The 4400 – Promises Broken (Capítulo 27 traduzido)

Publicado: 12 de fevereiro de 2011 em The 4400

Olá, pessoal.

A tradução de Promises Broken está quase pronta, e eu gostaria muito que, mesmo depois que todos os capítulos forem publicados, vocês continuassem a visitar meu blog. Para isso, eu tive uma ideia: que outros livros em inglês que não foram traduzidos vocês gostariam de ler? Eu tenho uma série de livros inéditos no Brasil que acho que algumas pessoas gostariam… Se vocês aceitarem a ideia, posso publicar uma sinopse deles aqui depois. Por enquanto deixem nos comentários sugestões de livros, ou qualquer outro tipo de sugestão com relação ao que vocês gostariam de ver aqui no blog, que eu tentarei atendê-las. xD

Confiram agora o capítulo 27 de Promises Broken, traduzido por Vinícius Fernandes.

VINTE E SETE

11:08 a.m.

KYLE SÓ SENTIA O GOSTO DE POEIRA. Ele tinha seguido Jordan e seu pequeno, mas crescente, grupo de sobreviventes quando haviam começado sua caminhada saindo da caída Fundação Collier, mas a nuvem de cinzas pelo ar espalhava-se mais rápido do que eles andavam. Agora a neblina cinza-escura pairava sobre a cidade como uma redoma suja e enchia a boca de Kyle com um pozinho grudento.

Tossindo e lutando por ar, quase não ouviu quando Cassie chamou seu nome. Piscando por causa da poeira no ar, ele a viu chamando-o para o canto da estrada.

— Venha comigo — disse.

Ele se afastou do grupo de Jordan e cambaleou na direção de Cassie.

Sua projeção era impecável. Uma das vantagens de ela só existir na minha cabeça, pensou Kyle com uma pontada de ciúmes.

— Por aqui — disse ela, puxando-o através da nuvem de poeira. Ele ainda não entendia como conseguia “senti-la” quando ela não estava realmente ali, mas o que lera alguns meses antes – assim como vira Matrix diversas vezes – o fizeram pensar que era alguma parte de sua mente tentando enganar-se e fazendo-se acreditar que ela era real.

Ela o levou até uma porta coberta de fuligem, que se abriu quando ele a forçou.  Ele viu-se em uma pequena escada fechada dos três lados por paredes de vidro que tinham se tornado opacas devido aos restos humanos pulveridados.

Olhando para cima, ele piscou para limpar os olhos e percebeu que a escadaria pertencia a um estacinamento de vários andares. Vozes ecoavam de algum lugar lá em cima, provavelmente as de outros sobreviventes usando a garagem como abrigo.

Ele virou-se e encarou Cassie, que encostou-se à parede olhando-de de volta com uma expressão presunçosa.

— Ora, ora — disse Kyle. — Se não é o meu demônio interno em pessoa.

— Oh, sinto muito — respondeu Cassie com um falso arrependimento.— Prefeira estar tossindo até as tripas lá na rua? Não seja por isso. Vaya com Dios.

— Tudo bem — disse Kyle acenando com uma mão enquanto usava a outra para apoiar-se ao joelho e dobrar-se a fim de tossir mais algumas vezes. — Obrigado pelo intervalo. — Ele guspiu a sujeira da boca e então se levantou. — O que você quer?

Com falsa indignação, Cassie respondeu:

— Quem disse que quero algo?

— E quando não quer?

Ela aproximou-se dele com um sorriso malicioso.

— Talvez só queria te manter seguro — disse, em tom de provocação. — Afinal de contas, eu não seria nada sem você. — Alisando o rosto sujo dele com as pontas dos dedos, ela acrescentou: — E vice-versa.

Kyle congelou enquanto os dedos frios de Cassie contornavam sua mandíbula, percorriam seu pescoço abaixo e por fim deslizava pela frente de sua camisa. Ele sabia, por experiências passadas, que era quase impossível resistir ao charme da moça. Quando queria manipulá-lo, ela tinha a habilidade de fazer-se irresistível. O olhar em seus olhos azuis, o brilho de seus cabelos vermelhos, e o som de sua voz contribuíam para torná-lo um fantoche indefeso.

Não desta vez, decidiu ele.

— Chega — disse, dando um passo para o lado a fim de livrar-se momentaneamente de seu feitiço de sedução. — Vá direto ao assunto.

— Eu estava tentando — disse ela com um sorriso provocativo.

— Você não me trouxe aqui para uma rapidinha — rebateu ele.

Ela desabotoou um botão de seus jeans.

— Tem certeza?

— Me avise quando for falar sério — disse ele abrindo a porta e deixando entrar uma nuvem de poeira.

