The 4400 – Promises Broken (Primeiro capítulo traduzido)

Publicado: 10 de julho de 2010 em The 4400

 

              Depois de algum tempo de espera, aí vai o primeiro capítulo de Promises Broken, traduzido por mim. Pessoal, não esqueçam de comentar. Vamos fazer uma espécie de clube do livro nos comentários (hahaha) e discutir a história =D

Todos esses morreram na fé, sem terem recebido as promessas, mas tendo visto-as distanciarem-se, e foram induzidos a elas, agarram-nas, e confessaram que eram estranhos e peregrinos na Terra.

 

-Hebreu 11:13

 

Parte Um

 

 

Estranhos e Peregrinos

 

UM

 

TRÊS DE ABRIL DE 2008

 

NU E TREMENDO, Roger Keegan acordou amarrado à uma cadeira. Estava sentado no centro de uma poça de uma desagradável luz incandescente, mas a sala ao seu redor estava mergulhada no breu. Algemas de metal mordiam seus pulsos, que estavam presos atrás de si. A única coisa que conseguia cheirar era amônia.

Parece um porão, pensou. Ainda estou no cassino? Ele viera para Las Vegas para alguns dias de bem-merecidas férias: algumas cartas, algumas strippers, quem sabe um pouco de sexo. Talvez em algum momento entre seus seis copos de bebida no Mirage alguma coisa dera muito, muito errada.

Uma porta se abriu na escuridão, mas não houve luz que atraiu os olhos de Roger. Os passos foram respondidos por ecos apressados enquanto se aproximavam.

Roger engoliu em uma tentativa inútil de diminuir o gosto de álcool metabolizado em sua língua, que estava coberta por uma pasta repugnante. Piscando os olhos, o gerente de quarenta e dois anos viu três figuras sombrias pisarem no anel de sombra além de seu círculo de luz. Duas pareciam-se com homens, a outra tinha as curvas atraentes de uma mulher.

O homem à esquerda acendeu um cigarro, iluminando seu rosto moreno com uma luz laranja. Então ele fechou o isqueiro, e tudo o que restou foi uma rodilha de luz na ponta do cigarro. Roger tremeu diante do cheiro forte de tabaco. O que quer que aquele homem estivesse fumando, era mais forte e mais amargo.

— Então? — disse o homem no centro. — É ele?

— Sim — respondeu a mulher. — Ele foi preparado.

Lançando olhares assustado a cada membro do trio, Roger disse:

— Espere um pouco, deve ter havido algum erro! Sou apenas um representante de vendas! Meu nome é Roger Keegan, eu não… — O estalo de algo girando numa semiautomática o cortou.

— Devíamos começar — disse o homem no meio. Ele e seus dois companheiros pisaram na luz.

Estavam vestidos com roupas de trabalho casuais – ternos sem gravatas para os homens, um conjunto de saia e jaqueta cinza para a mulher. Ela era pálida e loira, e segurava um aparelho estranho com uma seringa e uma agulha. Roger não a reconheceu o negro com o cigarro. Parado no meio deles, no entanto, estava um homem de barba grisalha que parecia familiar.

Demorou um momento até que Roger puxasse o nome do homem de sua memória. Então ocorreu a ele.

— Puta merda! — exclamou, os olhos arregalados em descrença. — Você é o George Sterling! Isso é um filme?

            O famoso produtor-diretor de Hollywood ignorou Roger e estendeu uma mão ao seu colega masculino.

            — Vamos logo com isso.

            O homem negro estendeu a pistola a Sterling. Então o produtor de filmes levantou a arma, encostou o cano em sua própria têmpora e puxou o gatilho.

            O som ecoou através do chão e das paredes quando o lado esquerdo da cabeça de Sterling explodiu num suculento espirro vermelho.

            Seu corpo amoleceu, caiu com o rosto para os pés de Roger e pousou com um barulho abafado. A pistola escapou de sua mão e espatifou-se no chão.

O sangue se espalhou numa rápida maré ao redor dos pés descalços de Roger. Tremendo de medo e adrenalina agora, ele gritou para a loira e para o negro:

— Mas que inferno está acontecendo?

Eles não responderam. A mulher deu um passo à frente, ajoelhou-se ao lado titã morto de Hollywood e enfiou a agulha de seu dispositivo em seu crânio, na sua medula espinhal. Ela mexeu em um teclado ao lado do aparelho. Um momento depois, um fluido prata brilhante começou a encher a seringa atrás da agulha, saindo do pescoço de Sterling.

Roger berrou:

— Quem são vocês? O que é isso?

— Logo você vai descobrir — disse o negro indo para o lado da cadeira de Roger.

A loira removeu a seringa do pescoço de Sterling, levantou-se e caminhou na direção de Roger.

