The 4400 – Promises Broken (Capítulo 5 traduzido)

Publicado: 8 de agosto de 2010 em The 4400

Aí vai o quinto capítulo de Promises Broken, traduzido por mim. Não esqueçam de comentar, pois se não houver comentários a tradução não continuará. =D

CINCO

 

METADE DA ATENÇÃO de Tom estava no volante, e a outra metade na falação de Diana.

            — É sério, Tom, estou farta das atitudes da Maia — disse ela parecendo ainda mais furiosa do que estava apenas uma hora atrás em Harbor Island. — Fugir é uma coisa, mas ir direto para o alvo? Ela ficou louca?

            Ele levantou a cabeça e deu um sorriso fraco.

            — Às vezes acho que somos todos loucos por ficarmos aqui.

            Diana não disse nada; apenas ficou olhando pela janela para a agitada vida noturna de Capitol Hill. Era uma noite quente de verão, e as calçadas fervilhavam de gente. Uma leve brisa trazia o cheiro fraco de fumaça de cigarro e café fresco até o carro.

            O bairro — uma mistura de condomínios baratos no estilo de apartamentos e algumas das mais elegantes mansões — há muito tempo vinha sendo o centro de contracultura de Seattle. Nos anos 90, alguns diziam que sua abundância de lanchonetes e bares fora a razão do nascimento da música e da moda grunge¹. Até mesmo agora, depois que Jordan tomara a cidade, quase nada mudara. Tom nunca se sentira confortável andando por aqueles lados de Seattle, mas ele admirava sua resiliência.

            Tom virou o Sedan da NTAC à esquerda na rua Easter Galer, passou pela esquina sudoeste do Parque Interlaken, pela estrada Crescent de três pistas, e pelo caminho para o Centro 4400. Quatro anos antes, o prédio pré-modernista branco fora o Museu Collier, um modesto, porém de grande importância, repositório de arte moderna.  Depois da volta dos 4400, Jordan o convertera em um abrigo seguro e ponto de encontro para os retornados. Com jardins meticulosamente enfeitados no fundo e flanqueados nos três outros lados pelo estacionamento, o lugar era um oásis necessário na cidade. Durante a usurpação de Jordan do governo local, o Centro também servia como um “território neutro” onde ele e representantes da NTAC podiam se encontrar.

            Outro Sedan de quatro portas comum estava estacionado na fachada do prédio. Uma das duas encarnações de Jed Garrity estava em pé ao lado de Meghan Doyle, a diretora da sede em Seattle da NTAC, que desde que chegara tornara-se a namorada “não-tão-secreta “de Tom.

            A loira aproximou-se da lateral do carro de Tom enquanto ele estacionava em uma vaga e desligava o motor. Enquanto ele e Diana saíam do carro, o comportamento de Meghan era estritamente profissional.

            — Collier ainda não disse sobre o que isso se trata.

            — Que surpresa — disse Tom sarcasticamente. Enquanto os quatro integrantes da NTAC caminhavam uma calçada de cimento até a entrada co Centro, Tom acenou para Jed, seu colega de longa data. — E aí, JV?

            As iniciais eram a abreviação do apelido de Jed, “Jed Vermelho”. Depois que a epidemia de promicina no ano anterior o infectara, ele manifestara uma habilidade 4400 incomum: uma cópia de si mesmo.

            A princípio, ninguém o que fazer com a réplica de Jed; alguns o aceitavam como um simples clone. Mas depois que um dos Jeds morrera em uma batalha, uma duplicada exatamente igual do Garrity assassinado aparecera a quilômetros de distância, levando o poço de pensamentos da NTAC, Marco Pacella, à hipótese de que a habilidade Jed era uma cópia segura de ele mesmo. Se algo acontecesse a ele, uma nova cópia aparecia em algum lugar seguro. Jed a chamava de “uma habilidade estranhamente inútil”. Marco a chamava de “apólice de seguro final”.

            Atualmente o único jeito de distinguir as duas cópias idênticas, mas separadas, de Jed era a cor de suas gravatas: um usava somente gravatas vermelhas, e o outro somente azuis. Mas ninguém na NTAC gosta de dizer Jed Vermelho por causa da sonoridade, e Jed Azul trouxera muitas piadinhas com Jedzul. Então agora eles eram JV e JA.

            Quando a porta de entrada do Centro se abriu diante deles, liberando uma lufada de cheiro de limpeza e ar fresco do interior do prédio, Tom notou pela primeira vez o quão mal ele cheirava. Entre o massacre em Harbor Island e a papelada que se seguira, ele não tivera tempo para tomar banho ou trocar suas roupas, que estavam imundas e fedendo a suor.

            O chefe executivo do Centro, Shawn Farrel, saiu para recebê-los.

            — Obrigado por virem mesmo com o aviso de última hora — disse o jovem de cabelo loiro curto a Meghan. Apertando a mão de Tom, ele acrescentou: — É bom vê-lo, também, tio Tommy.

            — Você também, Shawn — disse Tom.

