The 4400 – Promises Broken (Capítulo 8 traduzido)

Publicado: 29 de agosto de 2010 em The 4400

Capítulo 8 de Promises Broken, taduzido por Helena Padim.

Comentem.

OITO

 

Maia Skouris estava achando difícil se concentrar no que sua tutora dizia, porque se distraía com visões da moça ensanguentada e morrendo nos braços de alguém.

            — Desculpe — disse Maia. — Qual era a pergunta?

            A tutora, Heather Tobey, franziu a testa em suave reprovação e então repetiu a questão.

            — Qual é a Nona Emenda da Constituição dos Estados Unidos?

            Professora formada, Heather era uma dos 4400 originais. Ela havia sido agraciada com a habilidade de estimular o talento inato de outras pessoas até seu potencial máximo. Às vezes era um processo lento.

            Quando Maia viu a nota que havia recebido em seu teste de ciências humanas, entretanto, ela havia concluído que não tinha nenhum talento oculto para entender História Americana.

            — A Nona Emenda — começou Maia, e então deixou a própria voz falhar, tentando ganhar tempo. — É… Ahn… A que diz que o álcool é ilegal?

            A testa franzida de Heather transformou-se em uma expressão de mau humor.

            — Não — respondeu ela. — Essa é a Décima Oitava Emenda. Nós ainda estamos na Declaração dos Direitos. — Suavizando seu semblante, ela explicou com tom profissional. — Mesmo os revisores da Constituição sabiam que não poderiam pensar em tudo. E não queriam que ela fosse usada contra as pessoas. Então eles se precaveram contra o quê?

            Vasculhando sua memória, Maia achou a primeira metade da resposta, que ela desembuchou na esperança de se livrar do resto desta. Citando o texto, ela disse:

            — A enumeração de certos direitos, na Constituição, não deve ser utilizada para…

            Quando ela parou para desencavar o resto da sentença, outro quadro terrível preencheu sua visão momentaneamente.

            Sombras dançam em um quarto escuro, iluminado apenas por chamas escarlates. O chão brilha de cacos de vidro e está pegajoso de sangue. A fumaça toma conta do lugar, densa e fatalmente. Um rugido sombrio abafa vozes distantes, cheias de medo e tristeza. Então vem um som lancinante: o pranto de um jovem. Heather jaz em seus braços; a luz em seus olhos se extingue, sangue escorre de sua boca e pinga de grandes ferimentos em seu peito e estômago…

            — Vamos lá — disse Heather. — Você consegue terminar isto.

            Era assustadora a sensação de conversar com alguém a quem havia acabado de ver às portas da morte, mas Maia já havia passado por aquilo tantas vezes que conseguia disfarçar. Forçando um semblante calmo, ela simplesmente disse:

            — … não deve ser utilizada para destruir ou desmerecer outros direitos pertencentes ao povo.

            — Excelente — aprovou Heather. Ela começou a juntar seus livros e papeis. — Nosso tempo acabou por hoje, mas se esta questão tivesse caído no seu teste, você teria tirado um B-menos, ao invés de um C-mais — guardando suas coisas em uma mochila, ela continuou. — Mas vou te dizer uma coisa. Se você puder escrever um texto de duzentas palavras sobre a importância da Nona Emenda e me entregar amanhã, vou aumentar sua nota para B. — Heather pendurou a mochila no ombro. — Combinado?

            Maia concordou com a cabeça.

            — Combinado.

            — Ótimo — aprovou Heather. Ela caminhou até a porta da suíte de Maia, e a menina a acompanhou, parando alguns passos atrás dela. A tutora abriu a porta, e enquanto saía do quarto sorriu e se despediu. — Até amanhã! — acenou simpática e então se foi.

            Acenando em resposta, Maia forçou um sorriso, depois fechou a porta do quarto e a trancou.

            Escorando as costas na porta, ela soltou um suspiro de alívio. Não era nada fácil prever a morte de alguém de quem gostava, e ela já havia testemunhado isto muitas vezes. Mais do que já havia contado, mais do que jamais admitiria. Tinha apenas treze anos de idade, e já sentia como se tivesse toda uma vida de segredos.

