The 4400 – Promises Broken (Capítulo 34 traduzido)

Publicado: 20 de abril de 2011 em The 4400

Vou adiantar o post do fim de semana (prolongado! \o/). Capítulo traduzido por Helena Padim.

Só uma coisa antes que eu coloque o capítulo: pessoal, cadê os comentários? Só tive 3 no último capítulo publicado, e o número de visitas no post era “enormemente” maior que três. Comentem para garantir a continuação da tradução!

Bom feriado a todos!

TRINTA E QUATRO

 

 

1:21 P.M.

DEPOIS DE ONZE HORAS no banco do motorista, Jakes mal conseguia sentir seu traseiro. Havia se tornado dormente horas atrás em algum ponto entre Salt Lake City e Ogden, Utah. Ele entretanto não se importava, uma vez que o formigamento era tudo o que sentira desde que cruzara a fronteira Nevada-Utah.

            O culpado sou eu mesmo, censurou a si próprio. Eu deveria ter verificado se o ar condicionado dessa geringonça funcionava antes de partir.

            Ele olhou de relance para seu braço esquerdo, apoiado na porta, o cotovelo para fora da janela aberta. O sol havia imprimido um forte bronzeado em sua pele; seu membro esquerdo agora estava dois ou três tons mais escuro que o direito. Um frentista em Steptoe, Nevada, havia dito que era um “bronze de motorista”.

            Nuvens cinzentas haviam começado a carregar o céu logo depois que Jakes passou por Salt Lake City, dando a ele um certo alívio em relação ao implacável bombardeio de radiação solar ultravioleta. Seguindo para o norte na bifurcação da Interestadual 15, em direção a Idaho, ele olhou para cima e ao redor. O céu tinha cor de água suja, e a atmosfera úmida cheirava a chuva.

            Como sempre, não havia nada a não ser porcarias no rádio.

            A estrada cortava a paisagem de Idaho quase que totalmente em linha reta. Havia duas faixas rumando para o norte e mais duas para o sul. Entre as duas pistas da estrada havia um canteiro largo e raso, cheio de arbustos de deserto e pedras soltas.

            Ladeando a rodovia, havia vastas planícies onde se alternavam mato alto e solo esturricado, marcadas aqui e ali por pequenas árvores. Além das planícies erguiam-se suaves colinas cobertas por arbustos secos, alinhadas uma após a outra, formando longas paredes de terra. Não importa o quanto avançasse, parecia sempre a mesma paisagem para Jakes.

            Por um pequeno milagre, a função de busca do rádio encontrou uma estação cuja música Jakes não odiava de todo, e ele ficou nela. Apesar de sua estadia no passado ser relativamente recente, havia aprendido a apreciar a cultura americana do início do século XXI, bem com sua comida e seu cinema, mas especialmente sua música, a maior parte da qual já havia sido perdida em seu tempo. Ele batucou as mãos no volante, acompanhando o ritmo.

            Parecia vergonhoso relegar tantas criações da humanidade ao esquecimento, mas sua missão não lhe permitia o luxo do sentimentalismo. Ele não podia mais se permitir continuar ligado àquela invejável e privilegiada era da civilização humana, assim como um pecuarista não poderia ter compaixão por animais levados pela necessidade para o abate. Para que o futuro de Jakes sobrevivesse, aquela época de busca pelo prazer teria que ser eliminada.

            O barulho de uma sirene entrecortou a música.

            Jakes olhou pelo retrovisor. Giroscópios vermelhos e azuis se aproximavam rapidamente. Ele reconheceu as linhas brancas em “V” do carro da Polícia Estadual de Idaho que o perseguia, e amaldiçoou a si próprio por ter sido descuidado. Em meio à música, o ronco do motor e o zumbido monótono da estrada passando sob o carro, ele havia desviado a atenção do lugar em que estava e do que estava fazendo.

            Ligou a seta para a direita, reduziu, entrou no acostamento e parou sua picape. A viatura parou a alguns carros de distância, atrás dele. Jakes desligou o motor e o rádio, e então esperou com as mãos no volante e o cinto de segurança ainda travado.

