The 4400 – Promises Broken (Capítulo 23 traduzido)

Publicado: 17 de janeiro de 2011 em The 4400

Este capítulo, traduzindo por mim – Vinícius Fernandes – é muito bom. Leiam e comentem!

VINTE E TRÊS

8:55 a.m.

 

MEGAN DOYLE ESTAVA de pé ao lado da saída do Aeroporto Internacional King County e entrada para a pista pavimentada, onde um jato 737NG estava preparando-se para decolar. Uma fila de agentes da NTAC postava-se atrás dela, de mãos vazias, enquanto marchavam para sua evacuação forçada de Seattle, escoltados por uma equipe tática usando uniforme negro e carregada de armas e equipamentos.

Uma brisa leve trazendo o cheiro do combustível do jato bagunçou o cabelo de Meghan. O barulho das turbinas da aeronave aumentava a cada segundo. Ela encolheu-se sob o a luz solar matutina refletida na cauda do planador, então virou o olhar e checou seu relógio. Em menos de cinco minutos, o transporte deixaria o aeroporto, escoltado por um par de aviões de caça F-14 da Base de Guarda Nacional de Washington.

Ela estava contanto mentalmente quem já havia passado por ela e quem ainda tinha que subir no avião. Olhando pelo interior do terminal, a moça avistou dois dos agentes que faltavam. Tom estava ao lado da porta do banheiro masculino checando o próprio relógio. Quando o fim da linha de agentes passava à sua frente, ela o chamou:

— Tom! Vamos!

— Estou esperando o Marco — ele gritou de volta. Abrindo a porta, gritou para dentro do banheiro: — Vamos, Marco! Apresse aí! Nossa carona está saindo!

— Beleza, beleza — retrucou Marco, sua voz ecoando de dentro do banheiro. Um momento depois, ele saiu, parou para olhar para trás, levantou sua câmera digital e bateu uma foto antes de seguir Tom até o portão de embarque.

Empurrando os dois homens à sua frente, Meghan perguntou a Marco:

— Você sempre fotografa banheiros depois de usá-los?

— Estou fotografando tudo — disse ele, tirando outra foto do terminal por cima dos ombros enquanto subiam os degraus do avião. No topo da escada, olhou para trás e acrescentou saudosamente: — Tudo isso pode desaparecer amanhã.

— Bem, precisamos ir em um minuto, então suba no avião — disse Meghan, empurrando-o para dentro. Ela o seguiu e disse ao comissário de bordo: — Estamos todos a bordo. Feche tudo.

O jovem militar assentiu e selou a porta, que se fechou com um baque pesado. De uma única vez, o ranger dos motores reduziram-se à um zumbido lento que reverberava através casca de alumínio da aeronave e era parcialmente abafado pelo barulho suave do sistema de ventilação, que circulava ar condicionado pela cabine de passageiros.

Meghan seguiu Tom e Marco até seus assentos, que eram na última fileira da classe empresarial. Não havia divisão entre esta sessão e a econômica; a única diferença entre elas era que os assentos na classe empresarial eram mais largos e tinham mais espaços para as pernas do que os da classe econômica.

Enquanto Meghan esforçava-se para achar e juntar as duas partes do cinto de segurança, a voz de um homem com sotaque sulista saiu do alto falando sob a cabine do piloto:

Bom dia, galera. Aqui é o capitão Dan Harper, e eu serei seu piloto hoje. Agora preciso pedir a vocês que se levantem e ajeitem seus assentos na posição vertical enquanto esperamos pelo momento da partida. Serviremos o café da manhã assim que tivermos altitude, então apenas sentem-se direito, e aproveitem a viagem. Equipe de voo, prepare-se para a decolagem.

Todos se ajeitaram, exceto Marco, cujo rosto contorceu-se num primeiro sinal de náusea. Ele levantou-se e caminhou atrapalhadamente na direção do banheiro, onde passou por uma comissária de bordo que tentou impedi-lo.

Inclinando-se pelo corredor, Diana perguntou a Tom, num sussurro:

— O que ele tem?

— Sei lá — disse Tom balançando os ombros e a cabeça. — Ele está se sentindo enjoado desde que saímos da NTAC.

Diana franziu o rosto, então abriu seu cinto de segurança e levantou-se.

— É melhor eu dar uma olhada nele — disse ela, começando a andar.

Meghan assistiu Diana dirigindo-se para o fundo da aeronave. A segunda bateu na porta do banheiro, então deu um passo para trás quando a porta abriu e a fez sumir de vista.

Perplexa, Meghan lançou um olhar indagador a Tom.

— Eles namoravam — disse ele.

Ela assentiu como se isso explicasse tudo, mas alguma coisa ainda parecia errada. Como passatempo, ela olhou pela janela na direção do topo distante do Monte Rainier ou para as linhas passando por baixo da asa do avião enquanto eles se saíam da pista ou para seu próprio reflexo na janela.