— Beleza — disse ela, batendo a mão na porta e fechando-a novamente. — Pensei que podíamos juntar trabalho e prazer, mas você não está mesmo no clima.

Levantando os braços ao lado corpo e lançando um olhar assustado a suas roupas coberta de fuligem, ele resmungou:

— Nossa, e por que será?

— É hora de começar a fazer umas mudanças.

Percebendo a gravidade na afirmação dela, ele olhou-a cautelosamente.

— Mudanças onde?

— No Movimento — disse Cassie. — Ele está caindo. Você consegue ver isso, não consegue?

Ele andou pela escadaria e franziu o cenho.

— Não está exagerando muito?

— Você sabe do que estou falando — disse sua alucinação ruiva. — A Marinha atira um missíl em Jordan, e ele revida com uma coletiva de imprensa. Eles estraçalham sua sede, e ele destrói alguns satélites. — Ela ficou em frente a Kyle e aproximou seu rosto do dele, como se estivessem discutindo algo. — Ele não está jogando para ganhar, Kyle. E, numa guerra, se você não joga para ganhar, perderá com certeza.

Dando as costas a ela, Kyle respondeu:

— Eu tentei dizer isso a ele. Você estava lá. Ele não quer ouvir.

Enquanto Kyle dirigia-se até janela acinzentada, Cassie insistiu:

— O Jordan não ouve ninguém além de si mesmo. Sabe quantos dos nossos morreram na queda do prédio? — Ele a ouviu caminhando atrás de si, então sua voz estava logo atrás de seus ombros. — O Jordan não é o líder de que o Movimento precisa, Kyle. Em tempos de guerra, precisamos ter no controle alguém que não tenha medo de usar força. Alguém que esteja disposto a sujar as mãos.

Os dedos delas apertaram firmemente, mas com gentil intimidade, seus ombros, e ele virou pare encará-la.

— É a sua vez, Kyle. É hora de você dar um passo e liderar o Movimento.

Kyle sentiu um arrepio à mera sugestão.

— O quê? Não! Eu não quero tomar o comando.

— Não seja tão egoísta, Kyle. Isso não tem a ver com o que você quer, tem a ver com o que o Movimento precisa.

Ele sentia-se tonto.

— De jeito nenhum. Isso é loucura — disse. — A última coisa que o Movimento precisa é de uma luta pelo poder. Além disso, mesmo que eu desafiasse Jordan, quem seria louco de me seguir?

Beliscando o queiro dele com o indicador e o polegar, Cassie sorriu e disse:

— Bobinho! Não estou dizendo que devíamos fazer uma votação. São tempos de guerra. Coisas ruins acontecem. Jordan podia muito bem encontrar um fim com a bala de um atirador de elite… — Ela soltou o queixo dele e deu um apertão carinhoso na ponta de seu nariz. — Adivinha quem seria o próximo da fila para levar o Movimento à vitória?

Eles se encararam de olhos bem abertos – os dela com exasperada ambição, os dele com um terror mudo.

— Não — disse ele balançando a cabeça. — De jeito nenhum que eu…

— Mentiroso — disse Cassie, suas palavras saindo apressadas por entre seus lábios. — Você já fez isso uma vez… — Ela abaixou-se à frente dele enquanto acrescentava: — Consegue fazer de novo.

Congelado no lugar em que estava, tudo o que ele conseguiu fazer foi negar inconvincente.

— Mas não era eu atirando no Jordan… Eram os Marcados. Eu era só um fantoche.

— Eu sei — disse Cassie, abrindo o zíper das calças do homem. Ele fechou os olhos e fingiu não estar sentindo o aperto suave de seus dedos ou o som abafado de sua respiração enquanto sussurrava: — Mas tenho certeza que você se lembra como se faz…

 

Diana via as chamas dançando dentro das carcaças de carros que tinham sido abandonados em quase todas as ruas do centro de Seattle.

Uma neblina dourado-amarronzada tornava difícil a visão a mais de dez metros à frente, forçando-a a dirigir lentamente em meio aos sobreviventes atordoados que perambulavam. O efeito caleidoscópico das lágrimas em seus olhos só fazia piorar. O cheiro acre de cabelo e ácido queimado serpenteava pelas aberturas do carro e a fazia tossir, então segurar a respiração.

Ao lado dela, Tom sentava-se inclinado para frente, sua testa quase tocando o parabrisas. Ele espiava através do arco feito pelo limpador na sujeira que cobria o carro, procurando qualquer sinal de alguém que parecesse com Maia. Suas mãos estavam sob o porta-luvas, segurando sua pistola semiautomática, pronto para reagir a qualquer ameaça.

