só um exame de sangue idiota.

            Rosita retirou a agulha do braço de Tom. Ela pressionou uma bola de algodão contra a parte perfurada.

            — Aí! Tá vendo? Nem foi tão ruim.

            — Ah, é? — rosnou Tom. — Diga isso para a droga do meu braço! — Olhando por cima dos ombros dela, ele viu que Kyle ainda estava a alguns passos das armas. Seu filho parecia horrorizado com o que estava sendo feito a ele. Não se preocupe comigo, pensou. Só pegue as armas!

            — O que você fez? — Tom acusou Rosita. — Acertou a veia diretamente? Ou pegou o osso também?

            — Nunca fiz isso na minha vida — disse a mulher, indignadamente. Ela tirou o Vacutainer de sua embalagem de plástico antes de entregá-lo a Grayson. — Sou uma profissional!

            — Uma profissional sádica talvez!

            Continuem olhando para mim, ele os distraiu silenciosamente. Não se virem!

            — O que vem agora? — indagou Diana, fazendo a parte dela. — Vai nos dissecar aos poucos?

³Vacutainer é uma marca registrada de tubos de teste especialmente designado para exames de sangue.

 

 

As armas estavam bem onde Cassie disse que estariam. Kyle segurou a respiração enquanto caminhava furtivamente pelo fundo da sala, até mesmo enquanto os bandidos torturavam seu pai. Apesar do aviso de Cassie, fora um choque ver seu pai e Diana a mercê de Grayson e seus cúmplices. Os gritos furiosos de seu pai tocavam seus nervos. O que aqueles malucos estão fazendo com ele?

            — Não se distraia — murmurou Cassie. Ela o seguia logo atrás. — Siga o plano.

            É mais fácil falar do que fazer, ele pensou. Não era o pai dela sendo testado a apenas alguns metros de distância. Ao menos, agora ele sabia que havia feito a coisa certa indo até ali aquela noite. Pelo que parecia, chegara bem a tempo. Talvez.

            Ele caminhou pela sala, piscando a cada rangido. Ainda bem que não havia pisado em nenhuma poça no caminho até ali; só podia imaginar seus tênis guinchando audivelmente a cada passo que dava. Pena que não sou invisível como a Cassie. A sala estava desconfortavelmente quente comparada com o lado de fora. O suor grudava sua camisa nas costas. Pareciam ter se passado horas quando ele finalmente alcançou as armas esquecidas.

            Ele viu a Glock modificada de seu pai. Suas palmas suadas tocaram o punho da arma. De repente, sentiu-se bastante grato pelas lições de tiro que seu pai lhe ensinara quando era mais novo. Ele engoliu um suspiro de alívio.

            Consegui!

            — Bom trabalho — disse Cassie. Ela apontou para e enfermeira curvando-se sobre o pai dele. — Aquela é Rosita. Precisa atirar nela antes que possa usar sua habilidade.

            Pelas costas? Ele não queria atirar em ninguém, muito menos em uma mulher despreparada. Atrapalhado, liberou a trava se segurança da arma. A Cassie está falando sério?

            Ela franziu as sobrancelhas diante de sua hesitação.

            — Não é hora de ser um maricas, Kyle. Você queria ser o herói. Agora faça o que tem que fazer.

            O braço de Kyle vacilou quando ele levantou a arma. Achava que não conseguiria continuar com isso. Nunca atirara em alguém antes — a não ser que se contasse a vez que uma entidade sem corpo do futuro o possuíra para assassinar Jordan. Esta vez era diferente, no entanto. Ele estava no comando agora. O sangue estaria em suas mãos…

            — Anda! — ordenou Cassie. — Puxe o gatilho!

            Ele ouvia Tom e Diana gritando. Queria salvá-los, mas…

            — Eu não consigo!

            Ele não percebeu que havia falado em voz alta até que os bandidos viraram-se surpresos. Kyle reconheceu Grayson por causa dos arquivos, mas foi o jovem quem o chocou de verdade. Kyle ficou boquiaberto. Seu coração parou de bater por um segundo.

