The 4400 – Promises Broken (Capítulo 6 traduzido)

Publicado: 15 de agosto de 2010 em The 4400

Galera, aí vai o capítulo 6, traduzido por Helena Padim. Continuem comentando, hein! =D

Até semana que vem!

SEIS

 

22 DE JULHO DE 2008

 

Dennis Ryland, Vice-Presidente Executivo da Corporação Haspelcorp, desceu de seu jato particular para a claridade ofuscante do sol da manhã nas salinas brancas. As turbinas gêmeas do Gulfstream G650 profanavam o silêncio do deserto de Nevada com seu lamento intermitente.

            Apenas alguns meses antes de seu sexagésimo sexto aniversário, Dennis sentia como se o sol estivesse consumindo preciosos anos de sua vida nos segundos que levou para descer os degraus da escada para a pista de decolagem. A temperatura havia atingido 45 graus Celsius, e o calor árido evaporava o suor de seu rosto antes que pudesse escapar dos poros.

            Inalando o causticante ar do deserto profundo, ele se recordou de um dos seus diálogos favoritos do cinema clássico, do épico “Lawrence da Arábia, de David Lean.” Inquirido sobre o porquê de ele gostar tanto do deserto, Peter O’Toole havia respondido com sua secura característica: “Porque é limpo”.

            O asfalto irradiava calor através das solas dos sapatos de Dennis. Ele apressou o passo e amaldiçoou o protocolo que determinava que usasse paletó e gravata, mesmo naquele círculo do inferno.

            Uma brisa sufocante desgrenhou seu cabelo ainda escuro, mas quase grisalho, quando ele alcançou a porta de uma cabana de madeira castigada pela areia, de telhado de folha de estanho corrugado enferrujada. Para um observador casual, a pequena construção caindo aos pedaços parecia estar prestes a ser carregada pela próxima tempestade de areia. Aquela impressão era inteiramente proposital.

            Ele abriu a frágil porta de madeira e adentrou a sombra abafada de um vestíbulo onde mal caberiam duas pessoas em pé. A porta externa fechou-se atrás dele.

            Por um momento houve apenas a débil iluminação da luz do dia, que espreitava através das frestas ao redor da porta. Então um painel deslizou de dentro da parede em frente a Dennis, revelando a face brilhante e verde do leitor de mão — o primeiro de três dispositivos de segurança biométricos que ele deveria satisfazer para conseguir entrar no laboratório secreto e não-oficial de pesquisa de armamentos da Haspelcorp. Ele colocou a mão no painel e esperou.

            O aparelho zumbia enquanto um feixe luminoso passava de um lado a outro, lendo a palma de sua mão. Uma voz sintética vagamente feminina, mas essencialmente neutra, declarou através de um alto-falante oculto:

            — Prepare-se para a leitura de retina.

            Esta era a parte menos agradável do procedimento; a luz verde esmeralda sempre o deixava vendo pontinhos pretos por alguns minutos após a leitura. Ele respirou fundo, encarou o leitor de retina para sua necessária semi-cegueira, e se esforçou para não piscar.

            Quando acabou, a voz sintética disse:

            — Declare seu nome e código de autorização para autenticação por leitura de voz.

            — Ryland, Dennis. Código de autorização Whisky-Tango-Foxtrote, três, um, seis, sete, seis.

            Ele mesmo havia escolhido seu código. As palavras eram uma jovial demonstração de desprezo velado por seus superiores; os números eram a data de nascimento de sua filha Nancy.

            — Leitura de voz e código de autorização autenticados.

            O painel de segurança escureceu. Uma sequência de travas magnéticas por detrás deste foi desabilitada com ruídos e cliques tediosos. Então a parede moveu-se, afastando-se dele, permitindo acesso a um curto corredor que levava a um pequeno elevador.

            Assim que ele adentrou o corredor climatizado, seu rosto ficou ensopado de suor. Agora que o ar ao seu redor estava agradavelmente fresco, ele percebeu o quão acalorado se sentia. Dennis pegou um lenço do bolso e limpou o suor brilhante de seu rosto e de sua nuca.