Então Tom soltou seu cinto de segurança e levantou-se.

— Vou ver porque estão demorando tanto — disse. — Já volto.

Antes que Meghan pudesse mandá-lo ficar, ele disparou pelo corredor. Ela inclinou-se por sobre seu assento e olhou para trás à tempo de vê-lo bater na porta do banheiro e, assim como Diana, dar um passo para trás para que ela se abrisse. A porta ficou aberta por vários segundos.

Sua curiosidade estava transformando-se em suspeita. Ela murmurou:

— O que está acontecendo?

Os dois Jeds levantaram as cabeças por sobre a parte de trás de seus assentos em frente ao dela. JA disse:

— Talvez queiram fazer sexo nas alturas.

— Você tem que estar no ar antes que possa fazer isso — disse Meghan. — E duvido muito que seja isso o que estão fazendo.

JV perguntou:

— Quer que a gente vá chamá-los?

— Se importariam?

— De maneira alguma — disse JV. Os dois Jeds soltaram o cinto de segurança, levantaram-se e saíram pelo corredor.

Um minuto depois, nenhum dos agentes que haviam ido voltara. Meghan decidiu que estava na hora de ver por si mesma o que estava acontecendo lá atrás. Soltou seu próprio cinto de segurança e caminhou apressada pelo corredor na direção do banheiro, onde JV mantinha a porta aberta.

Ela perguntou:

— O que está havendo, Garrity?

— Nada — disse ele, sem expressão. — Está tudo bem.

— Largue a porta e se afaste — disse Meghan. — Agora mesmo, agente. Isso é uma ordem.

Hesitante, ele soltou a porta e se recostou à parede ao fundo. Meghan fechou a porta e passou por ela, então a abriu para ver o que estava acontecendo dentro do minúsculo banheiro.

Como temia, ele estava vazio.

 

— Ele está respirando? — perguntou Tom.

— Muito pouco — disse Diana segurando o pulso de um Marco inconsciente. O analista de cabelos negros jazia no banco de trás do carro de fuga dos agentes, que corria para o norte da I-5 numa velocidade estonteante.  — Está com a pulsação baixa.

JA estava ao volante, ziguezagueando através do tráfego como se o carro deles fosse linha e a estrada agulha. Ele lançou um olhar nervoso a Marco por cima do ombro, e então perguntou a Tom:

— Ele está muito mal? Acha melhor levá-lo ao hospital de veteranos? É o mais perto.

Tom jogou a pergunta a Diana:

— Você que sabe.

— Eu não sei — disse ela. — Não sou médica.

Ela ainda estava espantada com a maneira como Marco conseguira teletransportar-se do avião até o banheiro dos homens com ela junto. Eles haviam desaparecido de um lugar e aparecido no outro sem qualquer sinal visível de transição. Para Diana, fora quase algo mágico. Mas a julgar pelo tom pálido no rosto de Marco, ela percebeu que devia ter sido muito mais árduo para ele.

Conseguir tal façanha pelo menos uma vez representava um grande passo adiante na maturidade de sua habilidade de promicina; o fato de que ele tinha levado uma foto tirada dentro do banheiro da aeronave para teletransportar-se de volta ao avião, que ainda estava visível distanciando-se pela pista, e repetir a “viagem” mais duas vezes — primeiro para levar Tom de volta ao terminal e então, na última viagem, JA — não fora nada milagroso.

Mas então, antes que pudesse fazer outra aparição para tirar JV do avião, Marco caíra ao chão, sofrendo espasmos durante vários segundos antes de desmaiar. Sem tempo ou maneira de voltar ao avião, eles estavam seguindo com o plano, que consistia em sair do terminal o mais rápido possível. JA tinha ido ao estacionamento, pegado um carro e encostado ao lado da entrada lateral, onde tinha pegado Tom e Diana, que carregavam Marco.

O que aconteceria em seguida nenhum deles sabia, infelizmente.

Confiando em seus instintos, Diana disse:

— Acho que ele só está exausto, não morrendo. Vamos ficar longe de hospitais.

— Tudo bem — disse Tom. — Mas é bom ficar de olho nele assim mesmo. Se algo piorar antes de chegarmos ao escritório, podemos desviar para Harbor Hill ou First Hill.

— Copiado — disse JA, passando por outro grupo de veículos que dirigia a menos de 160 km/h. — Então vamos mesmo voltar para a NTAC?

— A não ser que consiga pensar em outro lugar para fazermos nosso esconderijo — disse Tom. Ninguém tinha uma sugestão melhor.

Os arranha-céus do centro da cidade brilhavam sob o sol da manhã e assomavam-se cada vez mais pertos à medida que o carro continuava seguindo para o norte. Depois de alguns minutos, Diana ficou aliviada ao sentir um aumento na pulsação de Marco. Sua respiração voltou ao normal, e então seus olhos abriram-se levemente.