            — Danny?

            Seu primo morto estava parado apenas a alguns passos de distância.

            — Não é o Danny! — berrou Cassie. — Ele é falso! — gritou em seu ouvido. — Atire na velha!

            Mas já era tarde. A enfermeira enrugou o rosto. Sua figura firme tremeluziu antes de desaparecer como uma miragem por completo. Ela sumiu bem diante de seus olhos.

            — Ãhn? — Kyle gaguejou em confusão, sua arma apontada para o ar. O que ele devia fazer?

            Cassie assumiu o controle, como de costume. Pegando o braço dele que segurava a arma, ela o virou para direita.

            — Ali! Agora!

            Ele apertou o gatilho.

            O som ensurdecedor da arma estourou em seus tímpanos. O impacto tirou seu braço do aperto de Cassie. A princípio, parecia que ele atirara em nada, mas então Rosita tremeluziu de volta à existência, segurando o lado do corpo. Sangue vazava pelos seus dedos. Gemendo, ela caiu ao chão.

            Ai, meu Deus, pensou Kyle. Cassie sabia exatamente onde a mulher invisível estava. Acabei de atirar em alguém. De verdade.

            — Rosita! — Grayson começou a correr na direção da mulher ferida, mas então lembrou-se da arma ainda soltando fumaça na mão de Kyle. Ele parou na metade do caminho. — Por favor, precisa me deixar ajudá-la!

            — Cuidado, Kyle! — gritou seu pai, da poltrona. — Ele está armado também. Não o deixe fazer nada até que tire sua arma!

            — Tudo bem! — disse Grayson, antes mesmo que Kyle pudesse seguir o conselho de seu pai. Ele tirou uma pequena arma de seu casaco e a jogou pelo chão na direção de Kyle. Olhou ansiosamente para Rosita, que soluçava de dor no chão. — Está bom o suficiente para você?

            Uma poça vermelha formava-se sob a enfermeira caída. Kyle engoliu com dificuldade. Apontou a arma para o falso “Danny” e para uma loira atraente que parecia ser apenas alguns anos mais velha que ele. Esforçou-se para manter os olhos em todos os jogadores.

            — Vá em frente.

            Era tudo o que o agente funerário agitado precisava ouvir. Ele pegou um kit de primeiros-socorros de um carrinho e apressou-se para a vítima agonizante.

            — Alguém ligue para a emergência!

            — Não! — gritou Diana. Ainda amarrada ao lado de seu parceiro, ela elevou a voz para chamar a atenção de Kyle. — Esse clone tem a habilidade de Danny. Não pode deixar ninguém entrar aqui. O lugar inteiro precisa entrar em quarentena!

            — Não dê ouvidos a ela, Kyle! — disse a loira. Ela era uma estranha para ele, mas claramente o conhecia. — Você não quer nos parar. Só estamos tentando espalhar a bênção da promicina para o mundo todo, do jeito que Jordan Collier quer.

            Cassie olhou para a loira especulativamente.

            — Sabe, Kyle, ela tem razão nisso…

            — Ela é louca, Kyle — alertou seu pai. — Ela já matou quatro pessoas. E quer matar mais bilhões.

            — Somente uma geração de sacrifício para permitir o paraíso àqueles que seguem — insistiu a loira. — É isso que o Jordan sempre diz, não é? — Cruzando as mãos, ela deu um passo na direção de Kyle. — Eu sei que você divide nossos ideais Kyle. Estamos do mesmo lado.

            — Para trás! — ele ordenou. — Não sei que você é, moça, mas seu argumento seria muito mais convincente se não estivesse mantendo meu pai em cativeiro!

            — Nós não vamos machucá-lo — insistiu ela. — Só estávamos…

            — Cala a boca! — Kyle não ouviria mais nada disso, não enquanto seu pai e Diana estavam amarrados como animais de laboratório. Ele acenou com a arma para os cativos. — Vocês dois — ordenou para a loira e para o gêmeo de Danny. —, desamarrem-nos agora.

