The 4400 – Promises Broken (Capítulo 29 traduzido)

Publicado: 26 de fevereiro de 2011 em The 4400

Capítulo traduzido por Vinícius Fernandes. Comentem!

VINTE E NOVE

10:45 A.M.

 

ERA O MOMENTO pelo qual Dennis Ryland estivera esperando.

Cada canal de TV a cabo por que ele passava mostrava imagens de caos e inquietação em Seattle. Um buraco no céu do centro da cidade espalhava uma fumaça negra pelo local. Moradores em pânico, ladrões que aproveitavam a oportunidade e pessoas descontentes se misturavam nas ruas imundas causando confusão.

Ele tomou um gole de café e sorriu.

Assim está melhor, pensou enquanto engolia a bebida.

Ainda o chateava saber que seu escritório no antigo Edifício Haspelcorp se fora, reduzido a cinzas e escombros por um raio de calor vindo do espaço, mas esse era o preço da guerra. Uma quantia pequena a pagar se isso convencer o presidente a deixar-me livrar o mundo dessa ameaça de uma vez por todas, disse a si mesmo.

Do lado de fora da janela, Tacoma era o retrato perfeito de uma serenidade monótona. Tirando o fato de que a televisão mostrava notícias de uma guerra civil a menos de vinte minutos de distância dali, era um dia perfeito de verão na tediosa Seattle. Dennis considerou esperar até depois do almoço para tirar proveito da crise na Terra Prometida, mas então pensou melhor.

Aproveite o momento, decidiu. Ele caminhou até sua mesa, depositou o café nela e acomodou-se na cadeira. Seus dedos digitaram a senha para que pudesse conectar-se ao laboratório de pesquisa secreto da Haspelcorp. Pouco depois, o sistema confirmou a senha. Ele usou a interface gráfica para iniciar um canal de vídeo com o laboratório.

Uma roda de animação substituiu o cursor em seu monitor. Enquanto ela girava, a palavra CARREGANDO apareceu logo abaixo.

Dennis soltou um suspiro e imaginou o olhar perplexo que seu chefe Miles teria ao descobrir como investira o orçamento de pesquisa da empresa nos últimos três meses. Então ele deixou-se sonhar por um momento sobre os altos cargos no governo que estariam novamente ao seu alcance assim que a Casa Branca soubesse que ele sozinho achara uma solução para o problema mundial da promicina, ao mesmo tempo em que poupava o mundo de uma guerra sangrenta e sem precedentes.

Eu poderia ganhar um cargo no gabinete, disse a si mesmo. Talvez até mesmo um diplomata. Era até engraçado pensar em si como um embaixador ou nas pessoas dirigindo-se a ele como “Vossa Excelência”. Decidiu-se: queria ser o embaixador dos Estados Unidos nas Bahamas.

A rodinha na tela ainda girava.

Por que está demorando tanto, ponderou. Ele tirou um cigarro do maço em sua gaveta, acendeu-o, inalou e soltou uma pluma de fumaça branca e de cheiro forte na direção do monitor.

O canal terminou de carregar. A rodinha desapareceu e o cursor voltou. Uma imagem em movimento preencheu a tela.

A princípio estava escuro demais para que Dennis pudesse ver os detalhes. Ele pensou que o laboratório talvez estivesse no modo noturno, desligado enquanto os cientistas descansavam.

Então ele viu as chamas. Pequenas flamas de fogo laranja despontavam do fundo da tela, formando silhuetas de máquinas quebradas ao fundo.

Dennis aumentou o brilho na tela e mexeu no contraste para que pudesse melhorar a imagem.

O laboratório tinha sido destruído. Parecia que alguém havia detonado uma bomba lá dentro. Todos os computadores estavam em pedaços. Todos os equipamentos de alta tecnologia e super caros que ele conseguira com muito risco e por um preço relativamente alto estavam reduzidos a tralhas flamejantes.

Ele foi passando pelos vários canais de vídeo do sistema interno de segurança do laboratório e ficou agradecido pelo sistema de câmeras não ter sido atingido por uma calamidade como aquela.

Mas o que aconteceu?, sua mente encheu-se de especulações. Teria o laboratório sido atacado pelo povo de Jordan? Seria espionagem? Teria o governo americano rastreado a movimentação de materiais sensíveis e destruído o local em nome da segurança nacional?

