The 4400 – Promises Broken (capítulo 22 traduzido)

Publicado: 9 de janeiro de 2011 em The 4400

Apesar dos poucos comentários, vou postar mais um capítulo, traduzido por Helena Padim.

Comentem! xD

 

VINTE E DOIS

 

8:05 A.M.

TOM ACABARA de se acomodar em sua mesa, em frente à de Diana, quando um ruído abafado de frustração, vindo de fora do gabinete deles, os fez sair de lá novamente. Eles quase trombaram ao chegar à porta, quando olharam através do salão da NTAC, onde uma dúzia de agentes esticava o pescoço por sobre as divisórias de seus cubículos, todos olhando para a fonte daquela comoção: o gabinete da diretoria.

Meghan Doyle estava tendo um ataque de ira.

Ela bateu várias vezes o telefone na base, sobre a mesa. Com um puxão ela arrancou o fio do telefone da tomada, no chão, pegou o aparelho e soltou um grito de raiva, enquanto o atirava contra a parede. O telefone se despedaçou em uma chuva de pedaços de plástico, fios partidos e componentes eletrônicos, que se espalharam pelo chão do escritório. Então Meghan deixou-se cair em sua cadeira, fincou os cotovelos na mesa e enterrou o rosto nas mãos.

Todos os agentes no salão permaneceram imóveis por vários segundos, olhando para sua silenciosamente exasperada diretora. Então, como um bando de pássaros voando em formação, eles giraram suas cabeças na direção de Tom, que ficou levemente apavorado ante o apelo coletivo e silencioso.

Ele olhou para Diana. Ela também o encarava.

Juntando as palmas das mãos numa súplica desesperada, ele implorou a sua parceira:

— Ah, vamos lá. Por que eu?

— Ela é sua namorada — frisou Diana, arqueando as sobrancelhas.

Droga, eu realmente odeio quando ela tem razão, Tom bufou.

Ele sentiu o peso dos olhares de todo o pessoal quando saiu de seu gabinete, atravessou o salão com as mãos timidamente enterradas nos bolsos das calças, e se dirigiu lentamente para a porta da sala de Meghan. Jed Vermelho levantou sua caneca de café para brindar Tom quando este passou por sua mesa. Do outro lado do salão, Jed Azul fez sinais táticos com as mãos, para sarcasticamente avisar Tom: mantenha seus olhos abertos e sua cabeça abaixada.

Conforme Tom se aproximava de seu destino, ele se perguntava por que coisas daquele tipo sempre pareciam acontecer antes que tivesse a chance de beber sua primeira xícara de café. Um gole de café antes do mundo se acabar, pensava. Será que é pedir demais?

Quando chegou ao escritório de Meghan, ele se virou para olhar Diana, para tomar coragem. Ela o incentivou com um aceno de mão que mais parecia o gesto de quem espanta uma mosca. Ele fez uma careta, levantou a mão, e com o nó do dedo médio bateu tão suavemente que quase não sentiu o contato da madeira. Então escutou com o ouvido encostado na porta.

— O que foi? — perguntou Meghan por detrás da porta fechada.

Percebendo que aquilo seria o mais próximo de um convite que ele receberia naquelas circunstâncias, Tom abriu a porta e deslizou para dentro. Fechando a porta atrás de si com uma das mãos, ele esticou o outro braço para ajustar o ângulo da veneziana da parede envidraçada do escritório dela, que dava para o salão. Fechou bem as lâminas, para terem privacidade.

— Manhã complicada? — perguntou ele.

Ela ainda estava com o rosto entre as mãos.

— De onde você tirou essa ideia?

— De nenhum lugar em particular — ele respondeu, na esperança de amenizar a conversa com um pouco de humor irônico. — Apenas um pressentimento.

Ela se endireitou, reclinou a cadeira e olhou para o teto.