            A loira riu para Kyle.

            — Essa ideia é sua ou da Cassie? — Virou-se pelo laboratório. — Ela está aqui conosco?

            — Cassie? — repetiu seu pai, confuso. — Quem é Cassie?

            Sua musa de cabelos ruivos se divertia com o que acontecia.

            — Sabe, você vai ter que contar sobre mim para ele qualquer dia desses.

            O rosto de Kyle enrubesceu de raiva e vergonha. Levantou a arma diretamente para a loira.

            — Como sabe sobre ela?

            — O Jordan me contou — sorriu ela alegremente. — Nós dividimos muitas coisas. Eu o dei informações confidenciais desde que entrei no Movimento.

            — April! — percebeu Diana, de repente. — Você é a dedo-duro. Foi você que lhe contou sobre a minha irmã.

            A loira lançou um sorrisinho para Diana.

            — Acabou de descobrir, foi? É um pouco lenta para descobrir as coisas, Diana. — Ela balançou a cabeça. — Imagino o que Marco viu em você.

            — Vai ter que perguntar a ele — devolveu Diana. — Quando ele te visitar na prisão.

            — Veja como quiser, Abby — acusou Tom. —, você ainda é uma traidora e uma assassina.

             Kyle juntou as peças. Olhou para o seu pai para ter uma confirmação.

            — Ela trabalha para a NTAC?

            — Eu pertenço ao Movimento — declarou Abby. — Assim como você. — A despeito de suas ordens, ela não se mexeu para desamarrar os prisioneiros. — Pense em Jordan, Kyle. Acha que ele aprovaria o que está fazendo agora? Ou ele quereria que você saísse do caminho e deixasse-nos fazer nosso trabalho?

            — Jordan nunca forçou alguém a tomar promicina! — Ele se segurava nessa crença tão forte quanto apertava a arma em seu punho. — Nunca!

            — E é por isso que ele precisa de gente como nós — afirmou Abby. — Para fazer as coisas que precisam ser feitas.

            Ela soava tão assustadora quanto Cassie.

            — Apenas solte eles! — gritou Kyle. Havia muitas pessoas lhe dando ordens. Ele sentia-se à beira de um colapso nervoso. — Não vou discutir isso com…

            Um grito angustiado atraiu sua atenção de volta a Grayson e Rosita. O agente funerário estava agachado ao lado da enfermeira machucada enquanto aplicava pressão ao seu ferimento. A agonia contornava o rosto da mulher, que estava pálido e ensopado. Dedos trêmulos apertavam o casaco de Grayson. Havia sangue por todo lado.

            — Ah, merda… — O coração de Kyle deu um pulo. — Ela vai viver…?

            Sua distração momentânea era exatamente a brecha que Abby esperava.

            — Kyle, cuidado! — gritou Cassie quando a loira agarrava uma bandeja de metal de um carrinho e a arremessava na direção de Kyle. Alertado pelo grito de Cassie, ele jogou o braço cima a tempo de desviar da bandeja voadora. Ela espatifou-se no chão junto com ferramentas médicas e curativos. Um tubo para exames de sangue se despedaçou. Manchas vermelhas mancharam a sala.

            Abby gritou para o clone de Danny.

            — Corra, Carl! Saia daqui agora!

            Ela investiu contra Kyle, que instintivamente levantou a arma para se defender. Aconteceu antes que ele se desse conta do que se passava. Uma flor rubra aflorou sobre seu coração. Por um único momento sem fim, ela encarou-o de volta antes de tropeçar e cair para trás.

            Estava morta antes mesmo de atingir os ladrilhos.

            Não! Pensou Kyle. Eu não queria fazer isso!

            A visão de seu cadáver deixou-o petrificado.