Aos dois lados do carro, saqueadores – alguns usando máscaras e óculos de esqui, outros usando máscaras militares de gás – emergiam das lojas com seus braços carregados do máximo de coisas que conseguiam carregar. Diana olhava para eles com desprezo.

— No meio de uma zona de guerra e tudo o que essas antas conseguem pensar é em ter uma TV nova — disse ela desviando de um bando de ladrões portando grandes caixas de papelão.

Tom riu.

— Se você quiser atropelar alguns deles, pra mim tá tudo bem.

— Não me tente — disse Diana sentindo-se genuinamente homicida.

Viraram uma esquina a alguns blocos de distância da antiga localidade da Fundação Collier. O nevoeiro era mais denso ali. A sujeira fazia barulho por baixo do carro enquanto Diana dirigia em meio a grandes blocos de concreto de onde saíam barras de ferro tortuosas. Ela ouviu um arranhão quando uma das protrusões deixou sua marca no canto do Sedan.

Outra curva levou a mais uma rua tomada pela chuva de cinzas, mas o nevoeiro era mais claro, iluminado pelo sol vespertino.

Diana pisou no freio.

Algumas sombras formaram-se na parede de poeira. Silhuetas na fumaça pálida, figuras humanas de todas as formas e tamanhos caminhavam na direção do carro de Tom e Diana.

Para ela, era um momento de déjà vu. Sua mente voltou para o dia da chegada dos 4400, quase quatro anos antes nas margens de Highland Beach. De uma espessa bola de névoa que rolava sobre as águas cristalinas do lago, quatro mil e quatrocentas pessoas – algumas que tinham estado desaparecidas por anos, outras por décadas – haviam aparecido de uma bola de luz, sem memórias de sua abdução e sem explicações para o seu retorno.

Ela abriu a porta e saiu do carro.

— Diana! — gritou Tom, mas ela o ignorou e afastou-se de sua porta para ficar em frente ao veículo.

Às suas costas, ouviu a porta de Tom abrindo-se. Um momento depois, ele estava ao lado dela, estremecendo e enrugando o rosto ao nevoeiro de um cheiro desagradável.

Juntos, os dois viram seres humanos aparecerem da penumbra de poeira, que pintara suas vítimas com um uniforme fantasmagoricamente cinza. Mesmo cobertos pela cor, rostos familiares apareceram.

À frente da multidão estava Jordan Collier.

Atrás dele vinha Gary Navarro.

E protegida em seus braços fraternais estava Maia.

Diana correu para frente. Maia soltou-se de Gary e correu para os braços de sua mãe. Envolvendo a filha num abraço apertado, ela choramingou aliviada:

— Graças a Deus, Maia!

Por entre soluços desesperados, ela disse:

— Disseram que você tinha ido embora! Hoje de manhã, no avião!

— Não, querida — disse Diana, passando a mão no cabelo obscurecido pelas cinzas de Maia. — Queriam que eu fosse. Mas eu nunca a deixaria. Nunca.

Ela permaneceu assim por um tempo, grata por estar segurando a filha nos braços mesmo enquanto o mundo caía aos pedaços ao seu redor. Então percebeu que Jordan e seus seguidores haviam parado na rua e estavam observando as duas.

Jordan dirigiu-se a elas sombriamente.

— Maia — disse ele. — Precisamos continuar.

— Eu sei — ela disse desprendendo-se do abraço de Diana.

Gary começou a caminha, seguindo para nordeste, liderando a multidão que passou por Diana, Maia, Tom e Jordan.

— Espere, não! — protestou Diana. — Maia, você tem que vir comigo, querida. Precisamos voltar à NTAC até que tudo isso se resolva.

Maia balançou a cabeça.

— Não, mãe. Meu lugar é com meu povo.

— Nós precisamos dela, Diana — disse Jordan. — Ela previu o ataque em nossa sede, e ela sabe onde os soldados modificados irão atacar. A cidade inteira é um alvo agora, e a NTAC não é exceção.

Quando os sobreviventes pálidos passavam ao lado dela, Diana jogou sua fúria em Jordan:

— Pelo menos a NTAC tem como se defender! Traga seu povo; podemos ajudar.

— Paredes espessas não vão nos salvar desta vez — disse Jordan. — Todos do meu povo que têm habilidades que podem ser usadas em combate foram enviados para encontrar os soldados. O resto está vindo comigo para encontrar abrigo.

Enquanto Diana lutava para controlar sua raiva e procurava palavras para convencer Maia, Tom se colocou entre ela e Jordan.

— Você viu o Kyle? — perguntou o homem. — Ele sobreviveu ao ataque?

