The 4400 – Promises Broken (Capítulo 41 traduzido)

Publicado: 6 de agosto de 2011 em The 4400

Galera, desculpem a demora pra publicar, mas aí vai mais um capítulo Em breve, postarei mais. Comentem. Traduzido por Vinícius Fernandes.

QUARENTA E UM

 

3:57 P.M.

 

O PRIMEIRO AVISO DE JORDAN COLLIER de que o Centro 4400 fora invadido e estava sob ataque foi o som de um tiro de rifle no corredor do lado de fora da suíte executiva.

            — Para trás! — gritou Marco, uma das poucas pessoas no prédio com uma arma. Ele trancou a entrada principal e apontou para uma saída no fundo da sala de reuniões. — Procurem proteção! Andem!

            Gary e Kyle lideraram o recuo, conduzindo Maia a um corredor que dava acesso a diversos escritórios e banheiros. Enquanto mais pessoas os seguiam para o lado de fora, Marco esforçou-se para virar a mesa de conferência de lado. Jordan correu para o seu lado para ajudá-lo, e Lewis Merisow juntou-se a eles.

            Trabalhando juntos, eles derrubaram a pesada mesa de madeira de lado. Marco jogou-se atrás dela e puxou o rifle de assalto de suas costas. Para Jordan e Lewis, ele disse:

            — Corram! E fiquem abaixados! — Então ele preparou sua arma e mirou para trás por cima da barricada improvisada enquanto a porta era aberta de supetão.

            Lewis seguia Jordan de perto enquanto eles disparavam na direção da saída. Um tartamudear furioso tomou conta do local, e algo quente e molhado espirrou na nuca de Jordan.

            Ele virou em um canto e olhou para trás à procura de Lewis.

            O clarividente de meia-idade não estava lá.

            Arriscando uma olhadela pela esquina, Jordan viu Lewis com o rosto virado para o chão sobre uma poça de sangue. Ele passou a mão no líquido em sua nuca. Quando a olhou, viu-a manchada de sangue fresco.

            Balas abriram buracos na parede à sua frente. Ele abaixou-se e arrastou-se pela porta, saindo no corredor.

            Uma explosão veio da sala de reuniões. Fogo e destroços explodiram pela porta na direção do fim do corredor.

            Lamentando o sacrifício do agente da NTAC que ficara para trás, Jordan entrou correndo por uma saída de emergência – somente para dar de cara com Marco Pacella, que estava gasto, mas com certeza vivo.

            — Ponto para nós — disse ele arrumando seus óculos, que tinham uma das lentes rachada. — Vamos lá para cima. Eu te dou cobertura. — Jordan assentiu para o jovem que se teletransportava, então seguiu para o próximo andar enquanto Marco ia logo atrás, o rifle apoiado sobre o ombro.

            Quando atingiram o andar seguinte, Marco perguntou:

            — Você por acaso não viu para que lado Dennis Ryland foi, viu?

            — Sinto muito, não vi — disse Jordan, abrindo a porta para o nível mais alto do Centro, onde ficava a maior suíte executiva. Ele deu um passo para o lado e deixou Marco examinar a área.

            Mandando Jordan continuar pela porta, Marco disse:

            — Não se preocupe isso. Tenho certeza que ele vai aparecer. — Com um sorriso desdenhoso, acrescentou: — Ele sempre aparece.

Shawn apertava os olhos com o barulho da saraivada das armas automáticas. Ele mal podia ver as silhuetas que se moviam por entre a fumaceira que arranhava sua garganta e faziam seus olhos arderem até que começassem a lacrimejar.

            Pessoas gritavam de agonia, corriam para todos os lados e abaixavam-se sob os móveis para se esconderem. Sua jovem amiga Chongrak estremecia envolta em um raio de eletricidade. Tristine, uma das guarda-costas de Jordan, entrava em convulsão enquanto terríveis feridas cheias de sangue abriam em sua garganta, abdômen e costas, como se uma enorme lâmina invisível a esquartejasse.

