The 4400 – Promises Broken (Capítulo 19 traduzido)

Publicado: 19 de dezembro de 2010 em The 4400

Capítulo 19, traduzido por Vinícius Fernandes.

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DEZENOVE

OS ESCRITÓRIOS DA NTAC estavam quase todos vazios. Somente uma equipe de agentes noturnos competentes monitorava as estações de ações de emergência, e um esquadrão de guardas uniformizados tripulavam a entrada principal e patrulhavam os corredores silenciosos como uma cidade fantasma. Os monitores dos computadores em estado de espera enchiam os cubículos minúsculos desertos com um brilho azul pálido.

Tom Baldwin abriu o botão no topo de sua camisa e limpou o suor da testa. Para economizar energia, os ar-condicionado do prédio havia desligado-se automaticamente às 8 horas da noite em ponto. Mais de uma hora já havia se passado, e a atmosfera dentro da instalação tornara-se morna e pesada.

As medidas para economizar energia haviam sido implantadas depois que o Exército desligara a grade elétrica da cidade. Em acordo com os protocolos de desastres do Departamento de Segurança Doméstica, a NTAC recorrera aos seus geradores de emergência à diesel e às baterias de lítio de reserva, que eram alimentadas por uma linha dura para uma matriz de painéis solares e um suporte de seis turbinas de vento escondidas a milhas de distância na Ilha Bainbridge, além da Baía Elliot.

Os passos de Tom ecoavam pelos degraus e pelas paredes de concreto da escadaria enquanto ele descia ao nível subterrâneo onde ficava a Sala de Teoria. O elevador teria sido mais rápido, mas a necessidade de reduzir o uso de energia significava que cada indivíduo devia usar as escadas sempre que possível.

Como o esperado, a Sala de Teoria iluminava-se com o brilho de uma gravação sendo reproduzida. Ele bateu uma vez na porta, abriu-a e entrou. O débil cheiro de pizza espalhava-se pelo ar. Calabresa, se conheço o Marco, pensou.

Do outro lado da sala, Marco rodou sua cadeira para o lado da tela de projeção do tamanho da parede.

— E aí — disse ele, levantando o queixo para Tom como cumprimento, e então se voltando para o vídeo.

— E aí — respondeu Tom, enquanto passava por várias telas de computadores que rolavam enquanto pegavam informações de incontáveis fontes. — Eu estava indo para casa quando vi seu carro no estacionamento. Já é tarde. O que ainda faz aqui?

— Vendo o mundo se acabar aos poucos — disse Marco, olhando a parede de vídeo enquanto Tom postava-se ao seu lado. O teorista de óculos pegou um controle remoto, apertou alguns botões e subdividiu a tela em oito imagens menores, cada uma mostrando um vídeo diferente. — São filmagens do mundo todo — disse ele. — Imagens arrancadas de satélites, transmissões piratas. Algumas delas sendo enviadas por p-positivos que podem transmitir o que eles vêem e ouvem em alta definição. Cinema real.

Imagens de violência e destruição enchiam a tela. Cada sub-janela mudava sua imagens em segundos, criando um mosaico mutável de caos e desespero. Mudavam tão rapidamente que Tom teve dificuldade assimilar tudo.

— Para o que estou olhando? — ele perguntou.

— O abastecimento de promicina crescendo ao redor do planeta — disse Marco. Ele começou a apontar para as imagens enquanto elas passavam. — Monges no Tibet. Refugiados no Sudão. Mulheres no Oriente Médio. Colonos em Gaza. Trabalhadores na Venezuela. Rebeldes em Caxemira. — Ele balançou a cabeça e olhou para Tom. — A droga está se espalhando mais rápido do que podemos perceber. Poderíamos ter dez milhões de p-positivos em poucas semanas.

— Jesus Cristo — murmurou Tom, sua voz cheia de terror. — Isso significa que também poderíamos ter dez milhões de mortes por promicina. — Ele imaginou terras distantes repletas de corpos sangrentos afundados em agonia. — Eles são malucos? Será que não sabem o que essa coisa faz?

