The 4400 – Promises Broken (Capítulo 26 traduzido)

Publicado: 6 de fevereiro de 2011 em The 4400

Capítulo 26, traduzido por Helena Padim.

Galera, comentem para garantir a continuação da tradução. xD

VINTE E SEIS

 

10:25 A.M.

— DROGA — DISSE JED. — Está um salve-se-quem-puder lá fora.

Tom observava a desordem estampada nas várias telas da parede e nos monitores dos computadores do centro de crise, e ele tinha que admitir que Jed tinha razão. Seattle havia se transformado num hospício. Arruaceiros perambulavam pelas ruas, destruindo carros e tocando fogo em tudo. Saqueadores quebravam vitrines e pilhavam residências, com ou sem resistência dos donos.

— Quantos desses malucos você acha que são p-positivos? — perguntou Jed, os braços cruzados sobre seu colete preto à prova de balas. — Há pessoas nesses bandos levitando coisas, desintegrando coisas, e fazendo sabe lá Deus mais o quê.

Marco ajustou os óculos, aparentemente considerando a pergunta.

— Dado o êxodo dos p-negativos após a epidemia do cinquenta/cinquenta do ano passado, eu poderia estimar que três quartos dos arruaceiros possuem algum tipo de superpoder.

— Não é de se admirar que a polícia de Seattle tenha sumido de vista — disse Tom, imaginando o pesadelo que deveria ser o cenário atual na perspectiva de um policial comum sem poderes vindos da promicina. Ele abriu uma tira lateral de seu colete para esfregar uma coceira que vinha incomodando suas costelas e a colocou novamente no lugar. — Mesmo os “oficiais da paz” de Jordan parecem estar sendo derrotados — notou ele, observando o que parecia ser um embate entre um oficial psicocinético e um rebelde que podia induzir convulsões com um simples toque.

Sacudindo a cabeça, Jed observou:

— O Corpo de Bombeiros ainda está tentando atender aos chamados? Estou vendo três edifícios prestes a…

Ele foi interrompido por um clarão de luz branca ofuscante, vindo de um monitor que mostrava a imagem longínqua do céu do centro de Seattle. Por um momento, Tom sentiu uma nesga de terror puro em suas entranhas, pois imaginara que aquilo pudesse ser a detonação de uma ogiva nuclear. Então o foco se ajustou na câmera que estava filmando a cena, e os quatro agentes da NTAC viram claramente o feixe de energia cortando o céu, atingindo diretamente o Edifício Collier.

Observando a torre se desfazer em fogo e escombros, tudo em que Tom podia pensar era em Kyle. Do fundo da sala, ele ouviu Diana sussurrar, horrorizada:

— Maia…

O arranha-céu implodiu de cima a baixo, mergulhando para dentro de si até que sua base irrompeu, enterrando vários quarteirões da cidade sob pedregulhos e uma densa nuvem cinzenta. Tom reviveu todas as suas piores lembranças acerca do dia 11 de setembro de 2001. Apesar de seu grande esforço para esconder a emoção, seus olhos queimaram e se encheram de lágrimas.

Jed sentiu-se meio tonto e deixou-se cair em uma cadeira, tudo sem conseguir tirar os olhos da tela.

— Jesus — ele murmurou, parecendo estar em choque.

Tom engoliu em seco e controlou seu medo. Caminhou até Marco e segurou o ombro do rapaz.

— Você me consegue uma linha externa? Celular, fixo, qualquer coisa? Eu preciso ligar para o Kyle, e Diana precisa saber de Maia, agora.

— Vou tentar — disse Marco, digitando nervosamente o teclado de uma estação de comunicação. O monitor lhe deu nada mais do que respostas negativas vermelhas brilhantes. — Nada — disse ele. — O exército cortou as linhas fixas, e estão bloqueando todas as frequências não-militares. — Ele chutou a parede por sob sua mesa. — Estamos completamente incomunicáveis.

— Já chega — disse Diana. Ela pegou sua arma, removeu o pente e o verificou, depois o recolocou, destravando-a e acomodando-a no coldre. — Os policiais estão espalhados, os oficiais da paz de Jordan são inúteis e os militares são parte do problema — ela pendurou o rifle nas costas da mesma forma que Jed havia feito e pegou pentes de munição extras, caminhando decidida para a porta.

Correndo para se colocar na frente dela e levantando uma das mãos, Tom disse:

— Opa! Você não vai lá fora.