            Confiando em sua memória, Shawn arrastou-se de quatro pelo labirinto de cubículos até que encontrou um corredor que estava preenchido por gás lacrimejante. Seus pulmões pareciam estar cheios de fogo. Ele tossia sentindo dor enquanto se apressava na direção da saída mais próxima.

            Enquanto corria por entre os escritórios e salas de reunião, lutava para enxergar através da fumaça tóxica. Ele sabia que precisava arrumar um abrigo e permanecer lá, mas precisava saber se…

            — Shawn!

            Heather levantou-se de trás de uma máquina de xérox em uma pequena ante-sala à sua direita. Ela correu até ele e preencheu seu rosto com beijos assustados e aliviados.

            — Graças a Deus! — disse ele. — Venha, temos que ir!

            Pegando-a pela mão, ele a conduziu por uma curva de um modo atrapalhado e inclinando-se, passando em disparada pelo lobby do elevador e entrando na sala de espera de sua suíte executiva.

            Um barulho como o de um martelo acertando cristal fez os dentes de Shawn baterem e transformou uma parede de vidro em perigosos cacos que cobriram o chão da recepção.

            Ele puxou Heather para trás da mesa de sua secretária, procurando protegê-la. Impactos e balas que ricocheteavam arrancaram pedaços da mesa e das paredes.

            Em meio ao barulho dos disparos, Shawn ouviu o grito agudo aterrorizado de uma garota vindo do outro lado da sala. Ele e Heather olharam para a direção do som e viram Maia deitada atrás de um sofá de couro, com as costas viradas para a parede.

            — Maia! Fique abaixada! — gritou Heather.

            Outra saraivada de balas do canto da mesa em frente ao rosto de Heather, e ela se encolheu nos braços de Shawn. Ela lançou um olhar fulminante a ele.

            — Onde estão Gary e Kyle? Eles deviam estar protegendo ela!

            — Eu não sei — protestou Shawn, elevando o tom de voz acima do barulho das balar que retalhavam a mesa atrás deles.

            Com os olhos indo de Shawn a Maia, Heather gritou:

            — Temos que ajudá-la! Faça alguma coisa!

            — Não posso! — disse ele. — Estou tentando sentir a energia deles, mas tem algo me impedindo… um deles. Deve ser o líder, Frost.

            Ele caiu para trás e levou um momento para perceber que alguém havia levantando, com telecinese, a mesa que ele e Heather usavam como proteção.

            — Corra! — alertou Shawn, jogando-se pela porta de um escritório administrativo ao lado da mesa da recepcionista. Ele caiu em cima de um monte de vidro quebrado e esforçou-se para impedir que suas mãos e rosto se machucassem.

            Pedaços grandes perfuraram e cortaram os antebraços e as costas de Shawn quando ele rolava pelos destroços dilacerantes. Foi só quando parou de se mexer que percebeu que Heather não estava ao seu lado.

            Ele olhou para trás enquanto ela corria desesperadamente cambaleante na direção da assustada Maia…

            Alguma coisa invisível cortou Heather. Um ferimento grande fatiou seu corpo, dividindo-a do queixo ao umbigo.

            Ela caiu, sangrando e longe do alcance de Shawn.

            Maia soltou um grito de terror.

            Shawn liberou um grito de fúria.

            Não havia nada que ele pudesse fazer senão assistir Heather morrer.

Jed Garrity fechou os olhos quando fez impacto, arremessando ele e sua motocicleta pelo asfalto molhado de chuva da estrada Grand Loop. Esperou sentir o gosto do próprio sangue a qualquer minuto.

            Mas neste exato momento, ele abriu os olhos e viu não a estrada, a moto ou seu corpo quebrado… mas um corredor coberto de cacos de vidro e cápsulas usadas de bala, obscurecido devido ao nevoeiro que o gás lacrimejante que se dispersava causava. Demorou um segundo para ele reconhecer o interior do andar mais alto do Centro 4400. Então seus ouvidos registraram o som das armas disparando e o do pânico.

