The 4400 – Welcome to Promise City (Capítulo 20 traduzido)

Publicado: 1 de maio de 2010 em The 4400, Traduções

Galera, aí vai o capítulo vinte, traduzido por Helena Padim.

Só para deixar vocês mais ansiosos (hahaha) vou deixar avisado que o capítulo 21 (o penúltimo) já está pronto, só falta uma revisão.

Bom, aproveitem e não esqueçam de comentar para garantir a tradução do segundo livro!

VINTE

 

            Restavam apenas cinco Marcados.

            Ou quatro, dependendo do modo como se contasse.

            Wesley Burke havia morrido três dias atrás. Morto em um “acidente bizarro” durante sua lua-de-mel nas Cataratas do Niágara, com sua última esposa. Uma estranha “rajada de vento” o havia arremessado por sobre a cerca de um dos mirantes das cataratas. Seu corpo havia sido estraçalhado nas pedras lá embaixo, e seus preciosos fluidos corporais diluídos nas espumas turbulentas. Curiosamente, ninguém ao redor, nem mesmo sua horrorizada noiva, tinha sentido mais do que uma leve brisa.

            Tal tragédia havia ocorrido apenas quarenta e oito horas após a fuga de Richard Tyler, o que implicava em uma explicação alternativa para o fim de Burke.

            Os Marcados estavam sendo caçados mais uma vez.

            O sheik Nasir al-Ghamdi não havia esperado que Tyler o rastreasse. O elegante árabe encontrava-se estatelado de cara na mesa redonda de carvalho, no salão do Castelo Wyngate. Uma pistola fumegante ainda repousava em sua mão. Uma perfuração de bala rasgara o turbante xadrez que lhe cobria a nuca. Uma mancha avermelhada se espalhava pelo tecido.

            Folhas de plástico transparente cobriam as paredes e a mobília, protegendo a decoração elegante do salão contra indesejáveis respingos de sangue. Francamente, George Sterling deveria preferir usar outra locação para os desgostos do dia, mas precauções com a segurança haviam vencido a conveniência. Wyngate era o local mais seguro disponível no momento. Ou pelo menos o único que foi um consenso entre os Marcados sobreviventes. Além disso, ele lembrou a si mesmo, o que importa se fizermos a maior bagunça? Eu não iria viver aqui por mais muito tempo, mesmo…

            Ele retirou a Glock dos dedos inertes do sheik, e a entregou a Song Yu que, junto com o General Roff e Kenpo Norbo, estava sentada à mesa forrada de plástico.

            — Sua vez.

            Ela aceitou a arma sem hesitação.

            — Pela causa — ela sorriu de modo assustador. — Nós nos encontraremos de novo, meu amigo.

            Ele admirava sua coragem e comprometimento.

            — Com certeza.

            Calmamente, seu rosto não demonstrando o menor traço de trepidação, ela colocou o cano da arma entre os lábios e puxou o gatilho. Um único projétil espalhou seus miolos pelas paredes atrás dela. Seu corpo se jogou contra o encosto da cadeira antes de se projetar em direção à mesa. Seu rosto bateu na superfície da mesa, expondo o ferimento ensanguentado em sua nuca.

            — Cristo todo-poderoso! — reagiu Julian Roff. O condecorado líder militar estava demonstrando não ter estômago para aquele tipo de trabalho sórdido. — Acho que jamais irei me acostumar com isto!

            Kenpo desviou o olhar dos restos mortais de Song. Ele estava claramente passando mal.

            — Vocês têm certeza de que nós não poderíamos apenas tomar uma pílula de cianeto, ao invés disso?

            — Isto é mais rápido e menos doloroso — declarou firmemente Sterling, como se eles já não tivessem discutido o assunto à exaustão. — E qualquer substância estranha à corrente sanguínea pode interferir no processo de transferência — ele estava desapontado com a sensibilidade dos dois homens; com certeza não haviam produzido tantos filmes sangrentos quanto ele. — Nossos companheiros serão elogiados por seus nervos de aço e sua firmeza neste momento crucial.

