The 4400 – Promises Broken (Capítulo 15)

Publicado: 7 de novembro de 2010 em The 4400

Segue o capítulo 15 de Promises Broken, traduzido por Vinícius Fernandes.

Comentários = continuação da tradução… Hahaha. Enjoy!

QUINZE

— PERDOE-ME POR INTERROMPÊ-LO, Dennis. Preciso de um minuto de seu tempo.

O almoço de Dennis tinha acabado de ser servido. Ele levantou o olhar de seu prato de macarrão com lagosta para ver seu visitante. Miles Enright, o vice-presidente executivo da Haspelcorp no comando de pesquisa e desenvolvimento, estava de pé tão casualmente quanto sua expressão era severa. O homem tinha por volta de cinquenta e cinco anos, era magro e branco. Ele mantinha seu crânio redondo perfeitamente raspado e usava impenetráveis óculos escuros opacos o tempo todo, até mesmo entre quatro paredes.

Apontando com o garfo para a outra sala particular, vazia e com as paredes de tijolos do Pacific Grill¹, Dennis disse:

— Não acho que seja uma coincidência encontrá-lo aqui.

— Não, não é — disse Enright. Ele puxou a cadeira em frente a Dennis e sentou-se. Dobrando as mãos sobre a mesa, continuou: — Percebi que você tem usado alguns orçamentos interessantes do departamento de pesquisa e desenvolvimento ultimamente.

Escondendo a raiva com um sorriso apertado, Dennis manteve o olhar sem piscar.

— Tenho, é?

— Sim. Eu admito que a contabilidade pode se confundir um pouco de vez em quando, mas até mesmo um sujeito letárgico percebe quando dois bilhões de dólares são gastos em menos de dois meses e não se vêem resultados disso.

Para ganhar tempo e irritar Enright, Dennis levou um garfo com seu macarrão gourmet até a boca. Pedaços da macia carne das lagostas do Maine e o camarão crocante se misturavam com a sutil riqueza de tomares assados, abobrinha picada e pimenta vermelha amassada em molho de limão com manjericão fresco. Ele saboreou lentamente enquanto mastigava. Então engoliu e pegou seu copo para um gole de seu Bonterra Vigonier, um forte vinho branco feito de uvas organicamente crescidas.

Enright permaneceu tão imóvel quanto uma pedra enquanto observava Dennis mastigar, beber e engolir.

— Coma alguma coisa, Miles — disse Dennis. — Ouvi dizer que a salada de carne é fantástica.

— Você ainda não respondeu minha pergunta — disse Enright.

— Você não perguntou — disse Dennis.

Uma garçonete aproximou-se da mesa. A jovem asiática movia-se com passos leves, quase inaudíveis, por seu espaço determinado. Ela colocou um prato e um copo em frente a Enright, então entregou-lhe um guardanapo de pano branco e pousou vários utensílios em seus devidos lugares dos dois lados do prato.

— Gostaria de ver o cardápio, senhor? — perguntou.

Enright balançou a cabeça.

— Por enquanto não, obrigado. — Ela afastou-se e deixou os dois homens sozinhos na sala de jantar. Enrugando o rosto, Enright disse: — Muito bem, Dennis. — Ele juntou as mãos. — O que você está tramando?

Dennis sorriu enquanto enrolava mais macarrão em espiral em volta de seu garfo.

— Negócios.

— Mas não como o normal — retrucou Enright.

— O que acha exatamente que vou te contar, Miles?

Inclinando-se, mesmo que pouco, sobre a mesa, Enright projetou um pouco de ameaça por cima dela.

— Você vai me contar porque gastou dois milhões de dólares do departamento de pesquisa e desenvolvimento da Haspelcorp sem nem ao menos consultar-me antes.

Depois de mais um gole de vinho, Dennis disse:

— Porque eu posso, Miles. Essa é uma das belezas em ser promovido a vice-presidente de toda a empresa. Não tenho que dar satisfações a pessoas como você.

— Todos devem satisfações a alguém, Dennis. Mesmo que seja apenas a Deus, ou à sua própria consciência.

— Felizmente, não tenho nenhum dos dois — disse Dennis. Ele perfurou alguns pedaços de lagosta e os esfregou na poça de manteiga derretida no fundo de seu prato.

— Não, mas você deve satisfações ao presidente — disse Enright. — E à bancada de diretores – da qual por acaso eu faço parte. — Ele encarou o sorriso sarcástico de Dennis com o seu próprio. — Imagino que o resto da bancada gostaria de saber o que você fez para que a NTAC e a NSA² fuçassem por nossos servidores hoje de manhã.