            Ele virou-se e viu quatro homens, todos olhando para o lado oposto, na direção da suíte executiva. Eram soldados metidos em uniformes cinza e preto e equipados com máscaras de gás, óculos de visão noturna, blindagem no corpo e um arsenal militar.

            Do lado mais longe do corredor, Jed ouviu Heather Tobey exclamar “Maia! Fique abaixada!”.

            Os soldados revezaram-se atirando na direção da voz da moça, e ele ouviu Maia gritando.

            Um dos solados levantou a mão e, com um simples gesto, jogou para o lado a grossa mesa de madeira que Shawn e Heather usavam para esconderem-se.

            Shawn agilmente pulou para proteger-se.

            Heather disparou a correr em meio ao fogo cruzado.

            Um soldado diferente fez um movimento como se cortasse algo com o braço, e uma ferida grande cortou Heather em um monte de sangue.

            O homem com poder de telecinese arremessou um sofá para o lado, deixando Maia exposta.

            Jed deu passo à frente, enroscou o braço ao redor da garganta do soldado que estava no fim do pelotão, agarrou seu queixo e torceu a cabeça do homem brutalmente.

            Nenhum dos outros soldados ouviu seu pescoço quebrando-se.

            Enquanto o corpo escorregava do aperto de Jed, ele sacou a arma do coldre homem e disparou tiros rápidos. Ele derrubou o matador psíquico primeiro, e então o telecinético.

            Passando pelo escritório, Jed esvaziou o pente atirando sem parar visando manter os soldados distantes.

            A pistola soltou o clique quando ficou sem munição, e Jed a descartou. Ele pegou o rifle de assalto às suas costas e o manteve apontado para o último soldado enquanto dirigia-se para perto de Maia.

            — Maia — disse ele, segurando a mão dela. — Sou eu. O Jed da NTAC. Fique atrás de mim, doçura, eu te protejo. — Ele ajudou-a a levantar-se e indicou com a cabeça a porta pela qual Shawn saíra. — Por ali.

            A garota seguiu atrás dele enquanto Jed a protegia, somente agora lembrando-se do que prometera a Diana há algumas horas. O que quer que aconteça, dissera ele, protegerei você… e Maia também.

            Era hora de cumprir a promessa.

            Nunca digam que não sou um homem de palavra, disse ele, seguindo com Maia para um lugar que só depois percebeu ser um beco sem saída.

Kyle tinha corrido tão rápido e descontroladamente que perdera a noção de todo o resto. Tudo o que conseguira ver era seu próximo passo, o próximo lance de escadas, a próxima porta e o próximo lugar onde poderia abrigar-se. Jordan dissera para correr, portanto, ele correra.

            Pensara que Maia, Gary e os outros estavam logo atrás dele, mas só depois que passara pela porta no escritório de Shawn e vira que não havia mais para onde correr que olhou para trás e percebeu que estava sozinho.

            O barulho de luta e correria o alcançou, abafados, porém ainda altos, através das paredes do escritório. Ouviu o som ininterrupto dos tiros, então passos apressados se aproximando.

            Ele escondeu-se atrás de uma grande cadeira almofadada no canto da sala e contorceu-se para pegar a pistola semiautomática que ganhara durante a preparação para defesas do Centro.

            Cassie colocou a cabeça por cima de seu ombro.

            — Mexa o polegar antes que puxe a lateral — disse ela. — E mantenha-a abaixada ou vai estragar tudo quando atirar.

            Ele girou os olhos para o tom “sei-de-tudo” na voz dela. Ainda mexendo na arma, perguntou:

            — Destrave-a — disse ela. Apontando para uma pequena alavanca à esquerda, acrescentou: — Aqui.

            Destravando a alavanca com o polegar, Kyle levantou o braço e mirou por cima da cadeira. Cassie soltou um muxoxo.

            — Você expôs sua cabeça — disse. — Abaixe-se e mire pelo canto. Use sua mão esquerda para apoiar a direita. Isso ajudará a mirar.