            Ele entrou no elevador e apertão o botão para o subterrâneo protegido. As portas se fecharam, e a cabine desceu com um murmúrio suave e quase nenhuma vibração.

            Levou meio minuto para completar a descida. O laboratório ficava a quase cem metros abaixo do solo e protegido pelos mais modernos dispositivos de segurança e tecnologia anti-espionagem. Finalmente, o elevador reduziu e parou com um baque suave. As portas se abriram.

            Dennis adentrou um espaço amplo. Brilhantemente iluminado e imaculadamente limpo, suas áreas de trabalho eram divididas em densos paineis de 10 centímetros de espessura, feitos de AION – oxinitreto de alumínio, um polímero claro de cerâmica, oticamente equivalente ao vidro, mas forte o suficiente para ser usado pelos militares como uma espécie de armadura transparente para janelas de tanques e aeronaves. Ocupavam a maior parte do espaço do laboratório os mais avançados equipamentos automáticos de pesquisa e fabricação já inventados. A Haspelcorp havia comprado uma série de patentes promissoras de inventores desconhecidos e depois segregado os frutos daqueles trabalhos em lugares como aquele.

            Onde quer que se olhasse havia máquinas em operação. Flashes de luz branca-azulada e chuvas de faíscas dançavam até onde a vista alcançava. Motores zumbiam, dispositivos hidráulicos arfavam e geradores rugiam, vagarosa e continuamente. Braços robóticos moviam peças de um lado para outro, lapidando minúsculos componentes até a especificação exata, e modelando os detalhes microscópicos de novos microchips. Telas cheias de dados rolavam ininterruptamente em enormes monitores de computador. Odores de ozônio e metal aquecido preenchiam o ar.

            E pensar, meditou Dennis, com um leve sorriso, que três meses atrás este laboratório estava vazio.

            A Haspelcorp tinha estado a ponto de desmanchar o laboratório antes de Dennis intervir. Na esteira do escândalo que eclodiu depois que a Haspelcorp foi revelada como a verdadeira fonte da promicina que Jordan Collier roubara e distribuíra ilegalmente pelo mundo, o Departamento de Defesa revogara muitos dos contratos de pesquisa de defesa mais lucrativos da companhia. Sem eles, este laboratório parecia não ter mais razão de ser; sua manutenção tinha se tornado apenas mais uma dívida no balancete da empresa.

            Oficialmente, o laboratório ainda se encontrava inativo. As únicas pessoas que sabiam que estava de volta à ativa eram Dennis e o trio de cientistas que agora tinha acesso exclusivo ao mesmo. Eles haviam procurado Dennis dois meses antes, com uma proposta tão surpreendente e tentadora que, se ele tivesse recusado, jamais teria perdoado a si mesmo.

            Eles haviam dito que poderiam livrar o mundo da promicina.

            Quarenta e oito horas depois, após um turbilhão de reuniões clandestinas e memorandos confidenciais, Dennis os havia instalado ali, naquele laboratório, com todos os recursos da Haspelcorp secretamente à disposição deles. Hoje ele pretendia descobrir o que, precisamente, sua generosidade havia comprado.

            No centro do amplo espaço subterrâneo, os três pesquisadores, em seus jalecos brancos, estavam reunidos em torno de uma grande mesa de trabalho de cerâmica, na qual repousava um dispositivo cilíndrico. A metade superior de seu invólucro havia sido removida, revelando um complexo amálgama de fios, circuitos impressos e componentes blindados. Uma miríade de peças minúsculas e ferramentas de precisão bagunçava a mesa.

            O cientista-chefe levantou o olhar quando Dennis se aproximou. Ele interceptou Dennis e estendeu-lhe a mão.

            — Senhor Ryland! Obrigado por vir. Trouxe as amostras do LHC1?

            Ele apertou a mão do homem.

            — Sim, Doutor Jakes, eu trouxe.

            Notando que Dennis havia chegado de mãos vazias, Jakes arqueou uma sobrancelha e esboçou um sorriso irônico e travesso.

            — O senhor as está escondendo em algum lugar sobre o qual eu não quero saber?

            — Elas ainda estão no avião – disse Dennis, largando a mão do homem mais novo. — Antes de entregá-las, acho que precisamos conversar um pouco mais sobre este seu projeto. Começando por como você conseguiu ensinar à equipe do Grande Colisor de Hadrons a fazer um elemento que até ontem era apenas teoria.

