The 4400 – Promises Broken (Capítulo 2 traduzido)

Publicado: 18 de julho de 2010 em The 4400

Segundo capítulo de Promises Broken. traduzido por Helena Padim. Não esqueçam de comentar!

DOIS

VINTE E UM JUNHO DE 2008

 

HARBOR ISLAND ESTAVA pegando fogo. Chamas avermelhadas preenchiam o céu do fim de tarde com fumaça negra e cheiro forte de óleo.

            O enorme triângulo de terra construído na foz do rio Duwamish era um labirinto industrial de refinarias de combustível, fundições e estaleiros. Também abrigava as maiores reservas de gasolina e combustível de aviação de Seattle, e era uma das partes da cidade que não havia caído no controle de Jordan Collier nos meses que se seguiram à renomeação de Terra Prometida, o porto seguro dos positivos de promicina no mundo.

            Naquela noite era um campo de batalha.

            Descendo uma rua flanqueada por abrasadoras paredes de fogo, o agente Tom Baldwin da NTAC segurava sua Glock 26 firmemente, com os dedos tão apertados que seus nós estavam embranquecidos, enquanto avançava através da contenda. Ao seu lado estava sua parceira, Diana Skouris. À frente deles e indicando o caminho estava uma equipe tática da NTAC, guarnecida por um completo equipamento de combate e rifles M4A1. Luz de holofotes vinda de um helicóptero que pairava sobre eles varria o caminho à frente.

            O sargento da equipe tática ergueu um braço, sinalizando para que os dois agentes à paisana aguardassem. Tom e Diana se ajoelharam, mas mantiveram suas pistolas semiautomáticas de prontidão, enquanto a equipe tática se espalhava por um cruzamento bloqueado por escombros ardentes e carros destroçados. Com uma mão suada, Tom ajeitou seu colete à prova de balas, que estava um pouco apertado nas axilas.

            Relâmpagos brilharam no céu. Linhas brancas ofuscantes atingiram três membros da equipe da NTAC, que caíram ao solo, fumegantes. Seus companheiros abriram fogo, enchendo o ar com a gagueira nervosa do bombardeio automático. Tom duvidava de que eles tivessem alguma ideia daquilo em que estavam atirando.

            Todos atingiam o deque quando um brilho de detonação encheu a rua, à distância: outro tanque de combustível explodia. A onda de choque quase arrancou as obturações dos dentes de Tom. Uma bola de fogo vermelho-alaranjada rasgou a noite.

            Tom esticou o braço e colocou a mão no ombro de Diana. Ele gritou, em meio à algazarra das metralhadoras:

            — Você está bem?

            A morena esguia concordou com a cabeça, e então gritou de volta:

            — Somos alvos fáceis aqui!

            Ele concordou, e então apontou para um caminho claro através de um estacionamento.

            — Por ali!

            Eles se arrastaram pela Rua Lander, cruzaram a Décima Terceira Avenida, e correram para o leste pelo terreno à margem da Décima Primeira Avenida.

            Um grupo de homens e mulheres corria bem à frente, no mesmo caminho que Tom e Diana. No tremeluzir da luz do fogo, Tom conseguiu ver que eles vestiam uniformes de Oficiais da Paz da Terra Prometida, uma entidade oficial recém-criada, composta por ex-policiais de Seattle que eram p-positivos, bem como voluntários civis. Eles respondiam apenas a Jordan Collier, o que deixava Tom contrariado, mas eram a melhor defesa de Seattle contra os p-positivos perigosos.

            Uma figura de fumaça apareceu dentre os Oficiais da Paz. Ela se solidificou, formando um jovem vestido de preto, que enterrou uma faca no dorso de um dos oficiais. Enquanto os companheiros do oficial assassinado se voltavam para encarar o atacante, este se transformou novamente em fumaça e evaporou.

            Mais relâmpagos foram lançados do céu nublado, martelando os Oficiais da Paz. Tom ergueu o braço para proteger os olhos do brilho doloroso. Um trovão rugiu em seu rastro. Quando ele abaixou o braço, viu que Diana havia feito o mesmo. Eles retomaram a corrida em direção aos policiais sitiados da Terra Prometida.

            Motores de motocicleta rosnaram. Uma onda de força cinética que tremulou como radiação térmica derrubou os poucos oficiais restantes. Momentos depois, três motos Suzuki roncaram rua abaixo, em direção ao sul, afastando-se da região dos tanques de combustível em erupção.

