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Olá, galera!

Nesse post vim aqui para falar sobre o meu livro, que será lançado em julho pena Editora Selo Jovem. Na verdade, já falei um pouco dele aqui e aqui. Contrariando o que eu disse no primeiro post, o livro não é de nenhum amigo haha. Na verdade, eu o escrevi com um pseudônimo – A. Wood – porque achei que chamaria mais atenção e se encaixaria melhor com a história, que se passa no Canadá.

Não vou me alongar muito nesse post, então vamos ao que interessa: algumas informações do livro.

Sinopse

“Essas criaturas malditas existem. São tão reais quanto qualquer pessoa. Elas existem, estão entre nós, e eu odeio todas elas. Quero vê-las mortas, torturadas, dizimadas. Estou aqui apenas para isso agora. Aniquilá-las uma por uma.”

Peter Graham é um caçador de vampiros, mas não foi sempre assim.Antes era um rapaz homossexual que enfrentava as dificuldades de uma sociedade dividida entre a aceitação, o respeito e a repugnância à sua condição. Tinha amigos, amores, preocupações e medos como qualquer jovem, mas tudo isso ficou no passado. O novo Peter é frio e destemido a conseguir seu objetivo: aniquilar o maior número de vampiros possível. No entanto, tudo sofre uma reviravolta quando se vê obrigado a realizar uma missão à Família de vampiros que procura há muito tempo: caçar e matar um lobisomem. O que Peter não esperava era se apaixonar por ele e descobrir um segredo antigo que pode ajudá-lo em sua busca…

Essa aqui é a capa dele. Ficou demais, não acham?

graham

Convido todos a conhecerem mais sobre o livro (que sairá no comecinho de julho, mas já está em pré-venda para quem quiser garantir seu exemplar) nos links abaixo.

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Wattpad (para ler os dois primeiros capítulos online)

Compre aqui com FRETE GRÁTIS para TODO o Brasil!

 

Fiquem de olho no blog e não esqueçam de curtir a página no facebook, pois em breve teremos promoções e sorteios muito legais por lá!

 

Até a próxima! 😀

Perguntas – The 4400

Publicado: 26 de junho de 2014 em The 4400, Traduções

Olá, galera!

Sim, eu estou vivo! E estou ressuscitando o blog! 🙂

Primeiramente, queria me desculpar pela minha ausência durante todo esse tempo, mas é que realmente minha vida tem sido uma correria. Tenho meu trabalho, a pós-graduação, o meu livro (sim, vou publicar meu livro!) e muitas outras coisas que me mantiveram ocupado e acabaram me afastando do blog. Mas vou tentar dedicar mais tempo para ele a partir de agora e ver se volto aqui com umas novidades bem legais. Vamos ver se dá certo…

Bom, mas esse post é mais voltado para a galera que me visita por causa das traduções de “The 4400”. Tenho recebido muitos e-mails e comentários pedindo o envio do livro em pdf. O que acontece? O arquivo traduzido completo está em algum pen drive meu que eu simplesmente não lembro onde está! Haha. Preciso encontrá-lo para poder fazer o arquivo em pdf. Vou tentar fazer isso agora nessas férias de julho e disponibilizá-lo aqui para vocês, prometo!

 

Mas enquanto isso, vocês podem ir lendo aqui pelo blog e deixando seus comentários em cada capítulo. Para quem tem dúvida em como achar os capítulos (também tenho recebido comentários de gente que não encontrou os capítulos), é o seguinte:

 

1) No canto esquerdo, na coluna “categorias”, clique em “the 4400”

2) Na página que abrir, todos os posts relacionados à tradução aparecerão em ordem do mais recente pro mais antigo. Ou seja, vai começar do último capítulo do último livro e vai descendo para os anteriores. É só ir seguindo essa lista e, quando chegar no fim da página, clicar em “entradas mais antigas”. Todos os capítulos estão lá, é só ir olhando os posts nessa ordem.

 

Bom, gente, espero que isso tenha ajudado. Espero vê-los comentando e interagindo aqui pelo blog.

Um abraço e até logo!

Dica!

Publicado: 11 de janeiro de 2014 em Breno, Contos, Grey Griffins, Séries de TV, The 4400, Traduções

Beleza, galera?

A maioria das pessoas que passam por esse blog estão aqui por causa das traduções de The 4400, mas hoje resolvi fazer esse post para divulgar uma nova história que provavelmente alguns dos visitantes vão gostar!