            — Kyle! — gritou seu pai, num tom alarmante. — Carl! O clone! Você tem que impedi-lo! — A urgência em sua voz amenizou seu devaneio em choque. — Ele é como o Danny!

            Diana gritou também.

            — Ele vai infectar a cidade inteira!

            O quê? Kyle olhou para cima para ver o impostor se distanciando. O aviso de Diana lembrou-o do quanto estava em jogo. Pulando por cima do corpo sangrento de Abby, ele disparou atrás de Carl, que chegou perto da área de entrada até que Kyle o alcançasse. O gêmeo de Danny se atrapalhou com a tranca da porta. Ela soltou um clique ao abrir-se.

            — Segure isso! — ordenou Kyle. Suas duas mãos seguravam fortemente a arma quando ele a apontou para o clone fugitivo. — Já foi longe o bastante.

            O Danny falso ficou parado na porta, sua mão segurando a maçaneta. Somente uma fina porta de madeira entre ele e milhares de pessoas vulneráveis. Kyle lembrou-se de todos os funerais em que fora depois do Grande Passo Adiante. Incluindo o de seu primo e o de sua tia.

            De novo não, ele pensou. Deve haver outro jeito de trazer o Paraíso a Terra.

            Não é mesmo?

            O clone olhou para ele.

            — Qual é, Kyle? Caia na real. Você não atirar em mim. — O rosto de Danny sorriu astutamente. — Temos o mesmo sangue.

            — Você não é o meu primo!

            — Agora sou. — Ele parecia e soava exatamente como Danny. — Você é o xamã e eu sou o portador. Somos duas partes da mesma profecia.

            — Impeça-o, Kyle! — gritou seu pai freneticamente do outro lado do centro de plasma. A poltrona se arrastou pelo chão enquanto ele furiosamente tentava se livrar das amarras. — Se ele escapar, vai ser o 50/50 outra vez!

             Cassie apareceu atrás de Kyle.

            — Ele fala como se fosse uma coisa ruim.

            — Mas se acontecer, vai ser minha culpa desta vez. — Kyle balançou a cabeça. Ele manteve a arma apontada diretamente para a cabeça do impostor. Já havia matado muitas pessoas naquela noite. — Sinto muito, mas não posso viver com isso.

            — Hipócrita! — Uma expressão lívida assomou-se no rosto quase irreconhecível de Danny; Kyle não se lembrava de seu primo tão furioso. — Fica feliz em espalhar o evangelho de Collier para quem quiser ouvir, convencer as pessoas a tomar promicina mesmo sabendo que isso matará a metade delas, mas é fraco demais para sujar as mãos quando é necessário. — Ele fungou ridiculamente. — O que acha exatamente que veio fazendo desde que Collier voltou?

            Ele deus as costas a Kyle e girou a maçaneta. Uma brisa fria adentrou o prédio. Estava escuro do lado de fora.

            — Não faça isso, cara. — A arma tremia nas mãos de Kyle. — Não quero machucar mais ninguém.

            — Então você não sabe o que está fazendo — disse o impostor. — Nem quem é realmente.

            Ele deu passou pela soleira.

            Kyle atirou.

            Danny morreu mais uma vez.

            Tomado pelo medo, Kyle arrastou o corpo de volta para dentro do prédio e fechou a porta. Uma lágrima escorreu pelo seu rosto enquanto ele se encostava à porta, exausto e vazio de sentimentos. A arma escorregou pelos seus dedos. Ele mal ouviu seu pai e Diana gritando para ele da área de doação. Ele os desamarraria num momento, mas só o que podia fazer agora era olhar para o morto no chão.

            O que está acontecendo comigo? O que eu me tornei?

            Cassie passou por cima do corpo. Ela aninhou-se a ele, descansando sua cabeça em seu peito.

            — Vai ficar tudo bem, Kyle. Você vai superar isso. Nós vamos superar.

            Ele não tinha tanta certeza.

            — Eu matei duas pessoas, Cassie. Talvez até três.