Enquanto essas perguntas circulavam, e o pânico e histeria aumentavam, ele foi rapidamente passando pelos canais de vídeo do laboratório, tentando imaginar o que poderia ter acontecido naquele deserto.

Quando terminou, percebeu que o que achava mais intrigante eram coisas que ele não tinha visto.

Não havia visto o corpo de nenhum dos cientistas.

Não havia visto o corpo de nenhum atacante.

E não havia visto nem um sinal do aparelho que o trio de cientistas estivera montando.

Ele abandou suas teorias e agarrou-se a apenas uma, fixando sua mente na única explicação cabível dadas as evidências: os cientistas e a invenção tinham sumido, e o laboratório fora destruído por um incêndio provocado.

Sentindo seu sangue fervendo cada vez mais à medida que tragava seu cigarro, Dennis fechou o punho esquerdo e apertou a mandíbula enquanto encarava a verdade.

Os filhos-da-mãe me sacanearam.

Então um sentimento incômodo de pavor o fez pensar no por quê. Será que os cientistas queriam roubar sua glória revelando o neutralizador de promicina sozinhos? Parecia improvável. Se estivessem planejando entregar o aparelho ao governo, por que se dar ao trabalho de ter Dennis os patrocinando com a Haspelcorp para conseguir um laboratório secreto?

Talvez queiram vender, pensou Dennis. Mas quem compraria isso? Algum governo de fora? Outra corporação?

Nada daquilo fazia sentido para ele. Só o que sabia com certeza era que, se não recuperasse o aparelho logo, aquilo custaria seu emprego – provavelmente muito mais – quando Miles descobrisse que o laboratório no deserto fora destruído.

Distraído demais para fumar ou saborear seu café, ele apagou o cigarro na xícara. A bituca mergulhou nas borras com um silvo débil.

Não posso pedir que a divisão de segurança da empresa me ajude a recuperar o aparelho, pensou ele. Eles teriam que preencher um relatório com a bancada, e aí eu ia me ferrar. Não posso contar com a polícia nem com os Federais. Mas ninguém mais tem recursos o suficiente para achar algo assim rápido…

Seus olhos percorreram os enfeites nas prateleiras de seu escritório e então voltaram para a TV na parede. Os canais de TV a cabo iam passando, pela milésima vez aquela manhã, repórteres falando por toda Seattle.

Foi aí que Dennis percebeu o que tinha que fazer, e a quem tinha que pedir ajuda, enquanto ainda tinha tempo de salvar a própria pele.

Desgostoso, mas devidamente impressionado pela ironia da situação, xingou Deus silenciosamente enquanto ria sonoramente.

Ele tinha que voltar à Terra Prometida.

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comentários
  1. alexandre disse:

    ?????
    Ele vai pedir ajuda ao Tom ou ao Jordan???

    confesso que agora estou muito confuso

  2. Rodrigo disse:

    estou um pouco confuso tb…

    mas parabéns pelo trabalho ^^

  3. Beatriz Machado disse:

    Bem feito pro Dennis, tomou um belo golpe e está ‘engessado’

  4. Aline disse:

    hahaha
    ryland se f****!
    morri de rir agora…

    jordan ajudando dennis???
    o mundo tá mesmo acabando….

    vlw pela tradução e até a próxima.

  5. Roger disse:

    bem feito pra esse fdp, rs

  6. Lillian disse:

    Caramba, que tensão! Esse final está cada vez mais estranho, apesar de por ser o único jeito, ser um pouco previsível.
    Valeu Vinicius e equipe, mto obrigado pelo trabalho!

  7. Monalisa disse:

    Excelente trabalho Vinicius!
    Por mais tempo que a série tenha “acabado”, ainda fico fascinada por esse universo.
    Ansiosa pro proximo capitulo ^^

  8. Drika disse:

    Quero ver pra quem Denis vai pedir ajuda.

  9. Muca velasco disse:

    Acho q ao Tom!

  10. Lidianne disse:

    Acho que a Isabelly está viva e é a ela que ele vai pedir ajuda… Sei lá! Mas tenho essa sensação que ela ainda está viva. Afinal, o Tom tem que mata-la. Acho que ela sobreviveu e voltou a ser do mal.

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