Quem se interessa por literatura fantásticas/sobrenatural, é uma boa ideia conferir. Que tal darem uma olhada na página do facebook desse livro e curtirem? É só clicar na imagem abaixo. 🙂

 

Post atualizado com o book trailer do livro:

 

 

Graham

vampiro E aí, galera? Aqui estou eu novamente, mas dessa vez não é para falar das minhas histórias nem das minhas traduções, que podem ser encontradas aqui no blog. Estou aqui hoje para ajudar um amigo a promover o livro dele, que está em processo de edição.

Todos sabem que vampiros e lobisomens são um clichê atualmente, mas cá entre nós, praticamente tudo que lemos hoje em dia é um clichê, mas se o autor souber o que fazer com ele, acaba por criar uma grande história que pode agradar a muitas pessoas, não é mesmo? (Pessoalmente, uma história de vampiros que ficou muito boa foi True Blood).

Mas voltando ao meu amigo – que prefere ser chamado no mundo literário por A. Wood. Ele escreveu uma história com vampiros e lobisomens que tem tudo para dar certo. Apesar de o tema ser muito explorado por outros autores, no livro dele é abordado de um modo diferente e muito interessante. Se vocês quiserem conhecer mais sobre isso, acessem e curtam a página dele. Eu recomendo.

 

https://www.facebook.com/pages/Peter-Graham/320746394727974

Olá, pessoal.

Como eu tinha falado antes, agora vou postar a tradução de um outro livro ainda não publicado no Brasil. Já falei sobre ele em alguns posts mais abaixo (quem quiser saber do que se trata, dá uma procurada no blog). Enfim, agora vou publicar o prólogo traduzido por mim. Deixem suas opiniões a respeito da história nos comentários, ok?

E, lembrando, eu NÃO sou o autor do livro, apenas traduzi e não estou recebendo nada por isso. Estou apenas querendo trazer essa história tão boa para o pessoal que não sabe inglês e não têm como ler os livros, que foram escritos por DEREK BENZ e J.S. LEWIS.

Prólogo

            Max Sumner colocou a cabeça por debaixo do lençol, com medo. Havia alguma coisa no quarto. Na escuridão. Alguma coisa maligna.

            Correu o olhar pelo breu que mergulhava seu quarto em sombras misteriosas. Conseguiu distinguir a silhueta familiar de sua escrivaninha, coberta de cartas de jogo, e percebeu que debaixo dela tinha alguma coisa observando-o. Max não a via, mas ouvia-a respirar.

            A luz de um relâmpago iluminou o quarto, e Max viu que alguma coisa obscura e assustadora se arrastava em sua direção. Sua pele era como carvão e, ao invés de olhos, tinha órbitas vazias que lhe devolveram o olhar. Foi aproximando-se lentamente. Max abriu a boca para gritar, mas não saiu som algum. Tentou pular, mas suas pernas não se mexeram.

            À luz do próximo relâmpago, o monstro estava ao seu lado, erguendo as garras ferozes para ele.

            Antes que Max pudesse gritar, foi arrancado dos lençóis e jogado com força contra a parede do quarto. Gritou ao sentir os pregos soltando-se da madeira, as tábuas quebrando-se e os fios de eletricidade rompendo-se.  Saiu como um foguete em meio à noite de tempestade e caiu os três andares que o separavam do chão de pedra molhado devido à chuva.

            Não pôde fazer absolutamente nada.

Capítulo traduzido por Helena Padim.

Logo mais saem os dois últimos capítulos. Comentem!

QUARENTA E OITO

 

 

 

TOM SE JOGOU NO sofá de Diana com um suspiro de satisfação.

– Grande jantar – disse. – Quando você aprendeu a cozinhar assim?

– Eu não sou totalmente inútil na cozinha – ela protestou. – De qualquer forma, rigatoni à Fiorentina é relativamente fácil. É apenas massa, frango, espinafre tenro e fresco, e molho de vodca – segurando uma garrafa quase vazia de Pinotage, ela perguntou: – Mais vinho?

– Por favor – respondeu Tom, erguendo seu copo.

Ela o encheu com metade do que sobrara, e então entornou o resto do robusto vinho tinto em seu próprio copo longo. Um aroma peculiar de velas ainda exalava dos recém-apagados castiçais na mesa da sala de jantar, e a melodia suave do jazz saía das caixas de som ao lado da TV, quando Diana sentou-se na outra ponta do sofá em que Tom estava.

Acompanhando o ritmo da música com a cabeça, ele perguntou:

– O que é que estamos ouvindo?

– Ella Fitzgerald – ela respondeu.

Ele sorriu.

– Da coleção de Maia?

Ela retribuiu o sorriso.

– Como você adivinhou?

Os dois se recostaram, saboreando o vinho e ouvindo a voz doce e suave de Ella por algum tempo.