— Eu acabei de falar ao telefone com o secretário da Segurança Nacional — disse ela. — Foi uma conversa rápida. Ele falou quase o tempo todo — ela suspirou. — A notícia boa é que eu estou sendo transferida para um clima mais quente: o escritório de Atlanta.

Engolindo em seco para suprimir sua crescente sensação de secura, Tom perguntou:

— E a má notícia é…

— Estou sendo rebaixada — respondeu Meghan, forçando um sorriso fraco, tenso de raiva. — Ele está me colocando como agente de campo, apesar do fato de eu não ter experiência na área ou treino tático. — Ela balançou a cabeça. — Eu tenho a impressão de que isto é o pagamento por ele ter forçado a barra para me dar este cargo, em primeiro lugar.

Pedaços de plástico partido estalaram debaixo dos sapatos de Tom quando ele contornou a mesa para ficar mais próximo de Meghan. Ele se sentou na ponta da mesa e pegou a mão esquerda dela entre as suas.

— Ele ao menos te disse o porquê disto?

— Ah, sim, ele me disse o porquê, está certo — ela respondeu, rolando os olhos de desgosto. — Ele disse que alguém formalizou uma reclamação acerca do fato de eu estar dormindo com você. “Fraternização inapropriada com um subordinado”, foi o nome que deram. Como se eu simplesmente estivesse corrompendo a integridade da república.

Tom trincou os dentes para evitar soltar palavrões.

— Droga, Meghan, sinto muito. Eu nunca tive a intenção de…

— Pare — ela cortou. — Você não tem por que se desculpar — ela bufou, com desdém. — Eles estão apenas usando nosso relacionamento como desculpa. Eu sei a que isto realmente se refere: eles me culpam por perder Seattle para Collier, e acham que o terremoto na Califórnia é resultado direto disto. Vamos encarar os fatos: eu sou um bode expiatório — ela fechou os olhos e mostrou os dentes, numa recusa furiosa. — Não acredito que vou ter que me mudar para a Geórgia.

— Você pode pedir demissão — disse Tom.

Aquilo quase a fez rir.

— Sim, claro. É exatamente o que aquele filho da mãe em Washington D.C. quer que eu faça. Esqueça.

— Tudo bem, então — decidiu Tom. — Eu vou solicitar minha transferência para Atlanta e ir contigo.

Ela ficou quieta por um momento, processando mais notícias ruins.

— Na verdade — completou ela — você está sendo transferido para Milwaukee.

Ele ficou esperando o final da piada. Não era uma.

— Espera aí — ele disse. — Eles estão me mandando para Wisconsin?

— É.

— Mas… — começou ele, e então a voz sumiu. – Espera um minuto! Se você estiver em Atlanta e eu em Wisconsin, quem estará no comando aqui?

— Ninguém – respondeu Meghan, enfastiada. Ela olhou nos olhos dele. — Eles estão fechando isto aqui.

Em pé, ao lado da mesa de Meghan, com seus punhos tão cerrados que os nós dos dedos estavam brancos, Tom repentinamente desejou que Meghan tivesse outro telefone, para que ele o pudesse arremessar contra a parede, também.

 

Diana achou que havia entendido errado o que seu parceiro dissera.

— Fechar? Mas o que é que eles estão pensando? — Olhando ao redor para a Sala das Teorias e para Marco e os dois Jeds, ela perguntou: — O que isto quer dizer para nós?

— Quer dizer que temos que empacotar nossas coisas e nos aprontarmos para cair fora. — Tom disse para o grupo, que havia se reunido em um pequeno círculo perto da tela de projeção.— Meghan está lá em cima contando a novidade para o resto do pessoal. O Departamento de Segurança Nacional acabou de nos dar uma ordem de evacuação com prioridade máxima. Eles querem a nós todos em um voo partindo de Boeing Field1 dentro de uma hora. Ela e eu já temos novas lotações. Vocês receberão ordens quando aterrissarmos em Washington D.C.

Jed Azul acrescentou:

— Eu não estou nem com meu passaporte.

