The 4400 – Promises Broken (Capítulos 10 e 11 traduzidos)

Publicado: 19 de setembro de 2010 em The 4400

Como prometido semana passada, aí vão os capítulos 10 e 11, traduzidos por Helena Padim e Vinícius Fernandes, respectivamente. Comentem! =D

DEZ

 

  

            Havia cerca de trinta pessoas, dentre oficiais e pessoal alistado, no Centro de Informação de Combate do destróier de mísseis teleguiados U.S.S. Momsen, da Marinha Americana, e o oficial executivo, Comandante Alim Gafar, estava convencido de que nenhum deles sabia o que diabos estava acontecendo – ele próprio, inclusive. 

            — Alguém me dê um relatório da situação, pelo amor de Deus! — ele disse, elevando sua voz acima do falatório que preenchia o compartimento fracamente iluminado. Rostos confusos ergueram-se de mesas iluminadas e bancadas de monitores de computador sinistramente brilhantes. 

            A Tenente Carrie Wright, que era o oficial de ação tática, hesitou em seu nervoso vaivém entre a mesa de comunicação da bateria de artilharia e o supervisor de radar. 

            — Nós perdemos controle do Tomahawk1, senhor — disse ela. — Ainda está ativo, mas não conseguimos corrigir sua posição. 

            — Se ainda está ativo, não atingiu o alvo — respondeu Gafar. — Use o controle manual e coloque-o em posição. 

            Wright sacudiu a cabeça. 

            — O controle manual falhou, senhor. Não houve resposta. 

            Por detrás de Gafar, o supervisor de radar gritou: 

            — Achamos nosso pássaro, senhor! Mantendo nove-seis, CBDR2 e abraçando as ondas! 

            A notícia causou um arrepio em Gafar: CBDR era um acrônimo para mantendo estabilidade, diminuindo distância. Uma rota de colisão. 

            — Alerta de colisão! — gritou Gafar. — Controle de fogo, aborte esse míssil já! 

            — Não há resposta, senhor! — rebateu um soldado da linha de frente. 

            Uma pesada onda de ansiedade inundou o Centro de Informação de Combate. Gafar sabia que tinha apenas alguns segundos para agir. 

            — Arme o CWIS3 — ele disse, pronunciando o acrônimo “Diabo do Mar”4

            O Sistema de Aproximação de Armas5 era um canhão automático de convés, projetado para explodir e destroçar mísseis ou aeronaves que se aproximassem. Ele jamais pensara que um dia usaria aquilo contra um dos próprios mísseis cruzadores Tomahawk de seu navio. 

            — Está na mira — relatou o operador de comunicações da artilharia antiaérea, um oficial menor a quem Gafar só conhecia pelo apelido Kiwi. — Seis segundos para atingir o alvo… 

            Gafar parou e aguardou, depositando sua confiança na equipe do centro de informações. Disparar o míssil não havia sido uma decisão sua; a ordem tinha vindo direto do Presidente para o Oficial Comandante do Momsen, Capitão McIntee, que por sua vez a repassara para Gafar. Sabendo quem era o alvo, ele não esperava que nada de bom resultasse daquela decisão, mas certamente jamais esperara aquilo. 

            Inesperadamente ele se viu em completa escuridão, escutando apenas o longo lamento dos discos rígidos dos computadores parando de funcionar. 

            — Alguém acenda uma luz! — ele gritou. — Oficial Monroy, me passe o telefone sem fio e me ligue com o comando. 

            Lanternas criaram um brilho sepulcral, quebrando a escuridão. 

            O oficial de comunicações ajustou o equipamento de comunicação de emergência e passou o telefone sem fio para Gafar, que disse: 

            — Passadiço, Combate. 

            O Capitão McIntee respondeu: 

            — Combate, real. Prossiga. 

            — Capitão, temos queda geral de energia. O Controle de Fogo Auxiliar precisa posicionar a mira do CWIS. 

            — Negativo – respondeu o capitão. — Todos os setores estão no escuro, e estamos à deriva. Nós… 

            Pelo telefone, Gafar ouviu outro oficial gritar: 

            — Contato visual! Colisão iminente! 

            — Preparar para impacto! — berrou Gafar pelo Centro de Informações. — Equipe de Comunicações e de Artilharia! Fechamento hermético! Movam-se! 

            Todos o seguiram quando ele correu para a saída e voou pelo corredor para lacrar as escotilhas e avisar a equipe de manutenção e a brigada de incêndio para se prepararem para o pior. 