            — Há uma primeira vez para tudo. — Ela sorriu sabiamente. — Pense nisso com uma experiência de aprendizado

            Pela primeira vez ele estava genuinamente com medo dela.

            E dele mesmo.

 

**********

 

Kyle foi embora antes que os paramédicos e a equipe de investigações à materiais radioativos chegassem. Tom percebeu que seu filho ficara realmente chocado com o que ele fora forçado a fazer, mas Kyle dispensara os esforços de seu pai em tentar confortá-lo. Ele se arrastara para fora do centro parecendo um zumbi, mal dizendo uma palavra sequer.

            Terei que falar com ele depois, prometeu Tom a si mesmo, ajudá-lo a superar isso. Ele sabia por experiência própria como era viver com um assassinato, mesmo que fosse em defesa de outros. Especialmente da primeira vez.

            Com egoísmo, ele esperava que Kyle não se virasse para o lado de Jordan agora.

            Diana se encarregou da tarefa de limpeza. Por instruções dela, somente positivos que tivessem sobrevivido à exposição à promicina eram permitidos no local. Grayson e Rosita haviam sido dosados com o inibidor antes de serem mandados para a quarentena. Graças a Deus, parecia que a flebotomista ferida ia sobreviver.

            Diferentemente de Abby e Carl.

            Seus corpos foram destinados à cremação imediata.

            Junto com o do Danny, pensou Tom. Shawn vai entender, com certeza.

            — Todo o local terá que ser esterilizado — falou Diana. Ela suspirou exausta enquanto os resultados sangrentos dos horrores daquela noite. — Mas pelo menos recuperamos os restos de Danny e acabamos com os planos da Abby. Graças ao Kyle, claro.

            — É — concordou Tom. — Já é alguma coisa, suponho.

            Só esperava que sua vitória não tivesse custado ao seu filho sua alma.

            — Como você está? — perguntou Diana a ele. — Está se sentindo diferente?

            — Não muito — seu braço ainda doía onde Rosita havia furado, mas era só isso. — Não notei nenhuma habilidade ainda.

            — Bem, teremos que fazer um exame em você quando voltarmos à sede, mas acredito que aquelas U-pills neutralizaram qualquer infecção. — Ela o ofereceu um sorriso reconfortante. — Com profecia ou não, você pode ainda ser o mesmo Tom Baldwin.

            Por enquanto, ele pensou.

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comentários
  1. Guilherme disse:

    Muito bom fica mais emocionanteqndo vai chegando perto do fim!

    E que venha o segundo livro!

  2. kristiang disse:

    Ah, finalmente! Muito bom o episódio! Mudando de assunto, essa Cassie é uma falsa. Ela sabia o que estava acontecendo no centro de plasma e não quis dizer ao Kyle, e depois estando lá, tentou reverter a situação para o lado do Movimento. Espero que o Kyle caia na real e veja que o que o Jordan quer tem um preço muito alto. Será que ele está disposto a pagar? Abraço a todos!

  3. Arielton disse:

    Com profecia ou não, Tom Baldwin vai tomar a Promicina e se transformar em um P-positivo, a habilidade que irá a adquirir…tenho nem idéia. xD
    Sobre pessoas que não confiam na Cassie (inclusive eu), teem que entender que ela é uma habilidade que veio a FAVOR do movimento, e ela fará tudo para que a profecia seja concluída. Pelo que vejo nos últimos capitulo ela nada meio “apaixonada” pelo Kyle. Creio eu que esse “amor” poderá até fazer a Cassie se [i]virar[/i] (fazendo alguma coisa contra) contra o movimento. Ansiosíssimo para os próximos. (:

  4. Pâmela Thaís disse:

    Eu não acho que a Cassie seja falsa, como disse o Arielton, ela é uma habilidade que veio a favor do movimento, é da natureza dela fazer com que a profecia seja cumprida!
    To torcendo pro Tom ter se tornado um P-positivo!