            — Vamos entrar — disse Shawn, acenando para que eles o seguissem para o interior do Centro. — O Jordan e o pessoal dele estão aguardando.

            Do lado de dentro, seus passos ecoavam no chão encerado do pátio principal. Enquanto seguiam Shawn para a sala de reuniões do primeiro andar, Tom ficou surpreso pelo fato de que seu sobrinho, que fisicamente tinha vinte e um anos (vinte e quatro, se se contasse os anos que ele ficara desaparecido durante sua abdução), o guiava com a confiança e a magnificência de um homem mais velho. Apenas alguns anos antes, seria impossível encontrar Shawn usando outra coisa senão jeans, camisetas e tênis; agora ele sentia-se confortável em um terno Armani e sapatos italianos feitos à mão. A responsabilidade forçada o forjara um verdadeiro líder da comunidade 4400.

            Susan se orgulharia dele, refletiu Tom, antes que a lembrança da morte prematura de sua irmã durante o 50/50 estragasse o momento de orgulho do seu filho.

            Shawn abriu a porta dupla da sala de reuniões. Uma longa mesa de madeira escura estendia-se diante dele e dos agentes da NTAC. À direita de Tom, de pé ao centro da mesa, estava Jordan Collier vestido casualmente. Ao lado dele estavam dois conselheiros: o filho de Tom, Kyle, e para a surpresa de Tom, o telepático Gary Navarro. Com a ajuda de Tom, o ex-jogador negro de baseball se exilara alguns anos antes, para fugir de uma vida de servidão forçada à Agência de Segurança Nacional. Essa era a primeira vez que Tom via Gary desde a noite que ele fugira.

            De pé atrás de Jordan estava a sua nova assistente executiva, uma mulher pequenina na casa dos vinte anos chamada Jaime Costas. À esquerda de Jordan estava um rosto que Tom não esperava ver essa semana: Maia Skouris.

            A garota de treze anos sussurrou algo a Jordan enquanto a equipe da NTAC entrava e se posicionava do lado oposto a eles, no outro lado da mesa. Um minuto depois, enquanto todos ainda se olhavam, Jordan acenou para que Shawn se aproximasse, passou outro sussurro confidencial, e então Shawn contornou a mesa com uma expressão envergonhada no rosto.

            Tom ouviu quando ele se inclinou na direção de Diana e disse suavemente:

            — Sinto muito por isso, mas receio que tenha de pedi-la para esperar do lado de fora.

            Diana lançou um olhar furioso a Shawn, que levantou as mãos e se afastou dela, arrependido. Então ela virou-se para Maia, que evitou seu olhar, carrancuda. Era arduamente óbvio que tal momento constrangedor era coisa da garota.

            — Tudo bem — disse Diana, não mais contendo sua raiva.

            Quando ela se virava, Tom a parou com um toque gentil no braço. Ele baixou a voz:

            — Falarei com ela por você.

            — Não se preocupe com isso — respondeu Diana. Ela saiu da sala a passos rápidos e furiosos e deixou a porta bater às suas costas. O impacto ecoou pela sala de reuniões, um resquício da memória de fúria.

            Meghan se concentrou em Jordan.

            — O que você quer?

            — Primeiramente, me desculpar por Harbor Island — disse ele.

            Tom cruzou os braços e acenou com a cabeça na direção da porta por onde saíra Diana.

            — Não começou muito bem.

            Jordan continuou, embaraçado.

            — Os policiais da paz da Terra Prometida foram lembrados de que a NTAC tem jurisdição sobre Harbor Island…

            — Sobre o que sobrou dela — interrompeu J.V.

            Jordan fez uma pausa, depois continuou:

            — O fogo cruzado de hoje a noite foi resultado de uma falta de comunicação pela qual eu assumo a responsabilidade.

            — Que engraçado — disse Tom, fixando o olhar em Maia, que o olhava sem piscar. — Pensei que fosse o resultado de alguém te dando um aviso sem autorização.

            Kyle entrou na conversa:

            — Não importa de onde veio o aviso, pai. O que importa é que estávamos tentando salvar vidas.

            — Tudo bem — disse JV. — É por isso que você e o seu pessoal estavam usando força mortal lá fora? Para salvar pessoas matando elas?

            — Nunca mandei alguém usar força mortal — disse Kyle. — Só falei que eles deviam se proteger.

            Tom jogou sua ira no filho:

            — Isso foi decisão sua?

            — Não estamos aqui para jogar as culpas — disse Jordan, levantando uma mão para amenizar a discussão ascendente. — O que importa agora é que trabalhemos juntos para manter o povo da Terra Prometida a salvo e prevenir que eventos como esse aconteçam novamente.

            Meghan balançou a cabeça, mas franziu o cenho suspeita:

            — E como propõe que façamos isso?

            — Os russos chamam de glasnost — disse Jordan. — Abertura. Dividiremos as visões da Maia em troca de uma discussão aberta sobre das intenções do governo americano acerca da Terra Prometida, e sobre as identidades promicina-positiva pelo mundo.