Marco acenou com a cabeça.

— Eles sabem. E não se importam. — Em resposta ao olhar descrente de Tom, ele continuou. — As pessoas no Terceiro Mundo vêem a promicina de um modo muito diferente de nós. Eles vivem todos os dias com doenças, fome, genocídios… — Ele deu de ombros. — Alguns deles acham que é melhor morrer, de qualquer modo. Não têm o que perder, então apostam a sorte na promicina.

Tom franziu o cenho.

— Faz sentido. A maioria das pessoas que tomaram promicina era deslocada. Pessoas que perderam a fé, ou que sentiam como se tivessem no fim, ou que o sistema tinha desistido delas.

— Exatamente — disse Marco. — Agora multiplique isso por dez milhões. A maioria das pessoas na América do Norte, Europa, Austrália e Japão estão bem, mesmo na pior das épocas. Por que eles jogariam roleta russa com uma chance de apenas cinquenta por cento de sobreviver? Mas se você vive num lugar pobre como o Chade ou o Sudão, uma chance de cinquenta por cento de ganhar uma hablidade extra-humana parece um risco bom. — Com um clique no controle remoto, ele alterou a rotação das imagens na parede. — E está dando certo. Nos últimos quatro dias, novos p-positivos derrotaram senhores de guerra na Somália, expulsaram talibãs de doze vilas no Afeganistão e Paquistão, e declararam a Caxemira uma cidade-estado independente. — Um sorriso hesitante puxou seus lábios. — Os fracos estão herdando a terra… Como o Super-Homem.

Olhando as imagens, maravilhado e com medo, um pensamento preocupando ocorreu a Tom:

— Se está se espalhando rápido assim pelo Oriente Médio, não demorará muito para que grupos como o Al-Qaeda, Hamas e Hezbollah participem. Poderíamos passar a enfrentar terroristas militantes islâmicos com superpoderes. Eles poderiam fazer o onze de setembro parecer amadorismo.

— Possivelmente — disse Marco abrindo uma lata de refrigerante. — Mas não seria com isso que me preocuparia se eu fosse você.

— Como assim?

Marco tomou um gole de seu refrigerante, engoliu e então apontou para a tela.

— A maioria das pessoas que estão tentadas a tomar promicina são as que mais necessitam: os pobres, os oprimidos, os escravizados. Aqueles que sobrevivem glorificam Jordan Collier como se ele fosse o Messias. O que mais preocupa é que eles estão se tornando a nova elite do mundo, e pode acreditar que alguns deles decidirão quando será a hora da revanche. E não somente questões pessoais. Estou falando de uma agitação na balança de poder entre as nações – uma mudança global na organização da sociedade humana.

Tom olhou novamente para o quadro de imagens: a mulheres magras africanas telecineticamente amassando caminhões e derrubando helicópteros em Serra Leoa; um garotinho derretendo tanques de guerra chineses em Shingatse; um grupo de civis cercando a capital de Mianmar. Depois ele olhou para Marco.

— Isso é tão ruim quanto eu acho que é?

— Pior — disse Marco. — Governos não desistem do poder sem luta… É assim que guerras mundiais começam.

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comentários
  1. Mandy Intelecto disse:

    Aeeeee….
    Menos um!!!!

    Não para não para não para não!

  2. Fábio Magalhães disse:

    Não para não para não para não! (2)
    🙂

  3. Aline disse:

    guerra!

    Não para não para não para não! (3)

  4. Fábio Magalhães disse:

    Não vamos quebrar esta corrente 🙂

    Não para não para não para não! (4)

  5. Roger disse:

    Não para não para não para não! (5)

    e Viva Jordan Collier, rs

  6. Drika disse:

    estou adorando a história

  7. Kelly disse:

    Uma pena que os capítulos sejam tão curtos..acho que eles tentaram passar a sensação de que cada capítulo é equivalente ao que seria uma cena no seriado.

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