  5. Paulo disse:

    Então to terminando de ver a séries The 4400 e pretendo ler isso aqui quando eu terminar, valeu por fazer essa tradução =D

    Mas uma dudiva, o segundo livro vc vai traduzir também? (diz que sim *-* )

  6. isa disse:

    Eeee até que enfim!! vou terminar de fazer meu trabalho e vou lerr
    que felizzz!!
    ;D

  7. isa disse:

    aiaii e agora esperar mais uma semanaaa!

  8. stan disse:

    anciosa pro próximo episódio..

    aiaii e agora esperar mais uma semanaaa! (2)

  9. Van disse:

    Foi emocionante, ver Kyle em ação…mesmo que isso tem ido contra seus princiipios, mas era isso ou deixar o pai e Daine presos la……
    Acho que ele vai superar isso, e tambem questionar o que realmente esta fazendo no movimento? Jordan? Cassie? enfiam fazer uma reavaliação de tudo.
    E a meghan e os outros conseguiram sair da Filadelfia?
    E shaw, ele não aparece mais…….Saudades sniffff
    BOm de qualquer forma esta incrivel, espero que continue traduzindo os capitulos restantes e o outro livro.

  10. Julia Candido disse:

    Vinicius, pelo amor de Deus!!!! eu nunca tinha visto a série… comprei o box de curiosidade, pro meu pai, que adora ficção científica… e comecei a ver os DVDs. você pode imaginar a minha REVOLTA quando cheguei no último capítulo! Sério, quase chorei de desespero… corri pra internet e vi que a série tinha sido cancelada (por algum imbecil da CBS) … ai achei esse site com o livro traduzido. Nem sei de quando são os posts nem se irá continuar traduzindo, mas se servir de alguma coisa, eu e o meu namorado, meu irmão, meus amigos, tá todo mundo lendo… então POOOOORRRR FAVOR!!! CONTINUA TRADUZINDO!!!!!!! o livro em inglês acaba impedindo mta gente de descobrir o final dessa história sensacional! você está fazendo uma coisa mto bonita! abraços!

    • Helena disse:

      Hahahahahaha, que fofa!
      Pode deixar, Julia, que a gente tá adorando traduzir. Se os comentários continuarem, a tradução está mais do que garantida.
      Depois vem o segundo livro, pra fechar em grande estilo!

  11. brenooficial disse:

    Haha.. Oi, Júlia. Estou postando um capítulo por semana. =)
    E a tradução continuará sendo feita se os postos continuarem recebendo comentário, portanto, peça para o seu namorado, seu irmão, seus amigos e todo mundo que lerem comentarem.. Hehe
    Abraço!

  12. Arielton disse:

    Vou floodar os comentários, *—*

  13. giulia disse:

    Muito bom esse capítulo ansiosa pelo fim do livro!

    Parabens pessoal!

  14. Beatriz M. Mogentale disse:

    Eu acho q o Jordan nao sabia dessa conspiração de lançar um Novo Passo Adiante, eles estavam tentando fazer algo pelas costas dele, achando ser o melhor para o movimento e q o Jordan iria aprovar. Agora veremos se o q acho é verdade e o q o Jordan vai achar de tudo isso…

  15. Jun disse:

    Que medo da Cassie! KKkk! Experiência de aprendizado, pra matar pessoas? =O

    Ri muito quando Tom fez escândalo com a punção! “Acertou a veia diretamente? Ou pegou o osso também?” ahsuHAsuHAsuHAsuHA

    E mais uma vez, obrigado pela tradução!! =D

  16. Editors disse:

    Sempre achei o Kyle meio bundão. E essa “habilidade” dele não ajuda muito para eu mudar de opinião…

  17. Vinicius Guardia disse:

    perfeitoo!!

  18. Drika disse:

    Kyle é muito inocente…essa Cassie é do mal…

  19. Liane disse:

    Concordo com a opinião da Drika.

  20. Audra Liz disse:

    A cada capítulo uma nova emoção! Empolgante demais, impossível não acompanhar.

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