Em um intervalo entre as canções, Tom suspirou.

– Que dia! Eu te falei que Meghan me ligou hoje de manhã?

– Não – respondeu Diana. – O que ela disse?

Ele revirou os olhos e franziu a testa.

– Se o correio dos Estados Unidos ainda fizesse entregas na Terra Prometida, acho que ao invés de telefonar ela teria me mandado um cartão postal.

Com sincera compaixão, Diana perguntou:

– Ela te dispensou?

– Como se eu fosse um monte de lixo – respondeu Tom. – Ela na verdade tinha uma lista de motivos. Uma lista! Acredita?

Diana apoiou o cotovelo no encosto do sofá e deitou a cabeça no próprio ombro.

– Qual era o item número um?

– Ela tentou fazer com que parecesse um impasse – ele respondeu, olhando para as meias em seus pés. – A Segurança Nacional a avisou das revoltas e ordenou que acabasse com elas, e este provavelmente foi um dos motivos. O vídeo em que eu e você estamos atirando contra os soldados também não a agradou – olhando para Diana, ele continuou. – Mas acho que o que a irritou de verdade foi o fato de eu ter mentido para ela para poder te ajudar – sacudindo a mão num gesto de descaso, ele continuou: – De qualquer forma, acho que não teríamos futuro daqui para frente. Ela está por aí com um mandado de prisão contra mim, enquanto eu estou aqui, brincando de xerife na louca utopia de Jordan.

Levantando seu copo, Diana sugeriu:

– Me avise se precisar de um assistente de confiança, xerife.

– Pode se considerar convocada.

Enquanto Tom tomava mais um gole de vinho, Diana disse:

– Eu também tenho uma esquisitice para compartilhar com você – ela se arrastou para o meio do sofá, inclinou-se para a mesinha de centro, descansou ali seu copo e abriu a tampa de uma pequena caixa de madeira.

Dentro da caixinha forrada de veludo estava uma seringa com promicina, que sua filha lhe dera alguns dias antes.

Diante daquela visão, Tom levantou-se e foi se sentar no meio do sofá, ao lado de Diana, observando a caixa.

– Maia me entregou isto assim que eu acordei, depois da nossa missão em Yellowstone – disse Diana. – Ela diz que não voltará para casa enquanto eu não tomar esta dose. Quando eu contei que era imune, ela me disse que esta é uma nova fórmula, mais forte. Foi isso que ela te deu?

Ele concordou com a cabeça.

– Sim, acho que foi. Ela não estava brincando quando falou sobre ser mais potente. Isso me deu habilidade em menos de uma hora – lançando um olhar preocupado para Diana, ele perguntou: – Você não está pensando em tomar isto, está?

– Talvez – ela respondeu, mais defensivamente do que pretendia. – Quer dizer, eu quero que minha filha volte para casa, e se esta for a única maneira… – ela deixou a própria voz desaparecer, uma vez que estava certa de que Tom havia entendido. – Além do mais, você não pode dizer nada. Depois de todo o seu falatório contra a promicina, e de seu discurso sobre escolher o livre arbítrio ao invés da profecia, você injetou a agulha em seu próprio braço – franzindo a testa, fingindo desconfiança, ela apontou para ele e perguntou: – O que eu quero saber é como Maia conseguiu te convencer a tomar isto, se nem seu próprio filho havia conseguido? Por que você confiou mais na visão dela do que na dele?

Tom desviou o olhar. Diana imaginou engrenagens girando dentro da cabeça dele, enquanto decidia o que iria responder. Então ele respirou fundo, voltou a cabeça e olhou-a nos olhos.

– Eu fiz isto por você – ele respondeu. – Maia disse que se eu não tomasse a dose, teria que ver você morrer – a voz dele tremeu quando acrescentou: – Eu tomei a injeção para não te perder.

Um silêncio embaraçoso se fez entre os dois. Olhando nos olhos dele, Diana repentinamente percebeu o quão próximos ela e Tom estavam. Uma sensação carregada de romance, quase magnética, passou por eles. Enquanto se aproximavam vagarosamente, Diana de repente não se sentia mais triste por saber que Maia estava a milhas de distância e que não voltaria para casa aquela noite. Ela ficou esperando que Tom recuasse, mas ele parecia tão envolvido naquele momento quanto ela.

Ela piscou os olhos e recuou. Mesmo que eles não fossem mais agentes da NTAC e, portanto, não fossem mais parceiros, um senso de tabu persistia em sua mente, e aquela era uma linha que ela não estava preparada para cruzar… ainda.

Levantando-se e dando um passo para trás, ela retirou algumas mechas de cabelos dos olhos e sorriu polidamente para Tom.