— Uma ova que não vou — disse Diana, o olhar feroz e decidido. — Não aguento mais, Tom. Se Maia está viva, se por um milagre, seja ele da promicina ou de Deus, ela conseguiu sair inteira daquele edifício, eu vou achá-la e tirá-la da cidade de uma vez por todas.

— Diana — insistiu Tom, tentando fazê-la entender —, lá fora está literalmente uma zona de guerra. Não temos qualquer cobertura. Até onde sabemos, fomos classificados como alvos. E se Maia está viva, então está rodeada de algumas das pessoas mais poderosas do planeta.

— É fácil para você dizer – respondeu Diana. – Seu filho é um homem feito. Ele pode se virar em uma crise. Maia só tem treze anos, Tom! Ela ainda é uma criança, pelo amor de Deus!

— Eu sei que ela só tem treze anos, mas eu dificilmente a chamaria de criança, Diana. Você não a viu naquela reunião com Jordan. Ela se vira melhor do que muitos adultos que conheço.

Não parecendo nem um pouco convencida pelos argumentos dele, Diana disse:

— Você tem três escolhas, Tom. Pode vir comigo. Pode ficar aqui — ela o encarou sem pestanejar.

Depois de alguns segundos de silêncio tenso, ele perguntou cautelosamente:

— Qual a terceira opção?

Ela pegou a pistola e apontou para o rosto dele.

Ele recuou com um passo largo, depois saiu do caminho e a deixou passar. Ela passou por ele, vestida para matar, e saiu sem nem ao menos olhar para trás.

Tom a observou, então virou-se para Marco e Jed.

— Vocês sabem que ela é maluca, não é? — Os outros dois homens concordaram com a cabeça. — Quero dizer, não estou errado quanto a isto, estou? — Seus amigos sacudiram as cabeças. — Taticamente falando, ficar aqui é a opção mais segura. — Mais concordâncias com as cabeças.

Ele olhou na direção das telas de vídeo e viu toda a confusão de cinzas, poeira e fumaça encobrindo o centro de Seattle. As hordas fugitivas de civis, as fogueiras furiosas, a desordem nas ruas, os helicópteros Black Hawk entrando no espaço aéreo da cidade sem resistência do pessoal de Jordan.

Por um minuto bastante longo, ele não conseguiu entender se a sensação que consumia suas entranhas era seu senso de dever, um sentimento de culpa ou uma nova úlcera péptica.

Então ele pegou a arma, verificou a munição e a acomodou no coldre. Colocou dois pentes do rifle nos bolsos de seu colete, caminhou até a porta e voltou-se para olhar para Jed e Marco.

— Vocês sabem que eu tenho que ir com ela, certo?

Os dois homens concordaram com a cabeça, solidários.

— Tomem conta do forte — disse Tom. — Nós voltaremos.

 

 

10:56 A.M.

— Alguém pode me explicar exatamente por que diabos nossos satélites têm sistemas de autodestruição?

Keith Bain, o Secretário de Defesa, encarou os chefes adjuntos do Estado Maior e vários membros graduados da Inteligência americana que se encontravam na sala de reuniões do Pentágono, e esperava que não houvesse resposta para sua pergunta. Ninguém parecia ter pressa em falar.

Então, num tom irritado, o General Wheeler, da Aeronáutica, disse:

— Nós usamos isto para evitar engenharia reversa. Se um inimigo captura uma das nossas aves, nós acabamos com ela.

— Isto alguma vez foi necessário? – perguntou Bain para o homem magricelo que, aos cinquenta e um anos de idade, era o mais novo dos graduados.

Wheeler ergueu o olhar com um comedimento exausto.

— Ainda não, senhor secretário.

Bain concordou com a cabeça.

— Isto é altamente inspirador de confiança, general. Seria ainda mais impressionante se toda a nossa rede de satélites tivesse sido reduzida a ferro-velho espacial.

Olhando para os demais, Bain continuou:

— Alguém verbalize para mim: qual o tamanho do dano que acabamos de sofrer?

O Almirante Kazanski respondeu:

— Aqueles satélites eram a base de nosso Sistema de Posicionamento Global1 — todos os olhos voltaram-se para o elegante e grisalho oficial. — Sem eles, nossos navios, aeronaves e unidades terrestres serão forçados a contar com instrumentos de navegação menos precisos. Também não poderemos garantir a acuidade de qualquer sistema de armas teleguiadas, como os mísseis cruzadores.