            O som de uma porta de carro se abrindo, seguido pelo ruído de botas caminhando pelo asfalto atraiu seu olhar para o retrovisor externo. O motorista do carro de polícia havia emergido de seu veículo e estava andando em direção à porta de Jakes. Outro policial ainda estava dentro do carro, no banco do carona.

            Onde eles estavam escondidos?, Jakes se perguntou. Não havia outdoors por aqui. Deviam estar atrás de algum arbusto, à margem da estrada.

            De pé, a poucos centímetros de sua porta, estava a imponente figura de um patrulheiro rodoviário da Polícia Estadual de Idaho. Vestido com calças cinza escuras, camisa preta, óculos de sol espelhados e um chapéu “Urso Smoky1”, o patrulheiro mantinha-se parado em uma postura tranquila, mas alerta, com uma das mãos repousada sobre a coronha da arma que pendia de sua cintura.

            — Senhor, sabe por que eu te parei?

            — Sim, senhor policial — respondeu Jakes. — Eu estava correndo demais.

            — Você estava a 148 km/h numa área onde o limite é de 120 km/h.

            Mantendo a voz o mais estável e calma possível, Jakes explicou:

            — Sim, senhor. Eu me empolguei com a música. Estava prestando atenção nela e me descuidei da velocidade. Não tenho justificativa. Sinto muito.

            A declaração de culpa de Jakes não pareceu satisfazer o patrulheiro, que olhou para ele com uma dura expressão de desdém.

            — Posso ver sua carteira de motorista e o registro do veículo?

            — Claro — respondeu Jakes. — Estão bem aqui. — Ele abriu o porta-luvas e retirou sua carteira de motorista e o documento do carro, ambos absolutamente legítimos para o corpo que estava habitando. Quando se inclinou para entregar os papeis para o policial, olhou de soslaio para a pistola semiautomática enfiada entre seu banco e a alavanca de câmbio.

            O patrulheiro pegou os papeis e os examinou com uma das sobrancelhas erguida.

            — Califórnia? Veio de longe.

            — Sim, senhor. — A regra principal para se falar com a força policial, Jakes havia aprendido, era dar respostas curtas.

            — E o que o traz a Idaho?

            — Férias — respondeu Jakes.

            — Aham — disse o policial, ainda concentrado na leitura dos documentos. Ele virou a cabeça e olhou através do vidro traseiro da picape, para a ogiva coberta por lona na caçamba. — O que você leva ali atrás?

            — Equipamento de camping — disse Jakes. A segunda regra era nunca fornecer voluntariamente qualquer informação a mais do que fosse absolutamente necessário.

            Aproximando-se do veículo e fazendo sombra sobre os olhos com uma das mãos, enquanto olhava através da janela traseira esquerda, o patrulheiro observou:

            — Não me parece que você tenha trazido muito equipamento.

            — Eu levo apenas o necessário.

            — Dá pra notar. — Notas mais profundas de desconfiança pontuaram sua voz. — Importa-se de me mostrar o que há por debaixo daquela lona, senhor?

            — De maneira nenhuma — respondeu Jakes. — Posso abrir a capota traseira daqui, se você quiser.

            O policial caminhou até a traseira da picape.

            — Então abra.

            Jakes soltou o cinto de segurança, inclinou-se para frente e alcançou a alavanca da capota traseira com a mão esquerda. Pôs a mão direita na coronha da pistola próxima ao seu banco. Com um puxão, destravou a capota, que se ergueu suavemente.

            O patrulheiro levantou a capota até ficar completamente aberta. Então inclinou-se para frente e apoiou o peso do corpo em uma das mãos, enquanto retirava o encerado com a outra. Sua boca se escancarou quando viu a ogiva dentro do invólucro de alumínio.

            — Que diabos…

            Sem dizer uma palavra, Jakes pegou sua pistola, virou-se e disparou um tiro que atravessou a testa do patrulheiro, pintando o asfalto atrás dele com um jato de massa encefálica vermelho-acinzentado.

            Assim que o corpo tombou no chão, Jakes disparou mais três tiros na direção do policial que estava dentro da viatura. O parabrisa ficou em cacos conforme um projétil após o outro o perfuravam e golpeavam a cabeça e o peito do segundo patrulheiro.

            Depois da trovoada de quatro tiros dentro de seu carro, o silêncio que se seguiu parecia quase surreal. O ar dentro da picape estava sufocante por causa da pólvora liberada.