            A explosão da bomba rugiu através de cada convés e compartimento do Momsen. O navio sacudiu violentamente sob os pés de Gafar, e então girou para estibordo. Em segundos, ele sentiu o forte odor sulfúrico de cordite6, e o fedor picante de óleo vazando e combustível queimado. 

            Ele gritava ordens, mas ninguém o ouvia. Homens estavam em chamas, e os corredores fediam a carne queimada. Fumaça tóxica ardia em seus olhos, e uma sequência de detonações confirmou seu temor de que o míssil tivesse atingido o suprimento de munição do navio. 

            Movimentando-se aos tropeções, ele se esforçou para enxergar por cima da nuvem negra que o cobria. Tripulantes em pânico trombavam com ele e seguiam em frente, ignorando seu aviso de que eles estavam correndo para labaredas letais. 

            Outra explosão fez tudo ficar branco por um momento, depois deu novamente lugar às sombras produzidas pelas chamas. 

            O Momsen gemeu como um leviatã7 de aço ferido e o convés se ergueu bem perto de Gafar, que procurou algo em que se agarrar. Suas mãos acharam o corrimão de uma escada, e ele se agarrou enquanto escombros e objetos pessoais dos marinheiros rolavam como dados pelo convés agora vertical. 

            Uma lanterna acesa foi arremessada por uma escotilha aberta acima dele e quase o atingiu na cabeça, quando passou por ele. Um momento depois, atingia destroços flutuantes na torrente de água quase congelada que ia inundando a embarcação a pique. 

            A anestesiante água gelada levou apenas alguns segundos para alcançar os pés de Gafar. Em menos de um minuto o engolia até o pescoço. Ele lutou para continuar flutuando, para tentar escapar no embalo da crista da onda, mas tudo o que achou foram escotilhas lacradas e passagens bloqueadas por destroços. E então não havia mais para onde ir. 

            Ele não tentou prender a respiração. 

            Sabia que congelaria mesmo antes de se afogar. 

            De toda forma já estava morto. 

Notas: 

1 Tomahawk – tipo de míssil americano. 

2 CBDR – em inglês: Constant Bearing, Decreasing Range. 

3 CWIS – em inglês, Close-In Weapon System. 

4 “Diabo do Mar” – em inglês, Sea Whiz , que é como soa a pronúncia de CWIS. 

5 Sistema de Aproximação de Armas – em inglês, Close-In Weapon System, ou CWIS. 

6 Cordite – pólvora à base de nitrocelulose. 

7 Leviatã – criatura imaginária, geralmente de grandes proporções, bastante comum no imaginário dos navegantes europeus da Idade Moderna. 

ONZE

 

TODOS OS TELEFONES estavam tocando no escritório da NTAC. Ninguém estava atendendo.

            Tom Baldwin concentrava-se em seu computador e em sintonizar o som estridente de diversos toques telefônicos, incluindo o de seu próprio. Cada luzinha de extensão estava piscando.

            Do lado de fora, Diana, os dois Jeds, o analista sênior Marco Pacella e quase todos os outros agentes juntavam-se para assistirem as últimas notícias nas várias televisões do escritório. De onde Tom estava sentado, as vozes chegavam até ele em zumbidos sem nexo algum.

            Um canal mostrava ao vivo, da vista aérea de um helicóptero, uma mancha de óleo em Puget Sound — o único traço restante do contratorpedeiro Momsen do Exército americano afundado. Outra tela mostrava uma montagem de vídeos amadores do míssil, que passara em velocidade supersônica sobre a cidade antes virar-se para o mar.

            Um terceiro canal mostrava imagens de pânico nas ruas.

            Como se eu precisasse do noticiário para saber disso, matutou Tom. Ajudar a organizar ocorrências era sua tarefa primária no momento. A maioria delas era sobre engarrafamentos nos postos que cercavam a benigna cidade usurpada de Jordan.

            Havia caos quase o suficiente para distrair Tom do pensamento que seu filho estava dentro do prédio de Collier. Quase — não o suficiente.

            Meghan se inclinou pela porta de seu escritório.

            — Acabei de falar com o chefe do Departamento Policial se Seattle — disse ela. — Ele falou que seu pessoal tem Beacon Hill sobre o controle, então você pode relaxar um pouco se quiser.

            — Graças a Deus — disse Tom, passando as mãos no rosto para afastar o cansaço. — Você viu o que está passando no canal cinco? Foi um Tomahawk.