            Diferentemente de certos Marcados que eu conheço, ele pensou amargamente. Será que esses dois sempre foram tão fracos, ou a moralidade sentimental desta era piegas os contagiou? Ele se perguntava se os dois seriam capazes de fazer o que fosse necessário, quando chegasse a vez deles, ou se teria ele mesmo que puxar o gatilho. Aposto as bilheterias dos meus dois últimos sucessos cinematográficos como um desses dois vai amarelar na hora H.

            Antes, porém, ele tinha outra tarefa vital para cumprir. Retirando uma seringa metálica brilhante de uma bandeja sobre a mesa, ele se colocou atrás do corpo tombado de Song Yu. Seus cabelos negros e espessos estavam amarrados em um coque, provendo livre acesso à sua nuca. Quando ele se inclinou sobre ela, com a seringa vazia na mão, vislumbrou a marca por detrás da orelha esquerda dela. Pelo que sabia, aquilo era um sinal de honra. Ele pretendia fazer a coisa certa por ela – e assegurar seu iminente retorno.

            Inseriu a agulha na base do crânio dela, bem na direção da coluna vertebral. Uma cápsula de plástico transparente estava acoplada à agulha. Ele digitou em um teclado localizado na lateral da seringa e puxou o êmbolo, enchendo a seringa com um elixir prateado cintilante. Filtros moleculares no cateter excluíram o que era mero fluido cérebro-espinhal, que era claro e incolor, até que tudo o que restou do que fora coletado fosse uma solução concentrada de nanodispositivos. As máquinas microscópicas eram individualmente codificadas com a personalidade e as memórias de Song Yu, só esperando para ser implantadas na mente de uma nova identidade.

            Ele já havia escolhido a hospedeira perfeita para ela: uma obscura atriz loira, que havia interpretado um pequeno papel em Don Incubus, Demônio P.I.. Infelizmente, aquele filme em particular, a “obra-prima” final na duvidosa carreira do finado Curtis Peck, tinha ido direto para o DVD, mas Sterling tinha um papel muito maior guardado para a ambiciosa estrelinha. Ela havia concordado animadamente em conceder uma audição particular naquele fim-de-semana, onde ele pretendia reunir o elenco definitivo.

            E o melhor de tudo é que a atuação dela só tem a melhorar, uma vez que Song Yu assuma o comando.

            A cápsula se encheu rapidamente. Sterling retirou a agulha do cadáver e habilmente extraiu o frasco de seu estojo metálico. Ele o acomodou delicadamente na bandeja, ao lado de uma cápsula idêntica, que continha os nanodispositivos recolhidos de Nasir. Eles estavam destinados a um desafortunado figurante afro-americano em excelente condição física. O belo playboy árabe tinha relutado em se despojar de seu porte atual. Sterling esperava que ele achasse que o figurante era um substituto à altura.

            Ambos os hospedeiros eram ilustres desconhecidos, completamente fora do raio de alcance do radar de Collier.

            Ao menos, aquele era o plano…

            Etiquetas coloridas eliminavam a possibilidade de confusão mais adiante. Sterling acoplou uma nova cápsula à seringa.

            — Tá legal, quem é o próximo?

            — Eu — ofereceu-se Kenpo, levantando sua mão como um ávido estudante. Seu robe de açafrão farfalhou em volta de si. — Acho que existe um alvo desenhado neste corpo inútil. Eu quero sair dele agora!

            — É claro — disse Sterling. — Exatamente como combinamos.

            Depois de se opor à ideia anteriormente, ele havia relutantemente chegado à conclusão de que novos corpos eram uma necessidade para todos eles. Com Tyler liberto novamente, e seus disfarces completamente revelados, não havia escolha a não ser mudar os rostos mais uma vez. Uma vergonha eu ter que perder a entrega do Oscar, lamentou ele. Aquele  Farenheit 4400 tem boas chances de ganhar o prêmio de Melhor Documentário.

            Mas havia competições mais importantes a serem travadas no futuro.

            — Vamos deixar uma coisa bem clara — ele acrescentou, enfático. — Esta é meramente uma manobra estratégica, não uma rendição. Não estamos fazendo isto para nos esconder dos inimigos. A guerra continua, embora com novas aparências — ele encarou o lama e o general severamente. — Posso contar com vocês para continuar a luta, e vingar nossos companheiros martirizados?