            Tom parou e ergueu sua Glock. Diana fez o mesmo. Eles miraram e dispararam vários tiros contra os motociclistas fugitivos.

            O piloto do meio e o último vacilaram e caíram das motos, que tombaram e derraparam, enquanto os terroristas feridos deslizavam, arrastando-se pelo asfalto.

            Os últimos tiros não acertaram o primeiro piloto, que acelerou em direção ao desfiladeiro de contêineres multicoloridos e empilhados, que dominavam as partes sul e leste da ilha.

            — Vamos lá! — gritou Tom, recolocando sua Glock no coldre e correndo em disparada até as motos caídas. Diana o acompanhou, indo em seu encalço a toda. Eles alcançaram a moto mais próxima, cujo motor havia apagado. — Ajude-me — disse Tom, enfiando suas mãos por baixo da moto. Juntos colocaram-na de pé. Tom subiu nela e rapidamente religou o motor, enquanto Diana pulava para o assento atrás dele.

            Ele engrenou a marcha e torceu o acelerador. O motor rugiu, e a moto deixou marcas de pneu no solo quando Tom disparou com ela. O vento batia contra seu rosto e o forçava a semicerrar os olhos conforme acelerava.

            Diana envolveu a cintura de Tom com seu braço esquerdo e usou a mão direita para ativar o walkie-talkie.

            — NTAC-cinco para NTAC-um — ela gritou por sobre o barulho do vento. — Um hostil em uma motoca rumando para o sul pela Décima Primeira! Agentes em perseguição! Câmbio!

            O comando da equipe de campo chiou em resposta.

            — Entendido, NTAC-cinco. Estamos de olho no prêmio. Câmbio.

            Tom mantinha seus olhos na figura distante à frente deles. O piloto fugitivo se movia em direção à Ponte Oeste de Seattle, que passava sobre Harbor Island sem conceder acesso ao local. Viaturas de polícia haviam fechado os dois lados da ponte, e suas luzes azuis e vermelhas piscavam, brilhantes, contra o céu obscuro.

            Atiradores de elite da NTAC estavam posicionados na ponte com suas armas apontadas sobre a mureta, enquanto observavam Harbor Island e esperavam que seus alvos aparecessem.

            Outra ondulação perturbou o ar acima do suspeito fugitivo e fez a ponte parecer ondular, como uma miragem. Então o efeito abalou meia dúzia de suportes de concreto do elevado, que se espatifaram como se fossem feitos de casca de ovo. Metal partido e pedras desabaram em escombros poeirentos, e o elevado entortou-se e desmoronou com um lamento profundo de aço distorcido, num estrondo de impacto ensurdecedor.

            O suspeito desviou para a Rua Spokane e desapareceu por entre a crescente nuvem cinza de fumaça e névoa.

            Gritando por cima do ombro de Tom, Diana perguntou:

            — Aonde diabos ele vai?

            — Quem sabe? — respondeu Tom, enquanto contornava a beirada da nuvem que se expandia, procurando por algum sinal do suspeito.

            Acionando novamente o walkie-talkie, Diana disparou:

            — NTAC-cinco para NTAC-sete! Desça já aqui e sopre esta droga de poeira! Câmbio!

            — Entendido, NTAC-cinco. Câmbio — respondeu o piloto do helicóptero. Segundos depois, o helicóptero negro desceu bem baixo, à frente de Tom e Diana. Seus rotores geraram vento o bastante para dissipar a névoa suja e fizeram barulho suficiente para abafar o motor de sua motocicleta, enquanto Tom torcia o acelerador ao máximo. Do outro lado da agora bifurcada Ponte Oeste de Seattle, o suspeito estava correndo em direção à marina de Harbor Island.

            — NTAC-sete – gritou Diana pelo rádio —, o suspeito está na marina! Repito, o suspeito está na marina! Jogue luz nele, mas mantenha distância! Câmbio!

            — Já o vimos, NTAC-cinco — respondeu o piloto. A luz branca implacável do holofote iluminou de vez o suspeito fugitivo, enquanto ele embarcava em uma lancha atracada na marina. O jovem voltou-se e lançou um olhar furioso para o feixe de luz. Então uma onda concentrada de distorção seguiu o feixe até o helicóptero, e o estraçalhou em pleno voo. Este caiu do céu, numa chuva de fogo, metal partido e corpos carbonizados.

