The 4400 – Promises Broken (Capítulo 17 traduzido)

Publicado: 4 de dezembro de 2010 em The 4400

A tradução continua! Não parem de comentar!

Aí vai o capítulo 17, traduzido por mim (Vinícius Fernandes). Enjoy!

 

DEZESSETE

 

ERA TARDE, muito havia se passado desde o pôr-do-sol e as janelas das casas e dos prédios estavam escuras enquanto Diana dirigia para sua casa em Queen Anne. O ar perfumado de verão entrava pelas janelas abertas de seu Toyota híbrido.

Ela imaginava o porquê de ir para casa afinal de contas. Não havia nada a esperando lá exceto comida congelada, uma garrafa de cerveja vazia que já perdera o gosto, e algumas embalagens de comida chinesa que começara a criar alguns flocos verde-cinzentos.

Mais do que mereço, pensou ela sombriamente, enquanto o farol logo à frente trocava do amarelo para o vermelho. Ela pisou no freio e parou o carro sob a luz de um poste. Ouvir o motor do híbrido ficar silencioso quando o carro parava ainda a surpreendia. Depois de uma vida inteira ouvindo motores barulhentos, cada vez que ele parava assustava-a.

Em volta dela, Seattle parecia uma cidade fantasma. Eram tantas as pessoas haviam ido embora depois do surto 50/50 que cada quarteirão em Queen Anne tinha pelo menos uma casa abandonada. Depois do agravamento das tensões entre a Terra Prometida e o governo dos EUA nos últimos meses, ainda mais pessoas haviam ido. Agora ruas inteiras ficavam desertas.

Ela quase esperava ver uma bola de feno rolando enquanto estava parada sob a luz do farol e ouvia ao vento.

Parques que costumavam ser cheios de crianças e ambulantes que vendiam desde hot-dogs e rosquinhas à garrafas de água e balões agora parecia um parque de esculturas de balanços, escorregadores e carrosséis. Diana podia contar nos dedos as vezes que vira alguma criança usando o parque perto de sua casa nos últimos meses.

É como sobreviver depois de um apocalipse, pensou ela.

Um som estridente a fez pular. No silêncio sepulcral de seu carro elétrico parado em uma rua vazia, seu celular soou ainda mais agudo do que o normal. Atrapalhando-se com as duas mãos, ela o tirou do bolso de sua jaqueta e olhou para e tela. Não reconheceu o número, mas atendeu assim mesmo.

— Alô?

Oi, mãe — disse Maia.

Ouvir a voz de sua filha fez os olhos de Diana marejarem de emoção. Raiva, alívio e alegria enevoavam seus pensamentos. Apertando uma mão contra o peito para se manter calma, ela respondeu:

— Oi, Maia. Como você está, querida?

Depois de uma pequena pausa, Maia disse:

Estou bem, acho.

Era uma pontada de medo que ouvia na voz de Maia? Ela imaginava se o ataque quase bem sucedido à Fundação Collier abalara a decisão da garota de ficar longe de casa. Naquele momento, Diana teria que tentar ser cautelosa.

— Você tem tudo o que precisa? Comida, lugar para dormir…?

Sim — disse Maia. — O Jordan deu um apartamento só para mim. E eu posso pedir comida, como em um hotel.

— Parece legal — disse Diana. — Eles lavam a louça também?

Acho que sim. Eles levam tudo depois que eu termino. — Ela calou-se por alguns segundos, mas antes que Diana pudesse pensar numa resposta, Maia acrescentou: — Só queria que você soubesse que eu estou bem. Sabe… por causa do que aconteceu ontem.

Sob o sussurro do vento quente por entre as árvores, Diana ouviu o cantarolar solitário de um pássaro. Uma única lágrima rolou pelo canto de seu olho. Ela enxugou-a de sua bochecha. “Obrigada” era tudo o que podia dizer. Fungando para limpar o nariz, acrescentou com uma serenidade forçada:

— O que me conta de novidade?

O Jordan me faz ter aulas mesmo sendo verão — disse Maia. — É ruim. Eu deveria estar de férias.

Realmente interessada, Diana perguntou:

— Ele te contratou uma professora particular?

Ela é voluntária — disse Maia. — É a Heather Tobey, do Centro 4400.

Aquelas novidades deram a Diana uma pontada de preocupação. Embora Heather fosse uma professora treinada, ela era uma dos 4400 originais; sua única habilidade era despontar os talentos inatos de outras pessoas e fazê-las usar e dominar tais dons.