            Ela cambaleou, com passos pesados, através da suíte residencial que Jordan tinha colocado à sua disposição. Localizada num andar alto do Edifício Collier, seu apartamento era bem maior do que aquele em que havia morado com Diana, e decorado com mais requinte. Havia várias mesas de vidro, estofados de couro claro, aço inoxidável e granito polido. Tudo era reluzente e perfeito. Havia até uma cama king size só para ela.

            O luxo de suas acomodações não se resumia à suíte em si. Havia um serviço de quarto vinte e quatro horas que se podia chamar pelo telefone, uma equipe de tarefas domésticas para lavar sua louça e sua roupa, e até se mudar para lá ela jamais havia sabido quantos canais de televisão via satélite existiam de fato.

            Tudo o que Jordan pedia em troca era que ela aceitasse o monitoramento acadêmico de Heather, para que seus estudos não ficassem parados. Maia havia reclamado que estavam no verão e que a escola podia esperar até o outono, mas Jordan fizera pé firme e colocara aquilo como condição imprescindível para que ela residisse em seu quartel-general.

            Maia se arrastou até a cozinha e abriu a geladeira, movida em parte pelo leve apetite e em parte pelo tédio. Uma suculenta maçã verde chamou sua atenção e ela apanhou a fruta da prateleira. Dando uma boa dentada na fruta firme e levemente ácida, ela deixou a porta da geladeira se fechar com um barulho surdo. Voltou para a sala de estar e deixou-se cair no sofá com seu lanchinho.

            Um sentimento incômodo a aborrecia. Quando pensou em Diana, seu coração se encheu de ressentimento. Depois de tudo o que Maia fizera para demonstrar seu próprio valor para sua mãe adotiva e todos os outros, morrera de raiva ao se ver tratada como qualquer outra criança.

            Ao menos Jordan e seu pessoal me tratam de igual para igual, pensou ela, amargamente. Mas não podia negar que sentia falta de seu lar. Mais do que tudo, sentia saudades de sua mãe. Ser tratada de igual para igual era uma mudança agradável, com certeza – mas não era o mesmo que ser amada.

            Um pensamento fútil lhe causou uma dolorosa pontada de culpa: quem poderia tê-la amado mais do que seus pais verdadeiros? Ethan e Mary Rutledge já estavam mortos há décadas, mas para Maia haviam se passado apenas quatro anos, desde a última vez em que segurara as mãos de sua mãe e sentira a segurança cálida do abraço de seu pai.

            A amiga e colega retornada de Maia, Lindsey Hammond, a havia apresentado a outros 4400, cujas habilidades haviam possibilitado que ela visse e tocasse seus falecidos pais novamente. Nem o fato de que eles eram apenas uma ilusão, um tipo de truque físico ou mental, fez com que a experiência fosse menos poderosa ou tocante. O fato de vê-los havia levado Maia às lágrimas. Deixá-los para voltar para casa e para Diana, a havia pressionado além de seus limites.

            Ela voltara para casa, após aquele encontro, sentindo-se assolada pela culpa. Depois de todo o amor e a devoção que Diana havia dedicado a ela, seria justo compará-la a pessoas que já estavam mortas e ausentes? Era certo desejar tanto outra tarde na companhia de ilusões, quando ela havia abandonado Diana em um lar vazio?

            Sua solidão e suas saudades do que havia perdido eram poderosas demais para resistir. Maia levantou-se do sofá e foi até o telefone, que estava sobre uma mesa, perto da janela. Ela ligaria para Lindsey e lhe pediria que arranjasse outro encontro com os 4400 que invocavam as sombras dos mortos.

            Quando ela tirou o fone da base, outra visão tomou conta de seus sentidos.

            Um navio de guerra na água, mas próximo à terra, dispara um míssil. Fumaça branca desabrocha como uma flor, e então mancha o céu enquanto o foguete o cruza ruidosamente, um borrão voando baixo.

            Ele mergulha e serpenteia entre os edifícios de uma paisagem urbana familiar. E então encontra seu alvo, atingindo o topo de um prédio. Impacto.