            Tom desviou para a esquerda e por pouco evitou ser esmagado pela aeronave destroçada, quando esta se chocou com o chão e rolou por sobre uma dúzia de carros no estacionamento da marina, atrás dele. Um veículo após o outro explodiu em chamas, transformando o local em um flamejante cemitério automotivo. Projéteis tamborilaram o chão em ambos os lados de Tom e Diana, enquanto corriam para fora do estacionamento e desciam a rampa de embarque da marina.

            O motor da lancha acordou rosnando, e o suspeito soltou as amarras do ancoradouro com um pequeno estouro causado por seu poder de rompimento. Tom apertou os freios, e a motocicleta patinou e derrapou pela doca. Diana já estava fora da moto antes que esta parasse de se mover, sua Glock já em punho enquanto ela se posicionava para atirar.

            Assim que a moto parou, ela abriu fogo contra o barco, mas os tiros perfuraram apenas as águas escuras do Duwamish. Tom pegou sua Glock e juntou-se ao tiroteio inútil de sua parceira. A arma de Diana clicou, sem munição. A pistola de Tom se esvaziou um segundo depois.

            Então uma branca e fina camada de gelo paralisou a superfície turbulenta do rio, e o rastro de espuma do barco parou em meia onda. A transformação gelada ultrapassou a lancha, que se esforçou por um momento contra o lodo espesso, depois parou com um estalo agudo de fibra de vidro se estilhaçando, conforme a superfície do Duwamish congelou-se por mais meia milha em cada direção.

            O jovem no barco voltou-se e olhou, alarmado, e então cambaleou para trás e desabou.

            Olhando por sobre seu ombro, Tom viu um par de Oficiais da Paz da Terra Prometida uniformizados na margem. Um tinha colocado a mão na agora congelada superfície da água. O outro ainda olhava através da mira de seu rifle de precisão. A boca larga da arma havia sido modificada para atirar dardos. Tom deduziu que os dardos deveriam estar carregados com a mistura de sedativo concentrado e inibidor de promicina que podia tornar p-positivos inconscientes e temporariamente suprimir suas habilidades extra-humanas.

            Diana notou os Oficiais da Paz e guardou sua arma.

            — Acho que temos que ir lá agradecer — disse ela, não parecendo muito entusiasmada com a ideia.

            — Acho que sim — respondeu Tom. Ele guardou sua Glock enquanto eles voltavam pela doca para a margem.

            Nos dois minutos que Tom e Diana levaram para andar até os Oficiais da Paz, os reforços chegaram. Um pelotão de forças de ataque da NTAC, dúzias de policiais de Seattle e Oficiais da Paz da Terra Prometida, e seis agentes da NTAC, liderados por ambas as encarnações de Jed Garrity, cujos dois egos eram distinguidos pelas cores de suas gravatas, uma vermelha, a outra azul, corriam através da lâmina de gelo, todos competindo para ver quem iria efetuar as prisões.

            As únicas pessoas que não tinham pressa de alcançar o barco, ao que parecia, eram Tom, Diana e os dois Oficiais da Paz que tinham sido os verdadeiros responsáveis por impedir a fuga do suspeito.

            — Belo trabalho — disse Tom, com um aceno de cabeça amigável para a dupla. — Eu sou Tom Baldwin, e esta é…

            — Sabemos quem são vocês — disse a mulher de cabelos negros e lustrosos, com um sotaque britânico seco. Ela encarou Tom com seus impressionantes olhos verdes.

            Tom e Diana trocaram olhares apreensivos. Nos anos seguintes ao retorno dos 4400, a NTAC havia sido a principal responsável por vigiá-los, e Tom e Diana tinham estado no centro de muitos dos mais tumultuados eventos envolvendo os retornados. Consequentemente, ambos os agentes tinham conquistado certa notoriedade; ou, em alguns círculos, infâmia.

            Como de costume, Diana permaneceu calma face à hostilidade.

            — Nós só queríamos agradecer, é isso.

            O homem musculoso e de cabelo cortado ao estilo militar ofereceu a mão a ela.

            — Estamos às ordens — ele disse. — Sou Jim Myers. E esta é minha parceira, Eva Lynd.

            — É um prazer — respondeu Diana, apertando brevemente a mão dele.

            Tom disse:

            — Se me permitem perguntar, como vocês conseguiram chegar aqui antes de nós? Eu pensei que Jordan havia concordado em deixar a NTAC defender as reservas de combustível da cidade.

            — E vocês fizeram um trabalho brilhante — disse Eva, lançando um olhar irritado na direção do inferno que ardia na extremidade norte da ilha.