            Olhando por cima de seu ombro, ele rebateu:

            — Quer fazer você?

            — Eu faria se pudesse — devolveu ela.

            Ele ouviu passos do lado de fora da porta. Ela abriu-se com o largo ruído das dobradiças rangendo.

            Kyle viu a ponta de um rifle de assalto adentrando a sala. Seu dedo pressionou o gatilho da arma. Ele prendeu o fôlego para continuar mirando firme.

            Então Cassie sussurrou:

            — Não atire — e gentilmente colocou a mão no braço de Kyle e o abaixou até que a arma estivesse apontada para o chão.

            Marco Pacella entrou em seu campo de vista, então virou-se bruscamente na direção de Kyle.

            Levantando os braços em sinal de rendição, ele disse:

            — Não atire! Sou eu!

            O agente da NTAC abaixou seu rifle e acenou para alguém atrás dele.

            — Tudo limpo — disse.

            Jordan adentrou o escritório depois de Marco e lançou um olhar demorado e preocupado a Kyle.

            — O que aconteceu com Gary e Maia?

            — Nós nos separamos — respondeu Kyle. — Por que não estão com Kendall?

            — Eu estava protegendo a retaguarda — protestou Marco.

            Todos se encolheram quando tiros de rifle começaram do lado de fora do escritório. Marco acenou para Kyle.

            — Fique atrás da cadeira. — Então levou Jordan com ele para trás da mesa. — Fique abaixado — disse, agachando-se e mirando para a porta por cima da mesa. Jordan sumiu de vista ao lado dele.

            A porta abriu-se de supetão. Mais uma vez, Marco abaixou a arma. Maia entrou na sala, seguida por Shawn e o agente Jed Garrity da NTAC, que entrou de costas, apontando o rifle para qualquer coisa que pudesse aparecer atrás deles.

            — Fiquem longe da porta — disse ele enquanto se ajoelhava e fechava o portal quase por completo. Ele o deixou aberto o suficiente para poder mirar através da abertura.  — Derrubei três dos quatro inimigos no corredor, mas aposto que o quarto está chamando por reforços. — Olhando para trás na direção de Jordan, ele acrescentou: — Se você tiver alguma cavalaria para chamar, agora é o momento.

            Marco levantou-se, correu para o lado de Jed e disse:

            — Se eu conseguir dar uma olhada no corredor, posso aparecer atrás deles quanto tiverem em posição e começar um tiroteio.

            — Muito arriscado — disse Jed. — Mas vale a pena tentar. — Ele afastou-se para a esquerda para que Marco visse pela porta minuciosamente aberta e examinasse o corredor além do escritório.

            Enquanto os dois agentes da NTAC sussurravam seus planos um com o outro, Kyle ouviu soluços abafados vindos de trás dele. Shawn estava agachado atrás de sua mesa com o rosto nas mãos, seu peito cheio de lamento. Kyle aproximou-se do primo, ajoelhou-se e segurou seus ombros.

            — Shawn? O que foi? O que aconteceu?

            — Heather — soluçou Shawn, seu rosto ainda escondido nas mãos. — Eles acabaram de… Ela… — Ele aspirou com um silvo molhado, mas então pareceu impossibilitado de continuar.

            Cassie abaixou-se ao lado de Shawn e olhou para Kyle.

            — Ele a ama — disse ela. — Ele acha que ela está morta, mas não está… não por enquanto, pelo menos. — Com um olhar convencido a Kyle, acrescentou: — Conte a ele!

            — Shawn — disse Kyle, inclinando-se para mais perto dele. — Escute. Cassie, o meu poder, está dizendo que Heather está viva. Ainda há tempo de salvá-la.

            Olhando alarmado para trás, Jed disse num sussurro áspero:

            — Está maluco? Ele não pode ir lá fora!

            Cassie segurou a nuca de Kyle. Seu toque era firme, porém estranhamente reconfortante. Ela sussurrou em seu ouvido, e ele repetiu as palavras para os outros.