— Nem eu com minha escova de dentes — Jed Vermelho completou.

— Muito ruim – disse Tom. – Carros, propriedades, animais de estimação e tudo o mais que você não possa carregar num avião ficará por aqui. Apenas os familiares mais próximos estarão autorizados a embarcar no voo de evacuação.

Jed Vermelho olhou para seu gêmeo e disse:

— Por mim, tudo bem. Eu nunca gostei mesmo do primo Ted. — Jed Azul concordou com a cabeça.

— Gente – Diana disparou para os Jeds —, isto não tem graça.

Controlando seu temperamento, ela perguntou para Tom:

— E quanto a Maia? Ela está confinada no quartel-general de Collier.

Franzindo a testa com pena, Tom respondeu:

— Se ela não estiver no avião com você às nove da manhã, vai ficar para trás.

— Bem, isto é ótimo. — Diana disse, fervendo de raiva. — Como eu vou conseguir convencê-la a deixar a Terra Prometida se ela não quer nem falar comigo?

— Conte a verdade a ela — disse Marco. — Se a Segurança Nacional está correndo para nos tirar daqui, é porque provavelmente as forças armadas estão preparando um grande ataque à cidade.

Não conte isto a Maia — interrompeu Tom. — Se é verdade, prevenir o pessoal de Collier será traição. E se não for, talvez incitemos um pânico que poderá matar pessoas.

— Não estou nem aí para isso — disse Diana. Incapaz de ficar parada, ela se afastou do círculo e começou a andar de um lado para o outro em frente à tela branca. — Mas você está certo em não avisar Maia sobre o que está para acontecer. Isto só a fará se agarrar ainda mais a Collier.

— Talvez você possa enganá-la – sugeriu Tom. — Diga a ela o que quer que seja que ela quer ouvir.

— Certo — Jed Azul se intrometeu na conversa. – O importante é tirá-la daquele edifício. Diga que está disposta a dar tudo o que ela quiser, se ela simplesmente vier encontrar você para o café da manhã.

Rolando os olhos, Diana respondeu:

— Maia não vai cair nessa. Ela sabe que eu jamais desistiria assim tão facilmente.

Marco cruzou os braços.

— O que quer que façamos, é melhor fazermos rápido. Os ônibus saem em vinte minutos, e nosso avião decola em quarenta.

Esfregando o queixo, pensativo, Jed Azul disse:

— Poderíamos atacar de frente. Entrar pela porta dianteira do quartel-general de Collier, achar Maia e tirá-la de lá.

Jed Vermelho acrescentou:

— Movimento arriscado, mas talvez tenhamos a vantagem do fator surpresa.

— Nem pensem nisso — contestou Tom. — O pessoal de Jordan não irá deixá-los chegar a menos de cem metros daquele prédio. Ele tem sentinelas que podem derreter seu cérebro, paralisar você num piscar de olhos ou fazê-lo ir embora e pensar que foi uma decisão sua.

Audacioso, Jed Vermelho olhou para Marco e perguntou:

— E quanto à sua habilidade de teletransporte? Você poderia surgir lá, agarrar Maia e desaparecer antes que o pessoal dele saiba que você esteve ali.

Sacudindo a cabeça, Marco respondeu:

— Primeiro, eu não posso mergulhar no escuro. Preciso de uma foto como referência ou uma imagem de vídeo do meu destino. Segundo, eu não tenho tido muita sorte ao trazer pessoas comigo quando me teleporto. Até agora, o maior passageiro que eu fui capaz de transportar é o meu gato. Além do mais, Collier vem instalando todo tipo de defesas exóticas naquele prédio há meses. Tentar “aparecer” por lá pode ser o meu fim.

— Sempre haverá o telhado — insistiu Jed Azul.

— O que tem isso? — perguntou Marco.

— Bem, nós temos toneladas de fotos daquilo. Você poderia pular para lá, explodir a tranca da porta de acesso com uma carga de C-4, e descer até a escada principal.

