Happy Halloween!

Publicado: 31 de outubro de 2011 em Contos

Acho que o Halloween é a minha data preferida. Eu adoro o clima desse dia, as festas e tudo mais. =)

E para comemorar, escrevi um conto meio que correndo agora antes de ir para a faculdade. Leiam e comentem, por favor!

Em breve, teremos mais capítulo de The 4400.

CONTO DE HALLOWEEN

Por Vinícius Fernandes

        Naquele 31 de outubro, do ano de 2011, o dia amanheceu frio e nublado, com uma garoa irritante. Seria ótimo se eu pudesse ficar em casa e dormir até tarde, pois o barulho da chuva e o conforto da minha cama eram bem convidativos. No entanto, tinha que levantar-me às seis da manhã e ir para a faculdade. Não devia ter feito isso.

            Coisas estranhas aconteceram. Primeiro, ao chegar ao campus, vi que estava mais vazio do que o normal, talvez devido ao tempo frio. Segundo, tudo parecia mais sombrio, as pessoas pareciam mais tristes e, por um momento, um arrepio percorreu minha espinha. De repente, lembrara-me da lenda que rondava a faculdade: a de que fora construída no mesmo terreno em que funcionava um centro espírita há muito tempo.

            Subi para a sala de aula e encontrei dois amigos lá. Achei que fosse me atrasar, mas exceto pelos três, não havia mais ninguém no recinto, nem mesmo o professor.

            — E aí, galera? — cumprimentei. — Achei que fosse me atrasar.

            — E se atrasou, Pedro — respondeu Júlio. — Mas pelo visto o professor também.

            — Hoje o dia está muito estranho — comentou Raquel, uma outra amiga. — Estou me sentindo estranha desde que acordei, e essa faculdade está tão… diferente.

            Neste mesmo instante a porta da sala, que eu deixara aberta, bateu com um estrondo, fazendo-nos pular de susto. Não deu tempo nem de dizermos uma palavra sequer, um grito de terror ecoou pelos corredores até nossos ouvidos. Em seguida, o alarme de incêndio disparou, e uma campainha estridente espalhou seu som por todo o prédio.

            — Acho que precisamos sair — disse eu. — Aconteceu alguma coisa.

            Raquel, que tinha medo de quase tudo, segurou o braço de Júlio e saiu da sala atrás de mim. Ao pisarmos no corredor, as janelas na parede à frente também fecharam-se com estrondo, e eu imaginei o quão resistente aqueles vidros eram para não quebrarem-se com o impacto. Era como se o prédio estivesse fechando-se sozinho e querendo que a gente ficasse lá dentro.

            Olhando através do vidro vi que o dia tornara-se mais nublado, e o céu parecia estar anoitecendo precocemente. Chegamos ao final do corredor e viramos para o próximo quando…

            — Meu Deus! — exclamei ao mesmo tempo em que Raquel soltava um grito horrorizado, e o alarme de incêndio parava.

            À nossa frente, caída no chão, estava uma garota. Sua cabeça estava virada para trás. Suas pernas formavam um ângulo torto impossível. Sangue saía de sua boca.

            — Merda! — exclamou Júlio. — Merda! Vamos dar o fora daqui! Alguém matou essa menina!

            Viramos e começamos a correr para a escada de emergência. Descemos vários degraus correndo até o térreo. No entanto, a porta de saída para o andar térreo parecia estar emperrada. Forçamos para tentar abri-la, mas foi inútil.

            — Vamos sair no primeiro andar e descermos pela escada comum até o térreo para sairmos.

            Enquanto subíamos os degraus, ouvimos mais gritos. De pavor. De tortura. De dor. Em seguida, vários baques secos, como se coisas pesadas estivessem sendo jogadas ao chão.

            Raquel paralisou, e só seguimos porque Júlio a puxou. Enfim tínhamos chegado à saída do primeiro andar e íamos abrir a porta quando…

            PAM!

            Algo grande fora arremessado contra a porta do lado de fora. Estacamos no lugar e Raquel gritou em meio às lágrimas.

            — Alguém precisa ligar para a polícia!

            Acenei para Júlio e começamos a subir mais um andar. O que quer que estivesse fazendo aquilo estava no primeiro andar, então era melhor subir mais um. Tirei o telefone do bolso e quando olhei, o joguei para longe. O aparelho rolou pela escada.

            — Por que você fez isso? — indagou Júlio, assustado.

            Olhei para ele, e seu olhar me dizia que eu estava branco. Respirei com dificuldade, sentindo o suor começando a escorrer pela minha testa.

            — Havia uma foto no meu celular — respondi ofegante.

            — E o que tem isso? — perguntou Júlio.

            — Era um foto da minha mãe.

            Minha mãe tinha morrido há cinco anos, e a foto no celular… Ela estava dentro do caixão.

            Os celulares de Júlio e de Raquel estavam sem sinal, coisa que raramente acontecia no campus, então não podemos ligar para a polícia. Eu me acalmei um pouco, tentando não pensar na foto que aparecera no meu telefone, e subimos para o próximo andar. Saímos no corredor, as janelas e portas da sala estavam todas fechadas, e a escuridão parecia ter aumentado bastante.

            — Merda! — exclamou Júlio, olhando mais para frente.

            Eu acompanhei seu olhar e vi que, na curva do corredor, havia mais um corpo. Aproximamo-nos cautelosamente e vimos que estava com o pescoço e pernas igual ao outro, no entanto, esse era um homem, e seus olhos estavam arregalados como se sua última visão fosse a de algo terrível.

