The 4400 – Promises Broken (Capítulos 46 e 47 traduzidos)

Publicado: 11 de dezembro de 2011 em The 4400

Capítulos traduzidos por Helena Padim e Vinícius Fernandes.

QUARENTA E SEIS

 

A NOITE ANTERIOR havia ensinado uma coisa a Dennis Ryland: era sempre mais fácil entrar em uma guerra do que sair dela.

O apressado come cru, censurou a si próprio. Ele cambaleou pelos corredores do novo quartel-general da Haspelcorp, em Tacoma. O sol da manhã entrava pelas janelas da face sul, banhando o corredor com luz dourada. Aquilo o fez se contrair. Graças à pressa de escapar da Terra Prometida depois de escurecer, ele não havia dormido na noite anterior, e agora seus olhos coçavam. A fadiga fazia seus braços e suas pernas parecerem moles e fracos.

Ele estava louco por uma xícara de café. Quem sabe, um café com rum?

Entretanto, quando abriu a porta de seu escritório, foi recebido por rostos carrancudos e três homens de terno, armados e com distintivos.

– Deixe-me adivinhar – disse Dennis, com sarcasmo. – Vocês estão aqui para uma intervenção?

– É uma forma de definir isto – respondeu Miles Enright. O homem magro de meia-idade estava parado em frente à janela, com a luz do sol batendo em suas costas, e Dennis pôde ver seu próprio reflexo nos óculos escuros dele. Miles esboçou um sorriso frio. – Dennis – disse ele, indicando o homem à sua esquerda – este é o agente Brill, da Agência de Segurança Nacional – sobre o homem que estava à sua direita, falou: – Este é o agente especial Roel, do F.B.I.. E aquele perto da porta é o agente Wilson, da C.I.A.. Eles gostariam de lhe fazer algumas perguntas.

– Na verdade – disse o agente Roel – gostaríamos de prendê-lo primeiro, depois fazer algumas perguntas.

O agente Wilson acrescentou:

– O que pode ou não significar a sua cabeça sendo mantida por longos períodos embaixo d’água.

– Dependendo do quanto você cooperar – Brill concluiu com um sorriso ameaçador.

Roel deu um passo para frente.

– Sr. Ryland, vire-se de frente para a parede, por favor – Dennis fez o que o homem pediu, e continuou seguindo suas instruções. – Afaste as pernas, incline-se para frente, e apoie as palmas das mãos na parede.

O agente revistou Dennis rápida e minuciosamente, e então algemou o punho direito dele. O aço estava frio e cortou sua carne quase até o osso quando Roel colocou sua mão direita atrás de suas costas, forçando-o a permanecer ereto, e retirou sua mão esquerda da parede. Roel a segurou e, com movimentos rápidos e experientes, algemou Dennis completamente.

– Dennis Ryland – disse Roel – você foi acusado de comprometer a segurança nacional dos Estados Unidos da América, apropriar-se de recursos federais, ajudar e incentivar terroristas inimigos e trazer material radioativo ilegalmente para os Estados Unidos.

Miles interrompeu com sinais visíveis de sadismo:

– Ah, Dennis, e você está despedido – e para os homens de terno ele falou: – Tirem-no daqui.

A pior parte de ser conduzido algemado para fora do edifício Haspelcorp, na opinião de Dennis, não eram os olhares atônitos dos gerentes intermediários ou os subordinados que balançavam suas cabeças em desaprovação, ao terem o júbilo de vê-lo ser levado sob custódia. Não; para Dennis, a decepção maior daquela virada de mesa era que ele havia ficado sem seu café com rum.

Uma dúzia de carros – alguns com a marca da Polícia Estadual de Washington, outros sem qualquer inscrição – havia cercado a entrada principal do edifício. Dúzias de policiais uniformizados estavam de prontidão para assegurar que Dennis – com seus pés e costas doloridos e seu físico de servidor burocrático – não pudesse escapar. No alto, um par de helicópteros pretos perturbava o ar matinal com o ruído de seus poderosos rotores. Tamanha era a exibição de opressão que Dennis quase riu quando Roel o empurrou para dentro de um dos carros sem inscrição, tomando cuidado para não bater a cabeça do preso.

Isto é algo em que o governo é sempre bom, resmungou Dennis. O que eles fazem de melhor: armar um circo.

