The 4400 – Promises Broken (Capítulo 36 traduzido)

Publicado: 15 de maio de 2011 em The 4400

Tradução do capítulo por Helena Padim.

TRINTA E SEIS

 

2:38 P.M.

ALGUÉM BATEU na porta da sala de reuniões. Shawn a abriu, revelando o tímido jovem asiático lá fora.

            — Entre — convidou Shawn, com um gesto, encorajando-o a entrar na sala.

            Movimentando-se a pequenos e tímidos passos, o estudioso adolescente adentrou a sala de reuniões. Percebendo o grande número de pessoas que ali o esperavam, ele engoliu em seco, nervoso, e ajustou seus óculos bifocais, que haviam sido remendados bem no meio com fita crepe.

            — Pessoal — disse Shawn —, este é Chongrak Panyarachun, de quem eu lhes falei. — Ele encaminhou Chongrak para a cadeira na cabeceira da mesa. Sobre ela haviam sido colocados o livro, a pedra e os pedaços de metal que Marco Pacella havia trazido consigo.

            Puxando a cadeira, Shawn disse a Chongrak:

            — Está tudo bem. Sente-se.

            O americano filho de imigrantes tailandeses hesitou à frente da cadeira por um instante, e então se encolheu nela, como se desejasse desaparecer simplesmente ao sentar-se ali.

            Shawn deu um passo para trás, fazendo um sinal com a cabeça para Heather, que se adiantou e agachou-se ao lado de Chongrak. Ela pousou sua mão sobre a dele com delicada ternura e sorriu.

            — Obrigada por vir.

            De uma só vez, o rosto de Chongrak se iluminou. Ele sorriu para Heather, de forma a depositar confiança nela.

            Observar a maneira pela qual Heather fazia aflorar os talentos inatos das pessoas e promover suas melhores qualidades ainda tocava Shawn tão fundo quanto da primeira vez em que ele a havia visto em ação. Na melhor das hipóteses, Shawn conseguia restaurar a pessoa naquilo que ela fora antes de conhecê-lo; o dom de Heather ajudava as pessoas a desenvolver seus próprios. Ele não invejava a habilidade dela, mas a admirava e respeitava profundamente.

            — Precisamos que você examine estes objetos. — Heather pediu a Chongrak, enquanto indicava com a outra mão as evidências colhidas por Marco. — Você pode fazer isso por nós, e dizer o que vê?

            Chongrak concordou com a cabeça. Estendeu a mão esquerda para frente e pegou um dos pedaços de alumínio semiderretido. Assim que alcançou o objeto, seus dedos se cravaram nele como garras de uma águia sobre a presa, e seu comportamento mudou por completo. Ele fechou os olhos. Sentou-se ereto na cadeira. Ergueu a cabeça. Diante de todos, ele se transformou de vaquinha de presépio em alguém cuja presença podia dominar a sala.

            — É sucata de um processo de soldagem — declarou Chongrak, com uma confiante voz de barítono que parecia enorme demais para sua compleição. — Alumínio. Foi escolhido por seu baixo peso e sua força.

            Modulando sua voz para um tom suave e meloso, Heather perguntou:

            — Escolhido por quem? Você pode ver a oficina de soldagem?

            O rosto do jovem se contraiu com o esforço da concentração.

            — Eu a vejo — disse Chongrak. — Ela é jovem. Loira. — Apesar de seus olhos permaneceram fechados, ele estendeu a mão direita e pegou outro pedaço de metal. — É de noite. Ela está criando uma estrutura para acomodar algo. Dentro de um caminhão.

            Olhares significativos passaram de pessoa para pessoa por toda a sala. Aproveitando a dica, Heather perguntou a Chongrak.

            — Que tipo de caminhão? Conte-me sobre ele.

            — É branco — respondeu Chongrak. — Um utilitário esportivo. Com uma caçamba. — Ele contraiu o rosto o suficiente para mostrar os dentes por um instante. — Não consigo ver que modelo é… Isto é tudo. — Os dois pedaços de metal caíram de suas mãos, retinindo alto quando rolaram por sobre a mesa.