            Com medo e ofegantes, corremos até a escada e começamos a descer quando Raquel começou a gritar novamente. A garota apertou-se ainda mais contra Júlio e olhava aterrorizada enquanto gritava e apontava para trás, para a direção de onde tínhamos vindo. Olhei e não vi nada.

            — Calma, Raquel! Nós já estamos saindo daqui, tudo vai dar certo!

            — O meu avô! — exclamou a moça. — Ele está ali! Está vindo!

            Júlio e eu trocamos um olhar. Todos sabíamos que o avô de Raquel morrera quando ela tinha cinco anos de idade.

            — Vem! — gritou Raquel, puxando Júlio e eu.

            Começamos a correr pela escada que levava ao térreo, mas dessa vez foi Júlio quem parou abruptamente e arregalou os olhos para algo invisível mais para baixo. Ele tentou virar-se e voltar correndo para cima, mas eu o segurei.

            — O que foi?

            — A minha tia que morreu semana passada — disse ele, baixinho. — Está ali embaixo.

            Mais uma vez, olhei eu não vi nada.

            — Não tem anda ali. Vamos descer.

            Puxei meus amigos para baixo, mas estaquei ao ouvir uma voz suave que não ouvia há muito tempo vindo do topo da escada:

            — Pedro…

            Virei-me lentamente e olhei para o alto. Havia uma mulher com um vestido verde de seda parada ali. Ela me olhava sorrindo e estendia uma mão para mim. Com a escuridão que assolara o prédio ficava difícil ver com clareza, mas aquela voz… era impossível não reconhecer. Era a voz da mulher na foto no meu celular. Era minha mãe. Que morrera há cinco anos.

            Senti um vazio no estômago e um arrepio pelo corpo. Não sabia o que fazer, então simplesmente fiquei parado enquanto minha mãe falecida descia a escada lentamente, os pés descalços tocando os degraus frios de mármore.

            Raquel, desesperada, correu pela escada e desapareceu de vista. Júlio voltou correndo para cima, passou ao lado de minha mãe como se não a tivesse visto e também desapareceu pelo corredor.

            A mão de minha mãe tocou meu ombro, e foi como se o dia tivesse ficado ainda mais frio. Isso me despertou, desvencilhei-me dela e corri escada abaixo. Rapidamente, cheguei ao térreo. O pavor era tanto que eu praticamente ignorei todos os corpos mortos pelo chão, corpos que tinham os pescoços torcidos e braços e pernas quebradas dobrando-se em ângulos assustadores. Só queria sair daquele pesadelo horrível que estava vivendo. Enquanto corria, arrisquei olhar para trás e vi minha mãe caminhando tranquilamente por entre os mortos. E isso foi o suficiente para me fazer tropeçar em um corpo e cair. Meu rosto atingiu o chão ao lado do morto. Aquilo me deixou mais horrorizado: era Raquel que estava caída, os olhos abertos e a expressão de terror, o sangue escorrendo pela boca…

            Uma mão branca apareceu ao meu lado, olhei para cima e vi minha mãe oferecendo-se para me ajudar. Pulei para trás, para longe da defunta, e arrastei-me de costas pelo chão por alguns instantes. A mulher de verde apenas ficou observando. Levantei-me e corri para a saída. As portas de vidro estavam fechadas, tentei abri-las, mas foi inútil. Vi pelo reflexo que minha mãe aproximava-se lentamente, só que dessa vez o terror foi maior: o rosto dela, outrora bonito e reconfortante para mim, agora era uma imagem em decomposição, carne, osso, sangue e terra formavam suas feições, como as de um zumbi. Pisquei uma vez e quando abri os olhos, vi que ela agora estava ao meu lado. Sua mão fria e também em decomposição segurou meu ombro e forçou-me a virar para ela. Senti seu hálito (cheirava a menta, sua bala preferida) no momento em que se aproximou e colocou uma mão em cada lado do meu rosto. Parecia que ia me dar um beijo de boa noite como fazia quando eu era criança. Eu gritei, apavorado, mas meu grito foi calado quando suas mãos torceram meu pescoço, e eu caí morto ao chão.

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comentários
  1. Ana disse:

    Você escreve muito bem, deu até um medinho rsrs. Parabéns.

  2. lucas disse:

    historia boa sem cliches mas eu achei algumas partes repetitivas de que todo mundo via seus parentes mortos e um decse e sobe de escadas mas so a minha opniao mas a historia é boa

  3. Caio' disse:

    E 4400? tem alguma previsao?? xD

  4. Gabriel disse:

    GOSTEI DA HISTÓRIA! foI BEM CRIATIVA, OS PARENTES VOLTAREM PRA QUEBRAR O PESCOÇO… FOI INOVADOR, UM TIPO DE MORTE DIFERENTE. sÓ NÃO ENTENDI AS PERNAS QUEBRADAS…

  5. Caio' disse:

    saudade de seattle!!! kkk xD

  6. Caio' disse:

    POOOXAAA!!! kd 4400?????

  7. Keyla disse:

    ADOREI! Além do fato de que essa data também é a minha preferida, simplesmente por ser meu aniversário. MUAHAHA
    Ficou ótimo esse conto, me lembrou aqueles do livro Formaturas Infernais.
    Continua com esse talento que você tem.

    Beijo

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