            — Sim, sim — resmungou Kenpo. — Pela causa e tudo o mais — fazendo caretas de desgosto, ele esticou o braço por sobre a mesa, retirando a arma dos dedos gelados de Song Yu. — Vamos acabar logo com isto.

            — Vá em frente — encorajou Sterling. Ele pretendia se matar mais tarde, depois que tivesse transferido, com sucesso, as essências dos outros para os novos hospedeiros. Isto o deixava exposto e vulnerável por mais tempo, mas ele não confiava em mais ninguém para pôr em prática o estágio final da transferência. Nem mesmo Song Yu ou Nasir. — Nenhum de nós está se tornando mais jovem.

            Diferentemente de Song Yu, o celebrado lama parecia de fato enojado diante da perspectiva de estourar seus próprios miolos. Mãos trêmulas levaram a Glock até seus lábios. Ele fechou os olhos e se contraiu todo para o tiro fatal. O suor brilhava em sua cabeça sem cabelos.

            Um minuto passou.

            E outro.

            — E então? — perguntou Sterling, enojado pela óbvia covardia de Kenpo. O homem era uma desgraça para a cidade gloriosa que o havia dado à luz. Sterling até se perguntava se valeria à pena implantar um espírito tão fraco em uma nova identidade. — Algum problema?

            O atormentado lama retirou a arma de sua boca.

            — Me dê só um momento, pode ser? Isto não é fácil.

            Roff bufou com desprezo.

            — Qual é o problema, monge? Você não acredita em reencarnação? — ele esticou o braço para pegar a arma. — Me dá isto. Eu mesmo atiro em você.

            — Não se atreva! — Kenpo arrancou a arma dos dedos arrebatadores do general. — Eu tenho o direito de exterminar meu próprio hospedeiro! E não vou fazê-lo até que me sinta pronto para isto!

            Eu sabia que isto iria acontecer, pensou Sterling, aborrecido por ver suas piores previsões se realizarem. Por que Burke não poderia ter sobrevivido, ao invés dele? Suspirando, ele estava para intervir quando, inesperadamente, um tremor súbito sacudiu o salão. O candelabro de cristal chacoalhou violentamente acima da mesa. Poeira caiu do teto. Uma coleção de Oscars e Emmys despencou da prateleira acima da lareira, chocando-se com o chão. Os corpos de Song Yu e Nasir escorregaram de suas cadeiras, para cair com um ruído surdo por entre as pernas da mesa. Um vaso Ming de valor inestimável tombou, desintegrando-se em dúzias de cacos de porcelana. Folhas de plástico caíram das paredes. Um ruído ensurdecedor abafou os gritos espantados dos Marcados. Roff se agarrou na mesa para se apoiar, enquanto Kenpo mergulhou para debaixo dela. Sterling saltou em direção aos frascos, resgatando-os antes que pulassem da bandeja. Ele parecia confuso, enquanto lutava para manter o equilíbrio.

            Não entendo, pensou ele. A História não registrou qualquer terremoto de grandes proporções nesta data. O “Big One1” só ocorrerá daqui a muitos anos…

            Estrondos de trovão penetravam as trepidantes paredes do salão, aumentando sua perplexidade. Um terremoto e uma tempestade ao mesmo tempo? A verdade o atingiu com a força de um aríete.

1 Big One – O fato de a Califórnia estar sobre a grande falha geológica de San Andreas criou o mito de que um dia será destruída por um enorme terremoto, o qual foi apelidado   de “Big One”, ou, em tradução literal, “O Grandão”.

 

 

            O Castelo Wyngate estava sitiado.

            Tiros e gritos vindos do lado de fora do salão confirmaram sua avaliação.

            — Maldição! — Roff praguejou, no meio do tumulto. — Estamos sendo atacados!

            — Sua sagacidade militar nunca deixa de me impressionar, general — disparou Sterling. Movendo-se rapidamente, ele acomodou os preciosos frascos no interior almofadado de uma valise de couro e a fechou com um estalo. Ele atravessou a sala aos tropeções, em direção à parede onde ficava a porta. Um painel de madeira entalhado deslizou para o lado, para revelar um intercomunicador com um minúsculo monitor de televisão. Ele manejou os controles com sua mão livre.

