Pessoal, aí vai o quarto capítulo do primeiro livro. Espero que gostem… e comentem.
Para quem ainda não leu, o link dos capítulos anteriores.
Prólogo:
http://brenooficial.wordpress.com/2009/07/07/prologo-breno-o-anel/
Capítulo 1:
http://brenooficial.wordpress.com/2007/12/28/introducao/
Capítulo 2:
http://brenooficial.wordpress.com/2009/02/04/capitulo-2/
Capítulo 3, parte um:
http://brenooficial.wordpress.com/2009/02/10/capitulo-3-primeira-parte/
Capítulo 3, parte dois:
http://brenooficial.wordpress.com/2009/03/26/continuacao-capitulo-3/
E agora o quarto capítulo. Enjoy! ;D
Capítulo 4
Noêmia
Alguns dias se passaram desde a aventura na ilha e Breno não encontrou mais nenhuma pista de onde mais poderia estar o seu anel. Tudo havia mudado repentinamente desde a sua transformação. A partir daquele dia, ele não estava mais indo para a escola, pois não estava com vontade de ser visto por muitas pessoas e haveria muitas perguntas de todos os colegas. Seu irmão Bruno também não estava dormindo em casa e isso deixava Irineu e Breno preocupados, pois Bruno nunca fora assim, sempre fora muito caseiro e nunca havia dormido fora de casa sem avisar.
Mas um dia, Breno e Irineu estavam em casa e Bruno entrou, assustando os dois, ao abrir a porta da sala.
― Bruno! ― exclamou Irineu. ― Onde esteve, meu filho? O que está havendo com você?
O garoto olhou para o pai com o seu olhar furioso e mais uma vez Irineu percebeu que o olhar do filho estava diferente.
― O que você quer? ― perguntou Breno ao irmão.
― Eu ― disse Bruno, com a voz saindo com dificuldade da garganta. ― tenho que matar você. ― E apontou para Irineu. Ele pegou um canivete que tinha no bolso e liberou a lâmina. Irineu ficou parado, espantado demais para fazer algo, e Bruno jogou-se na direção dele com o canivete levantado. No mesmo instante, Breno pulou e empurrou o irmão para o chão, que caiu produzindo um baque abafado.
― Você está maluco? ― berrou Breno para o irmão caído.
Bruno levantou-se e olhou para garoto. Não disse nada, apenas se virou e saiu da casa.
Irineu ficou parado, observando a porta por onde o seu filho acabara de sair, e lágrimas brotaram de seus olhos, escorrendo pelo rosto e parando no queixo. Breno aproximou-se do pai e o empurrou carinhosamente, fazendo-o sentar-se no sofá.
― O que está acontecendo? ― perguntou Irineu, entre soluços.
― Eu não sei ― respondeu Breno, num sussurro. ― Mas vou descobrir. E tenho certeza de que Bruno está fora se si. Aquele não é o meu irmão. Não o que eu conheço.
Passos vieram do lado de fora da sala e por um instante Breno pensou que o irmão estava voltando, mas logo viu que era Caio entrando.
― O que aconteceu? ― indagou. ― Eu estava vindo pra cá e vi o Bruno saindo e deixando a porta aberta e…
Breno explicou tudo o que acabara de acontecer e, assim que terminou a narrativa, ouviu mais passos vindo do lado de fora.
― Quem será agora? ― perguntou Irineu
― Sou eu ― respondeu Cabelo de Fogo ao adentrar a sala.
― Ah, não… ― sussurrou Caio, com medo.
Cabelo de Fogo ergueu as mãos e Breno viu que elas começaram a ficar pretas e algumas faíscas começaram a sair delas…
***
― Onde estou? O que aconteceu?
Breno havia desmaiado e agora acordara desesperado deitado em uma cama de hospital. Sua casa havia sido destruída pelo fogo. Seu pai e Caio…
― Está no hospital ― respondeu uma voz ao lado do garoto. Ele olhou e viu uma enfermeira ao lado da cama. ― Sua casa estava incendiando quando os bombeiros chegaram e trouxeram você e um outro garoto para cá. Por pouco, vocês escaparam da morte.
― Mas… e o meu pai? Onde ele está?
― Pai? Não havia mais ninguém naquela casa, exceto você e o outro garoto.
― E onde está o meu amigo?
― No quarto ao lado, mas você terá que esperar para vê-lo, pois os médicos querem te examinar melhor. Nunca viram algo como você. Um bicho tão estranho…
Breno ignorou a enfermeira e pulou da cama. Desviando-se da mulher, abriu a porta do quarto e saiu para o corredor. Entrou rapidamente no quarto ao lado e viu Caio deitado na cama.
― Breno, o que…?
Ele não esperou Caio terminar de falar, se jogou embaixo da cama e mandou o amigo calar-se. Poucos segundos depois, a enfermeira entrou furiosa no quarto.