— Podemos compensar isto — acrescentou o General Hirsch, chefe do exército, de cabelos grisalhos e papeira farta. – As armas guiadas por laser não serão afetadas.

— Mas elas ficarão dependentes de pessoal de prontidão em posições distantes – disse Kazanski. — O que por sua vez limita nossas opções de escolha de alvo e área operacional.

O Secretário de Defesa tomou um gole de seu café preto e fez uma careta por causa do gosto amargo.

— E quanto ao SIGINT2?

— A Agência de Segurança Nacional ainda tem controle sobre tudo o que circule por linhas fixas ou centrais telefônicas — respondeu o General Braddock, o comandante de queixo quadrado dos Fuzileiros Navais dos Estados Unidos. — Mas nossa habilidade para captar ligações do ar está desativada. E o que quer que tenha abatido nossas aves também embaralhou os computadores centrais – ele acenou com a cabeça na direção dos diretores da CIA e do FBI. – O que deixa vocês, rapazes, completamente sem sorte, também.

Um civil magro e alto, com cabelos grisalhos curtinhos e um bigode escovinha, informou:

— A NRO3 também foi atingida, o que significa que a maior parte do nosso rastreamento de navios, submarinos e aeronaves estrangeiras está desativada. — Forçando um olhar quase que de desculpas para o General Wheeler, ele acrescentou: – E, a menos que eu esteja errado, General, o NORAD4 perdeu seu sistema de alerta de mísseis.

A sala inteira voltou-se para o chefe da Aeronáutica, que se remexeu desconfortavelmente na cadeira.

O Secretário Bain fixou um olhar gélido no homem.

— É verdade, general? Estamos atualmente sem uma defesa adequada contra um possível ataque nuclear?

Depois de uma pausa que serviu apenas para aumentar a tensão na sala, Wheeler falou:

— Sim, senhor. Por enquanto, temo que sim.

— Maldição — disse Bain, arqueando suas sobrancelhas, em descrédito. Ele massageou a testa, e então perguntou a Kazanski: — Almirante, temos uma linha fixa para nos comunicar com a NS Everett5?

— Sim, Senhor Secretário — ele colocou a mão no telefone diretamente em frente a eles. — Estão de prontidão nesta linha para novas ordens.

— Bom — disse Bain. — Diga-lhes para passar as ordens para o General Maddow: a Operação Stormfront está autorizada. Posicione todos os soldados de Seattle imediatamente. Nós vamos retomar a cidade.

Notas:

1 Sistema de Posicionamento Global, ou Global Positioning System (GPS), é um sistema de informação eletrônico que fornece via rádio a um aparelho receptor móvel a posição do mesmo com referência às coordenadas terrestres.

2 SIGINT – abreviatura de signals intelligence, é o termo inglês usado para descrever a atividade de coleta de informações ou inteligência através da interceptação de sinais de comunicações entre pessoas ou máquinas.

3 NRO – National Reconnaissance Office – agência americana de inteligência que projeta, constrói e opera os satélites espiões do governo americano.

4 NORAD – North American Aerospace Defense Command é uma organização binacional que fornece alertas aéreos, vigilância espacial e defesa para o Canadá e os Estados Unidos.

5 NS Everett – Naval Station Everett – é a base naval mais moderna da Marinha Americana, localizada perto da cidade de Everett, a 40 km de Seattle.

 

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comentários
  1. Alexandre disse:

    O que será que vai acontecer? Algumas coisas me deixaram preocupado, tais como positivos vândalos. Quanto a Tom eu acho que ele não vai sair da cidade, nem Diana. Acho que Maia e Kyle não võa querer abandonar a guerra e o jeito será se ajuntarem a Jordan.

    Quem sabe não é agora que Tom tomará a promicina? e qual seria sua habilidade? Talvez até Diana tbm…

    fico esperando… parabéns Vinícius

  2. Aline disse:

    OMG!!

    que venha o 27.

    vlw pela tradução e até a próxima.

  3. Beatriz Machado disse:

    To anciosa para o próximo, tá pegando fogo a estória!

    Eu tbm to achando que o Tom e a Diana vão ter q se aliarem à Guerra, pq seus filhos não vão abandonar. E, realmente, chegou a hora do tom tomar a injeção da Promicina.

    A Diana foi exposta anteriormente à Promicina, em testes e acabou se tornando imune, ela vai pela inteligência e garra mesmo.

    Aguarando o próximo capítulo

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