            Aquela era a terceira regra de Jake para se falar com a força policial: saber quando encerrar a conversa.

            Que maldita inconveniência, Jakes praguejou, enquanto guardava a arma e saía do carro.

            Ele caminhou até a traseira de seu veículo, recolocou a lona que cobria a ogiva e fechou a capota. Então pegou o patrulheiro morto e o arrastou para a viatura policial.

            Não havia outros carros à vista, e Jakes agradeceu imensamente ao universo por aquela pequena misericórdia. Ele abriu a porta do motorista da viatura e empurrou o sargento morto para dentro, junto de seu parceiro assassinado.

            Agora vamos à limpeza, ele disse para si. Pegou o cartão de memória e o DVD da câmera do painel da viatura, depois usou o computador de bordo para ver se eles já haviam pesquisado a licença de seu veículo; o policial que havia ficado no carro estava começando a digitar os dados quando Jakes atirara nele. Portanto, não havia registro oficial daquela ocorrência de trânsito. Jakes cancelou o procedimento.

            Ele colocou a marcha em ponto morto e empurrou a viatura para fora da estrada, para dentro de um grupo de pequenos arbustos secos. Para motoristas que se aproximassem pela parte de trás, aquilo iria parecer a tocaia mais malfeita do mundo. Os motoristas que viessem pelo outro lado só os veriam de uma certa distância, e os arbustos secos encobririam o parabrisa quebrado.

            Parecia que levaria muitas horas até que alguém percebesse que aqueles dois homens estavam desaparecidos. Até lá, Jakes já estaria longe. Mesmo se eles encontrassem suas digitais ou seu DNA dentro do carro, isso não teria importância. Sua nova identidade não tinha ficha criminal. Não conseguiriam identificá-lo.

            Voltando para seu veículo, ele olhou para cima, para o céu cinza-chumbo, enegrecido. Parecia que uma tempestade se aproximava. Ele entrou em sua picape, jogou o cartão de memória e o DVD no chão, em frente ao banco do carona, deu a partida e engatou a marcha.

            Uma música famosa tocava no rádio.

            Ele desligou. Olhos na estrada, advertiu a si próprio. Ainda havia um longo caminho pela frente, e espaço nenhum para mais erros.

 

Notas:

1 Smoky the Bear – personagem criado pelo Serviço Florestal americano, usado em campanhas de educação para a prevenção de incêndios florestais, “Smoky” usa um chapéu de aba larga que se tornou sua marca registrada.

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comentários
  1. Aline disse:

    nossa, o cara vai dirigindo até seattle…
    vamos aguardar o desfecho dessa viagem.

    vlw pela tradução e até a proxima

    gostei do novo look do site. 🙂

  2. Alexandre disse:

    Ahhh… esperava mais deste capítulo, ele acabou muito rápido.

    Valeu pela tradução amigos!

  3. Maicon disse:

    Valeu pela tradução…

  4. Beatriz Machado disse:

    Seguindo em frente no plano, eliminando barreiras mesmo.

  5. Camila disse:

    Será q alguém poderia me enviar os links de todos os capítulos traduzidos do livro “welcome to the promise city” (a partir do capítulo 12)?? Estou começando a lê-lo, com certeza comento muito depois que ler a história, please !! Não consigo encontrá-los na net !
    Por favor, não pare de traduzir ! Uma das melhores séries que já vi 😉

  6. Camila disse:

    Ahh, e mais uma coisa. Vocês acham que um dia voltarão as gravações, de alguma forma? Ou já era pra valer?

  7. Roger disse:

    vlw pela traducao, rs, bom manual pra lidar com a policia, rsrsrs

  8. Helena disse:

    Camila, vá no menu “categorias”, opção “The 4400”. Ali, procure por postagens mais antigas, que você achará o “Welcome…” inteiro. Boa leitura!

  9. marcio disse:

    parabéns…. muito bom o seu trabalho…. adoros as leituras dos capítulos!!!!! Vamos em frente!!!!

  10. Muca velasco disse:

    Q serie maravilhosa! N canso de ler, obrigada tradutores pelo trabalho incrível!

  11. ione prado disse:

    Estou adorando e já pensando no próximo livro 4400. Vocês vão traduzir?

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