            — Aqui fala Sterling. O que está acontecendo aí fora?

            A tela se acendeu, mostrando as feições desgrenhadas de Conrad Yerkes, o chefe da segurança. Ele era um ex-fuzileiro naval grisalho e com um olho de vidro. Sua cabeça e seus ombros atarracados preenchiam toda a tela, impedindo Sterling de ver o centro de comando de alta tecnologia atrás dele. A sala de controle ficava no campanário do castelo, quatro andares acima do salão. Yerkes parecia enlouquecido, sobrecarregado pelo caos.

            — As coisas estão ficando loucas, senhor! — gritou o homem. — Temos relâmpagos, terremotos, até uma droga de tornado desmantelando tudo! E intrusos conseguiram penetrar o perímetro. Os homens estão fazendo o melhor que podem, mas é como se a Mãe Natureza estivesse lutando contra nós!

            Está mais para os 4400, pensou Sterling. Collier está jogando tudo o que tem contra nós.

            O ruído do vento podia ser ouvido pelo intercomunicador.

            — Oh, meu Deus! — gritou Yerkes, olhando por cima do próprio ombro. Estática e chuvisco atrapalhavam muito a transmissão, mas Sterling vislumbrou o telhado da torre voando para longe, por detrás de Yerkes. Uma ventania furiosa sacudiu o cabelo grisalho do homem como as ondas de um mar revolto. Dedos embranquecidos agarraram-se ao console em frente a ele, lutando pela vida. Pedras e reboco vieram abaixo enquanto as paredes se desmantelavam pelo que parecia um tornado. Outro homem foi atirado no vórtice do redemoinho.

            — Nós estamos perdendo! — Yerkes berrou através do vento. — Nós não temos chance…

            Sterling não estava preocupado com a segurança dos guardas. Do ponto de vista avançado de sua própria época, a população abundante desta era já estava morta havia milênios. Eles eram fósseis ambulantes.

            — Permaneça no seu posto! — ordenou ele, duramente. — Detenha os intrusos o mais que puder!

            — Mas, senhor! — começou Yerkes. — O tornado! Está nos destruindo!

            E daí? Pensou Sterling. Eu só preciso de você para ganhar algum tempo para mim.

            — Você me ouviu, Yerkes!

            Antes que o agitado chefe da segurança pudesse vir com outra objeção, uma fonte de fagulhas explodiu de dentro do console. A estática distorcia seu grito, enquanto um poderoso choque elétrico chamuscava seu corpo. Incapaz de afastar suas mãos do equipamento faiscante, ele se sacudiu em violentas convulsões. Fumaça saiu de seu couro cabeludo. Sua boca se escancarou. Clarões azuis brilhantes se arqueavam por entre as obturações de seus dentes.

            A tela se escureceu.

            Demais para Yerkes, pensou Sterling friamente. Afastando-se do intercomunicador, ele deu uma olhada para a lareira. É hora de partir.

            Kenpo Norbo ergueu sua cabeça de debaixo da mesa. Seu famoso semblante sereno agora estava completamente pálido. Ele brandiu a Glock acima da cabeça. Sua mão tremia tanto que Sterling receou ser atingido por fogo amigo. Ele suspirou aliviado quando Roff agarrou a arma e a arrancou das mãos do lama.

            — Dê isso a quem sabe usar!

            Kenpo não tentou recuperar a arma. Ao invés disso, ele revirava as contas de seu rosário.

            — É culpa sua — ele gritou para Sterling. — Nós devíamos ter abandonado estes corpos uma semana atrás, logo depois que Calábria foi assassinado! Mas você disse que nós estaríamos seguros! — ele arrebentou o terço, que estava pendurado em seu pescoço, arremessando as contas por toda a sala. — Eu queria nunca ter vindo a esta era miserável! Nós deveríamos ter ficado em segurança na Cidade!