            Ela fez uma careta.

            — Eu vi.

            — Não acho que o Exército nos deu um aviso antes de jogar um míssil em nosso quintal.

            — De acordo com a Secretaria de Defesa, o ataque era direcionado a um ponto específico — disse Meghan. — Era de se esperar que estivéssemos dentro dessa área.

            — Grande surpresa — disse Tom, dividindo suas frustrações. — O que dizem sobre isso?

            — Não acho que eles saibam ainda.

            Da sala principal atrás de Meghan, Tom ouviu o som de vozes furiosas crescendo. — e uma delas era a de Diana. Ele levantou-se da cadeira e dirigiu-se na direção da porta. Meghan saiu do caminho e o seguiu enquanto ele se apressava para ver o que estava acontecendo.

            Diana andava como um tigre enjaulado, xingando enquanto lançava olhares assustados e furiosos à uma tela de TV que mostrava imagens do ataque próximo ao prédio da Fundação Collier. Vários outros agentes estavam ao redor dela, inclusive Marco e os dois Jeds. J.A. estava com as mãos levantadas e tentava acalmar Diana.

            — Escute, Diana — disse ele. — Pode ser um erro.

            Ele se encolheu quando ela respondeu.

            — O Departamento de Defesa acabou de confirmar o alvo! Não foi um erro!

            — Você tem que se acalmar — disse J.A., pousando uma mão no ombro de Diana. Ela afastou sua tentativa de consolo.

            — Não me mande ficar calma! — gritou, sua raiva transbordando em forma de lágrimas. — A Maia estava lá! O Exército acabou de lançar uma porra de um míssil na minha filha!

            Tom se postou entre Diana e J.A. antes que o homem pudesse dizer algo que piorasse ainda mais a situação.

            — J.A., sai fora — disse Tom. — E leve seu gêmeo com você. — Os dois Jeds se afastaram carregando expressões mal-humoradas. Tom virou-se para Diana, que escondia seus olhos vermelhos de lágrimas em uma mão e colocava a outra no peito. Sem mexer as mãos, Tom disse gentilmente: — Ele não tem filhos. Não entende como é.

            A voz dela tremia com o medo e a raiva mal contida:

            — Eles podiam tê-la matado, Tom. E ao Kyle também.

            — Eu sei — disse Tom, sentindo a própria fúria crescendo.

            Meghan aproximou-se dos dois com uma precaução visível.

            — Diana — disse. — Já mandei ligarem para o pessoal do Jordan. Quer que eu tente colocar a Maia na linha para você? — Diana acenou, aparentemente tomada pelas emoções para conseguir responder em voz alta. Meghan indicou seu escritório com a cabeça. — Vem. Se conseguirmos falar com ela, você pode usar minha sala. — Acenando novamente, Diana sorriu tristemente para Meghan e tocou o braço de Tom num gesto de gratidão. Então as duas mulheres se afastaram na direção do escritório executivo de Meghan.

            Virando sua atenção para outra imagem ao vivo da mancha de óleo em chamas no Puget Sound, Tom sentiu sua mandíbula apertando-se e seus pulsos fechando-se. Ele temia esse dia desde quando Jordan desafiara o governo ao declarar um pedaço de Seattle como seu território e ao nomeá-lo “Terra Prometida”.

            Marco apareceu ao lado de Tom e fixou o olhar na tela.

            — Isso é ruim — disse o jovem diretor da Sala de Teorias, arrumando seus óculos de aros de plástico grossos e pretos.

            Tom olhou para o homem mais baixo. Usando uma jaqueta de tweed, camisa de linha, jeans e tênis de sola plana, Marco parecia mais um estudante universitário do que o profissional teorista científico e analista inteligente que ele era.

            — É ainda pior do que parece — disse Tom.

            Levantando uma sobrancelha, Marco perguntou:

            — Como sabe?

            — Esqueça das conseqüências do primeiro ataque à Terra Prometida — disse Tom, lutando para manter a calma e manter seu temperamento razoável. — Você e eu sabemos como o pessoal do Jordan é poderoso. Eles podiam ter impedido isso de vários outros modos. Podiam ter feito o míssil se autodestruir, ou feito estragar-se no mar, ou tê-lo transformado em confete.  Mas eles escolheram usarem-no como uma arma. — Incapaz de segurar sua ira, Tom arremessou o pulso contra uma mesa. — Eles mataram quase quatrocentos homens e mulheres naquele navio!