– Bem – ela disse – está ficando tarde.

Ele olhou distraidamente para o relógio e aparentemente foi bem educado em não insistir que ainda não eram nem oito e meia da noite.

– Sim, acho que sim – ele respondeu, descansando seu copo de vinho sobre a mesa.

– Então, te vejo no Centro amanhã de manhã?

– Isso – ele disse. Então levantou-se e a seguiu até a porta, que ela abriu para ele. Os dois se atrapalharam um pouco quando ele passou por ela para sair, e então virou-se de volta.

– Boa noite – ele disse, com um sorriso simpático.

– Boa – ela respondeu, se inclinando para frente. Eles se cumprimentaram com dois beijinhos no rosto. Ele acenou levemente com a cabeça, e então saiu pelo corredor, em direção às escadas.

Ela começou a fechar a porta, e já havia quase terminado o movimento, quando rendeu-se a um impulso bobo. Silenciosamente, ela abriu novamente uma fresta para espiar Tom.

No mesmo instante, Tom diminuiu o passo e olhou para trás, por cima do próprio ombro, com o mesmo olhar de ansiosa consideração que ela lhe devolvia.

Invadida por uma alegria súbita, ela sorriu para ele.

Ele sorriu de volta, depois se virou e desapareceu pelas escadas abaixo.

Diana fechou a porta, virou-se e apoiou as costas nela, com um sorriso bobo no rosto. Ela não fazia ideia do que o dia seguinte iria trazer, mas já sabia duas coisas sobre ele.

Seria diferente.

E seria interessante.

Galera, aí vai o capítulo vinte, traduzido por Helena Padim.

Só para deixar vocês mais ansiosos (hahaha) vou deixar avisado que o capítulo 21 (o penúltimo) já está pronto, só falta uma revisão.

Bom, aproveitem e não esqueçam de comentar para garantir a tradução do segundo livro!

VINTE

 

            Restavam apenas cinco Marcados.

            Ou quatro, dependendo do modo como se contasse.

            Wesley Burke havia morrido três dias atrás. Morto em um “acidente bizarro” durante sua lua-de-mel nas Cataratas do Niágara, com sua última esposa. Uma estranha “rajada de vento” o havia arremessado por sobre a cerca de um dos mirantes das cataratas. Seu corpo havia sido estraçalhado nas pedras lá embaixo, e seus preciosos fluidos corporais diluídos nas espumas turbulentas. Curiosamente, ninguém ao redor, nem mesmo sua horrorizada noiva, tinha sentido mais do que uma leve brisa.

            Tal tragédia havia ocorrido apenas quarenta e oito horas após a fuga de Richard Tyler, o que implicava em uma explicação alternativa para o fim de Burke.

            Os Marcados estavam sendo caçados mais uma vez.

            O sheik Nasir al-Ghamdi não havia esperado que Tyler o rastreasse. O elegante árabe encontrava-se estatelado de cara na mesa redonda de carvalho, no salão do Castelo Wyngate. Uma pistola fumegante ainda repousava em sua mão. Uma perfuração de bala rasgara o turbante xadrez que lhe cobria a nuca. Uma mancha avermelhada se espalhava pelo tecido.

            Folhas de plástico transparente cobriam as paredes e a mobília, protegendo a decoração elegante do salão contra indesejáveis respingos de sangue. Francamente, George Sterling deveria preferir usar outra locação para os desgostos do dia, mas precauções com a segurança haviam vencido a conveniência. Wyngate era o local mais seguro disponível no momento. Ou pelo menos o único que foi um consenso entre os Marcados sobreviventes. Além disso, ele lembrou a si mesmo, o que importa se fizermos a maior bagunça? Eu não iria viver aqui por mais muito tempo, mesmo…

            Ele retirou a Glock dos dedos inertes do sheik, e a entregou a Song Yu que, junto com o General Roff e Kenpo Norbo, estava sentada à mesa forrada de plástico.

            — Sua vez.

            Ela aceitou a arma sem hesitação.

            — Pela causa — ela sorriu de modo assustador. — Nós nos encontraremos de novo, meu amigo.

            Ele admirava sua coragem e comprometimento.

            — Com certeza.

            Calmamente, seu rosto não demonstrando o menor traço de trepidação, ela colocou o cano da arma entre os lábios e puxou o gatilho. Um único projétil espalhou seus miolos pelas paredes atrás dela. Seu corpo se jogou contra o encosto da cadeira antes de se projetar em direção à mesa. Seu rosto bateu na superfície da mesa, expondo o ferimento ensanguentado em sua nuca.