            — Que jamais existirá se você não se recompor! — disparou Sterling. Segurando firmemente a valise que continha as personalidades de seus comparsas, ele rapidamente atravessou o chão repleto de escombros até a imensa lareira de pedra do outro lado da sala. Troféus derrubados e corpos caídos esperavam para atrapalhá-lo, mas ele conseguiu manter o equilíbrio mesmo assim. — Por aqui! — ele gritou para os outros. — Nós precisamos fazer uma saída prudente.

            Roff olhou para ele, perplexo.

            — Onde? Subindo pela chaminé?

            Com sua mão livre, Sterling afastou as folhas plásticas que cobriam a lareira. Uma roseta entalhada adornava o topo do mantel. Segurando o ornamento, ele o girou em sentido horário.

            Um ruído baixo emanou da lareira, enquanto engrenagens escondidas moveram-se uma contra a outra. O maquinário adormecido despertou do repouso e os tijolos sujos de fuligem do fundo da lareira se afastaram, para expor a abertura de um túnel sombrio. Uma brisa fria soprou de algum lugar fora do castelo.

            — Ora vejam só! — exclamou Roff.

            A passagem secreta era legado de Edmund Wyngate, o caprichoso e silencioso astro de cinema que havia administrado a reconstrução do castelo oitenta anos atrás. Conta a lenda que ele usava a passagem para dar acesso secreto a bebidas ilegais e amantes a sua residência, nos anos vinte. Sterling sempre havia desconfiado de que essa inovação arquitetônica poderia ser útil qualquer dia. O túnel levava até uma garagem subterrânea, aninhada ao pé das Colinas Hollywood, onde um Jaguar com o tanque cheio esperava para levá-los em segurança… Se eles se movessem rápido o suficiente.

            Kenpo arfou de alívio. Ele parecia haver atingido o Nirvana.

            — Desculpe, Sterling. Eu jamais deveria ter duvidado…

            A porta da sacada superior se escancarou, arrancando as dobradiças. Richard Tyler, inteiramente coberto por um equipamento de guerra negro, irrompeu através da porta aberta até o patamar superior da escada. Ele os olhou de cima, como um anjo vingador, não parecendo nem um pouco abalado por seu recente cativeiro. Ryland claramente tinha sido muito complacente com ele…

            Nós deveríamos ter cuidado dele pessoalmente, pensou Sterling, maléfico. E não ter delegado o serviço a Haspelcorp.

            — Você! –— gritou Roff. Ele apontou a arma para a sacada, tão somente para tê-la arrancada de suas mãos por uma força invisível. Dedos estalaram de maneira audível. Ele praguejou.

            A pesada mesa de carvalho tombou de lado e atingiu o general como um aríete, esmagando-o contra a parede atrás dele. O candelabro soltou-se do teto e se atirou na direção de Roff como um meteoro de cristal. O sangue espirrou sobre as folhas de plástico penduradas.

            Outro tremor sísmico sacudiu o castelo, fazendo Richard se desequilibrar. Ele se segurou na grade para evitar cair da sacada.

            É agora ou nunca, percebeu Sterling.

            Agarrando a valise, ele mergulhou através do vão atrás da lareira. Arrastou-se para o túnel à frente e puxou uma alavanca atrás da lareira. A pesada porta de tijolos começou a voltar para o lugar.

            — Não! — Kenpo gritou, ao perceber que a porta estava se fechando. Ele saltou para a saída que desaparecia, agarrando-se na lateral da porta com suas mãos. — Espere! Você não pode me deixar aqui! Eles vão me matar!

            Não será uma grande perda, pensou Sterling. Para ele, o monge medroso era infinitamente mais dispensável do que Song Yu ou Nasir. Ele chutou o rosto e as mãos de Kenpo.

            — Largue a porta, seu idiota!

            Um atiçador de ferro ergueu-se por detrás do desesperado lama. A coisa saltou para frente como se tivesse vida, espetando Kenpo pelas costas. A ponta vermelha do atiçador irrompeu de dentro de seu peito. Sangue gorgolejou em sua garganta. Uma espuma sangrenta saiu de seus lábios. Dedos frouxos perderam a força com que agarravam a porta. Um chute final tirou seu corpo do caminho.

            A porta finalmente se fechou por completo.