― Onde está aquele garoto? ― perguntou ela, rispidamente, a Caio.
― Que garoto?
― Aquele que parece coruja!
― Não tenho a mínima ideia ― respondeu Caio, dando de ombros.
― Mas ele disse que vinha para cá.
Dito isso, a enfermeira saiu e fechou a porta atrás de si. Caio levantou-se da cama e Breno saiu de baixo dela.
― Ele levou meu pai! ― exclamou o garoto.
― Eu sei ― falou Caio indo para a janela e olhando por ela para o céu claro. ― Mesmo com a fumaça atrapalhando a visão, eu consegui ver. Mas não sei para onde ele o levou.
― Vamos fugir daqui e procurar meu pai lá na fábrica abandonada, que é o lugar mais provável onde Cabelo de Fogo pode estar.
― Vamos pela janela.
Por sorte, o quarto dos garotos era no andar térreo e, ao saírem pela janela, os dois estavam no estacionamento do hospital. Foram passando agachados entre os carros e correram para a saída sem que ninguém os visse. Enquanto os dois corriam pelas ruas na direção da fábrica, as pessoas lançavam olhares espantados a Breno, mas ele não estava se importando. A única coisa que queria era encontrar seu pai.
Quando viraram uma esquina, chocaram-se com outra pessoa e os três caíram sentados no chão. Ao se levantar, Breno viu que era Paulo a pessoa com quem haviam trombado. O garoto estava ofegante quando se levantou também.
― Finalmente… encontrei vocês ― disse ele, parando de falar por um momento para respirar. ― O seu pai, Breno. Eu vi o Cabelo de Fogo o levando para o ferro velho.
Rapidamente, os três começaram a correr mais uma vez, mas desta vez na direção do ferro velho. Ao entrarem lá, passaram pelo meio dos lixos que havia, procurando Irineu e o encontraram amarrado e caído no chão, perto de um carro velho. Os três correram para lá e Paulo e Caio começaram a desamarrá-lo, pois Breno não conseguia por causa das suas asas.
O garoto olhou para os lados, procurando por Cabelo de Fogo, e o viu a poucos metros de distância, levantando um carro velho com uma força sobrenatural. Os olhos de Breno se arregalaram quando o carro foi jogado na direção deles. Os outros garotos e Irineu (que já estava desamarrado) gritaram assim como Breno.
O carro ia cair em cima deles, matando o pai e os amigos de Breno num instante, mas algo estranho aconteceu: faltando pouco menos de alguns centímetros para acertá-los, o carro parou no ar e voltou na direção de Cabelo de Fogo, que sumiu de repente como se a brisa leve o tivesse desmanchado. O carro caiu no chão com um estrondo e ficou imóvel.
Ainda apavorado, Paulo perguntou a Breno:
― Como jogou o carro de volta?
― E-eu não fiz nada ― respondeu Breno ao garoto. ― Só fiquei assustado.
Irineu levantou-se do chão e correu até o filho. Com a respiração ofegante, disse:
― Aquele homem não quer matá-lo. Ele estava conversando com outra criatura encapuzada, que disse que você ainda não estava como ele queria.
Aquilo era muito estranho. Seria a outra criatura Maléfico, o monstro que encontrara na caverna? E por que não queria matá-lo agora? Era tudo muito confuso para o garoto. Muita coisa para sua cabeça, para um garoto de apenas doze anos.
― Vamos sair daqui ― foi a única coisa que Breno disse.
Caio chamou Breno e o pai para morarem na sua casa enquanto os dois não conseguissem uma outra, pois o fogo havia consumido tudo. Paulo foi embora para sua casa, enquanto Breno, Irineu e Caio seguiam para a casa do último. Lá, o pai de Caio estava na cozinha, preparando algo para comer. João era seu nome e ele tinha mais ou menos a mesma idade que Irineu. Seus cabelos eram encaracolados e não muito compridos. Ao ver os recém-chegados, ele disse:
― Como vai, Irineu? ― a princípio levou um susto ao ver Breno, mas não disse nada, pois anteriormente Caio já havia contado a ele o que acontecera.
― Bem ― respondeu Irineu.
Então Caio contou o que acontecera com a casa de Breno e disse que os havia chamado para ficarem lá por algum tempo. João aceitou que os dois ficassem lá e disse que sentia muito pelo que estava acontecendo com eles.
Breno dormiria no quarto de Caio e Irineu na sala enquanto estivessem hospedados. A noite chegou rapidamente e, enquanto Caio e Breno dormiam no quarto, Irineu e João conversavam na sala:
― Alguma notícia da Noêmia?