            — Esta teoria tem sido a base de toda a minha carreira, senhor Ryland — disse Jakes. Ele retornou à mesa de trabalho e acenou com a cabeça para Dennis segui-lo. — E uma geração de cientistas antes de mim dedicou suas vidas a desvendar seus segredos. A maior parte do trabalho foi feita antes do meu envolvimento. Metaforicamente falando, eu apenas tive sorte de subir nos ombros dos gigantes.

            Em pé diante da mesa com os três cientistas, Dennis olhou desconfiado para a geringonça high-tech murmurante que eles estavam construindo.

            — Muito bem — disse ele. — Mas eu não acho que vocês gostam da posição em que me colocaram. Uma descoberta como esta não pode ser mantida debaixo do tapete. Os camaradas do CERN vão enlouquecer com isto, e isto já está no radar da Segurança Nacional. Trazer aquela amostra de antimatéria da Suíça custou quase um bilhão de dólares à Haspelcorp. Mantê-la em segredo vai custar outro bilhão. Então, antes de entregá-la a vocês, preciso saber por que a querem.

            Sacudindo a mão por sobre a semi-finalizada invenção na mesa, Jakes respondeu:

            — Para fazer isto funcionar.

            — Explique-me. Em palavras simples.

            Jakes acenou com a cabeça para sua colega loira, Doutora Kuroda. Dennis supôs que “Kuroda” seria seu sobrenome de casada, mesmo nunca tendo visto uma aliança em sua mão, o que não era incomum para pessoas que trabalhavam em laboratórios de artefatos de precisão como aquele.

            Kuroda pousou suas mãos no aparelho.

            — Nós precisamos daquele elemento porque, quando bombardeado com radiação bariogência, emite partículas alfa de alta energia. Por ser um elemento superdenso e estável, tanto com capas de prótons fechados como com capas de nêutrons fechados, pode servir a estas funções por vários meses. A radiação que emite vai destruir os laços monoaminicos da promicina, sem afetar outros tecidos orgânicos.

            Dennis massageou a testa para evitar a iminente dor decabeça.

            — Eu pedi termos simples — reclamou ele.

            O terceiro cientista, um homem afro-americano chamado Wells, respondeu:

            — Isto é uma bomba de nêutron para promicina. Ela tira os poderes, mas deixa as pessoas ilesas.

            — Isto eu entendi — disse Dennis. — Qual é o alcance e a área de efeito?

            Wells trocou olhares com Jakes e Kuroda, e então disse:

            — De uma plataforma aérea a um limite de vinte milhas, você pode atacar uma cidade grande com duas rajadas em cerca de cinco minutos.

            — Bom — aprovou Dennis. — Isto é muito bom. As pessoas no solo sentirão alguma coisa?

            — Nada mesmo — declarou Jakes, voltando à conversa. — Eles não saberão o que aconteceu até tentarem usar seus poderes de promicina; então descobrirão que eles não existem mais.

            Dennis imaginou o sorrisinho orgulhoso de Jordan Collier transformando-se em uma expressão de horror. Tal pensamento fez surgir um sorriso em seu rosto.

            — Quanto tempo falta para termos um protótipo funcionando?

            Jakes deu de ombros.

            — Do momento em que você nos entregar as amostras? Talvez dois ou três dias, salvo contratempos ou interferências.

            — Excelente — vibrou Dennis. Ele pegou o telefone. — Vou mandar a minha equipe trazê-las. — Digitou um número da Haspelcorp que o ligaria diretamente à equipe no avião. Enquanto esperava atenderem, ele disse para os cientistas:

            — Trabalhem rápido. Talvez precisemos disto mais cedo do que esperávamos.

            — Não se preocupe, senhor Ryland — disse Jakes, com um sorriso beatífico. — Logo o mundo estará completamente de volta ao normal.

Nota:

1 LHC – Sigla de Large Hadron Collider, o Grande Colisor de Hadrons, o maior acelerador de partículas e o de maior energia da atualidade, hospedado no CERN (Organização Européia para Investigação Nuclear), na fronteira franco-suíça.