            — O soldado que estava disfarçando os outros está morto — disse Kyle. — Jed o pegou. Nosso pessoal pode ver os outros agora. Podemos revidar.

            Todos os outros estavam digerindo a notícia enquanto Shawn ficou em silêncio e levantou-se. Enxugou as lágrimas de seu rosto. Seus olhos avermelhados ficaram firmes quanto ele levantou a mão direita.

            — Consigo sentir a energia de vida dela — disse. Sua voz estava trêmula quando acrescentou: — Está se esvaindo rapidamente. — Reassumindo a postura, ele fechou os olhos, levantou a mão esquerda e se concentrou. — Também posso sentir os soldados. Estão subindo pelas escadas laterais. Estarão aqui em dez segundos. — Quando ele reabriu os olhos, eles possuíam uma frieza que Kyle nunca vira antes em seu primo. — Maia — disse Shawn num tom firme que não toleraria discussão. —, entre no banheiro e tranque a porta. Kyle e Jordan, protejam-se. Jed e Marco, vigiem a porta até que eu volte.

            Shawn saiu pela porta e Maia trancou-se no banheiro. Os agentes da NTAC bloquearam a saída.

            — Não — disse Jed a Shawn. — Você não pode sair desarmado.

            — Não estou desarmado. — retrucou Shawn. — E Heather precisa de mim.

            Ele avançou entre Jed e Marco, que se afastaram para deixá-lo passar. Kyle observou o primo saindo pela porta.

            — Nós te daremos cobertura — disse Jed e acenou para que Marco o seguisse enquanto saía atrás de Shawn.

            Enquanto Marco saía e fechava a porta, ele disse a Kyle e Jordan:

            — Estaremos logo ali fora. Fiquem abaixados.

            — Pode deixar — concordou Jordan, puxando uma cadeira e enfiando-se no espaço sob a mesa. Kyle atravessou o escritório rapidamente e agachou-se atrás da cadeira pesada.

            Cassie foi atrás dele e apoiou-se no encosto da cadeira.

            — É sua chance — disse.

            — Chance para quê?

            — Para atirar em Jordan. Sem testemunhas. Você pode dizer que um dos soldados apareceu, desceu bala no messias da promicina e desapareceu. Ninguém saberá.

            Se já não estivesse encostado a um canto, teria se afastado dela.

            — Não! Você está maluca! Gary pode ler mentes! Ele saberia. — Ele gesticulou para o banheiro. — E a Maia também.

            — O Gary não é mais necessário ao movimento — retrucou Cassie. — E a Maia é descartável.

            Os tiros reverberavam pelo lado de fora da porta escritório. Então vieram horríveis gemidos guturais de sofrimento.

            — Não! — disse Kyle. — Não vou fazer isso!

            Ela o segurou pelos cabelos e puxou.

            — Você tem que fazer! Mas que droga, Kyle, levanta e seja homem! Atire!

            Ele desvencilhou-se dela.

            — Sério? Puxar um gatilho me tornará homem? Beleza, então… — Ele apontou a pistola para seu próprio rosto e colocou o cano na boca.

            Cassie revirou os olhos e soltou um suspiro de desgosto.

            — Agora só está sendo burro, Kyle.

Shawn caminhou do escritório até o lobby dos elevadores. Heather estava caída à sua direita no chão, cercada de cacos de vidro e pedaços estourados das mesas e paredes.

            De trás dele, ouviu Marco chamando num sussurro tenso:

            — Shawn! Volte aqui!

            Ele o ignorou. Havia um homem vivo em uma sala à esquerda do corredor além de Heather. Mais deles vinha pela escada daquele lado.

            Mesmo sem poder ver a qualquer um deles, Shawn podia sentir suas essências com tanta precisão que sabia onde cada um estava. Sentia cada passo, cada respiração e ouvia seus batimentos cardíacos como se fossem seus próprios.

            Eles estavam logo após a esquina. Esperando.

            — Sei que estão aí — disse Shawn, desafiando-os.