Fingindo indiferença, Dennis engoliu a lagosta amanteigada em sua boca, então limpou os lábios com a ponta do seu guardanapo de papel.

— E quem disse que o interesse deles tem algo a ver comigo?

— A busca deles era toda focada em transações criptografadas com as suas credenciais de acesso, Dennis. E eu admito que a curiosidade deles despertou um pouco da minha. — Ele inclinou-se para o balde de gelo ao lado da mesa, pegou a garrafa de Viognier e despejou uma pequena quantidade em seu copo. Então recolocou a garrafa em seu recipiente gelado. — Eu já vi algumas tecnologias exóticas nesses tempos, Dennis, mas esse seu projeto… é outra coisa. — Ele engoliu o vinho, franziu os lábios e acenou. — É bom.

— Fico feliz que tenha gostado — disse Dennis.

— Chega de conversa fiada — disse Enright. — O que quer que você esteja construindo, envolve um combustível nuclear de grande energia que só poder se conseguido com a CERN³. Você está indo longe demais e sabe disso.

Baixando o garfo, Dennis disse:

— O que eu sei, Miles, é que existem dois tipos de empresa nesse mundo: o tipo que inova, e o tipo que foge do trabalho. Nosso trabalho é a segurança nacional – e às vezes isso significa pesquisas confidenciais.

— Eu sei disso — disse Enright. — Eu mesmo já tive meus projetos ultra-secretos. Mas sempre mantive meus colegas e superiores cientes das minhas ações. Você está agindo como se essa empresa fosse seu próprio laboratório secreto. Quem autorizou esse seu projeto? Se é um contrato com o Departamento de Defesa, porque você não foi ao meu escritório? Se é um trabalho grande, porque não avisou a bancada?

Aquelas eram boas perguntas. Até aquele momento, não havia ocorrido a Dennis como seus cientistas visionários desenvolviam sua tecnologia de ponta sem atrair a atenção do governo.

Ele se inclinou para trás e pegou um maço de cigarros do bolso. Abriu-o, pegou um e guardou o maço com uma mão enquanto pegava o isqueiro com a outra.

Enquanto Dennis se preparava para acender o cigarro, Enright disse:

— Não pode fumar aqui.

— Posso fumar onde eu bem quiser — disse Dennis. — Quanto ao meu projeto, e à identidade meu cliente, tudo está sendo feito em um local secreto – e, na minha opinião, é melhor que você não saiba. — Com um escorregão de seu dedo, ele acendeu o cigarro. Inalou e então soltou um cone de fumaça cinza-azulada na direção do teto. — Além do que — acrescentou. —, se funcionar como eu espero, estaremos feitos na vida.

Enright afastou sua cadeira da mesa e pôs-se de pé.

— Assim como se seguir para o sul, você desaparece pelo resto da vida. — Ele pegou seu garfo, deu a volta na mesa, espetou o maior pedaço de lagosta no prato de Dennis e comeu. Jogou o garfo na mesa. — Bom apetite — disse, com um sorriso malicioso.

¹Pacific Grill é um restaurante localizado no centro de Tacoma.
²Agência de Segurança Nacional. Em inglê, NSA (National Security Agency)
³ A Organização Europeia para a Investigação Nuclear, conhecido como CERN, é o maior laboratório de física de partículas do mundo. A principal função do CERN é fornecer aceleradores de partículas e outras infraestruturas necessárias para a pesquisa de alta energia física.
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comentários
  1. Aline disse:

    Ryland e seus (sinistros) aliados….

    bem, vamos ver no que vai dar.

    obrigado por continuarem traduzindo.
    até a próxima.

  2. Fábio Magalhães disse:

    Bom, Ryland esta de volta rs 🙂
    Poxa, so dois comentarios ?

  3. Paulo disse:

    Acho que o autor (não o tradutor :D) está enrolando essa história… LOL

  4. Marcelo disse:

    soh to deixando minha marca, to no capito 12 ainda! =P

  5. Mandy Intelecto disse:

    Olá, tudo bem?!
    Eu e meu marido acabamos de assistir a 4ªtemporada agora, já vi que você tem a tradução do primeiro livro e em breve começo a ler…

    E por favor, não pare o do segundo livro…estou contanto com isso…

    =)

  6. Muca Velasco disse:

    E eu aqui em 2013 lendo o/

  7. nilza disse:

    … cada vez melhor !!! me transporto para o filme imaginario…
    cheguei a ver as lagostas… Vini & Helena muito agradecida pelo presente!
    Considero o gesto de vocês muito abençoado, sabiam?

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