Cada janela da Haspelcorp que dava para a rua mostrava um ou mais rostos observando Dennis. Ele olhou para cima e sorriu para eles. Já havia visto aquele filme.

Ele voltaria.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

QUARENTA E SETE

KYLE ESTAVA PARADO DIANTE da porta fechada dos aposentos temporários de Jordan no Centro 4400. Ele sentiu Cassie aparecer atrás de si e sua respiração quente em seu pescoço. O perfume dela era delicado e floral.

— É agora — disse ela. — Ele está sozinho. Nunca teremos uma chance melhor.

A mão direita dele, suada, fechou-se em volta da pistola enfiada na cintura de suas calças jeans pela parte de trás. Com a mão esquerda, bateu na porta.

Do outro lado, Jordan respondeu:

— Entre.

Soltando a arma, Kyle abriu a porta e adentrou a sala de Jordan. A mobília era pouca, mas confortável.

Jordan estava parado diante de uma janela longa com vista para o belo jardim do Centro. Em uma mão, segurava um pires e na outra, uma xícara. Ele usava uma calça de linho larga e sem detalhes com uma camiseta no mesmo estilo. Seus pés calçavam sandálias de couro. Do lado de fora da janela, o sol punha-se atrás dos galhos exuberantes do Parque Interlaken.

Ele virou-se e recebeu Kyle com uma expressão serena.

— O que posso fazer por você, Kyle?

A voz de Cassie estava aguda de tanta raiva.

— Faça agora! Enquanto as mãos deles estão ocupadas.

Gotas de suor escorriam pelos cantos do rosto de Kyle enquanto ele esforçava-se para não reagir aos comandos malévolos de Cassie. Para Jordan, disse:

— Precisamos conversar.

Ela pôs-se entre os dois homens.

— O que está fazendo, Kyle? Não vai amarelar agora. Atire nele!

Jordan pousou o pires e a xícara no peitoril da janela.

— Tem algo errado com ela?

— Ela quer que eu te mate.

Cassie deu um tapa no rosto de Kyle. Ele piscou os olhos, chocado, e sua cabeça inclinou para o lado devido à pressão.

Parecendo confuso e preocupado, Jordan perguntou:

— Kyle, você está bem?

Ignorando o olhar cheio de ódio de sua musa obscura, ele respondeu:

— Ela acabou de me bater. — Ele tocou a bochecha formigante e sorriu. — Acho que não devia ter te contado.

Furioso, Cassie disparou:

— Nossa! Você acha?

Juntando as mãos e os dedos indicadores, Jordan começou a andar em frente à janela.

— Ela te contou porque quer que você mate?

— Ela disse que o Movimento está se desintegrando e que você não é líder que precisamos em tempos de guerra. Quer que eu assuma o comando.

Jordan assentiu. Parecia calmo e pensativo.

— Entendo — disse. Então ele olhou para Kyle. — Você trouxe uma arma ou ela quer que me mate com suas próprias mãos?

Não havia raiva ou sarcasmo na voz de Jordan. Sua estranha reação calma horrorizou Kyle e fez Cassie dar um sorrisinho maléfico. Kyle esticou a mão atrás de si e tirou a pistola.

— Trouxe isso — disse ele, mostrando-a para Jordan.

— Bom. Pelo menos será rápido. — Ele parou de andar, encarou Kyle e deixou os braços caírem ao lado do corpo. — Estou pronto.

— Bem, eu não estou — disse Kyle.

Com um movimento de seu polegar, soltou a trava da munição, que caiu da pistola e rolou pelo chão. Ele manteve a arma longe de Jordan enquanto colocava a trava de volta e o último cartucho caía. Então arremessou o revólver descarregado pela janela atrás do messias, que caiu em um monte de vidros quebrados no jardim abaixo.

Cassie olhava para ele.

— Isso foi burrice de sua parte, Kyle.

Jordan olhou pela janela de vidro quebrado, então para Kyle novamente enquanto perguntava:

— Por que você fez isso?

O jovem entendeu a reação de Cassie, mas a de Jordan o surpreendeu.

— O que está dizendo? Quer mesmo que eu atire em você?

— Se é isso que Cassie pediu para você fazer, então deve haver uma razão — respondeu Jordan. — Ela nunca se enganou antes.