            Tentando atenuar o golpe verbal de Eva, seu parceiro, Jim, respondeu:

            — Recebemos uma dica sobre o ataque.

            — De quem? — perguntou Diana.

            Jim ergueu os ombros e sacudiu a cabeça, incitando Eva a franzir a testa e rolar os olhos de indignação.

            — Conte logo — disse Eva. — Ela vai descobrir mesmo, quando verificar as nossas ligações telefônicas — Jim lançou-lhe um olhar incisivo, mas ela o ignorou e continuou. — Foi a sua filha vidente, Maia — disse ela a Diana. — Ela nos preveniu sobre o ataque há uma hora. — Fazendo uma careta para o rastro de destruição, ela acrescentou: — Não que isto tenha feito muita diferença.

            Eva e Jim viraram-se e caminharam em direção ao norte, afastando-se da margem e de Tom e Diana, que ficaram e observaram-nos irem embora.

            Tom sentiu a tensão no silêncio de sua parceira e soube que Diana estava fervilhando com a revelação de Eva. Ele esperou que ela explodisse. Não demorou muito.

            — Quantas vezes eu disse a Maia que não falasse com o pessoal de Jordan? — ela perguntou retoricamente, sua voz pontuada de raiva.

            — Eu sei — Tom respondeu, tentando soar compreensivo.

            — Quantas vezes, Tom? Como poderia ser mais clara? Eu disse a ela para não falar com Jordan, ou com qualquer um do povo dele na Terra Prometida, nem mesmo aquela garota, Lindsey, com quem ela andava.

            Ele sabia que bancar o advogado do diabo seria arriscado, mas tentou mesmo assim.

            — Olhe, não é como se ela fosse uma traidora, Diana. Ela só estava tentando ajudar — ele ergueu seu queixo na direção do barco preso ao gelo. — E talvez ela estivesse certa. Se o pessoal de Jordan não tivesse estado aqui, aquele cara teria escapado.

            Diana respirou fundo. Fechou os olhos.

            Expirou devagar. Abriu os olhos.

            Quando ela falou, sua voz era calma; o que fez com que a fúria por trás de suas palavras fosse o mais assustador.

            — Tom, eu sei que o que você está dizendo faz sentido. Você está certo: sem o pessoal de Jordan, nós teríamos perdido o suspeito. Mas neste momento, eu não estou nem aí para isto. O que me interessa é que minha filha fez exatamente o que eu disse para ela nunca fazer. — Ela respirou fundo novamente, e depois acrescentou: — Eu vou para casa agora, Tom. E quando eu chegar lá, terei uma conversa bem longa com Maia.

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comentários
  1. Fábio Magalhães disse:

    Hummm, episodio mais agitado. Maia pela idade é imatura. Pode ser que pensava que isso era o mais certo a fazer, avisar o movimento sobre o ataque. Vamos ver oque vai acontecer rs, assim espero 🙂

  2. Roger disse:

    bem, episódio mais agitado com certeza, mal posso esperar pelo próximo

  3. Beatriz M. Mogentale disse:

    A Maia tá certa em acreditar no Movimento e ajudar como pode.

  4. Fábio Magalhães disse:

    Bom, esta situação entre Maia, sua mãe e o movimento é mais complicada rs.
    Diana e Tom pensam estar fazendo o certo, combatendo o movimento, assim como Maia pensa ter feito o certo, avisando o Movimento.
    Eu pessoalmente acho melhor tentar mudar o futuro do que deixar que ele se realize. Mais como disse, é uma situação mais complicada, pois Diana é a mãe de Maia, e ele é responsavel em ensinar e passar valores morais e eticos pra filha. Imagine vocês, oque ela deve ter sentido com esta desobediência de Maia.

  5. Ale disse:

    Parabéns pela iniciativa.

  6. giulia disse:

    Muito bom o capítulo cada vez mais emocionante!

  7. Valquiria disse:

    Gostei muito desse capítulo, é mais movimentado. Mas é tão curtinho…rsrsrs

  8. Jun disse:

    Nice one. Muito boa a ação! Mas não explicou muita coisa, espero que o próximo se encarregue disso. Quem será que são os “terroristas”, são somente p-positivos que não gostam do Collier ou será que são aliados do Ryland?

    Obrigado pela tradução!

  9. esra güemes disse:

    com certeza aí tem dedo do ryland

  10. Rita C F Pereira disse:

    Valeu! Vamos ao próximo…

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