            Virando os olhos e soltando um pesado suspiro, Meghan disse:

            — Isso não vai virar em Washington, você sabe disso.

            Olhando para Meghan, mas falando com Jordan, Gary interrompeu:

            — O que ela quer dizer é que a NTAC de Seattle está sendo cortada. Washington está deixando-os no escuro, eles não têm nada a oferecer.

            Tom segurou-se para não xingar o telepata. Ao invés de fazê-lo, ele fechou a mão esquerda atrás de suas costas.

            Meghan virou-se e caminhou na direção da porta.

            — Terminamos por aqui — disse a Jordan. — Da próxima vez que quiser uma reunião, deixe o leitor de mentes em casa.

            JV seguiu-a na direção da saída. Jordan e o sua equipe foram na direção oposta, na direção de uma porta diferente que levava a outra parte do Centro.

            — Me espere lá fora — disse Tom a Meghan, então passou por ela e por Jed para contornar a mesa e alcançar Maia. Ele parou a adolescente antes que ela chegasse à porta.

            — Maia, espere um pouco — disse ele, tentando parecer diplomático.

            Maia parou na soleira da porta e virou-se para encará-lo. Seu olhar era severo, e seu rosto começara a substituir as feições rechonchudas de uma criança pela fisionomia fina de uma mulher atraente.

            Atrás dela, Jordan, Kyle e Gary estavam olhando e ouvindo. Tom esforçou-se para ignorá-los.

            — Eu sei que você e sua mãe estão com problemas no momento, mas acho que fugir não vai ajudar em nada. Você acha?

            — Sim, acho — disse ela e começou a virar-se.                     

            Ele apertou o ombro dela gentilmente.

            — Espere — disse. Então ele viu os três homens olhando fixamente e soltou-a. Maia olhou para trás e esperou-o falar. — Qual é? — disse ele. — Sua mãe está preocupada com você. E, sim, ela está furiosa, e eu entendo se você talvez não quiser ir para casa hoje… mas será que não poderiam ao menos conversar antes que ela vá embora?

            Maia pareceu considerar a ideia por um momento. Então seus olhos se tornaram frios e sem misericórdia. Com um desprezo maior do que sua idade, ela disse:

            — Não há o que conversar. — Então saiu pela porta sem se desculpar ao batê-la na cara de Tom.

            Poderia ter sido melhor, repreendeu-se ele. Baixou a cabeça, soltou um suspiro desanimado e imaginou o que ia contar à sua parceira. Olha, não se sinta mal, Diana — agora nós dois temos filhos que trabalham para Jordan Collier.

 

Notas:

 ¹Grunge (às vezes chamado de Seattle Sound, ou Som de Seattle) é um estilo musical independente que se tornou bem-sucedido comercialmente no início da década de 1990. O grunge é uma ramificação do hardcore, heavy metal e rock alternativo do final dos anos 1980 e começo da década de 1990. 

Anúncios
comentários
  1. isa disse:

    shaw aparecendo depois de tanto tempo!! Mas eu achei q ia ser mais emocionante esta reunião…

  2. stan disse:

    aguardando o próximo!

  3. Marcelo disse:

    e que venha o proximo! 😀

  4. Roger disse:

    pra mim o ponto alto foi a intervencao do Navarro, deixou a NTAC sem palavras, rs, adorei
    que venha o proximo

  5. Beatriz M. Mogentale disse:

    não acho legal o q a Maia está fazendo com a mãe. Tudo bem querer aderir de vez ao Movimento do Collier, mas não precisa magoar quem a ama.

  6. Taís Dillenburg disse:

    Estou adorando as traduções, muito obrigada por nos proporcionar o final desta história cada vez mais intrigante. Parabéns.

  7. Helena disse:

    A história é show mesmo! Dá gosto traduzir. Que bom que estão gostando!

  8. Fábio Magalhães disse:

    Hummm, coitada da Diana.
    Shawn para presidente! rs, o cara mandou bem na diplomacia rs 🙂

  9. Phell disse:

    Mais, mais, mais!!!

  10. Jun disse:

    Shawn apareceu, mas nem fez nada… E concordo com o que disseram aí em cima, a Maia pode aderir sim ao movimento do Collier, mas não precisa magoar quem ama…

    Gary Navaro? Sério? Como o Collier achou ele?

    Obrigado pela tradução!

  11. Bárbara disse:

    Sério tem alguns personagens tipo a Maya e o Kyle que eu realmente queria que virasse aperitivo para os marcados… ohh tipinhos repulsivos heheheh

  12. Muca Velasco disse:

    Nossa! Eu n conhecia essa serie, a vi esse mes na netflix e fiquei super desapontada qdo percebi q acabava sem final na quarta temporada, ateh chegar a traducao por esse blog, por essa equipe generosa!Estou mto feliz e grata a voces por compatilharem-na conosco!!!
    Achei super legal tb da parte dos autores das series dar continuidade em livro. A serie eh incrivel! Parabens!!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s