            — Cristo todo-poderoso! — reagiu Julian Roff. O condecorado líder militar estava demonstrando não ter estômago para aquele tipo de trabalho sórdido. — Acho que jamais irei me acostumar com isto!

            Kenpo desviou o olhar dos restos mortais de Song. Ele estava claramente passando mal.

            — Vocês têm certeza de que nós não poderíamos apenas tomar uma pílula de cianeto, ao invés disso?

            — Isto é mais rápido e menos doloroso — declarou firmemente Sterling, como se eles já não tivessem discutido o assunto à exaustão. — E qualquer substância estranha à corrente sanguínea pode interferir no processo de transferência — ele estava desapontado com a sensibilidade dos dois homens; com certeza não haviam produzido tantos filmes sangrentos quanto ele. — Nossos companheiros serão elogiados por seus nervos de aço e sua firmeza neste momento crucial.

            Diferentemente de certos Marcados que eu conheço, ele pensou amargamente. Será que esses dois sempre foram tão fracos, ou a moralidade sentimental desta era piegas os contagiou? Ele se perguntava se os dois seriam capazes de fazer o que fosse necessário, quando chegasse a vez deles, ou se teria ele mesmo que puxar o gatilho. Aposto as bilheterias dos meus dois últimos sucessos cinematográficos como um desses dois vai amarelar na hora H.

            Antes, porém, ele tinha outra tarefa vital para cumprir. Retirando uma seringa metálica brilhante de uma bandeja sobre a mesa, ele se colocou atrás do corpo tombado de Song Yu. Seus cabelos negros e espessos estavam amarrados em um coque, provendo livre acesso à sua nuca. Quando ele se inclinou sobre ela, com a seringa vazia na mão, vislumbrou a marca por detrás da orelha esquerda dela. Pelo que sabia, aquilo era um sinal de honra. Ele pretendia fazer a coisa certa por ela – e assegurar seu iminente retorno.

            Inseriu a agulha na base do crânio dela, bem na direção da coluna vertebral. Uma cápsula de plástico transparente estava acoplada à agulha. Ele digitou em um teclado localizado na lateral da seringa e puxou o êmbolo, enchendo a seringa com um elixir prateado cintilante. Filtros moleculares no cateter excluíram o que era mero fluido cérebro-espinhal, que era claro e incolor, até que tudo o que restou do que fora coletado fosse uma solução concentrada de nanodispositivos. As máquinas microscópicas eram individualmente codificadas com a personalidade e as memórias de Song Yu, só esperando para ser implantadas na mente de uma nova identidade.

            Ele já havia escolhido a hospedeira perfeita para ela: uma obscura atriz loira, que havia interpretado um pequeno papel em Don Incubus, Demônio P.I.. Infelizmente, aquele filme em particular, a “obra-prima” final na duvidosa carreira do finado Curtis Peck, tinha ido direto para o DVD, mas Sterling tinha um papel muito maior guardado para a ambiciosa estrelinha. Ela havia concordado animadamente em conceder uma audição particular naquele fim-de-semana, onde ele pretendia reunir o elenco definitivo.

            E o melhor de tudo é que a atuação dela só tem a melhorar, uma vez que Song Yu assuma o comando.

            A cápsula se encheu rapidamente. Sterling retirou a agulha do cadáver e habilmente extraiu o frasco de seu estojo metálico. Ele o acomodou delicadamente na bandeja, ao lado de uma cápsula idêntica, que continha os nanodispositivos recolhidos de Nasir. Eles estavam destinados a um desafortunado figurante afro-americano em excelente condição física. O belo playboy árabe tinha relutado em se despojar de seu porte atual. Sterling esperava que ele achasse que o figurante era um substituto à altura.

            Ambos os hospedeiros eram ilustres desconhecidos, completamente fora do raio de alcance do radar de Collier.

            Ao menos, aquele era o plano…

            Etiquetas coloridas eliminavam a possibilidade de confusão mais adiante. Sterling acoplou uma nova cápsula à seringa.

            — Tá legal, quem é o próximo?

            — Eu — ofereceu-se Kenpo, levantando sua mão como um ávido estudante. Seu robe de açafrão farfalhou em volta de si. — Acho que existe um alvo desenhado neste corpo inútil. Eu quero sair dele agora!

            — É claro — disse Sterling. — Exatamente como combinamos.

            Depois de se opor à ideia anteriormente, ele havia relutantemente chegado à conclusão de que novos corpos eram uma necessidade para todos eles. Com Tyler liberto novamente, e seus disfarces completamente revelados, não havia escolha a não ser mudar os rostos mais uma vez. Uma vergonha eu ter que perder a entrega do Oscar, lamentou ele. Aquele  Farenheit 4400 tem boas chances de ganhar o prêmio de Melhor Documentário.