            Fogo e trovão. Gritos. Corpos.

            Jordan desaparece em uma muralha de chamas brancas. 

            A visão acabou, fazendo Maia suar frio. Seus dedos tremiam acima do teclado do telefone. Ela havia sido instruída sobre como proceder se um momento como aquele viesse a acontecer.

            Ela apertou o botão vermelho de emergência no meio do teclado e desejou que seu aviso pudesse chegar a tempo.

 

 

 

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comentários
  1. Fábio Magalhães disse:

    Hummm, ataque da Marinha Americana?
    Quando comecei a ler, ate pensei que podia ser a bomba de neutrons, mais parece que é um “simples” míssil.
    Agora temos que ver oque vai acontecer rs.

  2. Caramba!!!!!!!!!!!!! Ela tá prevendo o início da tal Guerra travada no passado pelo futuro, q Jordan sempre falou?!

    A habilidade dela é incrível, mas perturbadora. deve ser mesmo difícil tão nova ver tanta desgraça, e mais ainda ficar alheia a isso , trancada em casa. Entendo a atitude dela de tomar partido e aderir ao movimento, pq suas visões fazem a diferença e ela voltou para isso mesmo.

    Até a próxima

  3. cheguei a pensar na bomba de neutrons tbm, no ataque de Ryland, mas eles disseram q só os 4400 sentiriam, acho q não haverá fogo, nem sangue, quando esse ataque acontecer.

  4. Fábio Magalhães disse:

    Outra coisa, Heather não era aquela que ajudou Shawn a reabrir o centro 4400? Agora esta no movimento do Collier ? Legal ela ter voltado pra historia 🙂

  5. Marcelo disse:

    se ela for akela q ajuda os 4400 a evoluir os poderes eh sim!

  6. Roger disse:

    hum, tb to achando estranho esse missil convencional depois do planinho la do denis

  7. Aline disse:

    momento tenso.

    um “simples” missil que pelo visto vai mudar tudo.

    ansiosa pelo proximo.

    até.

  8. Marcelo disse:

    o fato da bomba naum causar nenhum efeito nos positivos naum impede o ryland de atacar a cidade prometida….acho q a visão foi + ou – isso, ele tira a habilidade deles depois ataca a cidade….

    • Fábio Magalhães disse:

      Bom, se não estiver errado, num foi o Ryland que perguntou se teria algum efeito (fisico) da bomba na presença dos marcados, oque pode sugerir uma preocupação nos efeitos “mortiferos”. Usar armas letais é mais complicado uma vez que ele responde ao governo. É melhor, ate mesmo politicamente, que o desfecho se de sem muito derramamento de sangue (de preferencia sem mais nenhum derramamento de sangue). Então pode-se perguntar, pra que tirar os poderes dos Promicina Positivos pra depois atacar com armas letais ? Claro, que em uma guerra declarada isso possa acontecer, mais novamente tem que se penar no impacto que isso iria causar na opnião publica. No meu ponto de vista, o Ryland não representa o mau puro.

  9. Fábio Magalhães disse:

    Obs: Maisssssssssssssssssssssssssssssssssssssss como Maia teve esta visão, ai a historia é outra 🙂

    • Marcelo disse:

      Pois eh! bem colocado! mas o ryland nem ta ligado q ele ta de maracutaia com os marcados, os marcados sim taum afim de sangue neh? ta na cara q eles soh taum usando os recursos do ryland…bom vejamos oq acontece! [:D]

  10. Phell disse:

    Cada vez mais! *—*

  11. Myke disse:

    Parabéns pela iniciativa kra!
    Vou começar a minha leitura e acompanhar s coméntarios!!!
    Abraço!

  12. Jun disse:

    Tudo que a Maia vê acontece… Então acho que o míssil vai ser lançado sim.

    Estou gostando dessas participações de personagens secundários, Gary no anterior e Heather neste! Quero a April de voltaaa!

    Obrigado pela tradução!!

  13. ione prado disse:

    cada vez melhor! 🙂

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