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comentários
  1. Taís Dillenburg disse:

    Será que esta tentativa de acabar com a promicina vai dar certo???

  2. Fábio Magalhães disse:

    Hummm, os marcados, eles estão de volta. Por isso de conseguirem ajudar a desenvolver antimatéria (eles são do futuro), mais isso nem precisava falar, é obvio. E o Ryland chatolino nem sabe que eles são os marcados rs. Porém, o movimento tem Maia (isso é como saber as cartas do jogador, e ainda qual jogada ele fará), e um xama de brinde também haha. Na verdade, por um lado, acho a habilidade do Kyle mais foda do que a de Maia, porque a de Kyle, além de dar sugestões do que ele deve fazer, ainda preve o futuro. PORRRRRRR outro lado, a gente não sabe qual é a de Maia e a de Kyle (qual é a intenção deles no movimento, oque cada um deles quer)
    Continua postando Vinicius 🙂

  3. Sensacional esse capítulo, o melhor de todos. Os Marcados conseguiram laçar o Ryland e usa-lo na tentativa de acabar com os P-Positivos e evitar que a Cidade deles não exista no futuro. A final de contas: Ryland e eles querem a mesma coisa…

    Mas com certeza a dupla Kyle e Maia irão prever isso e poderão se anteciparem ao bombardeio silencioso da Bomba de Neutro para a Promicina.

  4. brenooficial disse:

    Me segurando pra não contar o que acontece… hahaha… Só posso dizer que a partir daí as coisas vão ficando cada vez mais interessantes =D

  5. Roger disse:

    apesar de toda essa emocao, ainda espero alguma atitude mais enfatica por parte da Maia e do Xama, e com isso uma atitude mais energica do Collier.

  6. Aline disse:

    olá,

    tô voltando do ostracismo.

    li os três ultimos capitulos agora e, putz! esse foi tenso.

    parece que o pessoal quer que o movimento impeça ryland mas…
    não sei pq eu concordo com ele.
    a promicina não melhorou o mundo.

    até a próxima.

    • Fábio Magalhães disse:

      Eu descordo em parte com você. Isso depende do angulo que si olha.
      A promicina teve um impacto negativo em certas coisas, como por exemplo a divisão de duas categorias de seres humanos. Porém, quantas pessoas foram curadas por Shawn e benificiadas por outras habilidades 4400? Um dos Marcados até mesmo disse, que o dia da “tragedia”, que teria mudado o mundo ja passará, influência direta da promicina e do Jordan é claro. Não sei direito qual é o futuro que Jordan construiu, si é melhor ou pior do que antes, mais a gente já sabe como era o futuro que os Marcados vieram, uma unica cidade habitada por uma elite, enquanto o resto da humanidade era deixada à propria sorte.

  7. Felipe disse:

    Parabéns pela iniciativa, cara!!

    Ano passado baixei todos os episódios das 4 temporadas e assisti tudo de uma vez, acho que não demorei duas semanas pra ver tudo… Varava a madrugada.

    Aí ao fim da 4ª temporada, para minha surpresa, a série foi cancelada… hahaha… Pior que quando eu baixei o primeiro episódio a série já havia sido cancelada e eu nem sabia… Me revoltei e apaguei tudo. Me arrependi depois, é claro.

    Agora descubro que vc está traduzindo os livros para o português… Só tenho a agradecer!!

    Vou começar a ler desde o começo, mais uma vez trasado… huahuahua

    Abraço!!

  8. Marcelo disse:

    E eu q to no meio do promise city ainda….varios spoilers aki e eu na seca de ler! kkkk

  9. Phell disse:

    Tô viciado, doido pra ler tudo de uma vez! \o/

  10. Jun disse:

    Certamente, está ficando cada vez mais interessante! Vamos ver que planos o Ryland tem para o movimento do Collier, e depois, o que tentará fazer pra se livrar dos marcados..

    Obrigado pela tradução!!

  11. Muca Velasco disse:

    Estah muito bom!!!

  12. Marli morais disse:

    Muito obrigada, estava tão frustada sem o fim da série, ainda bem que tem seu esforço , e o Google. Hehehe

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