            Agradeço a Deus por aquele atiçador! Pensou Sterling. O monge histérico quase havia matado a ambos. Ele trancou a porta secreta seguramente no lugar, e então voou para dentro do túnel fracamente iluminado. Ele não sabia quanto ia levar para que a telecinese de Tyler reabrisse a passagem, mas certamente não iria ficar por ali para saber. Era hora de se despedir do show biz para sempre.

            Abandonando o castelo Wyngate em mãos inimigas, ele correu por uma longa escada em espiral para a garagem abaixo. Àquela distância abaixo do castelo, mal se podia ouvir a tempestuosa batalha travada lá em cima. Ele era o último remanescente dos Marcados, mas não por muito tempo. Agarrou firmemente a alça da valise. De uma forma ou de outra, Nasir e Song Yu viveriam novamente.

            Isto não acabou, ele jurou. Tyler e seus aliados 4400 podiam estar em vantagem naquele momento, mas se Hollywood tinha ensinado uma coisa a ele, era que as melhores estórias não se acabam tão facilmente.

            Sempre haverá uma sequência.

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comentários
  1. Caio disse:

    Muito bom!!

  2. Paulo disse:

    Great, keep the good job.

  3. Guilherme disse:

    Parabens Helena mais um ótimo capítulo!

    Ta tudo se armando para o segundo livro!

    Abraços!

  4. Arielton disse:

    Ow!! O final realmente PHODA! Estou super-hiper-mega-blast-ansioso para o próximo (:

  5. stan disse:

    aee!!! muito bom!!
    aguardando o próximo capítulo… =)

  6. Aline disse:

    opa!, fiquei sem tempo essa semana e tive que ler os dois cap de uma vez.
    foi avalanche de coisas, mt bom.

    tá quase no fim, snif snif.

    agora duplamente ansiosa, ainda mais por saber q o próximo capitulo já está no forno.

    continuem!!!

  7. isa disse:

    o que me mata é esperar até sabadoooo!
    aiaiiiii
    que ansiedade!

  8. Van disse:

    Nossa não esperava que o Tyler fosse voltar a ativa tão rapido…..ele não vai descobrir que o Jordan mentiu sobre os marcados que teria outra forma de se livrar deles sem ter que matar o hospedeiro…..

    Mas foi muito bom……vamos aguadar as cenas dos proximos capitulos, ahh espero que traduza o outro livro…

  9. Silmara disse:

    EEEiiiiiii…. estou adorando as traduções!! Nao pare de escrever naooooo… rsrsrsrs,…. obrigada gente!! bjoo

  10. Rodolfo Lobo disse:

    Valeuuu

  11. giulia disse:

    Como sempre um otimo capitulo!

    parabens!

    Ansiosa para o fim!

  12. Beatriz M. Mogentale disse:

    Esse capítulo foi um estouro, muita adrenalina, Adoro ver o tyler em ação, ele é dos meus 4400 favoritos, pela sua integridade e força.

    Muito pobrigada pela tradução!

  13. Jun disse:

    Muita ação neste capítulo! Richard com sede de vingança, mas não sei se encaixa com a personalidade dele da série. Tudo bem, ele perdeu a esposa e a filha, mas matar a sangue frio..?

    Quero saber sobre a April! T_T

    Obrigado pela tradução!!

  14. Editors disse:

    “se Hollywood tinha ensinado uma coisa a ele, era que as melhores estórias não se acabam tão facilmente. Sempre haverá uma sequência”. Pelo menos a sequência de The 4400 veio em forma de livro. Ainda bem! ^^ Esperando ansiosíssimo o confronto (final) entre Richard e Jordan.

  15. Drika disse:

    Legal,vamos ver o confronto!

  16. nilza disse:

    “QUE COMECEM OS JOGOS” (MESTRE SAW DE JOGOS MORTAIS)
    EMOÇÃO TOTAL !! HELENA E VINI UM BEIJO CARINHOSO EM VOCÊS
    QUE GENEROSAMENTE CEDERAM SEU TEMPO EM NOS PROPORCIONAR
    TAMANHAS EMOÇÕES!!

  17. Liane disse:

    Obrigada mais uma vez, Breno e Helena!

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