            Mas havia competições mais importantes a serem travadas no futuro.

            — Vamos deixar uma coisa bem clara — ele acrescentou, enfático. — Esta é meramente uma manobra estratégica, não uma rendição. Não estamos fazendo isto para nos esconder dos inimigos. A guerra continua, embora com novas aparências — ele encarou o lama e o general severamente. — Posso contar com vocês para continuar a luta, e vingar nossos companheiros martirizados?

            — Sim, sim — resmungou Kenpo. — Pela causa e tudo o mais — fazendo caretas de desgosto, ele esticou o braço por sobre a mesa, retirando a arma dos dedos gelados de Song Yu. — Vamos acabar logo com isto.

            — Vá em frente — encorajou Sterling. Ele pretendia se matar mais tarde, depois que tivesse transferido, com sucesso, as essências dos outros para os novos hospedeiros. Isto o deixava exposto e vulnerável por mais tempo, mas ele não confiava em mais ninguém para pôr em prática o estágio final da transferência. Nem mesmo Song Yu ou Nasir. — Nenhum de nós está se tornando mais jovem.

            Diferentemente de Song Yu, o celebrado lama parecia de fato enojado diante da perspectiva de estourar seus próprios miolos. Mãos trêmulas levaram a Glock até seus lábios. Ele fechou os olhos e se contraiu todo para o tiro fatal. O suor brilhava em sua cabeça sem cabelos.

            Um minuto passou.

            E outro.

            — E então? — perguntou Sterling, enojado pela óbvia covardia de Kenpo. O homem era uma desgraça para a cidade gloriosa que o havia dado à luz. Sterling até se perguntava se valeria à pena implantar um espírito tão fraco em uma nova identidade. — Algum problema?

            O atormentado lama retirou a arma de sua boca.

            — Me dê só um momento, pode ser? Isto não é fácil.

            Roff bufou com desprezo.

            — Qual é o problema, monge? Você não acredita em reencarnação? — ele esticou o braço para pegar a arma. — Me dá isto. Eu mesmo atiro em você.

            — Não se atreva! — Kenpo arrancou a arma dos dedos arrebatadores do general. — Eu tenho o direito de exterminar meu próprio hospedeiro! E não vou fazê-lo até que me sinta pronto para isto!

            Eu sabia que isto iria acontecer, pensou Sterling, aborrecido por ver suas piores previsões se realizarem. Por que Burke não poderia ter sobrevivido, ao invés dele? Suspirando, ele estava para intervir quando, inesperadamente, um tremor súbito sacudiu o salão. O candelabro de cristal chacoalhou violentamente acima da mesa. Poeira caiu do teto. Uma coleção de Oscars e Emmys despencou da prateleira acima da lareira, chocando-se com o chão. Os corpos de Song Yu e Nasir escorregaram de suas cadeiras, para cair com um ruído surdo por entre as pernas da mesa. Um vaso Ming de valor inestimável tombou, desintegrando-se em dúzias de cacos de porcelana. Folhas de plástico caíram das paredes. Um ruído ensurdecedor abafou os gritos espantados dos Marcados. Roff se agarrou na mesa para se apoiar, enquanto Kenpo mergulhou para debaixo dela. Sterling saltou em direção aos frascos, resgatando-os antes que pulassem da bandeja. Ele parecia confuso, enquanto lutava para manter o equilíbrio.

            Não entendo, pensou ele. A História não registrou qualquer terremoto de grandes proporções nesta data. O “Big One1” só ocorrerá daqui a muitos anos…

            Estrondos de trovão penetravam as trepidantes paredes do salão, aumentando sua perplexidade. Um terremoto e uma tempestade ao mesmo tempo? A verdade o atingiu com a força de um aríete.

1 Big One – O fato de a Califórnia estar sobre a grande falha geológica de San Andreas criou o mito de que um dia será destruída por um enorme terremoto, o qual foi apelidado   de “Big One”, ou, em tradução literal, “O Grandão”.

 

 

            O Castelo Wyngate estava sitiado.

            Tiros e gritos vindos do lado de fora do salão confirmaram sua avaliação.

            — Maldição! — Roff praguejou, no meio do tumulto. — Estamos sendo atacados!

            — Sua sagacidade militar nunca deixa de me impressionar, general — disparou Sterling. Movendo-se rapidamente, ele acomodou os preciosos frascos no interior almofadado de uma valise de couro e a fechou com um estalo. Ele atravessou a sala aos tropeções, em direção à parede onde ficava a porta. Um painel de madeira entalhado deslizou para o lado, para revelar um intercomunicador com um minúsculo monitor de televisão. Ele manejou os controles com sua mão livre.