— Segure-o — disse ela.

Seu comparsa enrodilhou um braço musculoso na garganta e mandíbula de Roger. Com precisão e força, ele virou o queixo de Roger e o imobilizou.

— Pare! — implorou Roger. — Por favor, não faça isso!

A mulher recebeu seu apelo com um sorriso frio e olhos azuis sem piedade.

— O que você acha que nós vamos fazer?

— Eu… eu não sei — disse Roger, tão assustado que não consegui nem pensar.

Golpeando-o no rosto, ela perguntou:

— Então por que ter medo?

Enquanto ele pensava em uma resposta, ela enfiou a agulha em sua nuca. Uma dor perfurante percorreu sua espinha abaixo como um solavanco elétrico. Então o calor o invadiu, embaçando sua visão e deixando-o com vertigens.

Ele sentiu-se gritando, mas só o que ouviu foi o silêncio.

 

Jakes não sentira medo algum ao puxar o gatilho. Essa morte seria apenas um interlúdio. E um muito breve, por sinal.

            No entanto, meter uma bala no cérebro o machucara assim mesmo.

            Ele inalou bruscamente enquanto sentia sua consciência se enraizar em uma nova forma. Os sentidos desse corpo eram aguçados. Ele sentiu as fragrâncias opostas de uma colônia fajuta e um perfume caro.

            Seus olhos abriram-se e ele viu seus companheiros Marcados.

            — Estou bem, Wells — disse ao seu colega homem.

            Eles haviam sido removidos dos corpos de quem tinham sido no futuro, antes de terem suas identidades convertidas em nanodispositivos para sua arriscada missão no passado. Na primeira vez que assumiram outros corpos, haviam concordado em se chamarem pelos novos nomes, para manterem a farsa e evitar confusão. Com tão pouco deles restando, entretanto, não havia razão para não usarem seus nomes reais.

            Satisfeito com sua nova voz, ele perguntou:

            — Quanto tempo demorou?

            — Menos que dois minutos — disse Wells. Ele olhou para Kuroda, que afastou o aparelho transferidor de nanodispositos. — As atualizações no processo de vinculação funcionaram melhor do que esperávamos.

            Jakes acenou com a cabeça.

            — Ótimo. Então você não se importaria em me desamarrar.

            — Já que somos obrigados — brincou Wells. Ele postou-se do lado da cadeira e retirou as algemas dos pulsos de Jakes.

            Enquanto seu amigo desamarrava o resto de suas amarras, Jakes massageou seus novos pulsos, apertou os olhos contra o brilho intenso da luz acima de sua cabeça e torceu o nariz para o cheiro de enxofre no ar. Olhou para o corpo ensanguentado de George Sterling. Tinha pena em ter que se livrar de uma identidade que lhe provera uma vasta riqueza e influência, mas fora para o melhor.

            Os Marcados recentemente haviam sofrido contratempos em sua guerra contra os 4400 – pessoas abduzidas de diferentes partes do mundo durante quase seis décadas no final do século XX e começo do XXI, levadas por agentes do futuro determinados a mudar o que estava para acontecer. Injetados com a promicina neurotransmissora, o que os presenteou com extraordinárias habilidades sobrenaturais, os 4400 haviam voltado todos ao mesmo tempo no dia 14 de agosto de 2004, para impedir uma catástrofe que destruiria o mundo que conheciam.

            Em outras palavras, os retornados haviam sido modificados e mandados de volta para apagar o passado e mudar o último bastião de uma civilização estável, que os Marcados estavam determinados a defender.

            Infelizmente, a guerra se virara contra os Marcados. Um esquadrão de assassinos – mandado por Jordan Collier, o líder carismático do movimento de promicina que se espalhava rapidamente, e comandado pelo ex-militar e retornado telecinético Richard Tyler – matara seis dos colegas agentes de Jakes.

            Era uma questão de sorte Jakes ter escapado do ataque de Tyler ao Castelo Wyngate, o baluarte opulente que George Sterling construíra com sua fortuna da indústria cinematográfica. Se não fosse por uma passagem secreta que Sterling tivesse adicionado à propriedade, ele, Wells e Kuroda provavelmente estariam mortos.

            Agora eram os últimos agentes dos Marcados. Somente eles restavam para salvar o futuro de Collier e seu movimento promicina quase-religioso.

            Quando todas as amarras caíram, Jakes levantou-se.

            — Assim está melhor — disse ele. Kuroda o entregou suas roupas. Ele se vestiu rapidamente, então caminhou na direção da saída. Wells e Kuroda o seguiram.

            — Eu juntei o que sobrou da fortuna de Sterling com a dos Cayman e nossas posses. — disse Jakes. — Podemos usar isso como um capital inicial.