            Do outro lado da sala, Marco acenou para chamar a atenção de Heather e apontou para o livro queimado. Ela estendeu o braço e colocou o livro nas mãos de Chongrak.

            Ele o segurou com ambas as mãos, abraçou-o contra o peito, e soltou um grito de dor.

            — Fogo! — berrou. — Páginas se queimando!

            — Volte mais. — Heather encorajou-o, suave, pousando uma mão em seu braço. — Antes do fogo. Alguém já havia lido este livro?

            Chongrak se acalmou e respirou fundo.

            — Sim — respondeu. Seus dedos viajaram vagarosamente ao longo das bordas tostadas do livro. — Todos. Eles o leram juntos.

            — Quem são eles? — perguntou Heather. — Como são eles?

            — Dois homens e a mulher loira. Um homem é branco, o outro é negro. — Ele parou e inclinou sua cabeça. — Eles estão virando páginas. Procurando por algo. Um mapa.

            Shawn ia ficando cada vez mais ansioso conforme sentia o tempo correr, e fez um movimento circular com a mão, pedindo a Heather que o incentivasse a ir mais rápido. Ela concordou com a cabeça e virou-se para o rapaz psicométrico.

            — Chongrak — disse ela. — Que mapa eles estão olhando?

            — Dos Estados Unidos.

            Olhares confusos circundaram a sala. Ninguém parecia saber o que fazer a respeito. Shawn lançou um olhar interrogativo para Heather, que encolheu os ombros, frustrada. Ela perguntou a Chongrak:

            — Há alguma parte do mapa em que eles estejam mais interessados?

            — Não tenho certeza — ele respondeu. — Eles estão olhando para a metade oeste… O homem branco está apontando para alguma coisa; não sei o que é. Poderia ser Idaho, ou Montana, ou Wyoming… Eles estão fechando o livro. Isto é tudo. — Ele largou o livro sobre a mesa com um barulho retumbante.

            Tudo o que restava era a pedra. Heather a pegou e a colocou gentilmente na mão de Chongrak.

            — Leve o tempo que precisar — disse ela.

            Ele respirou fundo e jogou a cabeça para trás, como se estivesse olhando para o céu.

            — Era o homem branco que estava lendo o livro. Ele está pegando a pedra. De um solo árido coberto de água. Árvores secas à distância — Chongrak sorriu. — Vapor. Há uma coluna de vapor subindo do solo. Um gêiser.

            Marco disparou:

            — Um gêiser? – Apesar do olhar de Heather, ele continuou. — A pedra é do Parque Nacional de Yellowstone?

            — Sim — respondeu Chongrak. — O homem está no Parque Yellowstone.

            Cambaleando, chocado pela descoberta, Marco desabou sobre uma cadeira e exclamou:

            — Ai, meu Deus!

            Shawn sentiu que haviam feito algum progresso, então acenou com a cabeça para Heather, que deu um tapinha no ombro de Chongrak. O jovem tailandês abriu os olhos, e voltou à sua postura moderada.

            Heather tirou a pedra das mãos dele.

            — Obrigada, Chongrak — ela disse. — Você foi de grande ajuda. Pode ir agora.

            Ele sorriu sem olhá-la nos olhos e então levantou-se da cadeira e caminhou até a porta a passos curtos. Shawn abriu a porta para o jovem, que se esgueirou da sala sem uma palavra e sem sequer olhar para trás.

            Quando a porta se fechou, Jordan pediu a Marco:

            — Explique.

            — Agora faz sentido — disse Marco. — Os Marcados estão procurando por uma maneira de virar a mesa. Algo que irá neutralizar seu movimento em apenas uma jogada. Eles estão levando a bomba para Yellowstone.

            Todos, menos Marco, pareciam completamente assombrados. Foi Jordan quem perguntou:

            — E então? Então o quê?

            — Então — Marco respondeu com escárnio puro — o parque está localizado no topo da Cratera Yellowstone.

            Shawn e a maior parte das outras pessoas na sala ainda não faziam ideia do que Marco estava falando, mas uma pessoa sabia: Diana.