            — Não querendo bancar o advogado do diabo — disse Marco. —, mas talvez afundar o navio tenha sido um acidente.

            Fitando a cena da destruição esfumaçada na TV, Tom balançou a cabeça.

            — Não, não houve acidente algum. Aquele navio tinha um sistema de defesa contra mísseis. O único jeito que ele poderia ser atingido seria se alguém tivesse comprometido essas defesas. Jordan e o pessoal dele afundaram aquele navio de propósito. — Ele virou-se e encarou Marco. — O que significa que Jordan Collier acha que está pronto para entrar em guerra contra os Estados Unidos.

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comentários
  1. Marcelo disse:

    Eitcha agora o bicho vai pega rapa! kkkkk

  2. Tiago disse:

    o/ .. melhor a kda capitulo

  3. Fábio Magalhães disse:

    Hummm, vamos as considerações rs.
    Não a evidencias, pelomenos ate agora que sejam inrefutaveis da participação do Jordan do contra ataque da forma que se deu. No capitulo 9 é bem claro a sugestão de que a ideia saiu da cassie pela forma em que o Kyle se porta durante o acontecimento. O final do capitulo 8 termina mostrando Maia apertando o Botão vermelho, mais pra quem ela avisou não se sabe. Ja no começo do capitulo 9 aparece Kyle adentrando o “CENTRO DE CRISE” e falando sobre a visão de Maia. Não fala nada sobre Jordan ter recebido ou não esta informação. Claro, pode se especular sobre como O LIDER não ficaria sabendo desta visão tão importante. Ai fica outra interrogação. Caso Jordan tenha recebido a informação, teria ele se manifestado sobre qual resposta ao ataque deveria ser executada? destruição do Missil no mar ? desviar o missil pra um lugar não povoado ? realmente destruir o destroiyer? teria dado carta branca a Kyle sobre este assunto ?
    Jordan ja desaprovou Kyle antes, nos acontecimentos ligados a Harbor Island. Sera que ele vai fazer isso novamente?

  4. Paulo disse:

    Olá, estou acompanhando a tradução desde ontem, então estou lendo ainda p primeiro livro, por isso vou comentar primeiro aqui, depois comento cada capítulo normalmente.

    1º: Grato.
    2º: Gostei do estilo da tradução, principalmente à configuração das notas de rodapé bem posicionadas, manutenção de palavras originais com explicação (alguns tradutores gostam de cortar, seja trocadilhos, siglas, etc, e acaba-se perdendo algo do original).

    Espero que alguma editora se interesse pela publicação dos livros no Brasil, senão o jeito é importar pela Amazon mesmo…

    Para quem gosta da série, no site da Videolar os dvds estão bem baratos…

  5. Marcelo disse:

    Eu acho q o Jordan nem ta sabendo, pq pelo q entendi a maia entrou em contato com o kyle em cima da hora e ele reuniu o pessoal la as pressas…agora se eles tiveram tempo pra organiza essa defesa, ja eh outros 500….

  6. Marcelo disse:

    kkkk eu imagino o Vinicius lendo esses comentarios (pq ele ja sabe toda a historia) e pensando: ixi! esse ai ta viajando na maioneses!

  7. Roger disse:

    seja quem for que articulou o contra-ataque, não fez mais do que mandar uma msg de volta a quem começou a apelar

  8. Aline disse:

    meu deus!!! q meda!

    “Eitcha agora o bicho vai pega rapa!” ²

    me lembrei da guerra que o Shawn viu qundo fumou charuto anter de casar com a Isabelle.

    será?

    obrigada e até a próxima!

  9. Phell disse:

    Duplo! *—–*

    Mais, mais, mais!

  10. Beatriz machado disse:

    Caramba… adoro essas encrencas!

    Bom, na minha modesta opinião o Jordan não sabia do ataque, pq se soubesse ele mesmo teria reunido o pessoal para fazer a defesa do território e não atacaria de volta! Cassie é má e gosta de encrenca grande… Usoo o Kyle para conseguir uma vingança, é manipuladora.

    Agora esperarei para ver a repercussão disso tudo…

    Grata,

    Bia

  11. Jun disse:

    Agora pe guerra! Cassie vs the world, e ela vai arrastar o Kyle junto. Também acho que o Collier vai desaprovar essa ação, e acho que Ryland vai aproveitar a situação e usar a bomba de nêutrons.

    Obrigado pela tradução!!

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