            Kuroda pegou sua maleta, na qual ela carregava seu novo aparelho transmissor de nanodispositivos.

            — Ainda não vejo como vamos fazer algumas coisas possuindo esses zé manés  — disse ela.

            — Personificar pessoas importantes funcionou o quanto podia — disse Jakes. — Agora devemos agir às escondidas.

            Wells consternou-se.

            — Como isso nos ajuda? Já perdemos nossa oportunidade contra o Collier.

            — Talvez sim — disse Jakes. — Talvez não.

            Ele abriu a porta para a escadaria mal-iluminada, onde o ar estava quente e abafado comparado aos confins do subsolo.

            — É por isso que devemos fazer um novo amigo – um que quer detê-lo tanto quanto nós.

            Sob seus passos arrastados, Kuroda disse:

            — Você já falou com esse “novo amigo”, não falou?

            — Sim, já falei — disse Jakes. Embora seu novo corpo fosse relativamente jovem e saudável, o calor na escadaria fazia o suor descer por suas costas enquanto ele subia um lance atrás do outro voltando ao andar principal.

            Subindo os degraus atrás dele, Wells protestou:

            — Ainda assim é muito tarde. A data da calamidade veio e já se foi.

            — Eu sei — disse Jakes. Abrindo a porta para o andar térreo do hotel em construção, ele encolheu-se sob o brilho do sol do meio dia. Uma rajada quente de vento açoitou seus cabelos castanhos de seu rosto.

            — Mas isso tudo significa que Collier se preveniu do desastre que sabia. — Ele se permitiu um sorrisinho malévolo. — É hora de mostrá-lo um que ele não irá prever.

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comentários
  1. Beatriz M. Mogentale disse:

    Suspense… pelo visto estão planejando um golpe… Aguardarei o próximo capítulo.

  2. Arielton disse:

    Caraaa, ainda não lii.
    To sem tempo =/
    Sábado pra mim tá tenso…cursos e cursos. Cheguei em casa agorinha…e já vou dormir :s

    Amanhã eu vou ler, to doidinho *–*

  3. Roger disse:

    muito massa, esperando ja o proximo.
    bom trabalho de traducao!

  4. Arielton disse:

    Cara!!! Eles vão se juntar ao Ryland!!! =O

  5. Marcelo disse:

    Boa iniciativa cara! Parabéns!

  6. isa disse:

    Eeee de volta a ativa!
    ;*

  7. Aline disse:

    meudeus!!!!!!!!!

    concordo com arielton, ryland é a unica opçao pra eles agora.

    ou será que não? o.O

    aguardemos.

    parabéns pela tradução!

  8. stan disse:

    a batalha vai ser boa…

    aguardando o póximo capítulo!

    valeu!!

  9. Fábio Magalhães disse:

    Muito bom este capitulo.
    Jordan tem kyle e Maia ao seu lado 🙂
    Ele ta em vantagem 🙂

  10. Guilherme disse:

    Depois de um tempo pude ler e comentar esse ótimo capítulo

    concerteza eles vão se juntar com o ryland para mudar o presente e deixar o futuro como está!

  11. giulia disse:

    Ops! meio atrasada mais adorei o capítulo e teremos a vingança dos ultimos 3 marcados ansiosa!

    vou correndo ler o outro capítulo!

  12. Phell disse:

    Pegando e imprimindo! \o/

    Valeu!

  13. Trycia disse:

    Putz! Descobri ontem teu blog…hoje até acordei + cedo pra começar a ler!!! vlw!!

  14. Jun disse:

    Muito bom, capítulo digno de uma introdução misteriosa e intrigante! Como vimos na sinopse, eles agora vão se juntar ao Ryland (espero que usem o Ryland, e não sejam manipulados por ele)…

    Obrigado pela tradução! =D

  15. Editors disse:

    Ação à vista… 😀

  16. Maria disse:

    Obrigada, Bruno e equipe, pelas postagens das traduções!

  17. marcelo disse:

    achei O PRIMEIRO CAPÍTULO DO PRIMEIRO LIVRO DOS 4400.

    VALEU PELO TRABALHO!

    VALEU PELA BOA VONTADE!

    PARABÉNS POR FAZER DIFERENÇA NESTE MUNDO!!!

  18. Lidianne disse:

    Descobri a série há um mês e assisti um capítulo atrás do outro sem parar. Até que, para minha frustração, descobri que a série tinha sido cancelada na quarta temporada. Mas me animei quando descobri que tinha a continuação em dois livros e então tratei de procurá-los na internet e encontrei seu blog, com a tradução dois dois livros 🙂

    Muito obrigada por traduzi-los e compartilha-los conosco!

  19. Carminha disse:

    Você traduziu só o primeiro capítulo? Por favor, traduza tudo.

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