            — Aqui fala Sterling. O que está acontecendo aí fora?

            A tela se acendeu, mostrando as feições desgrenhadas de Conrad Yerkes, o chefe da segurança. Ele era um ex-fuzileiro naval grisalho e com um olho de vidro. Sua cabeça e seus ombros atarracados preenchiam toda a tela, impedindo Sterling de ver o centro de comando de alta tecnologia atrás dele. A sala de controle ficava no campanário do castelo, quatro andares acima do salão. Yerkes parecia enlouquecido, sobrecarregado pelo caos.

            — As coisas estão ficando loucas, senhor! — gritou o homem. — Temos relâmpagos, terremotos, até uma droga de tornado desmantelando tudo! E intrusos conseguiram penetrar o perímetro. Os homens estão fazendo o melhor que podem, mas é como se a Mãe Natureza estivesse lutando contra nós!

            Está mais para os 4400, pensou Sterling. Collier está jogando tudo o que tem contra nós.

            O ruído do vento podia ser ouvido pelo intercomunicador.

            — Oh, meu Deus! — gritou Yerkes, olhando por cima do próprio ombro. Estática e chuvisco atrapalhavam muito a transmissão, mas Sterling vislumbrou o telhado da torre voando para longe, por detrás de Yerkes. Uma ventania furiosa sacudiu o cabelo grisalho do homem como as ondas de um mar revolto. Dedos embranquecidos agarraram-se ao console em frente a ele, lutando pela vida. Pedras e reboco vieram abaixo enquanto as paredes se desmantelavam pelo que parecia um tornado. Outro homem foi atirado no vórtice do redemoinho.

            — Nós estamos perdendo! — Yerkes berrou através do vento. — Nós não temos chance…

            Sterling não estava preocupado com a segurança dos guardas. Do ponto de vista avançado de sua própria época, a população abundante desta era já estava morta havia milênios. Eles eram fósseis ambulantes.

            — Permaneça no seu posto! — ordenou ele, duramente. — Detenha os intrusos o mais que puder!

            — Mas, senhor! — começou Yerkes. — O tornado! Está nos destruindo!

            E daí? Pensou Sterling. Eu só preciso de você para ganhar algum tempo para mim.

            — Você me ouviu, Yerkes!

            Antes que o agitado chefe da segurança pudesse vir com outra objeção, uma fonte de fagulhas explodiu de dentro do console. A estática distorcia seu grito, enquanto um poderoso choque elétrico chamuscava seu corpo. Incapaz de afastar suas mãos do equipamento faiscante, ele se sacudiu em violentas convulsões. Fumaça saiu de seu couro cabeludo. Sua boca se escancarou. Clarões azuis brilhantes se arqueavam por entre as obturações de seus dentes.

            A tela se escureceu.

            Demais para Yerkes, pensou Sterling friamente. Afastando-se do intercomunicador, ele deu uma olhada para a lareira. É hora de partir.

            Kenpo Norbo ergueu sua cabeça de debaixo da mesa. Seu famoso semblante sereno agora estava completamente pálido. Ele brandiu a Glock acima da cabeça. Sua mão tremia tanto que Sterling receou ser atingido por fogo amigo. Ele suspirou aliviado quando Roff agarrou a arma e a arrancou das mãos do lama.

            — Dê isso a quem sabe usar!

            Kenpo não tentou recuperar a arma. Ao invés disso, ele revirava as contas de seu rosário.

            — É culpa sua — ele gritou para Sterling. — Nós devíamos ter abandonado estes corpos uma semana atrás, logo depois que Calábria foi assassinado! Mas você disse que nós estaríamos seguros! — ele arrebentou o terço, que estava pendurado em seu pescoço, arremessando as contas por toda a sala. — Eu queria nunca ter vindo a esta era miserável! Nós deveríamos ter ficado em segurança na Cidade!

            — Que jamais existirá se você não se recompor! — disparou Sterling. Segurando firmemente a valise que continha as personalidades de seus comparsas, ele rapidamente atravessou o chão repleto de escombros até a imensa lareira de pedra do outro lado da sala. Troféus derrubados e corpos caídos esperavam para atrapalhá-lo, mas ele conseguiu manter o equilíbrio mesmo assim. — Por aqui! — ele gritou para os outros. — Nós precisamos fazer uma saída prudente.

            Roff olhou para ele, perplexo.

            — Onde? Subindo pela chaminé?

            Com sua mão livre, Sterling afastou as folhas plásticas que cobriam a lareira. Uma roseta entalhada adornava o topo do mantel. Segurando o ornamento, ele o girou em sentido horário.