— Escute ele, Kyle — disse Cassie com um sorrisinho presunçoso.

— Para tudo há uma primeira vez — retrucou Kyle. — Aquele navio que afundou, o ataque a Harbor Island… Foi Cassie que me mandou fazer essas coisas.

Ela deu um soco em seu estômago. Ele inclinou-se, incapaz de inalar o ar por alguns segundos. Enquanto o rapaz esforçava-se para ficar ereto, Cassie disse:

— Cale a boca e faça o que eu mando, Kyle. Tem uma faca na cozinha, na gaveta ao lado do fogão.

— Agora mesmo ela está me dizendo onde encontrar uma faca — disse ele. — Às vezes, ela me usa como fantoche. Ela fala, mas as palavras saem da minha boca.

Os pés dela acertaram em cheio a parte de trás do joelho dele, e ela o empurrou para frente. Ele caiu de joelhos em frente à Jordan.

— Você é fraco — disse Cassie, andando ao seu redor como um tubarão. — Você me dá náuseas.

Jordan disse:

— Kyle, se eu precisar morrer para que o Movimento continue, teremos que aceitar isso.

— Não — disse Kyle balançando a cabeça. — Acho que ela está mentindo, Jordan. Matar você não tem nada a ver com o Movimento.

Chegando um pouco mais perto, Jordan perguntou:

— Por que está dizendo isso?

— Algo que meu pai me disse. Ele disse que a promicina lhe deu poderes que parecem refletir quem ele é por dentro. Quem ele é de verdade. E eu pensei sobre o poder de outras pessoas. Shawn sempre estava tentando consertar o problema de outras pessoas; e agora ele cura. Heather queria ensinar as pessoas; e agora ela trás à tona seus talentos ocultos.

Jordan assentiu, aparentemente entendendo.

— E o que você queria, Kyle?

— Eu achei que queria respostas — respondeu. — Mas agora percebo que o que queria era atenção. Queria respeito. — Ele olhou para Cassie. — Mas não deste modo.

Ela enlaçou a mão em volta da garganta de Kyle e apertou.

— Você precisa ficar quieto agora.

Ele tentou tirar a mão dela, mas a moça era mais forte que ele. Cuspindo as palavras, ele disse:

— Você tem que detê-la.

Jordan colocou-se ao lado de Kyle. Cassie soltou-o e afastou-se um pouco. Jordan perguntou:

— O que está pedindo para eu fazer, Kyle?

— Quero que tire o meu poder — disse Kyle caindo de quatro, lutando para respirar. — Por favor.

Jordan cobriu a boca e suspirou pelo nariz. Levantando a mão, disse:

— Não sei, Kyle. A Cassie tem sido uma guia vital para o Movimento. Sem ela…

— Me escute — disse Kyle, olhando para cima. — Ela é mais que um pouco doida e não tem boas intenções. Mas o que me assusta é que ela é mais forte que eu. Qualquer dia desses, vai acabar me usando para fazer qualquer coisa que quiser. Eu estou implorando: não deixe que isso aconteça.

O pedido pareceu pegar Jordan de surpresa.

— Kyle, preciso ter certeza de que você sabe o que está pedindo. Se eu neutralizar seu poder, será para sempre. Você nunca o conseguirá de volta ou algum outro. Conseguirá viver com isso?

— Sim — respondeu o jovem. Lembrando-se de quando fora possuído por um agente dos Marcados anos antes, continuou: — Já fui usado uma vez por um maluco na minha cabeça que tentou te assassinar através de mim. Não deixarei que isso aconteça outra vez.

— Muito bem — disse Jordan. Ele colocou as mãos em cada lado da cabeça de Kyle. — Não vou mentir: isso vai doer.

— Tudo bem. Tem que doer.

Do outro lado da sala, Cassie encolheu-se como uma criança com medo e gritou:

— Kyle! Pare! Não faça isso! Podemos fazer um acordo!. Eu vou me comportar! Por favor…!

Uma pressão esmagadora envolveu o crânio de Kyle, e todos seus pensamentos ficaram vermelhos. Cassie gritou como um herege sendo queimado na fogueira. Seus gemidos agonizantes deram arrepios em Kyle, que chorava tanto de dor quanto de aflição.