            Um homem virou-se pela esquina, seu braço dobrado com uma granada na mão.

            Shawn levantou sua mão esquerda e parou o coração do soldado.

            O homem engasgou-se, torceu-se e caiu sobre os joelhos.

            Ele largou a granada, que rolou para trás dele.

            Alguém gritou:

            — Explosivo!

            Os soldados brotaram da esquina, pulando por sobre o colega caído fugindo desesperados da granada. Tinham percorrido quase metade do corredor na direção de Shawn quando o explosivo detonou, preenchendo o espaço atrás deles com fogo e fumaça. Alguns soldados tropeçaram e caíram.

            Os dois na dianteira ergueram o rifle a miraram em Shawn.

            Congelaram antes de terminarem o movimento.

            Todos os cinco homens no corredor tiveram convulsões e espasmos. Em poucos segundo, estavam de joelhos, cada um sentindo mais dor do que jamais haviam sentido antes.

            Dentro do escritório à esquerda, o último homem preparou-se para dar o bote. Ele soltou o ar e girou enquanto saía pela porta. Sua arma na mão…

            … e caiu de joelhos quando Shawn impediu que seus pulmões se expandissem para que pudesse respirar.

            De pé ao lado de Heather, ele tinha a vida de seis homens em suas mãos. Ajoelhou-se ao lado de sua amada mortalmente ferida e sentiu sua vida esvaindo-se. Sua última faísca de neutroeletricidade estava morrendo nos seus tecidos cerebrais. Seus órgãos haviam sido degolados pelo atacante telecinético.

            Shawn colocou sua mão direita sobre a testa dela. Lembrou-se da sensação de apenas algumas horas antes, a de curar um homem do lado de fora do Centro sem nem ao menos ter que tocá-lo. A implicação daquele momento tornou-se imediatamente clara para Shawn. Se seu poder havia crescido ao nível de poder curar sem nem sequer fazer contato, então o contrário também era possível: ele podia matar sem fazer contato.

            Com a mão esquerda, tomou a vida de seis homens que haviam chegado ao seu lar para lidar com a morte.

            Com a mão direita, deu aquela energia para Heather. Ele remendou o dano interno nela, tirou o sangue dos pulmões e reabasteceu a partículas vitais que dançavam em sua sinapse. Com uma única respiração e uma batida cardíaca, ele a trouxe de volta da fronteira obscura da morte.

            Alguns metros longe, seis homens morreram para tornar o milagre possível, mas Shawn não sentiu nem uma pontada de culpa ou um arrependimento momentâneo.

            As costas de Heather arquearam-se quando ela sugou o ar, dolorosa e profundamente, o tipo de arquejo que só quem ressuscita consegue fazer. Seus olhos abriram-se de uma vez, primeiro chocados, depois amedrontados e, por fim, aliviados. Ela sentou-se e abraçou seu salvador.

            Ele a tomou nos braços e chorou de gratidão, convicto de que fizera a escolha certa. Para salvar Heather, tiraria seis vidas, sessenta, seiscentos ou até mesmo seis mil. Não havia nada não faria para protegê-la.

            Nada.

— O prédio está seguro — disse Jed a Jordan. — E também temos uma área limpa a quase dois quilômetros do Centro.

            Jordan assentiu.

            — Bom — disse. — E as comunicações?

            — Mais ou menos — respondeu Marco. — Seu povo tomou o sistema de trânsito, então walkie-talkies de áreas pequenas estão funcionando perfeitamente.

            Mais conselheiros de Jordan entraram no escritório. Aquilo o lembrou de quando, há alguns anos antes, aquela sala tinha sido sua, antes que seu assassinato deixasse o Centro e suas inúmeras responsabilidades para Shawn.

            — Boas notícias — disse Emil. — As forças americanas estão sendo derrotadas por toda a cidade. Madrona está livre, e a Marinha está usando o hotel Broadmoor Golf Course para evacuar seu pessoal em Black Hawks.

            Lucas acrescentou:

            — Teremos Beacon Hill livre até o pôr-do-sol, e as tropas que entraram por Fort Lawton estão voltando.