Tom apertou os olhos em cínica desaprovação.

— Jed Azul, pense por um instante. Collier mora no último andar daquele edifício. Você acha mesmo que ele não protegeu o acesso do terraço? Além do mais, nós não sabemos nem em que andar Maia está. Se chegarmos lá abrindo fogo, em um tipo de missão de resgate para levar Maia à força, vamos nos dar mal. — Adotando um tom de desculpas, ele disse para Diana: — Se você acha que pode convencê-la a sair de lá, deve fazê-lo agora.

— Ela não sairá — disse Diana, imaginando como Maia reagiria diante da crise iminente. — Não dessa maneira.

— Então é melhor nos aprontarmos para ir — disse Tom.

— Eu não vou — respondeu Diana. — Se Maia ficar, eu também ficarei.

A preocupação endureceu as feições de Tom.

— A evacuação não é opcional, Diana. Estamos cumprindo ordens. Toda a equipe da NTAC deve estar naquele avião.

— Então eu me demito — disse Diana, orgulhosamente desafiadora.

Marco e os Jeds trocaram olhares preocupados. Jed Azul disse a Diana:

— Você realmente acha que será bem fácil, não é?

— Ele está certo – disse Marco. – A lei diz que em tempos de emergência nacional, estamos todos comprometidos enquanto durar a crise. Não podemos simplesmente abandonar o barco. — Com um sorriso torto ele acrescentou: — O lado bom é que ao menos isto significa que temos estabilidade no emprego.

Diana olhou para Tom, procurando um resquício de esperança.

— Meghan não vai aprovar isto, não é?

— Não depende dela — disse Tom, encolhendo os ombros. — Meghan acabou de ser rebaixada, lembra? Ela não tem autoridade para deixar você ficar, mesmo que queira. A unidade tática está comandando a evacuação, e Major Falkner recebe ordens diretamente do secretário. De um modo ou de outro, Falkner vai colocá-la naquele avião; como prisioneira, se for preciso.

— Ótimo – disse Diana, já formulando um plano. — Já que não há meio de evitarmos entrar no avião, temos apenas que bolar uma maneira de sair de lá.

 

Notas:

1 Boeing Field – aeroporto localizado em Seattle.

 

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comentários
  1. Dark Time disse:

    Eu adorava comentar este capitulo! Mas ainda vou no inicio do anterior :p cá em casa estamos todos a ler um por dia, depois da dose de séries de tv :p
    Mas agradeço, em breve tudo será lido e devidamente comentado

  2. Fábio Magalhães disse:

    Um, sobre a Maia, sera que eles esqueceram que ela pode ver o futuro? rs

  3. Aline disse:

    cada capitulo mais proximo da guerra.

    vamo que vamo!

  4. Roger disse:

    a espera do proximo, rs

  5. Diego disse:

    Esse foi o melhor de todos

  6. Bárbara disse:

    bem bom esse capitulo

  7. Drika disse:

    em ritmo acelerado…bem que podiam filmar um final..

  8. nilza disse:

    NOSSAAAAA !!!! ESSE FOI DEMAIS!!! QUE TENSO!…
    O BACANA É QUE AS PESSOAS NÃO ANDAM MAIS LENDO… E COMO ESSE FILME NÃO TEVE FINAL SOMOS OBRIGADOS A LER…. MAS ESTÁ SENDO UMA TAREFA TÃO GOSTOSA…
    NUM PATROCINIO DE BRENO VINICIUS & HELENA (AGRADECIMENTOS DUPLOS!)

  9. Andre Lucas disse:

    A história está muito boa!

    Ansioso para acompanhar a conclusão da história!!!

    Valeu Vinicius e Helena!

  10. Kelly disse:

    Estou torrando os meus olhos de tanto ler!

  11. ricardo disse:

    Sei que as traduçoes ja terminaram,mas sinto-me na obrigacao de no minimo postar algo para lhe agradecer pelo excelente trabalho. obrigado.

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