            Um ruído baixo emanou da lareira, enquanto engrenagens escondidas moveram-se uma contra a outra. O maquinário adormecido despertou do repouso e os tijolos sujos de fuligem do fundo da lareira se afastaram, para expor a abertura de um túnel sombrio. Uma brisa fria soprou de algum lugar fora do castelo.

            — Ora vejam só! — exclamou Roff.

            A passagem secreta era legado de Edmund Wyngate, o caprichoso e silencioso astro de cinema que havia administrado a reconstrução do castelo oitenta anos atrás. Conta a lenda que ele usava a passagem para dar acesso secreto a bebidas ilegais e amantes a sua residência, nos anos vinte. Sterling sempre havia desconfiado de que essa inovação arquitetônica poderia ser útil qualquer dia. O túnel levava até uma garagem subterrânea, aninhada ao pé das Colinas Hollywood, onde um Jaguar com o tanque cheio esperava para levá-los em segurança… Se eles se movessem rápido o suficiente.

            Kenpo arfou de alívio. Ele parecia haver atingido o Nirvana.

            — Desculpe, Sterling. Eu jamais deveria ter duvidado…

            A porta da sacada superior se escancarou, arrancando as dobradiças. Richard Tyler, inteiramente coberto por um equipamento de guerra negro, irrompeu através da porta aberta até o patamar superior da escada. Ele os olhou de cima, como um anjo vingador, não parecendo nem um pouco abalado por seu recente cativeiro. Ryland claramente tinha sido muito complacente com ele…

            Nós deveríamos ter cuidado dele pessoalmente, pensou Sterling, maléfico. E não ter delegado o serviço a Haspelcorp.

            — Você! –— gritou Roff. Ele apontou a arma para a sacada, tão somente para tê-la arrancada de suas mãos por uma força invisível. Dedos estalaram de maneira audível. Ele praguejou.

            A pesada mesa de carvalho tombou de lado e atingiu o general como um aríete, esmagando-o contra a parede atrás dele. O candelabro soltou-se do teto e se atirou na direção de Roff como um meteoro de cristal. O sangue espirrou sobre as folhas de plástico penduradas.

            Outro tremor sísmico sacudiu o castelo, fazendo Richard se desequilibrar. Ele se segurou na grade para evitar cair da sacada.

            É agora ou nunca, percebeu Sterling.

            Agarrando a valise, ele mergulhou através do vão atrás da lareira. Arrastou-se para o túnel à frente e puxou uma alavanca atrás da lareira. A pesada porta de tijolos começou a voltar para o lugar.

            — Não! — Kenpo gritou, ao perceber que a porta estava se fechando. Ele saltou para a saída que desaparecia, agarrando-se na lateral da porta com suas mãos. — Espere! Você não pode me deixar aqui! Eles vão me matar!

            Não será uma grande perda, pensou Sterling. Para ele, o monge medroso era infinitamente mais dispensável do que Song Yu ou Nasir. Ele chutou o rosto e as mãos de Kenpo.

            — Largue a porta, seu idiota!

            Um atiçador de ferro ergueu-se por detrás do desesperado lama. A coisa saltou para frente como se tivesse vida, espetando Kenpo pelas costas. A ponta vermelha do atiçador irrompeu de dentro de seu peito. Sangue gorgolejou em sua garganta. Uma espuma sangrenta saiu de seus lábios. Dedos frouxos perderam a força com que agarravam a porta. Um chute final tirou seu corpo do caminho.

            A porta finalmente se fechou por completo.

            Agradeço a Deus por aquele atiçador! Pensou Sterling. O monge histérico quase havia matado a ambos. Ele trancou a porta secreta seguramente no lugar, e então voou para dentro do túnel fracamente iluminado. Ele não sabia quanto ia levar para que a telecinese de Tyler reabrisse a passagem, mas certamente não iria ficar por ali para saber. Era hora de se despedir do show biz para sempre.

            Abandonando o castelo Wyngate em mãos inimigas, ele correu por uma longa escada em espiral para a garagem abaixo. Àquela distância abaixo do castelo, mal se podia ouvir a tempestuosa batalha travada lá em cima. Ele era o último remanescente dos Marcados, mas não por muito tempo. Agarrou firmemente a alça da valise. De uma forma ou de outra, Nasir e Song Yu viveriam novamente.

            Isto não acabou, ele jurou. Tyler e seus aliados 4400 podiam estar em vantagem naquele momento, mas se Hollywood tinha ensinado uma coisa a ele, era que as melhores estórias não se acabam tão facilmente.

            Sempre haverá uma sequência.