            — Excelente — disse Jordan. Ele virou-se para Kyle: — Algum conselho de Cassie sobre qual o próximo passo?

            O jovem esfregava as têmporas, exausto.

            — Não — respondeu.

            Do lado de fora do escritório, Shawn cuidava das consequências da batalha no Centro. No começo da fila estava Gary, vítima de inúmeros tiros, que fora encontrado inconsciente no andar de baixo, minutos depois que Shawn esquartejara as tropas em frente à sua sala. O telepata acordou de súbito, em estado de pânico e gritou:

            — Cadê a Maia?

            — Está tudo bem — disse Shawn, segurando o atleta musculoso com uma mão gentil em seu peito. — Ela está bem. — Ele apontou para dentro do escritório, onde Maia estava em pé ao lado de Jordan. A garota acenou para Gary, que relaxou e sentou-se.

            Marco virou-se e olhou Jed com uma expressão questionadora.

            — Espere aí. O que faz aqui? Você estava em Yellowstone com Tom e Diana.

            — Fui atropelado por um carro — respondeu Jed. — E você? Não devia desativar a bomba?

            O pânico tomou conta de Marco. Ele olhou a Jordan.

            — Quem está supervisionando a missão em Yellowstone?

            — Era para ser o Lewis — disse Jordan. — Mas ele…

            Olhares confusos e ansiosos foram trocados entre cada um deles. Ficou dolorosamente claro que a necessidade de monitorar as ações da NTAC para impedir a bomba de antimatéria falhara durante o ataque no Centro.

            — Era isso o que eu temia — disse Marco.

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comentários
  1. Vanessa disse:

    Obrigada por postar mais um excelente capítulo.
    Estou ansiosa pelos demais.
    Vanessa

  2. eduardo disse:

    foi um episódio épico, obrigado

  3. Beatriz Machado disse:

    O Shaw ‘muito bom!!! Adoro ele!

  4. Aline disse:

    OMG!!!!!

    ótimo capítulo, valeu a pena esperar!

    obrigada por continuar a tradução.

    até a próxima.

  5. Alexandre disse:

    muito bom mesmo… obrigado!

  6. Eliane disse:

    muito obrigada por mais este capitulo…
    estou na espera pelo proximo…

  7. Anderson disse:

    valeu por disponibilizar essa tradução para nós.

    uma pergunta: até que capitulo vai esse livro?
    obrigado.

  8. Paulo macedo disse:

    Puxa! está ficando muito empolgante. Não vejo a hora de ler o próximo capítulo.
    Espero que você não tenha desistido de postar, pois já faz um tempinho desde o último post o.OO
    quase um mês para ser exato o.OOOOOOOO rsrsrs
    GOGOGOGO cara!!! Não desista!!! XD

  9. Bia disse:

    Oi, Vinicius. Tudo bem?

    Eu sou tradutora também… Há pouco tempo comecei a assistir The 4400 e me apaixonei… agora estou lendo seus posts aqui. Se vc quiser ajuda, conte comigo!

    Abraço!

    • brenooficial disse:

      Oi, Bia. A tradução do The 440 já está completa, mas pretendo colocar a tradução de mais um livro aqui no blog. O nome é “grey griffins”. Até criei um post sobre ele. Se você puder me ajudar com a tradução, eu ia ficar muito agradecido. xD
      O que acha?

  10. Diego disse:

    Acabou! Muito bom. Vlw!

  11. Muca velasco disse:

    Mtoooooooooooo emocionante ! Ta demais!!

  12. nilza disse:

    – não me recordo de qual dos “postsistas” comentou das falsidades da Cassie.
    até agora eu só estava aguardando mais acontecimentos. Chegou a hora:
    Vou descer a lenha nessa Cassie! Mais falsa que minha tia Carmela!
    Quero ver o fim que essa entidade do capeta vai levar! Isso eu quero ver….

  13. Kelly disse:

    Essa Cassie é uma demônia!!

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