— O Kyle está bem — disse Jordan. Com um aceno para a multidão que passava, acrescentou: — Se quiser esperar, tenho certeza que ele passará cedo ou tarde. — Com um toque gentil, ele puxou Maia para continuar andando ao seu lado quando recomeçou a caminhada. — Vamos.

Tom ficou para trás enquanto Diana corria ao lado de Maia.

— Querida, por favor — disse a mulher. — Não faça isso. Você tem que vir comigo. Não é seguro aqui fora.

— Nenhum lugar é seguro — disse Maia. — Mas estou mais segura com meu povo do que com o seu. — Ela aproximou-se e segurou as mãos de Diana enquanto as duas andavam lado a lado. — Venha conosco. Nós vamos te proteger.

Ela desejava desesperadamente que pudesse fazer Maia compreender.

— Não posso fazer isso, amor. Tenho um dever com a NTAC… — Ela lançou um olhar por sobre o ombro enquanto sua voz enfraquecia. O silêncio que se seguiu encobriu seu pensamento não expresso: E um dever com o Tom.

— Eu entendo — disse Maia. — Você tem seu dever, e eu tenho o meu. — Ela olhou para Diana com um semblante surpreendentemente maduro. — Não se preocupe — continuou. — Nós vamos nos ver antes que isso acabe. Eu prometo.

Maia soltou a mão de Diana.

Diana parou de andar e a deixou ir. Em poucos segundos, sua filha desapareceu nos restos da destruição âmbar, cercada pelo recém-criado exército de fantasmas de Jordan.

Passaram-se minutos sem que uma palavra fosse dita. Tom parou ao lado dela, e eles observaram o brilhante véu de poeira.

— Nós criamos nossos filhos para que um dia os deixemos viverem a própria vida — disse Diana. — Mas como posso me desprender?

Tom enrugou a testa.

— Se um dia eu descobrir, te aviso.

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comentários
  1. Aline disse:

    cassie do mal!! sempre soube!!

    bem, quanto a sua ideia, eu achei bem legal. não sei de nenhum livro esperando por versão nacional, mas o que vc decidir traduzir – contando que não seja sobre romance – pra mim tá ótimo.

    obrigada pela tradução e pela iniciativa de trazer mais da literatura estrangeira pra cá.

    um abç e até a próxima.

  2. Alexandre disse:

    Muito bom vinícius… mas ainda não me satisfiz. Queria que este capítulo fosse maior.
    Tem alguns errinhos na digitação, se puder revisar a tradução.

    Fiquei tão empolgado lendo que até esqueci de “separar” os trechos

  3. Francisco Eduardo Silveira disse:

    Olá, amigo.

    Parabéns pelo trabalho! Você teve uma idéia magnífica, e com certeza muito trabalho para chegar até aqui.

    Muito obrigado mesmo por postar os dois livros que completam a série para nós. Eu salvei ambos em .docx para poder ler com mais tranquilidade, por isso só comento agora.

    Deixo aqui já à disposição meu oferecimento de ajuda. Posso ajudar-lhe a traduzir livros da língua inglesa. Faço isso por que se todos que puderem ajudar o fizerem, no final, teremos muitos livros de certa forma até raros a nossa disposição na língua portuguesa, e para você fazer isso tudo sozinho… É complicado. De qualquer forma, se você traduz e-books em inglês eu posso te ajudar com isso. Basta me mandar um e-mail.

    francisco.silveira.np@gmail.com

    Abraços e muita força na sua jornada! ^^

    • brenooficial disse:

      Olá, Francisco.
      Obrigado pelo comentário e por oferecer ajuda. Na verdade, eu não fiz este trabalho (que ainda não está completo) sozinho. Tive ajuda da Helena, que traduziu alguns capítulos também.

      Bom, quanto a você ajudar, acho uma boa ideia. xD
      Verei os próximos livros que postarei aqui e assim que souber te mando… Só estou esperando sugestão do pessoal, porque são poucos os que comentam, apesar das várias visitas ao blog.

      Abraços.

      • Francisco Eduardo Silveira disse:

        Tranquilo cara. Para mim vai ser um ótimo exercício.
        De qualquer forma, a moral mesmo é traduzir livros que não são achados tão facilmente por aí, como estes dois do The 4400. Eu procurei por tudo algum ebook mesmo que em ingles dos quatro livros feitos baseados na série, mas não achei nenhum… Por isso achei que você tinha de alguma forma os livros fisicamente.
        Enfim, acabou que eu só achei os livros postados aqui no seu blog, e cá estou eu… ^^

  4. Roger disse:

    Mais uma vz, parabens a ese trabalho brilhante, estao de parabens

    e sobre o andar da historia… pq os governos sempre conseguem piorar o q ja estava ruim? lol

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