            Ela caiu em uma cadeira e cobriu sua boca aberta com as mãos.

            — Jesus!

            Tom parecia perplexo quando disse a Diana:

            — Já que Marco não consegue explicar claramente o que significa, você quer tentar?

            Diana concordou com a cabeça, abaixou as mãos e respirou fundo.

            — A Cratera Yellowstone é o que restou da última erupção do supervulcão Yellowstone — declarou.

            Kyle perguntou:

            — Há um vulcão sob o Parque Yellowstone?

            Marco respondeu:

            — Não apenas um vulcão, mas O vulcão. O maior sistema vulcânico ativo na Terra. Um evento de nível de extinção apenas esperando para acontecer.

            — E os Marcados pretendem fazê-lo acontecer hoje. — Diana concluiu. — Aquela bomba antimatéria que eles construíram é poderosa o suficiente para explodir a tampa da cratera.

            Jordan disse:

            — E quando isto acontecer…?

            — Será como sacudir uma garrafa cheia de Sonrisal num dia quente de verão, depois tirar a tampa — respondeu Marco. — Imagine uma piscina três vezes maior do que Los Angeles, cheia de rocha derretida. E dentro dela há gás sob pressão. Tire a tampa, e todo aquele gás preso vai explodir, direto para cima. Será a maior erupção vulcânica da história da humanidade.

            Jed levantou as mãos.

            — OK, mas isto é no meio do nada, em Wyoming. E então?

            — Com uma erupção deste tamanho — respondeu Diana — não importa onde aconteça. Se aquela cratera explodir, o jogo terminou. Diga adeus à raça humana.

            Genuinamente petrificado, Shawn perguntou:

            — Tem certeza de que não está exagerando nem um pouquinho? Uma erupção vulcânica pode realmente provocar um desastre tão grande?

            Levantando-se, Marco disse:

            — Deixe-me esclarecer para todos vocês. A última erupção que foi próxima disto aconteceu setenta e quatro mil anos atrás, no Lago Toba, em Sumatra. Aquela explosão quase exterminou a espécie humana.

            Ele contornou a mesa, enquanto continuava sua aula improvisada.

            — Ela encobriu o sol por todo o globo, extinguiu populações de animais, matou plantas e desceu as temperaturas para perto do congelamento em toda parte, exceto perto da linha do equador. Pesquisas genéticas na área do DNA mitocondrial identificaram aquele momento como um “ponto de choque” na história do genoma humano. Ele reduziu nossa população a apenas alguns milhares de casais por todo o planeta. O fato de que aquilo não nos levou à extinção pode ter sido apenas um golpe de sorte.

            Parando à cabeceira da mesa, Marco acrescentou:

            — Esta erupção será muito, muito pior. Vai cobrir a América do Norte de costa a costa com uma camada de mais de meio metro de cinzas tóxicas. Vai encobrir o sol por anos, talvez por uma década, iniciando um inverno nuclear, e portanto uma nova Era do Gelo, que durará milhares de anos. É o fim do mundo, sem choro nem vela.

            Um silêncio horripilante se seguiu.

            Então todos os olhares voltaram-se para Maia, que saiu de um canto da sala e se colocou na frente de Jordan.

            — Como eu disse: o mundo se torna cinzento e morre.

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comentários
  1. Vanessa disse:

    Parabéns pela tradução!!!

    Está cada vez melhor a história.

  2. eduardo disse:

    meu deus ta muito emocionante

  3. Roger disse:

    agora eh esperar pela proxima carta na manga do jordan, se houver

  4. Aline disse:

    MEDO!

    obrigada pela tradução e até a proxima.

  5. bonequinha disse:

    Execelente tradução parabéns! Gosteria que você depois traduzisse os outros livros de the 4400 tb : the 4400-The Vesuvius Prophecy e o the 4400-Wet Work.
    to muito suriosa pra ver as traduções!!!!!!!

  6. Diego disse:

    Muito bom tô chegando no final!!!! Valeu mesmo!!!!!

  7. Drika disse:

    E agora?? O que mais resta a fazer?

  8. Muca velasco disse:

    Ta demais,

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