Desconfiança passou pelos pensamentos de Diana. Imagino se o Jordan não a escolheu para aperfeiçoar os dons precognitivos de Maia. Tentando ser diplomática, ela disse:

— Bem, me sinto melhor sabendo que há adultos por perto.

O tom de voz de Maia tornou-se áspero e defensivo.

O que quer dizer com isso?

— Nada, querida — disse Diana rapidamente, tentando encobrir sua gafe antes que fugisse de seu controle.

Infelizmente Maia parecia não ter vontade de deixar isso de lado.

Está dizendo que não consigo cuidar de mim mesma? Que preciso de “gente grande” para segurar minha mão?

— Não, não foi isso que quis… — Ouvindo a si mesma, Diana percebeu que estava mostrando fraqueza. — Na verdade, sim. É exatamente o que estou dizendo. Você é muito jovem para ficar sozinha, Maia. Só tem treze anos de idade, pelo amor de Deus.

Isso não significa que sou criança! — a garota soltou um grunhido de exasperação. — Você sempre faz isso! Age como se eu fosse muito jovem para usar minha habilidade, mas não sou, e você sabe disso.

Raiva e frustração fizeram o rosto de Diana enrubescer, e sua pulsação martelar em suas têmporas.

— Não há nada de errado em usar sua habilidade, Maia, mas usá-la para ajudar Jordan Collier te põe em perigo.

Pronunciando claramente cada palavra, Maia rebateu:

— E. Daí.

Eu a amo e quero esganá-la, irritou-se Diana.

— E daí? Você é jovem de mais para se meter em uma guerra, Maia.

Todos estamos no meio dessa guerra, mãe, quer você goste ou não. Eu só decidi escolher um lado.

— E o que te faz pensar que você é grande o suficiente para fazer tal decisão? Há uma razão para crianças não servirem como soldados.

Maia gritou de volta:

Pare de querer me proteger o tempo todo! Eu não sou um bebê; posso cuidar de mim mesma!

Aumentando o tom de voz para nivelar-se com o de Maia, Diana rebateu:

— Eu nunca vou parar de te proteger, Maia. Você é minha filha, e preocupar-se com você e tentar protegê-la é o que eu faço! É o que sempre farei, porque é isso que é ser uma mãe… quer você goste ou não.

Um silêncio de ódio reinou dos dois lados da linha.

Alguma coisa no retrovisor do carro chamou a atenção de Diana. Quarteirão por quarteirão, as luzes dos postes estavam se apagando. As poucas casas que ainda cintilavam com luz e vida tornaram-se escuras. Uma escuridão medonha caiu sobre Queen Anne Hill.

O poste acima do carro de Diana apagou-se, e o semáforo – que havia dado duas voltas durante a conversa dela com Maia – desligou-se do mesmo jeito.

Maia simplesmente disse:

Tenho que ir.

Ela desligou antes que Diana pudesse dizer “eu te amo”.

Sentada sozinha no carro, que era a única fonte de luz na rua, Diana ficou imaginando o que havia acontecido agora.

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comentários
  1. Fábio Magalhães disse:

    Haha, tipica conversa de mãe e filha.
    Fiquei curioso com estas luzes.
    O que sera ?

  2. Mandy Intelecto disse:

    Quantos capitulos tem o livro?

  3. Helena disse:

    Tem cinquenta. Todos curtinhos assim.

  4. Roger disse:

    A ligacao me soou estranha, rs, ai tem

  5. Fábio Magalhães disse:

    Tava pensando ontem. Não sera a mesma pessoa que tirou as informações do computador da NTAC. Aquele evento não esta mais sendo mencionado. Queria saber também o que aconteceu com o sangue roubado de Danny Farrell.
    Alguém poderia dar uma luz (Vinicius e Helena rs :))

    Obs: Pessoal vamos comentar. Se alguém não leu ainda, aproveitem o feriado e não esquecam de comentar.

  6. Paulo disse:

    E esse apagão? Tomara que seja algo ‘interessante’, a história está muito lenga-lenga hehe.

    Mas a tradução está ótima!

  7. brenooficial disse:

    Vou deixar que os próximos capítulos respondam as perguntas de vocês… hahaa =P

  8. Aline disse:

    nossa, capitulo novo e eu de bobeira…
    vou ler esse e o 18 agora.
    até.

  9. Drika disse:

    cada vez melhor…

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