Noêmia era a mãe de Caio. Ela tinha saído de casa alguns meses antes deixando apenas uma carta dizendo que passaria alguns dias na casa da mãe que morava em outra cidade. O telefone que João tinha não existia mais e ele não sabia onde encontrar a esposa. Então os meses se passaram e ela não voltara ainda. A única coisa que restava era esperar alguma notícia.
― Não ― respondeu João, tristemente. ― Não sei o que aconteceu com ela. Saiu tão estranha daqui.
A campainha tocou no segundo seguinte e João caminhou até a porta. Ao abri-la, surpreendeu-se com o que viu. Á sua frente estava uma mulher alta, da sua idade, com cabelos lisos e negros, olhos claros e com um sorriso estampado no rosto.
― Noêmia… ― sussurrou o homem sorrindo ao ver a esposa.
Ela se jogou nos braços dele e os dois beijaram-se demoradamente. Quando soltaram-se, a mulher disse:
― Tenho boas notícias. ― E entrou na casa. Ela viu Irineu e acenou para ele, ainda sorrindo.
Irineu percebeu que os dois queriam conversar em particular e foi para a cozinha. Quando o casal estava a sós, Noêmia disse:
― Estou grávida.
Os lábios de João curvaram-se num sorriso que ele nunca tinha feito antes e abraçou a mulher rapidamente. Quando ele a tinha visto na porta de casa, estava tão alegre que não tinha percebido a barriga de grávida da mulher, mas agora percebera.
― Eu saí daqui sem saber que estava esperando um filho ― disse ela. ― Mas lá na casa da minha mãe descobri. Só não vim antes porque… ― Ela hesitou um momento, mas antes de continuar a falar, alguém gritou:
― Mãe! ― era Caio, que havia saído do quarto e foi correndo abraçar a mãe.
― Meu filho… ― disse ela abraçada com o garoto.
― Você… está grávida? ― perguntou Caio olhando para a barriga da mãe.
Ela sorriu e acenou com a cabeça.
Algum tempo depois de confabulação, todos foram dormir e Irineu voltou para a sala e deitou-se no sofá, onde dormiria.
A escuridão dominava o quarto de Caio quando alguém entrou pela porta e caminhou cautelosamente para não fazer barulho. A pessoa foi até a cama dele e o cutucou.
― Caio, acorde ― sussurrou ela.
Sonolento, o garoto abriu os olhos e viu a mãe o cutucando:
― O que…?
― Venha comigo ― sussurrou Noêmia. ― Vou lhe mostrar uma coisa.
Caio sentou-se na cama, mirou o relógio na mesa-de-cabeceira e disse:
― São quatro horas da manhã. Aonde nós iremos?
― Venha e eu lhe mostro ― disse Noêmia, puxando Caio levemente pelo braço.
Os dois caminharam lentamente pela casa até sair para a rua ainda tomada pela escuridão. Caminharam pelas ruas desertas sem produzir o menor ruído e então chegaram a uma praça. Noêmia sentou-se em um banco e disse:
― Sente-se, filho. Daqui a pouco você verá o que quero lhe mostrar.
Caio sentou-se ao lado da mãe e vasculhou com o olhar as árvores em volta deles. Em um momento viu uma luz alaranjada se aproximando por entre elas, provocando sombras aranhosas. Ele levantou-se de um salto e puxou a mãe pelo braço.
― Temos que sair daqui, rápido! ― exclamou Caio começando a caminhar mais rápido puxando a mulher, mas Noêmia não saiu do lugar.
― Por quê? ― perguntou ela. ― Agora que chegou o que eu queria mostrar-lhe.
Caio soltou o braço da mulher e cambaleou para trás, não podendo acreditar no que estava ouvindo. Sua mãe. Sua própria mãe estava ajudando Cabelo de Fogo.
O homem com cabelos flamejantes saiu de trás das árvores, caminhando na direção do garoto e da mulher. Caio, mais uma vez, segurou a mãe pelos braços e começou a puxá-la para saírem dali, mas à sua frente surgiu uma labareda de fogo, que o impediu de continuar o seu caminho. Ele tentou por outro lado, mas aonde ia, uma labareda surgia, até que todas elas se uniram e formaram uma única grade que prendeu os dois, mãe e filho.
― Eu estou te ajudando! ― berrou Noêmia, furiosa.
― Mas agora que trouxe o que eu pedi, você não serve mais para nada.
O monstro levantou a mão direita e faíscas pularam dela, apagando-se ao se juntarem à terra no chão. Caio abaixou-se com cuidado para não encostar-se à grade de fogo e pegou uma pedra que deitava aos seus pés. Jogou-a e ela atravessou o fogo, parando somente quando atingiu o olho de Cabelo de Fogo, que perdeu a concentração e a grade se desfez. Aproveitando o momento, Caio pegou Noêmia pela mão e correu para fora daquela praça, deixando Cabelo de Fogo gritando de dor.