Cassie cessou seus gemidos de dor por tempo suficiente para clamar:

— Kyle! Por favor! Eu te amo…

Ele fechou os olhos e sentiu o exorcismo dilacerante de Jordan através de sua mente, cortando cada traço de Cassie com a sutileza do bisturi de um cirurgião. Seu choro assustador reduziu-se a um soluçar fraco.

Enquanto Jordan o soltava, Kyle pensou sentir Cassie às suas costas. Ele virou a cabeça ao mesmo tempo em que a sensação ia desaparecendo…

Não havia ninguém ali…

Enxugando as lágrimas em seu rosto, ele pôs-se de pé e acenou para Jordan com a cabeça. Então andou a passos vacilantes na direção da porta. Enquanto abria-a, Jordan o chamou:

— Você está bem?

Kyle virou-se.

— Ela se foi.

— Não foi isso que perguntei.

Ele assentiu de leve.

— Eu sei.

Saiu e fechou a porta atrás de si.

Caminhando pelo corredor, Kyle sentiu a diferença em sua alma: Cassie estava morta; e ele, sozinho.

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comentários
  1. Tami disse:

    Devo admitir que não gostei muito dos rumos que a história tomou para a Cassie… não gostei do tipo de vinculo/poder que ela passou a exercer no Kyle e achei um pouco forçada essa explicação da atitude dela… claro que com essas atitudes e com as idéias dela esse foi um jeito digno, digamos assim, de tirar ela da história, mas ainda acho que poderiam ter dado um outro rumo pra personagem dela… e não sei se por eu ser apegada ao personagem desde a temporada 1, fiquei com dó do Kyle ter se tornado um p- num mundo que está se encaminhando para todos p+.
    E confesso que adoro o jeito ironico/sarcastico do Dennis, que aflora até nas piores situações! kkk

  2. Caio' disse:

    Muito boom!!! esperando os proximo lol

  3. Anderson disse:

    aguardando o desfecho da história.
    valeu por mais esses capitulos pessoal.

  4. Roger disse:

    cada vez melhor

  5. Daniel disse:

    Aos poucos a história vai se fechando…
    Muito bom e aguardando

  6. Kaio disse:

    Muito ansioso para os proximos capitulos espero que postem logo, por favor!
    Agradeço desde já todo o trabalho da tradução ate agora, começei a ler faz 2 semana e nao consegui parar de ler, já to junto com os leitores do blog!
    Acho a tradução ótima e de fácil entendimento!
    Muito grato mesmo!

  7. Paulo disse:

    Espero que postem logo, pois eu também estou ansioso para ler os próximos episódios. Obrigaduuuuu!!

  8. Aline disse:

    voltei.

    lendo os capítulos em maratona….

    não vou mentir, adorei a morte da cassie… nunca gostei nem confiei nela.
    melhor momento: fato!

    ótimas traduções como sempre!!! parabéns pelo trabalho.

    até a próxima.

  9. Bernardo disse:

    descobri o blog ontem..já tinha lido os livros em ingles e ontem e hoje foi uma maratona lendo as traduçoes..parabéns pelas publicaçoes!

  10. Lorien disse:

    eu também li em maratona; o mais legal disso tudo é que vai deixar um legado para pessoas que venham se interessar pela série no futuro, como eu, que só conheci esse ano!

    Muito obrigada, novamente, pelas traduções

  11. Vanessa disse:

    Obrigada pela tradução.
    Não vejo a hora de ler os próximos capítulos,

  12. Laércio disse:

    Este segundo está longo.
    Obrigado pela tradução

  13. Wilson carlos Vergo disse:

    Parabens e obrigado pelas traduções. Existe alguma possibilidade da continuação desta serie por filme (tv)?

  14. Debora Souza disse:

    Que bom que temos estas maravilhosas traduçoes. Acompanhei as temporadas pelo Netflix (fica a dica) e fiquei ansiosa por descobrir que nao havia continuaçao. Obrg aos que traduziram!

  15. Drika disse:

    Está tão bem narrado que parece que estou vendo na tela da TV!

  16. Muca velasco disse:

    Verdade, tb me sinto como se estivesse vendo pela tv! Mto obrigada mais uma vez pela tradução Helena e Vinicius!

  17. nilza disse:

    … ainda bem que “Cassie, a estranha” teve o fim que merecia.
    Jordan acabou com o encosto de Kyle… rs..

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