Rolando a cabeça para os lados para ver onde estava, ele resmungou:

— Acho que conseguimos.

— Por enquanto sim — disse Diana, lançando-lhe um sorriso gratificante. — Mas não estaríamos em lugar algum sem você. Foi uma grande ajuda.

Ele sorriu.

— Foi só um truque que vinha treinando.

Olhando por sobre o ombro, Tom perguntou:

— Como se sente?

— Já estive melhor — disse Marco, estremecendo enquanto sentava-se. — Quem de vocês usou minha cabeça como bastão?

JA sorriu para ele pelo espelho retrovisor.

— Estávamos com medo de que tivesse se machucado feio.

— Nada que um ano nos trópicos não conserte — disse Marco antes de produzir um sorriso fraco. — Mas ficaria feliz com um pouco de aspirina, uma bolsa de gelo e um cochilo.

Inclinando-se para frente e procurando por sabe-se-lá-o-quê nos céus, Tom disse:

— Seu cochilo vai ter que esperar. Tem algo acontecendo, com certeza.

Olhando para fora das janelas, Diana disse:

— Do que está falando? Não estou vendo nada.

— Exatamente — disse Tom. — Quando foi a última vez que viu o céu em Seattle tão vazio assim? Cadê o trânsito usual? Devíamos estar vendo aviões lá no alto.

Marco pressionou o rosto contra a janela traseira do carro e olhou para as faixas azuis entre os arranha-céus que margeavam a I-5.

— Você acha que estão limpando o espaço aéreo — disse. — Preparando o campo de batalha.

A expressão de Tom tornou-se sombria.

— Acho que precisamos de um abrigo, depressa.

 

Olhando para uma parede de telas de televisão na sala de reuniões executivas da Fundação Collier, Jordan viu o momento tomando forma com toda a sua terrível glória.

Ao redor dele, seus conselheiros e assistentes conversavam freneticamente à medida que recebiam as informações. O ar na sala estava pesado com cheiro de corpos sem tomar banho e de hálitos matinais.

Desde as duas horas e meia atrás que o Secretário Estadual o acordara, Jordan não tivera tempo de comer algo ou tomar banho. Mal tivera tempo para colocar uma roupa sem gravata e chamar seu pessoal mais próximo. Agora que todos estavam juntos, ele sentia-se como o chefe enlouquecido de um circo.

— Temos ocorrências de soldados adentrando a Costa Magnólia da Reserva Fort Lawton — disse Gary Navarro, à esquerda de Jordan.

Da sua direita, Kyle acrescentou:

— Tanques estão cruzando a ponte Evergreen Point e a do Lago Washington.

— Pode ser só encenação — interpôs Lucas, o telepata gestáltico, que estava ao lado de vários de seus colaboradores psíquicos. — Outra demonstração vazia de força.

— Muito improvável — disse a assistente de Jordan, Jaime, que abria caminho entre os três homens. — Todo o pessoal da NTAC acabou de deixar Seattle num jato do governo em Boeing Field.

A sala aquietou-se enquanto Jordan digeria estas últimas notícias. Ele olhou para os rostos que o cercavam: para Gary e Kyle, para Jaime e Maia, para Hal e Renata e dúzias deles.

— Não preciso de um xamã ou de pré-cognição para saber o que está para acontecer — disse aos presentes na sala. — Digam a todos que chegou o momento: a batalha pela Terra Prometida começou.

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comentários
  1. Mandy Intelecto disse:

    Muito obrigada!!!!
    Não para….

  2. Aline disse:

    nossa, mas que clichê esse final hahaha.
    cada capitulo mais proximo da guerra.

    obrigada e até a próxima!

  3. Beatriz Machado disse:

    É a Grande Guerra prevista há tempos…. não é só pela Terra Prometida…

    “A batalha pelo Futuro será travada no passado” lembram do Jordan falando isso?!

  4. Eduardo Henrieque disse:

    Bom trabalho o seu, estou seguindo e gostando muito. Parabéns!

    Ansioso para saber o fim de tudo isso!

  5. Roger disse:

    Não Para! não para!

    e viva Jordan Collier

  6. Fábio Magalhães disse:

    Não Para cara 🙂

  7. Paulo disse:

    Valeu pelo texto! Agora estou ansioso, será que vai começar a guerra agora?

  8. Vanessa disse:

    Não pare de traduzir, por favor!!!
    Acabei de ver o último capítulo do the 4400, da 4ª temporada hoje e comecei a ler os capítulos daqui.
    Está muito boa a tradução, mas ainda estou no começo do 1º livro (pelo seu site).
    Achei lamentável a série não ter continuado…
    Obrigada por traduzir os livros e continue com isso.
    Saudações

  9. Drika disse:

    tenho que ler ,não dá pra parar!!

  10. ricardo disse:

    se soubessem desse seu blog, ela teriam dezenas de milhares de acessos diarios. otima traducao

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